O que se sabe exactamente do estagiário bancário Moritz Erhardt, 21 anos? Que trabalhou praticamente 72 horas seguidas e foi encontrado morto na casa de banho da residência onde vivia em Londres? É pouco quanto ao que possamos saber sobre um ser humano. Do que ninguém pode duvidar é que Banca e Morte andam intimamente associados. Segundo a sua lógica, lógica para quem resvala e cai na sua teia, quem não tem dinheiro, pode pagar com a vida. Quem o quer demasiado, também. O reconhecimento exterior do trabalho de cada um deveria submeter-se ao imperativo sereno de se ser sempre o mesmo, com muito ou com pouco, de preferência vivo, e de perceber com que coração livre, minimalista, se agarra para sempre um oceano de felicidade. Ganhar o Mundo Inteiro, mas perder a alma? Obter cinco minutos de fama, mas enlamear-se num labiríntico desatino, perecer num acidente viário?
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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quarta-feira, agosto 21, 2013
sábado, junho 22, 2013
MORRER, REVOLTA À PORTUGUESA
Perdemos o sentido da revolta contra terceiros há muito, no rectângulo. Nada mais português que preservar a paz do sofá, uma paz podre, pobre, comprimida, envergonhada, humilhada e humilhante, mas paz. A única forma criativa de nos revoltarmos que vamos inventando nestes dias é morrer. De aviltamento, de desespero, de raiva, de susto, de ódio, de aflição, de impotência, de extorsão fiscal, bancária, sob o peso da crassa injustiça deste Regime e das suas consequências na nossa carne e nossos ossos, Regime onde os soares e os sócrates prosperaram, todo ele feito para que só eles prosperem e ainda lhes fiquemos a dever dinheiro e a aturar-lhes o catarro diletante. A nossa única revolta é morrer. Contra a vileza, o mau tempo, a coima, a multa, a autuação, mas morrer. Não vejo a hora de ir desta para melhor, passe a ironia.
segunda-feira, maio 20, 2013
LUSA FLOR CEIFADA
Mais uma morte acidental por arma de fogo, na sequência de um assalto. Desta vez uma linda jovem de origem portuguesa, Andrea Rebello. Ela e a sua família são de Tarrytown, condado de Westchester, estado de Nova Iorque. O ataque ocorreu em Uniondale, em Long Island, New York.
quarta-feira, agosto 22, 2012
DISSIMULAÇÃO COMO VÍCIO DO REGIME
Parece uma tarefa hercúlea desfazer-se o vício de uma imagem retocada com que, nos últimos anos, o Regime, nas suas governações, se tolda. Uma imagem de aldrabice dos números, das estatísticas, das desorçamentações, das não contabilizações. Uma imagem artificial com números capciosos e lógicas explicativas de milagres e progressos habilidosos, que no fundo conduzem à perda de uma visão verdadeira acerca, por exemplo, das mortes totais entre nós tendo ou não em conta cada época balnear. Mar, rio, piscina, são realidades anuais. Não há rigor? Está mal.
domingo, abril 15, 2012
terça-feira, março 27, 2012
NÃO SE PODE PÔR AS MÃOS NO FOGO
Por quem sobrevive ou não às loucuras de Lloret de Mar. E infelizmente já não importa.
segunda-feira, março 26, 2012
ÉBRIA EXUBERÂNCIA
Tratando-se de putos ébrios na doce ausência de casa, pouco ou nada tutelados seja por quem for, e à mercê todas as experimentações, não acredito em acidentes, suicídios, fatalidades. Só em aturdimento, exuberância e loucura. Se a arena merecesse, o que não faria o gladiador?!
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
ADEPTOS MATAM ADEPTOS
A propensão para a violência é altíssima por onde, diz-se, eclodiu a chamada Primavera Árabe, que talvez tenha aberto um longo Inverno Fanático Islamista Árabe. Mas ser adepto, seja em que latitude for, será sempre a tentação de ir longe de mais numa paixão devoradora, pretexto para a carnificina mais gratuita e passional, terreno fértil a qualquer clique demoníaco. Por cá, benfiquistas e portistas sonham comer-se vivos e há em colectividades locais, cafés e outros poisos, muita conversa de morte a dar ao outro adepto, seja azul, seja vermelho. Estas moções começam no coração. No Egipto, foi isto: «Pelo menos 73 pessoas terão morrido durante uma invasão de campo num jogo de futebol em Port Said, no Egipto, diz a televisão estatal do país. Adeptos das duas equipas envolveram-se em violentos confrontos após uma invasão de campo durante um jogo entre as equipas do Al-Masry e do Al-Ahly, equipa que é treinada pelo português Manuel José.»
