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quinta-feira, setembro 12, 2013

O ADJUNTO PUGILISTA

Lida a história desenterrada por Cerejo, conclui-se que Rodrigo Gonçalves necessita de tratamento hormonal para parecer pacífico. Se não resultar, que tal a castração?! Precisamos de mais Ghandi e menos Tyson.

quinta-feira, outubro 11, 2012

TROCOS

Relvas garante que serão dispensados menos de 50 mil funcionários públicos
A minha vida é negócios. Negócios. Negócios e Negócios!
Ok, Cerejo, estás a fazer um belíssimo trabalho de investigação e já to elogiei quando radiografaste as casas horrendas que o PlayBoy de Paris assinava indevidamente na Guarda. Mas depois, acabadinho de ouvir atentamente o pseudo-contraditório de Paulo Campos, no programa do José Gomes Ferreira [página estranhamente desactualizada], a negar e a renegar relatórios oficiais comprometedores, a negar e a renegar dados oficiais comprometedores e a desmentir e redesmentir factos oficiais comprometedores com outros dados mais doces, com outros relatórios mais em conta e com outros factos mesmo a calhar, relativos às Mil e Uma PPP Ruinosas do Socratismo, ou seja, a velha língua de pau e o velho pó atirado aos olhos da Opinião Pública, era bom que a tua investigação, Cerejo, qualquer investigação, incidisse sobre os milhares de milhões do Erário Público atirados pela sanita em estradas inúteis e outros negócios absolutamente assassinos, conforme hoje testemunhamos na pele. De notar a atrapalhação, a secura da boca, a gaguez e a montanha de papéis ideais para a ofuscação e a confusão que falaram pelo Palhaço Paulo Campos, discípulo evidente do Charlatão posto em sossego em França. O binómio mini-pinóquio Passos-Relvas faz parte de um Sistema e de um Regime que não têm nem remédio nem redenção a não ser com uma mudança serena, um referendo de Regime, uma Ideia Nova, livremente amada e aclamada pelas Pessoas que hoje abominam a Nomenklatura, Toda a Nomenklatura! do Descalabro. Queremos é saber dos milhares de milhões de prejuízos massivos para o Estado e do Risco Zero / Perda Nula que os Governos Sócrates negociaram sistematicamente a favor dos Privados.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

SÓCRATES, A VOSSA JOANA D'ARC

Não é que nos tenhamos transformado em doentios obsecados na figura feminil e primadnonnesca de José Sócrates, perante o silêncio ensurdecedor em torno do desastre por si perpetrado. Ele clama suficientemente por insistentes abordagens compensatórias. Tomados do máximo tesão pelo corte salazarento de cabelo, pelo deslizar em passerele mediática com os cotovelos dos braçitos erguidos, como nos bailes do barroco, Sócrates, os seus adjuntos, assessores e conselheiros, é que fizeram questão de nos inocular os cornos, todos os dias, ao longo de seis anos, com a injecção contínua da sua maldita imagem pela imagem, dos seus sermões de váculo lustroso, com as suas tretas com olhar o viril, assertivo e másculo de um asno, ocultando o mais que puderam merdas corruptas passadas e merdas corruptas presentes, as quais Pinto Monteiro, esse grande tampão na vagina do Regime e que Cavaco insiste em manter pifiamente no activo, se incumbiu de proteger. Daí que, por exemplo, o meu extremoso censor Valupiças, assessor em blogue-de-treta e privilégio temático de essa nossa Besta do Apocalipse, seja outro dos tais que nada mais tem a fazer nesta vida que a perpétua beatificação de José Sócrates, a sua Joana d'Arc, o seu Kennedy, o seu mártir, o cerne de todas as Nostalgias Esquerdíferas de Saque e Pirataria de Estado. Só por isso é que Sócrates continua um filão inesgotável para o jornalismo e para a bloga que não seja venal e conas conivente JN, como por exemplo o Correio da Manhã, o Sol, o Público, a SIC e a TVI. Obviamente que, quando olharmos para trás, perceberemos a casta de bichos que ousou colocar as manápulas elefantinas  na condução de Portugal Porcelana. É assim que vemos com olhos enfadados Vasco Gonçalves e outros nababos do verboso calaceiro que se locupletaram à conta da nossa fidúcia. Sim, Valquíria, tal como grafas, «o cabrão falsificou mesmo um documento qualquer. Pelo menos um, prontos. E mentia. Ou que alguém disse ter a impressão que ouviu a alguém num baptizado que Sócrates, um dia, já mesmo no final do dia, quase hora do chichi cama, teria mentido a fulano e beltrano, quiçá aos dois em simultâneo.» Tudo o que quiseres, Valquíria. O certo é que José António Cerejo fez um belíssimo trabalho jornalístico: qualquer levantamento de factos que testifiquem os meandros furões com que um inultrapassável aldrabão aldraba uma Nação inteira, e ela insiste, não se apercebe da gravidade dos indícios nem os releva, constitui um serviço cívico de magno valor, ainda que tarde de mais e sem alcance retroactivo. Os escândalos e crimes de Sócrates não são ansiados. São encobertos ao mais alto nível, o que te permite cantar de galo e esboçar uma ironia amarela.

