Já aqui havia escrito que a recuperação, ténue que fosse, estaria aí, mais trimestre menos trimestre. Já havia escrito acerca de graduais boas notícias no plano económico, do fim da contracção psíquico-económica portuguesa, graças a alguma confiança acrescida, graças a uma incomparável eficácia tributária e em virtude de alguma travagem no desinvestimento, mas sobretudo por causa das exportações. Confirma-se aquilo a que aludia. 1,1 de crescimento no segundo trimestre já confirmado ainda não é suficiente e nada nos diz que 2013 não será mais um ano de recessão. Mas sinais são sinais. Não faltarão vozes a destacar essa insuficiência ou a sazonalizar o que seja estrutural, não dando a César nem a Deus o que a cada qual pertence. Benditos sinais, porém.
Há demasiadas aves agoirentas e negativizantes que se intitulam de Esquerda a clamar por mais perturbação formalista, mais recrudescimento retórico e mais reles disputa facciosa, mais vitórias na secretaria, mais via gabinetóide de disputa política pela impugnação, mais eleições-já, mais pigarro soares, mais vácuo alegre, mais anúncios do fim-do-mundo, se isto não sofrer a reviravolta venezuelizante socialista-chavista à portuguesa, revolución que vai em tantas cabeças peregrinas. Tudo pela negativa. Tudo ao contrário da corrente. Como se nos não bastassem os perpétuos bloqueios decisórios no que nos é crucial; os impasses e hesitações reformistas de décadas; a treta populista que o PS derrama logo à partida acerca da dolorosa questão dos cortes nas pensões de reforma. Se fosse pelos Socialistas, Portugal ficaria sob a mais tóxica e atrevida demagogia, segregada apenas para ganhar eleições, até à próxima falência, conservando, tal como está, o Grande Guarda-Chuva Corrupto em que se transformou o Estado Português. Talhado unicamente para falhar. Talhado apenas para falências cíclicas. Nunca para um superavit. Um que seja, em quarenta, em cem anos.
O que me pergunto é se, após a disputa político-partidária ter ido a banhos, aquela suposta Esquerda terá face e argumentos para negar a melhor das evidências contra a pior das aparências: uma inesperada vitória estratégica da linha seguida por Gaspar. E pergunto-me se, perante esperadas boas notícias em cascata, umas após outras, terá adesão popular qualquer veleidade revolucionária do quadro constitucional que permite à Maioria governar e seguir governando; pergunto-me se o Tribunal Constitucional terá condições para prosseguir a sanha obstaculizadora, obsolescente, corporativa, gizada para os tempos do Escudo, arqueológica e letal para os tempos do Euro; pergunto-me aonde irá e o que dirá o lado rançoso, negativista e deprimente da Esquerda que temos. Necessitamos da Esquerda Ética. Não daquela.
Há limites. Por mim, quero estar perto de quem sorri, de quem está feliz a partir de dentro, de quem tem confiança em si mesmo, na bondade e beleza do Mundo. Quero estar perto de quem anda leve e segue limpo de corrupção. Quero estar perto de quem tem culpa dos sinais de crescimento, da saída do fosso da dívida, da vitória do trabalho contra a derrota da retórica depressiva. Não tenho nada. Nada me impede de ser absolutamente feliz.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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quarta-feira, agosto 14, 2013
segunda-feira, agosto 12, 2013
EM PLENO ARMAGEDÃO POLÍTICO
Certos media, em pleno Armagedão Político [a guerra entre o Infatigável e Belicoso Lixo Socratista e a Tentativa Cívica de Instaurar Salubridade e Verdade Públicas], servem-nos cinzenta prudência amigada com tristonho pessimismo dos que esperam apenas o pior. Mas o que se diz provavelmente contradiz a provável realidade: «... o único apoio que a economia portuguesa vai ter para que o ritmo da recessão abrande é a significativa contribuição positiva das exportações líquidas.»
sexta-feira, junho 28, 2013
O BURIL DO SUCESSO
Nada mais normal que isto: se no primeiro trimestre, o défice público ascendeu a 4167,3 milhões de euros, ou seja, 10,6% do PIB registado no mesmo período, já em 2012 nos três primeiros meses do ano, o saldo negativo havia sido de 3206,9 milhões de euros, 7,9% do PIB. Até ao final da desta execução orçamental há vindima e a possibilidade de boas surpresas. O perfil do défice não é idêntico ao do ano passado no período homólogo, os três primeiros meses do ano. Não se havia verificado: 1. a injecção de capital de 700 milhões de euros feita pelo Estado no Banif; 2. o Estado a pagar parte substancial dos subsídios aos funcionários públicos, o subsídio de Natal, cujo corte no ano passado foi chumbado pelo Tribunal Constitucional e que está a ser pago em duodécimos desde Janeiro. Portanto, a cada ano, semestre, trimestre, as suas exigências sob o exigente buril de uma execução exigentíssima. Ainda não chegámos ao ponto de fabricar nota na garagem do Regime, como preconiza o dr. Soares para a Zona Euro.
terça-feira, maio 07, 2013
A VIA DOLOROSA
«Alguns comentadores e jornalistas queixam-se que "70% dos cortes vêm de pensionistas e funcionários públicos". Deveriam vir de onde? Dos criadores de emprego, que já escasseiam? Dos jovens a recibo verde? Sem reservas substanciais, sem possibilidade de aumentar ainda mais a carga fiscal - já no limite em muitos sectores, sem possibilidade de confiscar poupanças via política monetária e sem crédito internacional além do dos nossos parceiros, qual seria a opção dos demagogos?
quarta-feira, abril 17, 2013
ODEIEM ISTO
O ambiente da bloga e da opinião em geral anda muito raivoso. Um radicalismo pouco respirável e ainda menos recomendável emerge como a mais recente forma de pólvora seca. A raiva, porém, é um acto mal direccionado da razão, especialmente quando não quer ver a realidade como qualquer coisa de bem mais complexo que o monocromatismo dos nossos ódios e ascos. Em geral, a cegueira sectária mostra-se má conselheira, quer naqueles que apontam o dedo ao papão do neoliberalismo, quer naqueles que muito justamente espumam e sofrem pela morte anunciada do Estado Social tal como o conhecemos, como se não tivesse sido antes de mais o definhamento económico consentido nas governações passadas a matá-lo, processo de há muito mais que um bom par de anos.
