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quinta-feira, junho 11, 2015

TAMBÉM TENHO SAUDADES E MAIS

Última Ceia, Giotto.
1. Não escondo. Não nego. Tenho saudades da minha actividade quotidiana no meu blogue. Para mim, fará sempre sentido escrever num registo menos aforístico e com mais fôlego, quer trabalhando matérias literárias que me apaixonam, quer intervindo, com carácter e vigor, na construção de um País Arejado e Viável. O que determina que não escreva ou o faça muito raramente são dificuldades pragmáticas, prosaicas, que ainda não pude resolver e que se agudizaram para mim a partir de 2012. Tenho fome de escrever. Tenho ânsia de regressar às lides apaixonantes da nossa vida pública portuguesa.

2. A Fé, mergulhar nos Evangelhos, é uma das mais preciosas fontes de Alegria e Integridade. Está lá tudo o que precisamos ser, tudo o que devemos ser para que Deus seja Tudo em nós. O meu sonho de menino é ser exactamente aquele Discípulo Amado, João, que reclina a sua cabeça no amantíssimo peito do Senhor. O Senhor vem. Vigiemos e oremos para que as nossas almotolias da Compaixão e do Amor fundamentados na Fé se não esvaziem. Tudo o mais é poeira. Tudo passa. É preciso amar.

3. José Sócrates que, com a malignidade consabida, capturou uma tóxica atenção mediática por demasiado tempo e por tempo de mais dominou praticamente todos os cordelinhos do Poder, enquanto foi Poder, está final e naturalmente preso, enjaulado com toda a tardia naturalidade. Mesmo preso, estrebucha insolentemente contra os magistrados que lhe autopsiam a gula, o suborno, o acúmulo criminoso de dinheiros comissionista-subornistas, a vida faustosa desproporcionada com os rendimentos, e lhe imputam, por isso mesmo, variados crimes enquanto titular de cargo público. A cada aparição pública, os advogados mostram-se patéticos, igualmente insolentes, ostentando um deles a pose mais javarda que a TV alguma vez já exibiu. Sem surpresa, Vetusto Soares surge, a espaços, bandarilhando a Justiça, personalizando a bandarilha em Carlos Alexandre e Rosário Teixeira, pressionando-os, intimidando-os, perseguindo-os, numa obscena intrusão que radiografa todo um modus operandi com décadas. Nos media, defendem-lhe a toada raivosa os mesmos do costume: Miguel Sousa Tavares, Daniel Oliveira, Nicolau Santos e Pedro Marques Lopes: é muita a poeira e a desfaçatez em defender o indefensável, obnubilando tudo o mais que se sabe. E tudo o mais é insuportável, explicando em boa parte a Derrocada 2011. Defendem-no com a converseta-manobra de diversão da presunção de inocência como se a vasta e densíssima informação de que dispomos fosse Zero, como se não lêssemos as notícias da imprensa escrita e não ouvíssemos nem víssemos as do audiovisual, como se os grossos escândalos em torno de Sócrates e do PS, desde 1974, não fossem esmagadores, como se um negro historial de impunidade entre políticos e banqueiros não tivesse medrado no Regime, consolidando-se nele medonhamente, como se nos últimos quarenta anos o puro desprezo pela vida das pessoas e o saque ao Estado não tivessem sido o que sabemos, Governo após Governo, mormente os socialistas, incapazes de zelar pelo Futuro porque inteiramente devotados ao devorismo do Presente. Pois enquanto houver Miguel Sousa Tavares, Daniel Oliveira, Nicolau Santos e Pedro Marques Lopes, que defendam o refugo da vida pública e advoguem a escória da práxis política, haverá sempre imensa matéria contra que lutar. O combate continua. É o meu combate. É o teu, leitor. Também se combate a querer saber, a descortinar a verdade.

sábado, novembro 29, 2014

O AMOR A PORTUGAL CEGA-ME DE LUZ

Não abdiquei, nunca abdicarei, da minha Palavra pessoal aqui, nesta minha casa. Acontece que desde há largos meses, acho que há mais de um ano já, vejo-me limitado na expressão larga do meu pensamento e das minhas emoções, apenas por estritas razões técnicas que hei-de ultrapassar. O meu computador pessoal, duramente experimentado ao longo de oito anos de luta pela frescura, renovação e liberdade do Portugal que adoro, não resistiu e não mais me assiste.

