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quinta-feira, novembro 29, 2012

O PERIGAR DA PRESIDÊNCIA DILMA

«Pelas informações vazadas a conta-gotas, até agora, da Operação Porto Seguro, fica evidente que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua continuadora, Dilma Rousseff, e o grande líder petista José Dirceu de Oliveira e Silva, tinham bastante domínio dos fatos sobre como a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, coordenava um time de corruptos, em um verdadeiro governo paralelo, com esquemas que favoreciam empresas e pessoas interessadas em obter vantagens ilícitas junto a órgãos federais e agências reguladoras. O Padrinho (Godfather) de Rosemary Novoa de Noronha repete o velho discurso de sempre de que “nada sabia” e agora se “sente traído” pela amiga e assessora do seu coração – que agora caiu em desgraça. No papo furado, mandado espalhar na mídia amestrada pela máquina de contra-marletagem petista, Lula teria dito: “Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do País”. A certeza geral é que o Mensalão nunca acabou. Aliás, se sofisticou.

quinta-feira, novembro 15, 2012

PAÍS IRRESPIRÁVEL SOB O GÁS DA HIPOCRISIA

Só cegos não vêem que, nos media, o nome de José Sócrates não se pronuncia jamais e ninguém como ele poderia passar por um daqueles burlões que intrujam velhas no interior e se põem a monte com uma maquia considerável, enquanto contemplam de longe os prantos e o desespero dos burlados. Os jornalistas portugueses não pronunciam o nome de José Sócrates, não questionam a sua quota parte maciça de responsabilidade pelos apertos e sacrifícios impostos aos portugueses. Os Marinho e Pinto, os Soares, os Sampaio, as Ana Lourenço, os diabo que os carregue, jamais pronunciam o seu nome e a sua culpa. Qualquer acusação de maldade e desonestidade para com as contas públicas e para com os cidadãos, bomba-relógio deixada para viesse depois, é difamação, não conta, não pesa. Podem ter passado dezasseis meses depois de Sócrates ter saído aparentemente de cena, mas o seu legado pesa e pesará ainda por décadas, para não falar nos montes de merda que falam no Parlamento sem ponta de vergonha na cara, especialmente o populista-anarquista Galamba, o hipócrita absoluto Basílio e todo o esterco associado às malfeitorias do passado. Para tanto bastaram uns anos de desvario e patrulheirismo mediático, com extensa cumplicidade de todos os comentadores com chancela e passe mediático passíveis de suborno moral e avença choruda; muito dinheiro público se escoou através de pagamentos oficiosos a línguas de pau bem industriadas. Os jornalistas encolhem-se, os podres abafaram-se e, hoje, ao menor aceno acusador de estroinice no papel de Primeiro-Ministro, trata-se invariavelmente de assassinato de carácter, cassete eterna que os filhos da puta autores do roubo criaram para si, para se defenderem. O diagnóstico da crise do Euro e da crise económico-social portuguesa não é, portanto, explicável pela acção amplificadora de Sócrates. Explica-se com Cavaco Silva, dizem. Porquê? Por não ter conseguido convencer, em 2009, um impostor minoritário a coligar-se fosse com quem fosse. Mas como poderia o filho da puta coligar-se fosse com quem fosse se todo o fito e toda a safra do PS [como, no Brasil, o PT de José Dirceu] consistia em sugar sozinho Portugal até ao tutano, em fazê-lo depressa e bem, conscientemente, lucidamente, favorecendo os seus, o sistema corrupto Estado dentro do Estado, a sua omertà, até que BES, BCP e BPI dissessem, em Fevereiro de 2011, «Chega, sr. Sócrates! Não vamos comprar mais dívida pública portuguesa a juros estratosféricos! Acabou-se a mama. Acabou-se o jogo do empurra.» Foi aí que o Governo caiu. O resto é PEC IV, conspiração geral, desculpas de mau pagador. Tratava-se de um Governo minoritário, mas minoritário deliberadamente, minoritário pelo seu próprio pé, usando de todas as armas da impostura para se vitimizar à menor oportunidade. A seguir às eleições de 2009, ganhas sob mentiras e falácias, o jogo foi o da inversão do bico ao prego, o engonhar os problemas, dançar o tango com a placidez pachorrenta de Pedro Passos Coelho, hoje tratado abaixo de cão, diminuído em tudo e universalmente tomado por incompetente [neste contexto de tormenta severa?], por ter cão e por não ter, sendo o capataz de Forças Inconfessáveis para um conjunto de transformações forçosas de toda a lógica de organização do Estado, passando pelo recuo do Estado Social. Em Março de 2011, o interesse nacional já havia sido suficientemente fodido por José Sócrates, a nossa soberania estava comprometida e a credibildiade do Governo pelas ruas da amargura. Urgia um golpe de misericórida na Festa Obscena da Dívida, no excesso de auto-estradas, nos luxos infrenes, nos excessos tipo parque-escolar, nas PPP negociadas e comissionadas até às vascas do colapso. Não havia nenhum desgaste ou boicote ao Governo que as relações espinhosas e conflituosas entre Sócrates e Teixeira dos Santos não superassem nas suas lógicas de instrumentalização de números e factos falsos para continuar a boiar-merda à tona do desastre, sempre se alimentam os que sempre se alimentaram do Estado-PS e vivem dele, sem ele não vivendo. Sócrates traiu Portugal, traiu, banalizou enxovalhou Teixeira dos Santos, traiu grosseiramente as gerações presentes e futuras, traiu António José Seguro, minando-lhe a liderança e imbecilizando-o de asno para baixo: os prejuízos materiais, a ruína económica, a degradação da saúde e a devastação moral que depositou no nosso presente não têm paralelo. Sair do buraco é forçoso para todos nós. Não se pode imputar os efeitos de anos de malfeitoria a quem nos estenda hoje uma corda para sair dele. Pois haveremos de sair, ainda que vozes de sereia nos garantam ser ela o baraço da nossa forca. 