quarta-feira, novembro 30, 2011

VERDE, INSIGNE REITOR DA SORBONNE LUSA

Rui Verde só pode pertencer àquele grupo restrito de portugueses metidos numa alhada monumental e que rapidamente se transformam em vendedores dos próprios livros, também eles escritos e publicados à pressa. A extinta Universidade Independente, nicho 'formador' de ávidos políticos instantâneos, políticos automáticos, apressados em subir na Capital e sobretudo no capital, foi um caso de pressa extrema. Agora que Verde enfrenta as naturais consequências, transforma-se em escritor, biografista e zelador de papéis. Ora os documentos da Independente que o Verde tem na mão e de que Cerejo faz alarde neste dia de São Orçamento, por mais selados, por mais carimbados e por mais assinados que estejam, possuem tanta credibilidade e seriedade quanta a que Sócrates averbou com os seus processos 'límpidos' e 'isentos' de chegar ao Poder, manter o Poder e governar para o seu disciplinado exército clientelar. Sócrates, que é tão sério como qualquer burlão, qualquer charlatão, como não tem nenhuma credibilidade, só tem quem o lixe, mesmo quando o tentam ajudar, ilibar, como parece fazer Verde. A falsidade furona de Sócrates não está tanto na falsidade trambiqueira dos seus diplomas falsos, mas no dominguismo leviano e burlão que lhe permitiu finalizar o curso à toa, numa displicência e supeficialidade inerentes à 'Universidade' e bem a imagem do «Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia  se é que a sua cegueira não é incurável...» de que falava Almada. 'Curso' que, aliás, bem avisada, a Sorbonne não homolgou nem com os bons ofícios do sr. embaixador. Por alguma razão: quando o simples operárío Lula da Silva recebe Doutoramentos Honoris Causa e o 'licenciado' e ex-primeiro-ministro José Sócrates não é admitido na Sorbonne, está tudo dito e redito. Não basta frequentar o Quartier latin de Paris com os milhões comissionistas abichados ao longo de uma governação criminosa, para se entrar na Sorbonne, nem basta passar a desejar o Saber em vez de somente o Luxo, para se ficar absolvido! Tu, que ignoraste e perseguiste quaisquer vozes inimigas do teu orgulho, ofensivas à tua vaidade, menos a pantomineira tua, deverias sabê-lo, Primadonna! Isso de tirar um curso por semana, passado aos domingos à tarde, e logo numa pseudo-Universidade, graças ao carimbo faccioso de um Professor amigo, sócio de negócios, cúmplice para todo o serviço, é muito fácil. Basta ser Sócrates.