segunda-feira, novembro 07, 2011
INSÓLITO SUICIDA INVOLUNTÁRIO ASSASSINADO
Muito honestamente, este veredicto justiceirista parece encaixar demasiado bem na engrenagem ou na lógica forçada de saciação mediática, servindo fria uma compensação qualquer à má consciência norte-americana e a forma indulgente como amamenta o doentio apenas por causa da fama planetária grangeada. Soa isto possível apenas porque a estrela defunta em causa, há imenso tempo ensandecida e num vórtice de dependências químicas de variadíssimo tipo, era quem era, pelo que nem sequer o facto de ter perdido o completo controlo sobre si mesma serve de atenuante. Coitado de Conrad Murray! Estas americanices são doidas!
domingo, outubro 30, 2011
EM LOUVOR DO FORNO CREMATÓRIO
Sinal incrível dos tempos portugueses é que sobre espaço para os vivos e os filhos dos vivos que não se fazem em Portugal — tanto T0, T1, T2, T3 por vender!, tanta gentinha jovem preferindo cães a bebés!, tanta juventude emigrando para as europas! —, mas falte espaço nos cemitérios para acomodar cadáveres, ossadas, para suportar, portanto, a tradicional e canónica, mas talvez cara, inumação católica. Daí que a cremação seja, cada vez mais, a opção preferencial dos portugueses, em caso de morte, naturalmente, se bem que não faltem razões para a mais desesperada e simbólica imolação pelo fogo. Completa-se assim um ciclo, desde que chegámos à Índia, se não quisermos entrar pela reabilitação do conceito "forno crematório" associado igualmente à "resolução" de um problema Endlösung der Judenfrage: a pira funerária, promovida em filmes e sagas, leva a melhor sobre o apodrecimento aprisionado no caixão. O fumo e a cinza vencem a lógica da degradação ou da mumificação, outra das vias possíveis para as exéquias do futuro. O presente passa por que se evolem em fumo alado os nossos mortos, talvez os únicos sobreviventes, afinal, do derradeiro forno crematório metafórico — esta incineração social que se divisa no horizonte, revolução transformadora ou morte, lenta, pastosa e inexorável.
quinta-feira, outubro 06, 2011
quarta-feira, setembro 07, 2011
CAMILO PESSANHA
Um Poeta fantástico recordado pelo João Severino.
Eu recordo um poema que me diz quase tudo:
Eu recordo um poema que me diz quase tudo:
l
Esvelta surge! Vem das aguas, nua,
Timonando uma concha alvinitente!
Os rins flexíveis e o seio fremente...
Morre-me a bocca por beijar a tua.
l
Sem vil pudôr! Do que ha que ter vergonha?
Eis-me formoso, môço e casto, forte.
Tão branco o peito! — para o expôr á Morte...
Mas que ora — a infame! — não se te anteponha.
l
A hydra torpe!... Que a estrangulo... Esmago-a
De encontro á rocha onde a cabeça te ha-de,
Com os cabellos escorrendo agua,
l
Ir inclinar-se, desmaiar de amor,
Sob o fervor da minha virgindade
E o meu pulso de jovem gladiador.
terça-feira, março 22, 2011
BRASIL DO BEM-AMADO ARTUR AGOSTINHO
Foi em conversa amena, desde o Brasil profundo [interior de Pernambuco], que ao nome evocado de Artur Agostinho me comovi. Era 2007. O meu interlocutor, quase na casa dos setenta, brasileiro de velha cepa, falava dele, recordando-o, com um carinho enorme certamente das memórias da rádio, da televisão, das reportagens cá e lá porque houve uma fase de lá, aliás evocada na imagem que escolhi, e muitíssimo marcante para o Artur. Fiquei orgulhoso e a pensar no que também em mim ressoava do carisma inigualável de esse homem de afectuosidade perene, enorme simpatia, lúcido humanismo nunca manchado. Foi grande. Foi e será sempre um bem-amado de Portugal e do Brasil.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
PROFÉTICA MÚMIA DA RINCHOA
Depois do choque, conclui-se da extrema utilidade dos mortos. Eles podem denunciar. Eles podem revolucionar. Há uma data de mártires, de santos e heróis involuntários que ganham um poder descomunal. Mas só depois de mortos. Segue-se que, graças a uma história, a da múmia da Rinchoa, que verbera o País e desassossega o português comum, não só se encontraram mais mortos sem dono como a profiláctica culpa se multiplicou numa profusão de iniciativas a puxar ao sentimento com jovens a passear velhos, compenetrada e paternalisticamente. Retroactivamente, recebemos um potente murro no estômago. Foi dada por ela, nove anos depois de encontrada ressequida.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
O VERDADEIRO CORPO DANONE
Jaz em sossego sob a linha severa do horizonte tal como o seu cão, talvez Piruças, e dois canários melhores que gente. Chama-se Augusta Martinho. Qual Facebook? FaceDeath, e só, sozinha! Inha! Inha! Inha! Quando a nau mortífera se aproxima, o Longe nada tinha e o Perto era Zero. E, no desembarcar, houve ardores CSI, nove anos depois, onde era só esquecimento e a abstracta linha do mesmo nada. Pobre Povo, Nação Demente. Requiem æternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
CARLOS
Carlos Pinto Coelho «Gostava que lhe chamassem “o senhor Acontece”, considerava ser essa “uma forma gentilíssima” de lembrar os nove anos, em que diariamente acabava o magazine cultural que teve na RTP2, de 1994 a 2003, com a célebre frase: “E assim, Acontece”. O programa foi cancelado pela direcção de José Rodrigues dos Santos.»
