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terça-feira, novembro 12, 2013

NÓS SOFREMOS, O PAÍS AVANÇA

Há muito que no meu espírito se sedimentava a certeza de um País repleto de infraestruturas, mas irrevogavelmente pobre nas pessoas, nos rendimentos, um País em que a riqueza ficaria lá, na grande barragem monopolista e apropriacionista das famílias habituais, a acumular desde há décadas. 

Não misturarei, porém, departamentos: o que é bom para Portugal, há-de ser bom para mim e para a maioria, senão já no bolso, no orgulho, e um dia em ambos. E é bom saber da redução da taxa de desemprego de 16,4% para 15,6% no terceiro trimestre deste ano; é bom saber que os juros da dívida pública portuguesa a dez anos no mercado secundário já está nos 5,82%; é bom saber que as exportações portuguesas em Setembro tiveram segunda maior subida do ano e que a a actual espiral crescimentista da economia portuguesa é já de 0,3. Que bom ter razões para festejar e razões para esmagar o argumentário catastrofista dos vendedores de tragédia e asseguradores de desgraça. Muito bom.

É tudo muito bom, mas eu não sinto nada. Ninguém aqui em casa sente. Comer já é um problema há dois anos, quanto mais vestir e o resto. Com as famílias esmagadas e sem dinheiro para mandar cantar um cego, a consolação de um País finalmente nos trilhos, a crescer e a viver do que vende, ainda não nos consola directamente a nós, pessoas comuns, cidadãos concretos. Algum dia consolará? Talvez. 

Daqui a dez anos.

quinta-feira, setembro 12, 2013

ARRISCA-SE?

Portugal é desigual, sempre foi desigual, será sempre ultradesigual. Evidentemente que toda a desigualdade portuguesa começa e acaba na corrupção de Regime: num Regime Corrupto, com Partidos fantasiosos e glutões como o PS, nos quais a corrupção acaba sempre por parir bancarrotas, a desigualdade veio para ficar. Pagar dívidas é somente a outra face da mesmíssima moeda medíocre regimental.

quarta-feira, julho 31, 2013

UM DIA HISTÓRICO

«O parlamento da Galiza deverá aprovar, até outubro, legislação que potencie a utilização da língua portuguesa naquela região autónoma de Espanha, indicaram hoje à Lusa os promotores da iniciativa popular que esteve na génese do processo. Trata-se de uma proposta de lei subscrita por mais de 17.000 pessoas, desenvolvida durante o ano de 2012 pela comissão promotora da Iniciativa Legislativa Popular "Valentín Paz-Andrade", reclamando "o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia". Foi aprovada no parlamento da Galiza, na generalidade, em maio, e já durante o mês de julho, explicaram os promotores, foram produzidas emendas ao texto original, por parte dos quatro grupos parlamentares. "O debate e aprovação final [do texto da lei] terá lugar em setembro. A comissão promotora está a realizar três relatórios, um por cada artigo da lei, desenvolvendo as suas possibilidades de aplicação", explicou à Lusa Joám Evans. As emendas, disse ainda este responsável da comissão promotora, serão discutidas e votadas na Comissão de Educação e Cultura, antes de o texto final voltar à sessão plenária do parlamento, "no final de setembro ou início de outubro". O primeiro dos três artigos originais que constam da proposta - que está a ser revista -, definia que o Governo galego "incorporará progressivamente, no prazo de quatro anos, a aprendizagem da língua portuguesa em todos os níveis de ensino regrado" e que o domínio do português "terá especial reconhecimento para o acesso à função pública e concursos de méritos". O segundo artigo estabelecia que o relacionamento, "a todos os níveis", com os países de língua oficial portuguesa "constituirá um objetivo estratégico" do governo regional, nomeadamente fomentando a participação das instituições regionais em fóruns lusófonos económicos, culturais, ambientais e desportivos, bem como a organização na Galiza de eventos "com presença de entidades e pessoas de territórios que tenham o português como língua oficial". Previa ainda, no terceiro artigo, que aquele governo "tomará quantas medidas forem necessárias para lograr a receção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre". Aquando da aprovação da proposta na generalidade, por todos os partidos, os promotores afirmaram tratar-se de um "dia histórico", aproximando linguisticamente o que foi separado no passado. "Acho que vai ser, para todos nós, para todos os galegos e galegas, para os que virão depois de nós, um dia histórico e lembrado. O dia em que voltamos a unir o que a história separou", afirmou, a 14 de maio, Xosé Carlos Morell, daquela comissão. O aproveitamento do português é visto naquela região como uma forma de potenciar a utilização do galego, dada a sua proximidade, facilidade de compreensão e tronco comum de origem, em termos linguísticos, relegado para segundo plano pela língua nacional. "Não se trata de construir impérios, que já passaram, ou novos poderes, mas de recuperar humanidade e relações económicas, naturalmente", admitiu Morell, reclamando a "representação" da língua galega e da região autónoma, "por direito próprio", na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), enquanto "origem e parte da lusofonia" DN

sábado, julho 13, 2013

MEIO CHEIO É MELHOR QUE NADA

«A produção industrial em Portugal foi a que, em termos europeus, mais aumentou em Maio, quando comparado com Abril, registando um acréscimo de 6,1%. Em termos homólogos, registou a terceira maior subida – 4,5% - na União Europeia que, no seu conjunto, recuou 1,6%, anunciou nesta sexta-feira o Eurostat.» Público