Mas parece-me óbvio que a sua "morte" por hyperaquecimento dos circuitos valeu a pena, bem como toda a minha paixão e entrega até hoje e que não mudará de hoje em diante. Há esperança. Há sinais de que a Justiça e a Transparência abrem caminho, crivando as pesadas elites da Banca, dos Media e da Política do joio maligno que as perverte e nos oprime e subjuga desde há mais de quarenta anos. Dado que com um mero telemóvel posso comentar e postar pequenos apontamentos, tenho privilegiado o Forum por excelência de todo o debate, denúncia e partilha nacional dos factos da nossa vida pública, o Facebook. É lá que me podem encontrar mais assíduo.

A todos os meus amigos, declaro desde já que está tudo bem comigo. Estou sereno e vivi serenamente quanto sucedeu nos últimos dias. Parco em festejos e pronunciamentos. Prometo um regresso à intensidade e habitualidade das minhas postagens, mal me veja apetrechado de um novo PC também ele disposto ou capaz de percorrer o meu caminho, de suportar o meu tempo. O tempo e o caminho das minhas lutas de sempre, sob os meus dedos, sob o meu uso. É que o amor a Portugal cega-me de luz. Não posso parar. Não saberia.

terça-feira, maio 13, 2014

OITO ANOS DEPOIS


Acho que perdi algum do fulgor e da energia motivacional para uma escrita diária, criativa, com o fôlego habitual. Celebrei há dias oito anos de Palavrossavrvs Rex sem sequer os celebrar. Perdi algum fulgor, não. Suspendi o meu fulgor aqui para o verter noutro lado. Fiz escolhas novas enquanto me desintoxicava de escolhas e dedicações zelosas de que saí desapontado e traído. Mas o meu projecto continua a fazer inteiro sentido para mim. Há tanto sobre que tentar reflectir, tanto para exprimir, e porventura muito mais recepção, hoje, um número maior de leitores a quem agrade a minha forma de ser e de dizer. Não é, porém, ainda o tempo de um regresso a uma volumosa produção aqui, conforme foi sendo habitual. 

Há impasses que me retraem: tenho uma profunda sensação de desadequação ao meu País, àquilo que me oferece e eu deixei de lhe oferecer, tendo eu investido tanto no Saber, na Cultura e na Língua a fim de ensinar outro tanto, quando enchia a sala de aula da paixão portuguesa que me transpassa. O amor e a alegria não se me eclipsaram. Nem a esperança. Dir-se-ia que perante o absurdo que se abateu sobre o meu País [as escolhas dos políticos, muitas delas malignas: foram capazes de sacrificar a esmagadora maioria antes e durante o Ajustamento em vez de sacrificar os interesses incrustados no Estado e sanar milhentas injustiças e parasitismos], pude encontrar uma réstia de fé numa saída pessoal à medida dos meus sonhos, fé nalguma coisa de bom no sentido da minha sobrevivência e da rentabilização dos talentos que possuo. 

Acredito que algo de bom me sucederá. Talvez mais rápido que o movimento da corda sobre o ramo d'árvore com que Papageno quis terminar consigo mesmo, antes de compreender que tinha uma vida feliz e fecunda à sua frente, não só, mas com a companheira perfeita para si. 

sexta-feira, novembro 29, 2013

MÁGOAS DE UM ESCRITOR CAUDALOSO

Eu queria ser lido e amado. Mas isso não é automático nem simples nem sequer decorrente do muito talento que me outorgue. É preciso sorte. Talento e sorte. Muitos houve que morreram agarrados ao seu talento e sem sorte. Outros levaram para a cova a sua sorte sem talento. Quereria escrever caudalosamente, imparável, dia após dia após dia e matar com páginas repletas a fome da minha prole. Desgraçadamente, não há leitores em Portugal. Desgraçadamente, aqueles por quem escrevia, por cujo amor escrevia, não me suportavam as provocações. Deixaram-se ofender por mim como se uma carta com dois mil anos de que discordemos, mas maravilhosamente bem escrita, nos pudesse ofender as convicções e o amor próprio.