quarta-feira, outubro 10, 2012

BRASIL: MENSALÃO CONDENA TRÊS

E poupa um. Lula. Foram três os que foram condenados, na Terça-feira, por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil no caso "Mensalão". José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares foram julgados, com mais sete acusados, por causa do desvio de fundos públicos para comprar apoio político no Congresso. Eram homens unha com carne do ex-Presidente Lula da Silva. O socialismo, isto é, toda a forma de apropriação da riqueza para distribui-la pelos membros do gangue e perpetuar-se no poder [Dirceu tinha um projecto totalitário de partido único embrulhado numa capa falsa de democrata] sob o biombo e a protecção que derivam da política tem sido uma tentação tão forte que resulta em esquemas dessa natureza ou de outra: a Europa do Sul confronta-se com o mesmo problema com efeitos terríveis na vida das pessoas comuns em Portugal e Grécia, por enquanto. Dinheiro é poder. Quanto mais dinheiro, mais poder e mais corrupção. Ou por extorsão indigna, via impostos, ou por extorsão directa mediante um circuito bem oleado e funcional nos interstícios da Aristocracia Político-Económica, o cheiro é quase o mesmo. Uma vergonha. A corrupção mata! Mata-nos.

domingo, setembro 16, 2012

BRASIL: MENSALÃO, HAVERÁ DOIS MARCOS VALÉRIO?


Empresário e réu do julgamento do mensalão, Marcos Valério
Foto: Agência O Globo / Givaldo Barbosa
Marcos Valério
O caso Mensalão será talvez um dos mais complexos, intrincados e contraditórios da Justiça Brasileira. Agora é o advogado do empresário Marcos Valério, o criminalista Marcelo Leonardo, que vem dizer neste Sábado que o seu cliente não deu entrevista à revista Veja e negou o que é dito na respectiva reportagem, segundo o que o empresário Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão, tem dito em conversas "com pessoas próximas" que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o "chefe" da quadrilha responsável por um dos maiores esquemas de corrupção do país. Se non è vero, è ben trovato...

quarta-feira, setembro 12, 2012

BRASIL: PROCESSO DO MENSALÃO ARRASTA-SE

Do mesmo modo que em Portugal a criminalidade política se encontra bem blindada e, por exemplo, a criminalização do enriquecimento ilícito foi rejeitada por este Presidente da República, dando o sinal negro de que a Justiça Portuguesa selecciona e isenta consoante o poder, o dinheiro e a pertença à elite, só a extrema delicadeza do caso explica os escrúpulos, o cuidado com que o Supremo Tribunal Federal procura incluir mais uma sessão durante a semana para acelerar o julgamento do processo do Mensalão: a tendência é que se arraste e é preciso simular que não se arrastará. De momento, os ministros reúnem-se em plenário na Segunda-feira, Quarta e Quinta à tarde. As sessões extra deverão ser marcadas para as manhãs de Quarta-feira.

segunda-feira, setembro 10, 2012

BRASIL: MENSALÃO E O VALERIODUTO

Os partidos, em sociedades frouxas como a portuguesa e a brasileira, tornam-se um Estado dentro do Estado, sequestrando dinheiro público e arregimentando meios para si e os seus a fim de o Poder, uma vez obtido, ser mais facilmente mantido e garantido. Mais grave ainda é haver coadjuvantes pela passiva onde menos seria de esperar. No Brasil, supostamente o Mensalão está sob julgamento, o que servirá para, no plano interno e externo, o País parecer menos corrupto e menos paraíso impunitário do que é, mas mais de um mês depois do seu início, os ministros do Supremo Tribunal Federal só hoje começarão a analisar o ponto que trata do esquema montado por Marcos Valério e os dirigentes do Banco Rural para abastecer políticos da base do governo Lula. Numa espécie de prefácio aos saques feitos por políticos e seus assessores entre 2003 e 2004, o quarto item da denúncia enquadra dez réus no crime de lavagem de dinheiro. Na lista, estão Valério, os seus dois sócios na SMP e B, o advogado Rogério Tolentino, a ex-directora da agência de publicidade Simone Vasconcelos e a secretária Geiza Dias, além de quatro ex-dirigentes do Banco Rural. Se os acusados forem condenados, os ministros abrem caminho para fazer o mesmo em relação aos políticos que foram à boca do caixa do Rural receber dinheiro do valerioduto. O relator, Joaquim Barbosa, deve concluir seu voto ainda hoje.