terça-feira, agosto 10, 2010
ELITES DE FUMO FÁTUO
Morrem bombeiros por lapsos de exaustão, pela traição do fumo e do fogo, mas a fátua elite política nacional está-se literalmente a cagar. Não tem nem um pingo de humanidade nem uma ponta de sensibilidade para mover o real cagueiro dos seus cocktails excepcionais até às lágrimas sofridas de quem guerreia no terreno, sofrendo e perecendo. Com os seus cortes e assédios desmoralizadores, não têm face e sabem-no bem.
segunda-feira, agosto 02, 2010
DOIS RESENDES
Sobre Bettencourt Resendes, partilho da perspectiva do João Gonçalves, a seguir transcrita. Tenho pena de não ter usufruído senão do Resendes das últimas prestações televisivas, por misteriosas razões confrangedoramente condescendentes com o socratismo, e não do outro, esse cujo percurso como director do DN é devidamente enaltecido pelo blogger referido e que passo a citar: «A partir daqui, o percurso profissional de B. Resendes deixou de me interessar e lastimo as prestações televisivas dos últimos anos que não serão, decerto, recordadas como o melhor do antigo director de um jornal. Há dois anos, porém, Resendes deu voz a uma coisa chamada Movimento Informação e Liberdade que, «constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República.» É este director de um jornal - numa altura em que não sobrará um nome dos no "activo", ou porque são tratados e mudados como um produto ao lado das esfregonas da casa, ou porque são imberbes manipuláveis como cobaias em laboratório - que prefiro recordar.»
sexta-feira, junho 18, 2010
DEPOIS DE PILAR, DEUS
Pilar del Río sempre foi um absoluto de ventura para Saramago, nada mais semelhante a Deus e ao Céu na Terra e em forma de gente para ele. Com carinho o escrevo e o sublinho. Fiquei com essa impressão após um cordato debate com o teólogo Carreira das Neves. Nunca se separe o homem da obra nem do espírito que a bafeja e a uniu: ela. Nunca se separe Saramago de Pilar del Río. Depois dela, de um tal amor divino no humano saciando-mulher a alma de um homem, Deus, finalmente.
quinta-feira, março 25, 2010
LEANDRO DE CORPO PRESENTE
Vinte dias depois, o corpo do Leandro reapareceu, boiando, talvez emaranhado em ramos e detritos, num recanto do Tua. A Natureza o devolveu, prendendo-o firme ali. Desaparecido naquele rio, ei-lo na zona do Cachão. Deu com ele um morador da Azenha do Saldanha. Encontrou-o ao sair de casa, de manhã. O corpo estava preso na margem esquerda. Preso, percebem? A Natureza devolveu o que dias de intensas buscas não lograram nem vislumbraram. Importa agora dar descanso aos pais e deixar a putrefazer essas teses da 'fragilidade reguila' imputada ao pequeno morto com todo o despudor hoje em dia tão voga. Há um corpo a sepultar. Um corpo, vivo ou morto, resume bem a grandeza espiritual e afectiva da chamada "matéria", provavelmente um dos maiores equívocos conceptuais desde há dois mil e quatrocentos anos. Andar toda a gente a chamar "matéria" à grandeza espiritual da nossa tridimensionalidade corpórea mortal só pode ser um erro de perspectiva. Enquanto isso, o outro corpo, o Corpo Nacional, perece, fenece, realmente. Enredado nas margens de tudo o que não é essencial nem verdadeiro, desliza e afunda no mais negro abismo desesperador. Consome-se na Pira da mentira airosa prevalecente, um sistema opressor, oleado e funcional, apesar de camartelos como este. Todos pactuam com a mentira airosa. Hordas de dementes e de enganados curiosamente não gemem, não se rebelam, não vituperam, não se organizam para levantar a voz: não levantam a voz, apesar de levados como cordeiros ao matadouro. Alunos fazem testes por favor. Multidões de mudos e quedos afagam a fome por detrás de janelas ciosamente fechadas. Dissolve-se o Corpo Portugal. Um Povo de Traídos e de Traidores. Um Povo no seu Ghetto. Muros altos feitos de Banca com as suas penhoras criminosas sobre Encostados ao Chão e faustosos perdões a Especuladores e Consabidos Corruptos. Muros altos feitos do saque fiscal sobre indefesos. Leandro e o seu Corpo. O Corpo de Portugal e o seu cheiro a fim. Ontem, na SIC, directamente de sua casa, o economista Silva Lopes defendia encomendadamente o Governo Sócrates multidespesista e ultrachantagista. Também ele cheirava àquele fim que não olha a meios. Tem descanso Leandro. Não tem descanso Portugal.
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