Imbecis. Agora tenho as minhas pernas enterradas até às virilhas no pântano da escrita pequena em forma de regato e desambiciosa. Escrever para quem?

quinta-feira, outubro 17, 2013

OS BLOGUESÍADAS

Despropósito autopropositivo: Não me falte pachorra para dar à luz uma viva, nova a merecida DesEpopeia de um desPortugal inglório, porra que afinal é, apesar do que foi ou possa ter sido. E ao mesmo tempo enaltecer grandiloquente os feitos da bloga que vai mudando a face do País político mais escrutinado, batido e sovado, fustigando a velha geração de rapaces profissionais da política sem mais vida que a política, vergônteas tortas sem profissão e sem trabalho, ancorados nos negócios de milhões só para eles de que ninguém, especialmente o País Profundo, sente o cheiro. Veremos se introduzirei na minha betesga desÉpica em dez desCantos e faço igualmente grandiloquente não só a vontade de chorar, mas também a noção de que isto, sem a palavra ferina da bloga, seria infinitamente pior. Camões, o portuense, será o meu exclusivo interlocutor, muso, santo, aparição, profeta finado, alma gigantesca a abraçar com as pernas a miséria mesma com lhe pagaram o amor pátrio, enquanto deambulou perdido, atónito, pelas vesgas vielas caolhas de Lisboa, à espera da tença e da morte. Sou outro Camões a imprecar o primeiro, íntimo dele, desterrado como ele da migalha mínima, perante o deserto da vil tristeza..

Canto I

Estância I

Inveja, meu velho Camões, fez-se afinal húmus e sementeira do Povo que cantaste, último lastro que arrasou as tuas armas e os teus barões assinalados, inveja irmã da sanha ávida do ganho que um punhado de cabrões atoleimados, contra o Povo e contra o Povo, perpetrou à pala da democracia. Uns pelo saque Chupcialista. Outros pela cobrança confiscatória liberal e literal sobre quem não saqueou, Povo corneado duas vezes. O que partiu da tua ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados desnavegou. E o que passou ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais, muito mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificou Novo Reino, que tanto sublimou, ficou aquém, muito aquém do cantável, entre a penumbrosa névoa da Hora e o esvaimento das gentes que daqui se vão para mais longe, morrer longe.  

sábado, maio 11, 2013

VIA SACRA SEM CALVÁRIO

Ricardo Araújo Pereira aludia algures ao nosso túnel com mais túnel ao fundo do túnel. Toda a minha linha de intervenção aqui e seja onde for tem visado, por um lado, dissuadir à perda das estribeiras nas ruas e nas praças e, por outro, prevenir a tentação saudosista dos embusteiros, demagogos e ladrões que criaram todas as condições e deram todos os pretextos à cruz que os mais inocentes carregam nesta via sacra sem calvário.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

QUE SERIA DE MIM SEM MÚSICA?

Desde sempre a amei, sempre a busquei. E hoje a consolação que dela me vem não tem limites. Em criança, acompanhava os ensaios do grande orfeão da minha terra, aprendia com o sábio maestro a dura exigência da arte, a excitação do Belo, exemplo de querer o máximo, os desempenhos ultraprofissionais. Sempre me disseram ter eu próprio uma afinação perfeita, uma voz balsâmica; amei desde muito cedo o canto coral, muito cedo saboreei Orff, sensacional música sensualizada, a tradição medieval reconstituída, o canto gregoriano, o melhor da música sacra, Bach, Mozart, Schumann, tudo. Hoje, na minha praia, diante das ondas que cavalgam até à areia afagando grandes pedras, miro as férvidas águas e o sol que nelas rebrilha, ouvindo por vezes até às lágrimas quanto a Antena 2 me dá a escutar e substancia, com o que vejo, o imprevisto poema absoluto do momento, sentido completo do meu mais fundo.

sábado, outubro 20, 2012

FICAS A SABER QUE TE AMO, MANUEL ANTÓNIO!