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
O ÁLIBI HABITUAL
O álibi da crise das dívidas soberanas cai que nem ginjas no argumentário safardana dos socratistas, mas o certo é que foi graças a Sócrates que por cá a coisa escalou para níveis nunca vistos, coisa que custará imenso a estancar: Portugal surge como o terceiro país mais endividado, com uma dívida pública a atingir os 110,1% do PIB. Só a Grécia (159,1%) e a Itália (119,6%) superam a dívida nacional. A Estónia é o país que apresenta uma dívida mais baixa (6,1%), seguido pela Bulgária (15%) e pelo Luxemburgo (18,5%). Não é à toa que mesmo o amiguinho Figo se desiludiu rotundamente pelo facto de o Primadonna ter despendido muito além do que seria avisado. «Digam o que disserem, mas ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor que eu no défice.» E na dívida pública.
domingo, novembro 29, 2009
DE OLHINHOS POSTOS NO DUBAI
«O pânico do ministro das Finanças português — ao perceber que a oposição negara ao governo a possibilidade de receitas fiscais adicionais vindas do novo Código Contributivo — explica bem a incapacidade do país gerar dinheiro. E quando não há dinheiro... até o Dubai pode sugerir falência. O Dubai pode parecer distante, mas mostra bem o que pode acontecer a economias como a portuguesa.» Martim Avillez Figueiredo
terça-feira, novembro 03, 2009
O GRANDE COITO DE GOVERNAR

Bruxelas deu-se bem com Portugal, país fraco, obediente, passento, nos políticos que o representam e nas políticas implementadas, tão dotadas de estrangulatório e desastroso. Os políticos portugueses, nos sucessivos governos, têm sido servis como se tivessem escrúpulos em defender acerrimamente os interesses do nosso pequeno País. Veja-se a infinita nódoa que Jaime Silva representou na Agricultura, um insulto vivo aos agricultores e aos pescadores. Com isso, fomos empobrecendo na medida em que ao mesmo tempo que uma maioria se demite de empreender e produzir com ganas e confiança, por desgaste fiscal, bizantinices legais e desânimo puro nos parcos ganhos, massas de pobres têm sido esmifrados e sacrificados sem piedade pelas políticas em vigor. Dez anos a empobrecer e a divergir, sendo que o Governo se prepara para mais receituário esgotado. Barca conduzida por Caronte, o espancador, é todo um País-Fantasmagoria a navegar já morto para o outro lado do Aqueronte. Ineptos. Burros. Mentirosos. Medíocres ao poder? Já lá estão repimpadamente. A política hoje é a desregulação da lei, a caução da injustiça sobre os cidadãos transformada depois em desemprego para a maioria, em fisco incomportável para a maioria e em selvática absorção de lucros por parte da habitual minoria. Desonestidade e imoralidade dos governos sucessivos, e mais escabrosamente dos recentes, é a manutenção de esse coito contínuo da política e dos políticos com aqueles que tem dinheiro e poder. Coito violentatório de um Povo e da sua integridade, mesmo quando sorri alarve aos que o traem. Coito sem consentimento de um Povo, levado a pastar por partidos e programas malígnos e antipatriotas.
quinta-feira, agosto 13, 2009
GLÓRIA RÁPIDA DE UM FLOP POLÍTICO

Sócrates agarra-se a estes números como um náufrago, repetindo as mesmas ideias "bom caminho"; "recuperação"; "nossas medidas" até à mais babada exaustão, como se fossem frutos significativos de políticas significativas suas. O feirante propagandesco está sempre pronto a emergir das vestes de fino corte. A pose de estadista "fiável" estica o pescoço do lodaçal da mais boçal descredibilização política imaginável. Por erros grosseiros. Por arrogância sem limites. Por autoritarismo estéril, pela fealdade do isolamento da sociedade e animosidade activa com ela. Tudo para reclamar uma vitória de 0,3% flanada como argumento eleitoral anoréxico, bóia de última hora. É o contrato com o Oco e com o Nulo. É a Fachada e Glória Rápida por qualquer ridicularia pífia. É a sanha endividatória cega para cima da precariedade absoluta de quem trabalha. Por que não abre o Ainda-PM a garrafa de champanhe feirante com estes 0,3%? Não há festa mais triste que a das mesmas migalhas nacionais ilusórias, se se pensar que, no período homólogo, o recuo foi de 3,7% e não é hora para brincadeiras com o Povo português: «A economia portuguesa cresceu 0,3 por cento no segundo trimestre deste ano, face aos primeiros três meses de 2009, anunciou hoje o INE. No primeiro trimestre, registara-se um recuo de 1,8 por cento. [,,,] O PIB português cresceu 1,4 por cento em 2006, 1,9 por cento em 2007 e manteve-se estagnado (0,0 por cento) no ano passado.A informação hoje disponibilizada pelo INE constitui ainda uma estimativa rápida que precede a divulgação das contas nacionais trimestrais definitivas.»
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