quarta-feira, novembro 17, 2010

CLONE BOY DOLLY DO PM

Quem tiver um pouco de amor pela literatura portuguesa, encontrará na farsa Auto da Índia, de Gil Vicente, uma cómica abordagem à infidelidade feminina na cidade de Lisboa, mais de dez anos decorridos desde o início da aventura oriental, pimenta e canela, quando, armada após armada, se partia da cabeça do Reino, Lisboa, a conquistar, comerciar e a pilhar pelas Índias e pelas Mecas. Levada à cena em 1509. A trama é simples: partido o Marido na armada de Tristão da Cunha, em Maio, a Ama alterna deleitosamente com os pelintras Lemos, ex-escudeiro, e um Castelhano rufião. Um na rua e outro na cama, declara a Moça, sua criada, num aparte. Por falar em alternar, em adultério, em prostituição, em dissipação, a forma de o PS estar nos cargos públicos, toda a genética PS, não cessa de nos surpreender. Criatividade maligna! A notícia a seguir transcrita mostra-se paradigmática: «Um jovem de 26 anos [Pedro Silva Gomes], sem currículo profissional nem formação de nível superior, foi contratado, em Dezembro, como assessor técnico e político do gabinete da vereadora Graça Fonseca na Câmara de Lisboa (CML). Remuneração mensal: 3950 euros ilíquidos a recibo verde. Desde então, o assessor - que estava desempregado, fora funcionário do PS e candidato derrotado à Junta de Freguesia de Belém - acumulou esse vencimento com cerca de 41.100 euros de subsídios relacionados com a criação do seu próprio posto de trabalho.» Público Celebriza-se assim essa insigne prole de Sócrates, a mãe, e de Vara, o pai, com os seus pequenos e grandes clones boys dolly comportamentais. Campeões da incúria, sem qualquer decoro, aspergem toda a espécie de injustiças sobre os cidadãos, escarram sobre eles, ultrajam, devoram, mentem, descuram. E no entanto, pretendem durar, durar muito. Esta gente indescritivelmente má e desonesta, a começar pelo PM, só sairá a pontapé.

sábado, setembro 04, 2010

JAC E OS PROTOCENSORES

Uma das coisas mais intragáveis nesta Hora da Morte portuguesa é o lado para o qual certas vozes conjugadamente peroram: o lado negro da Força. Seja o bastonário da Ordem dos Advogados, seja Júdice, José Augusto Rocha, seja Fernanda Câncio, seja um "sem número" paradoxalmente minoritário e repetido de refinados sofistas, todos esses pretendem rasurar o levantamento progressivo da nova cidadania com os seus actos de coragem, denúncia e moralização da vida pública por todos os meios que negritude moral e a sem-vergonha em vigor exigem. Pelas gravíssimas revelações de Agosto sobre o papel da cúpula da PGR, logo quiseram esmagar como uma barata o jornalista José António Cerejo como outrora quiseram fazer o mesmo ao professor António Balbino Caldeira, a um ou outro colunista desaparecido em combate, como João Miguel Tavares, por ter escrito premonitória e corajosamente isto: «A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral», coisa pela qual foi processado por Sócrates através do escritório de advogados do dr. Proença de Carvalho. Das duas uma, ou se deixaram prostituir pelo estipêndio que lhes calha ou então entendem que o Poder é um feudo intocável que na realidade não tem de prestar contas a ninguém sendo que o lugar dos cidadãos não passa de um lugar vazio à mesa da Casa Comum Portuguesa. Como não subscrever isto que JMF resume?!: «Não fosse o advogado José Augusto Rocha ter decidido juntar a sua voz à da legião de protocensores que condenam o facto de José António Cerejo (JAC) se ter constituído assistente no caso Freeport e não teria decidido, dado a insignificância de algumas dessas vozes e o vazio da sua argumentação, regressar ao tema. Faço-o não por causa do tom insultuoso dessa prosa – infelizmente na linha da dos actuais dirigentes da Ordem dos Advogados -, mas porque esta tem o objectivo confesso de limitar a liberdade de informação, porventura através de uma alteração ad hoc da legislação. Não vou, por isso, perder tempo a rebater, por exemplo, a ideia de que no jornalismo não se deve ter em consideração o “interesse público”, pois isso seria – imagine-se! – “totalitário”. Vou apenas explicar por que motivos uma cultura democrática, livre e aberta considera absolutamente legítimo recorrer à figura de “assistente” no processo judicial, como fez JAC. Primeiro que tudo, o que diz a lei. O Código do Processo Penal estabelece que pode constituir-se assistente quem tiver interesse directo no processo e “qualquer pessoa” num conjunto de crimes que tipifica e entre os quais estão, entre outros, os crimes de tráfico de influência, corrupção, peculato ou participação económica em negócio. Ou seja, considera-se que nestes crimes há um bem comum a preservar, pelo que todo e qualquer cidadão pode intervir no processo como assistente. Esse bem comum não é distinto daquilo que, na imprensa, consideramos ser de interesse público – como, por exemplo, verificar se os governantes actuaram de forma impoluta. Quem, em contrapartida, acha que a imprensa é apenas um pé de microfone dos diferentes poderes e não um contrapeso vigilante que segue de forma atenta e responsabilizável a actuação desses poderes enganou-se no século e no regime

