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segunda-feira, dezembro 03, 2012

MIL ANOS DE LUZ E FECUNDIDADE

«... a alusão a um medium tempus foi cunhada por Petrarca (um homem "medieval"), mas só passou ao jargão historiográfico em finais do século XVII como sinónimo de trevas, superstição, clericalismo e violência. [...]A literatura, tal como a entendemos (e sobretudo o romance) é criação da "Idade Média". A Universidade, sede de saber, transmissão, formalização e polémica em torno do conhecimento, é uma invenção medieval. A arte, neta de Deus como lhe chamava Dante, muito embora o conceito só fosse estabelecido no século XIX, é também uma conquista medieval. Até o "capitalismo" - passando por cima do errado lugar-comum que afirma a oposição da Igreja à economia, ao dinheiro e ao lucro - nasceu do processo de legitimação do dinheiro, fenómeno que ganhou expressão a partir do "renascimento do século XII. Coube, também à Idade Média, a invenção do trabalho entendido como valor moral. Ou não foi a Idade Média a inventora de uma sociedade que repousava sobre a organização do trabalho, de que as corporações, as guildas, as comunas, as liberdades burguesas e concelhias, raíz daquilo a que se vulgarizou chamar de "democracia"?» Combustões

quarta-feira, maio 09, 2012

FAÇO MINHA ESTA CARTA ABERTA

«Quando chegou à Chancelaria alemã, a Sra. Merkel viu partir o seu antecessor Gerard Schroeder para um rendoso posto proporcionado pela discutível democracia russa. O gás foi o móbil desse tráfico de influências e a Europa está hoje à mercê do Sr. Putin. A Chanceler Merkel viaja para a China e países africanos de expressão portuguesa. A Sra. Merkel chega em visita de contactos claramente comerciais ao Brasil e outros países sul-americanos, alguns dos quais são democracias de estranho recorte bonapartista. Pouco importam os argumentos éticos, pois o mundo dos negócios não se compadece com ninharias, especialmente se a Mercedes Benz ou qualquer outra grande empresa alemã, puder facturar apetitosos proventos na permuta de tecnologias por dinheiro vivo.» Estado Sentido

sábado, janeiro 14, 2012

INVEJA & NOJO

«Menezes, cuja inteligência se ficou sempre pelos lados de Gaia, afirmou que "tinha inveja da sinecura de Catroga". Não, não devemos sentir inveja; devíamos sentir nojo.» Miguel Castelo-Branco

quarta-feira, dezembro 28, 2011

VOLTAR OLHOS E CORAÇÃO PARA A TAILÂNDIA

«É tempo de Portugal pensar seriamente a necessidade de restabelecer relações  culturais, comerciais, científicas, tecnológicas e militares  com a Tailândia, país onde subsiste a última grande comunidade de ascendência portuguesa no Sudeste-Asiático. É tempo de procurarmos saídas para o atoleiro europeu e voltarmos, de novo, ao mar.» Combustões

quinta-feira, agosto 27, 2009

EVIDÊNCIAS DE UMA ERRÓNEA REPÚBLICA ENVILECIDA

A República portuguesa representa hoje tudo aquilo contra o que porventura mesmo os republicanos originários mais fanáticos teriam lutado. Capitulação da soberania no seu cerne económico-financeiro por incúria de uma classe política mercenária; desmandos, delitos, latrocínios de toda a espécie nas instâncias e instituições superiores do Estado, coisa a que se chama suavemente "corrupção". De modo que quando Saramago perora sobre a República, na verdade seniliza eufemisticamente o que há a dizer sobre os seus mais devastadores efeitos. E seria fácil ao escritor a honestidade límpida de compreender isto: graças à vacuidade envilecida da República, Democracia e Regime nunca tiveram tão pouco a ver: «É evidente que a República, com a sua tosca falta de consideração pelas crenças que se confundiam com o ser e destinação de Portugal, foi o melhor aliado para quantos não haviam compreendido que a separação entre o Estado e a Igreja constituia, afinal, a libertação da esfera do religioso. É evidente que a República nos atirou para fora da Europa, nos provincializou e fechou portas às grandes correntes do pensamento ocidental. Compreende-se, pois, que só os inimigos da liberdade - à esquerda como à direita - a possam incensar, pois sem ela não medrariam. A República foi a lotaria para os messianismos desvairados e para o fim histórico de Portugal.» Miguel Castelo-Branco, Combustões

sexta-feira, agosto 07, 2009

QUATRO ANOS DE COMBUSTÕES

O magnífico blogue do Miguel, Combustões, faz quatro anos! Quanta fecundidade intelectual e patriotismo fundamentado! Ao autor, os meus efusivos parabéns, votos de ânimo e longa vida por muitas e muitas décadas! Sublinho o quanto o PALAVROSSAVRVS REX está, desde sempre, em intensa comunhão de objectivos culturais, espirituais, pelo ressurgimento do Portugal Imenso, Valoroso e Profundo pelo qual de múltiplas formas ambos sofremos e lutamos: «Este passou a ser, na sua segunda fase "tailandesa", um blogue asiático-português. Aqui no Oriente aprendi a desprezar a plutocracia, o parente pobre do capitalismo, o maior inimigo do trabalho e da propriedade, o maior engodo para os pobres. De câmara em riste acompanhei as peripécias de uma revolução que evitou o colapso deste país (1, 2, 3, 4, 5), assistimos às reviravoltas e golpes fracassados. Depois, uma reflexão necessariamente portuguesa desta jornada, a aproximação ao tempo passado que é tempo de hoje; em suma, o que mais nos interessa, Portugal. Para os próximos quatro anos prometo melhor, se os meus leitores quiserem.» Miguel Castelo-Branco, Combustões

terça-feira, julho 21, 2009

PEDAÇOS DE PORTUGAL

«Seis da tarde. Não dera pela passagem do tempo. Um café, bolinhos e a marcante gentileza do líder da comunidade em acompanhar-me até ao limite da aldeia. Para este passeio levei comigo um amigo francês, que compreende bem o que isto significa, pois é francês nascido na Argélia, como eu sou português nascido em Moçambique. No autocarro que me trouxe ao centro disse-me: "que gente tão amável. Note-se: vivem no seu mundo e não noutro mundo". Não pude dizer mais nada. Eles vivem no seu pedaço de Portugal. Se eu mandasse, dava-lhes de imediato a cidadania portuguesa.» Miguel Castelo-Branco, Combustões