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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

ENSAIO PARA UM EPITÁFIO AO PASSISMO

«Na semana em que o Primeiro-Ministro descreve a economia portuguesa com outra das suas trôpegas platitudes (“a selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver está feita”), ficamos a saber, pelo Público, que nove empresários da restauração se suicidaram nos últimos três meses e 11 mil empresas do sector foram à falência.» Pedro Picoito

segunda-feira, outubro 29, 2012

É ISTO, BASICAMENTE

«O Estado social está falido, pelos motivos demográficos e económicos do conhecimento público, e rever-lhe o alcance e a sustentabilidade é uma condição básica de sobrevivência . A recusa de Seguro em fazê-lo apenas prova o que já sabíamos: que o PS está afogado em demagogia, qual Ofélia do regime, e dali não nos vem grande esperança. Não é por negar a realidade que ela desaparece.» Pedro Picoito

quarta-feira, setembro 26, 2012

AUTÓPSIA A UM POVO DE PACHORRENTOS

Muito bem, Pedro. Hoje é um bom dia para me apaixonar intelectualmente por ti, introduzindo o meu membrudo raciocínio nesse teu post. Agora somos quatro numa espécie de bolinho de bacalhau de amor intelectual: tu, eu, o Luís e o Filipe. Já éramos estreitos os três. Faltavas tu. LOL Agora a sério: nós, portugueses, simplesmente substituímos a violência anti-institucional por uma violência difusa, atomizada, social, horizontal. Depois há outra coisa ainda mais poderosa e dissuasora: antes que nos queixemos e abrasemos a rua, vem a EDP, vem a GALP, vêm as Águas, vem o Gás, vem o Fisco, vêm as PPP, vêm as Taxas Moderadoras, vêm as facturas traiçoeiras e ranhosas das SCUT, vai e vem o caralho de quanta injustiça e esmifranço o Planeta Terra já viu. Recebemos tanto malho, flagelam-nos e desmoralizam-nos de tal modo que não há energia moral, mental, para lhes resistir sem um rasto de má consciência, tirando uns fogachos mal direccionados do tipo «Passos Gatuno» ou «Pinóquio, Ladrão, Fodeste o Povo ou não?». Portanto, se não consigo pagar toda esta merda, o defeito só pode ser meu, que não emigrei, que não estudei, que não me fiz político nos anos fáceis de Cavaco ou nos anos pauis de Guterres, que não soube fazer como Relvas, que não tive engenho de extorquir como Sócrates, que não fui sorna, habilidoso e ratazanal como Dias Loureiro, que não soube adoecer e arrepender-me de roubar muito, no tempo certo, como Oliveira e Costa. Como poderei, pois, ser violento e danado de raiva como um espanhol, sangrando e cuspindo nas praças, becos e ruas, se no fundo todo me compunjo por não ter tido, como me competia, o máximo de lata e competência técnica para ser um parasita de sucesso, como um Mário Soares, ou fagueiro burlão como um Vale e Azevedo, sempre luxuoso e glorioso de lágrima ao canto do olho, ou então, vá, no mínimo, um genoma perdido do Ricardo Espírito Santo Salgado?! O defeito, em suma, só pode ser meu. E então fecho-me em copas. Engulo o engulho e resguardo os cêntimos. Isolo-me no casulo egoísta, individualista, civicamente fechado que caracteriza o bom português metido consigo mesmo, hermético às causas comuns. Sigo desenrascado como calhe, de repente morto de fome a apodrecer num quarto por aí. Aliás, temos o Medina Carreira, o José Gomes Ferreira para se escandalizarem por mim e verberarem delicada e respeitosamente os filho da puta por mim. E não saio de casa.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

UM ANO DE IGNOMÍNIA


lkj
«O referendo do aborto foi há um ano.
Participei na campanha e fiz parte dos vencidos.
Escrevi então que há derrotas que nos honram.
O referendo mostrou, sobretudo do lado do "não",
a força de movimentos independentes dos partidos,
saídos da sociedade civil e dispostos a bater-se por causas.
lkj
Um ano depois, é possível fazer um balanço?
Entre 15 de Julho e 31 de Dezembro de 2007,
realizaram-se 6099 abortos legais.
lkj
Cerca de metade do que diziam os defensores do "sim" mais moderados,
com base em estudos, estatísticas e projecções muito lá de casa.
Era previsível e foi previsto.
lkj
O aborto clandestino, principal argumento para alterar a lei,
não desapareceu. De acordo com o Público,
"no primeiro semestre de 2007,
nos 40 serviços que forneceram dados,
contaram-se 933 internamentos por complicações de IVG
não admitidas no quadro legal".
Esperemos pelos números do segundo semestre.
Mas era previsível e foi previsto.
lkj
Sócrates, o grande vencedor da votação,
usou-a como prova de vida do seu defunto esquerdismo.
Enquanto fechava maternidades e urgências por todo o país.
Uma ironia que era previsível e foi prevista.
lkj
E ainda conseguiu meter o Bloco de Esquerda no bolso.
Sem bandeiras fracturantes para agitar,
a rapaziada despareceu do mapa e só levantou cabeça com o regicídio.
Também era previsível e foi previsto.
lkj
Um ano depois, o "sim" deu um Ministro da Cultura ao Governo,
António Pinto Ribeiro, célebre pelo argumento
"um ovo não é um pinto e não tem os mesmos direitos".
Por esta é que niguém esperava.
(Sempre pensei que o lugar fosse de Lídia Jorge,
a revolucionária teorizadora da "coisa humana".
Não se pode acertar sempre.)»
lkj
Pedro Picoito, O Cachimbo de Magritte