terça-feira, agosto 10, 2010

CALOS E CALÚNIAS

O problema de f. é o abuso de um discurso faccioso para realidade tão feia como o caso Freeport. Que o poder político interfira grosseiramente no caso é irrelevante. Que a cúpula do MP se comporte como extensão protectora de José Sócrates não interessa nada. Interessa, sim, crucificar o jornalista José António Cerejo, assistente no processo Freeport, por nos dar conta da subversão interna operada por Cândida Almeida e Pinto Monteiro. f. é parte interessada porque faz parte do sistema que sonega a verdade e manipula os factos nem que seja à força da picareta argumentária, esse viscoso chover no molhado e que tanto nos entedia. Confesso que nunca mais me refiz após ter visto os calos pedonais de f., metidos numas sandálias amarelas, unhas góticas, tudo escarrapachado numa foto parola publicada no Jugular. Do mesmo modo já me habituei a não ver publicados quaisquer comentários lá deixados: não há maior calúnia à liberdade e à capacidade de encaixe que essa censura sistemática por lá ao arrepio de todo o paleio embandeirado em arco. 

sexta-feira, agosto 06, 2010

ESCRITO COM OS PÉS

O despacho "das vinte e sete e mais dez" perguntas é uma pedrada no charco num País que pactua com o berlusconismo plenipotenciário vigente, nas suas manobras, coacções, na penetração poluente dos mínimos vestígios de independência na Justiça e no diabo a quatro. Se o "socialismo" é esta manápula estrangulatória, estamos conversados. Como é possível que Câncio, unha, chulé e carne com José Sócrates, tenha moral para a atirar-se ao jornalista, José António Cerejo, e atacar o mensageiro? É assistente do processo Free Porc? Tem informação privilegiada? So what?! Ainda bem que há quem escreva sobre o processo por dentro dele e o conhece até ao capilar a fim de mais bem se demonstrar que a PGR encobre por grosso e geralmente. Ainda bem que temos um assistente do processo que é jornalista e que noticia quanto possa para obviar aos "esquemas promíscuos" do Poder. Ora, Câncio escreveu um post com os pés porque exemplifica, como jornalista e cidadã, a ideia de que vale tudo, desde que esse valer tudo esteja exclusivamente do lado do Primeiro-Ministro, do Câmara Corporativa, do Jugular, do Aspirina B e do PGR, do "socialismo" tachista engavetado. Há muito está na hora de Galambas, Câncios, todos os directa ou indirectamente dependentes do PS-Governo pedirem desculpa aos portugueses. Alguém lhes mostre a porta. Já chega.