Manuel António Pina marcou-me poderosamente e a esta sensibilidade que cultivo eu mesmo de poeta e humilde escrivão atrevido, especialmente nos últimos anos. Lia avidamente todas as suas crónicas no JN e tropeçava, de pasmo em pasmo, nos seus poemas e histórias: divulguei-o com paixão entre os meus alunos. O Porto era a palma das suas mãos, talvez o que de amniótico nos une a todos os que por cá vivemos, resistimos, por cá amamos e de cá gritamos, escrevendo neste Português caloroso, que era também, melancólico ou não, o de Pina. Os amigos! As tertúlias de presença e prazer! Os nossos gatos! Ontem, de olhos postos na RTP2, éramos dois, eu e a minha mulher brasileira nordestina, em silêncio, bebendo uma justíssima homenagem que na verdade foi como se nos víssemos ao espelho. Eu e ela amamos-te, Pina! Oito anos juntos. Boa parte desses oito anos a ler-te. Líamos e debatíamos o que escrevias porque eras inquietante e dizias-nos, Povo e País, a fundo. Quase sempre. Pela Palavra, foste unha da nossa carne. Nada separe o que a tua Palavra uniu.

quarta-feira, novembro 16, 2011

SER FRANCO ATIRADOR INCOMODA E MUITO

Eu sei que incomodo, perturbo, causo amuos em muitos outros comentadores e opinadores por me afastar de lógicas de bando anti-Álvaro e anti-Greves, assim como descubro até que ponto o que escrevo em primeira mão vai inspirar e influenciar metafórica e lexicalmente muitos cronistas desportivos e de outras matérias, por ser o que escrevo e partilho através do Twingly, admito-o, uma espécie de primeiro húmus da Opinião Pública a respirar livre e a fazer-se ouvir por si mesma, sem ser previamente 'filtrada' nem 'trabalhada'. Eu sei que escrevo sobre o máximo de alvos em movimento possível, notícias e factos que detecto e por que me interesso, o que faz de mim um franco atirador da opinião e da crónica, quando tenho o espírito livre para essa arte sublime e efémera como as mais belas flores [de que são exímios cultores, por exemplo, Ferreira Fernandes e António Manuel Pina]. Assim me posiciono na bloga nacional e tenho feito o meu caminho sem olhar para trás, nem admitir retrocessos e sem consentir qualquer razão aos que me subestimam. E não abro mão, como qualquer outro blogue que o seja competitivo, ambicioso e tenaz, de me afirmar no meio e produzir o máximo e o melhor que possa, todos os dias do ano. Gosto de mim. Gosto do que escrevo. Gosto do prazer de não desistir, de não desanimar. Gosto de seguir impávido e não afrouxar com afronta nenhuma e nenhuma ofensa e nenhuma contradição e nenhuma falta de consideração. Tenho o prémio do que escrevo no processo de o escrever e, se possível, ser lido, coisa que em Portugal é pedir de mais. E assim me defino. Digo isto a propósito de momentos insólitos de censura extremada às minhas opiniões e comentários de ontem a certas notícias Público a propósito da Selecção. Talvez um dia ainda se escreva a história da dor de cotovelo nesta lama e pó de ouro que é a bloga nacional assim como da emergência, sucesso ou desaparecimento inglório de muitas e muitos bloggers. Ontem senti o meu texto sobre a Selecção filtrados e trabalhados pelo desprezo dos gestores de Twingly. Já não estava habituado.

domingo, outubro 09, 2011

SUBESTIMEM-ME QUE EU GOSTO

Sou um tipo de pessoa que sofreu ao longo da vida duas ou três provocações que me levaram a actos e atitudes do tipo «mais do que prometia a força humana». Foi graças a isso que passei três quartos dela-vida apaixonadíssimo por um foco de interesse de cada vez, esmerando-me nele em absoluto, para o bem e para o mal, com o bem a levar claramente a melhor. Pertenço ao número dos que duas ou três vezes se viram subestimados, varridos para canto, postos à parte, fora de quaisquer razões objectivas ou subjectivas para isso, se é que elas podem sequer existir seja para com quem for. Não há nada mais estimulante. Não há raiva decorrente mais transformadora. Só ainda não me dá sustento para uma vida digna. Parafraseando Jobs relativamente às suas e nossas escolhas profissionais e vectores de realização pessoal  «Find you passion»  tenho encontrado sem dificuldade as minhas paixões. Uma de cada vez.

domingo, maio 22, 2011

UMA PALAVRA

Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra
k
Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de luz mais que de vento, palavra
k
Palavra dócil
Palavra d'agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em balde, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra
k
Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra
k
Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra
k
Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra
k
Chico Buarque