segunda-feira, abril 05, 2010

QUESTIONS QUESTIONS QUESTIONS

São onze as perguntas de JAC teve a delicadeza de endereçar a José Sócrates, a 04 de Fevereiro de 2010, antes de a matéria ser publicada. Não foram respondidas. «A resposta obtida foi o silêncio. Semanas depois, após várias insistências telefónicas, Luis Bernardo, assessor de imprensa de Sócrates, disse ao PÚBLICO que “não vai haver resposta”.» Destaquemos algumas das perguntas: «9 a) O eng. José Sócrates deseja explicar o motivo pelo quai foi substituído neste processo por outro técnico por expressa indicação camarária, sem que tenha comunicado qualquer decisão nesse sentido à CMG, sem que tenha dado baixa do seu Termo de Responsabilidade e sem que o requerente o tenha solicitado? 9 b) O eng. José Sócrates foi afastado por causa de alguma sanção camarária que lhe tenha sido aplicada, ou de alguma participação disciplinar à associação que regulava a sua profissão, ou ainda por ter eventualmente ultrapassado o número máximo de obras pelas quais cada técnico podia ser simultaneamente responsável, nos termos de uma deliberação da CMG?10 a) O eng. José Sócrates alguma vez conheceu os construtores Adelino dos Anjos Gonçalves e António da Silva Correia, ou alguma vez recebeu alguma encomenda para a construção do imóvel em causa? 10 b) O eng. José Sócrates deseja explicar o facto de ter instruído todo o processo em nome de Adelino dos Anjos Gonçalves? 11 – Qual o número total de projectos de obras particulares e públicas que o eng. José Sócrates submeteu à a apreciação da CMG entre 15 de Outubro de 1988 e 31 de Dezembro de 1991?» José António Cerejo

REPÚBLICA EMPOCILGADA

Eu não sei o que mais falta para que uma atitude higienizadora, finalmente, seja tomada: «Duas repreensões por unanimidade, ameaças de sanções legais e severas críticas dos serviços camarários foram o resultado dos últimos anos da actividade de José Sócrates como projectista de edifícios na Guarda, entre 1987 e 1991.» Para o português trabalhador e sacrificado, aqui e lá fora, sempre em dolorosos processos para sobreviver e prosperar, e nem assim, o desenrolar da Via Maligna (e não Sacra) do Primadonna constitui um golpe brutal de absoluta desmoralização do País, das principais instituições, do empresariado, dos funcionários públicos, demais trabalhadores e multidões de desempregados e indigentes encostados ao chão por excessos da Banca e excessos do Fisco. A República está empocilgada. A falta de vergonha ao mais alto nível é total e completa. Não podemos ter como decisor, definidor de linhas de rumo, tomador de medidas, quem em nada deu o exemplo ao longo da sua vida, muitíssimo pelo contrário. O País não suporta alguém cuja palavra pessoal ou política vale muitíssimo menos que o zero absoluto. E agora, Zeca Carvalho Pinto de Sousa?! A tua Ética sempre foi o teu Estômago. Quantos telefonemas ameaçadores, quantas repreensões, quantas tentativas de represália valerá o trabalho de José António Cerejo sobre o que andaste a fazer para furar mais rápido e de qualquer maneira?! É costume ao espécimen descrito, quando acossado, dizer com aquele sorriso insuportavelmente grunho: «Não é assim que me derrubam». Está na atura de lhe dizer que «Não é assim que um só coirão ilimitadamente vaidoso derruba Portugal.» A ironia é que talvez seja. Basta uma Besta. Vamos pró Maneta com a alegria sexy de passar fome e ter vergonha disto.

quarta-feira, maio 21, 2008

ÉTICA DE PLÁSTICO


Umas das coisas mais belas da história humana, e da história portuguesa recente,
é poder ler o artigo ou a carta aberta que o Ministro do Ambiente Sócrates
escreveu um dia, 1 de Março, 2001,
em reacção a isto de José António Cerejo e confrontá-la,
parágrafo a parágrafo, com os tempos que vivemos sob a sua pata insensível.
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A torção da liberdade informativa para que se inflicta do seu livre curso a bem do público
e sirva ou proteja basicamente a quem lhe pague.
As pressões infinitas sobre jornalistas e as suas matérias, notícias e factos relevantes
para que não saiam ou saiam atenuados e inócuos, pois a caixa dos jornais é todo um discurso.
A conspiração prolongada contra os cidadãos, cercados de taxas por todo o lado,
aos quais se vendem mentiras crassas e a quem em nada se respeita a inteligência,
a capacidade de avaliar a idoneidade ou falta de ela de quem os governa.
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Essa carta é portanto asquerosamente bela.
Nela, vocifera-se pela ética. Ética para aqui, moral para acolá
e o País é hoje uma coisa em estado de choque
pelo mau desenlace das políticas económicas
e em estado de choque por ter suportado linhas de rumo inexoráveis,
inflexíveis, confrontacionais, donde todo o bom senso se ausentou,
onde a liquidação das economias monofamiliares se consumou sem dó nem piedade,
sem o dom das moratórias só para os fortes ou das procrastinações e dilações,
só para empórios, linhas de acção de cuja voragem
nem as IPSS ficam a salvo porque nada se pode opor
à sanha higienista, normalista, tiranicamente inflexível que se alega vir de Bruxelas.
Mas pela parte tomamos o todo.
E pelo todo flagramos a parte podre no seu show pomposo a sós.

domingo, fevereiro 03, 2008

O GRANDE MORALIZADOR


Aqui em pose de el-Rei de Marrocos,
como brinca o João Gonçalves.
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Depois do que investigou José António Cerejo sobre as célebres assinaturas técnicas
da longínqua fase socratina no Município da Guarda,
os ânimos estão ao rubro e as opiniões profundamente divididas.
Como Mourinho, que, se não é treinador, é comentador,
Sócrates, se não for novamente, ou deixar de ser de repente, Primeiro-Ministro,
talvez venha a ser por certo um Modelo Fotográfico
e um fornecedor excelente de enredos intrincados à Sétima Arte
de como se é político na parvónia portuguesa.
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Em falando do PS, dir-se-ia que a seriedade e a ética têm de ser só para alguns:
devemos ser implacáveis com Telmo Correia, com Santana Lopes, sempre que tropecem,
mas indulgentes com José Sócrates e os seus próximos
em qualquer coisa que espirre a indevido.
Aliás, não conheço ninguém mais implacável nestas judicações que ele,
que é esmagador e tem nas mãos as melhores anotações da sua Agência de Imagem
para arrasar sem dó nem piedade os adversários.
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As coisas que vou lendo surpreendem-me deveras.
Porque, por um lado, a paixão clubística típica em muitos militantes do PS
cega milagrosamente perante quaisquer factos,
tenham a consistência e a gravidade que tiverem.
Por outro, já ninguém se surpreende com quaisquer revelações do passado
mirabolante de 'técnico' e político do homem em apreço, o que sintomatiza
a noção de que o País está num equilíbrio crítico: que o controlo das contas públicas
talvez justifique à Psique Geral Portuguesa que se engulam quantos sapos haja
de falta de idoneidade e de ética,
afinal reveladores do carácter viscoso subjacente à pessoa pública referida.
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Ele, que nos tem comprimido a paciência, a sanidade
e mesmo as nossas veleidades de felicidade, enquanto cidadãos com uma vida digna,
com medidas draconianas, a nós, que sobrevivemos, e mal!,
com o trabalho que vendemos ou com o desemprego que pastamos,
(e nisso é visto como corajoso e reformador, o mesmo é Chávez!)
já não tem qualquer margem para parecer. Mas também já não pode ser.
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Transcrevo uma posta do Francisco José Viegas a isto concernente:
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«Não partilho a ideia da superioridade moral do jornalismo,
e considero que José António Cerejo é um bom jornalista
que criou justificados anti-corpos no PS.
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Entrevistei J. A. Cerejo no longínquo «Falatório»
(RTP-2, 1997; às sextas à noite era dedicado aos média),
no dia a seguir à demissão de António Vitorino provocada pelo seu artigo no Público.
Era uma emissão com os média da semana, que antecedeu o «Primeira Página»,
que era diário.
Lembro-me do corredor que dava para o estúdio;
eu tinha escrito no meu bloco as primeiras perguntas a José António Cerejo,
o jornalista que tinha levado o vice-primeiro-ministro e ministro da defesa à demissão.
Foi já no estúdio que decidi alterar o guião;
em vez de começar pelas perguntas da ordem
(como se sente por ter provocado esta demissão?,
quando começou a sua investigação em Almodovar?, etc.),
disse «boa noite, J.A. Cerejo, tem os seus impostos em dia?»
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Lembro-me da resposta de Cerejo, resumida:
«Mas eu não sou um político.» Era um facto.
Mas era bom saber-se se um jornalista
que investiga um suposto deslize fiscal de um político deve estar,
ou não, sujeito ao mesmo escrutínio.
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Pessoalmente, penso que os jornalistas devem fazer as suas declarações de interesses
e devemos conhecê-las para não desconfiarmos (enquanto cidadãos) do que escrevem.
Talvez se acabasse com a ideia dos inconfessáveis interesses dos jornalistas,
ou de um jornalista de cada vez.
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É exactamente a falta dessa declaração de interesses que tem mantido a ideia
de que o jornalismo deve ser bacteriologicamente puro.
Acontece que a atitude de António Vitorino foi a de demitir-se,
mesmo garantindo que estava inocente e que não tinha cometido qualquer ilícito fiscal.
çlkj
Claro, houve zunzuns sobre o apetite de Vitorino sobre o governo:
que não lhe apetecia estar lá e que aproveitou a oportunidade.
Não acredito, apesar de tudo.
A ideia de que o Público imprimiu estes artigos sobre José Sócrates
movido pelo interesse da Sonae em derrubar o primeiro-ministro
parece-me zunzum igual.
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Devemos desconfiar, sim; devemos sempre desconfiar.
Mas convinha esclarecer o assunto, ou não?
Devia o Público abster-se de publicar as notícias
apenas porque o patrão é um grupo económico distribuído por telecomunicações,
madeiras & hipermercados?
Vamos e venhamos: 1) primeira parte: do ponto de vista do rigor da informação,
a primeira peça de Cerejo sobre as assinaturas de favor é inatacável; são factos;
2) segunda parte: tem interesse público o conhecimento desses factos?
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Essa é outra matéria.
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Não é crime, já se sabe, fazer aquilo que Sócrates fez,
se o fez; mas não é nada ético. Sinceramente, e sem querer fazer piada,
é um beco sem saída: se o fez, é mau;
se elaborou os estudos e os projectos daquelas casas, é ainda pior.
No primeiro caso, é mau politicamente.
No segundo caso, é mau em geral.
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Interessa, à opinião pública, conhecer estes aspectos da vida anterior de José Sócrates?
Não estamos a falar da sua vida pessoal;
não estamos a entrar na esfera da privacidade; são factos públicos.
Provando-se que são factos, têm eles interesse político?
Servem para avaliar o comportamento político de José Sócrates
ou, até, do primeiro-ministro?
Estas são as questões essenciais.
As outras relevam do puro comentário e, aí sim,
da teoria da conspiração e do combate político.
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Fazer juízos de ordem moral é fácil,
mas não é apenas isso que está em causa
(ah, porque sim, porque estamos todos a fazer juízos de ordem moral,
agora ou noutras circunstâncias), independentemente dos supostos «inconfessáveis interesses» do Público.
Uma coisa é desconfiar das afirmações dos políticos;
outra é desconfiar de todas as perguntas aos políticos.
lkj
Há uns anos, num dos seus textos,
Agustina Bessa-Luís falava do novo exemplar de homem político;
que seria o homem comum.
Infelizmente, referia-se a Santana Lopes. Viu-se.»
lkj
Francisco José Viegas, A Origem das Espécies