terça-feira, julho 02, 2013

DILMA, MORSI E O DR. SOARES

A rua está a falar cada vez mais alto. Gritou na Turquia. Vociferou no Brasil. Berra agora no Egipto, rejeitando um presidente eleito, o islamista Mohamed Morsi, cujos passos políticos foram dados no sentido, não de uma reconciliação nacional, mas de um absolutismo islamizante, pé ante pé, medida ante medida. A rua é soberana no século XXI? Depende. Alguns, na Esquerda Impostora e Nihilista Portuguesa, convocam-na e ela não acontece. Nunca. A não ser que, num primeiro momento, se disfarce de movimento cívico Que se Lixe a Troyka para logo se expor e gerar desmobilização dado o facto de os portugueses odiarem ser manipulados do Sofrimento Real para o Nada Garantido, típico das Esquerdas Raivosas, do BE ao PS. A rua não se empertiga em Portugal. Não acontece em Portugal. Mário Soares, por exemplo, tomando a nuvem por Juno, considerou que os insultos organizados pelo Bloco de Esquerda e os arrufos promovidos pelo PCP, à chegada e à partida dos Ministros em eventos e encontros oficiais, chegariam e sobrariam para derrubar o Governo Passos. Não. A rua, aqui, é minoritária e até é parva: não se derruba um Governo para instalar em seu lugar o Nada-de-Jeito, dando força à Funfas Catarina, ao Gasoletas Semedo-Morcego, ao Frankenstein Jerónimo. As pessoas vão, sim, trabalhar, pedir à porta dos hotéis e das igrejas, emigram em massa, consideram muito mais útil ir lutar com as armas que têm pela própria vida e por um emprego precário, espécie de raspadinha com prémio, do que servir de gado aos partidos do sistema. Ninguém nos leva ao colo. Nem amigos. Nem família. Nem Igreja. Temos de fazer pela vida. A rua em Portugal não funciona, caso os instigadores dela se proponham trocar o inferno da Austeridade pelo terror de Coisa Nenhuma e Talvez Pior que Nada. Mas no Brasil, por um pouco Dilma e o seu Governo cairiam, se a rua quisesse, excluindo a opinião do dr. Soares, para o qual esses largos milhões de brasileiros zangados talvez mereçam o epíteto de golpistas e a rua brazuca seja epigrafável de ilegítima. O dr. Soares é amigo de Dilma. O dr. Soares não abençoa a rua que execre Dilma. E agora, no Egipto, é a praça de todas as primaveras árabes, Tahrir, que forceja a deposição de Mohamed Morsi. Não é anarquia. Estão é fartos de tirania. O que os jovens liberais e de Esquerda exigem, liderados pelo socialista Hamen Sabbahi e por Mohamed ElBaradei, é o fim de uma deriva subversiva, mesmo dos pressupostos da democracia, tentação em que caiu a Irmandade Muçulmana sob Morsi. Também os nazis ascenderam à tirania mediante eleições livres e injustas, que nunca mais foram livres nem justas porque não mais aconteceram. O exército, no Egipto, é, portanto, agora a última instância para as aspirações democráticas e laicas do Povo egípcio. Trata-se de um presidente que não resolveu nem a crise económica nem o desemprego, que está nos 13,2%, nem um défice fiscal que escalou para os 48% face ao período homólogo anterior, nem um endividamento externo já vai nos 80% do PIB. Mas há outras razões para um derrube iminente deste Presidente, legitimado em eleições mas logo iligitimado por tal desempenho económico e sobretudo pela deriva islamizante, actos e decisões que configuram alguns tiques de absolutismo religioso. A Irmandade Muçulmana perdeu prestígio. Se ganhou as eleições, há um ano, foi por um sentido de gratidão do eleitorado por longos anos de misericórdia e assistencialismo social, gratidão pouco lúcida, logo traída pela agenda islamizante e pela intolerância e castração de costumes com o que a juventude e os democratas não podem. A rua pode ser soberana no século XXI! Em casos extremos, o Parlamento pode e deve ser, por vezes, uma avenida da Liberdade repleta [Teria sido belo derrubar o segundo Governo Sócrates Fajuto com quinhentos mil a pedi-lo uma semana inteira nas praças e acessos da Capital]. Portugal, Brasil, Egipto: a menos que o dr. Soares não passe de um tonto hipócrita, dir-se-ia que o Povo-Rua só é soberano em Portugal, neste momento, contra a Agenda Austeritária da Troyka e contra o Governo de Direita. Não o seria contra um Governo Socialista sob a Agenda Auteritária da Troyka. Não o seria, mesmo em massa, contra o Governo Petista de Dilma. Quanto ao Egipto? Soares não sabe/não responde

terça-feira, junho 25, 2013

RUA BRASILEIRA E RUA PORTUGUESA

Há quem ache que em Portugal temos razões e mais que razões para sair à rua como os brasileiros. É esse aliás um dos mais recentes argumentos de uma Esquerda Fóssil e Raivosa que a nada mais aspira senão a piorar o que já nos é péssimo. Devo dizer, como luso-brasileiro, que tal significa laborar numa falácia monstruosa. Sim, a Corrupção de Estado em Portugal tem sido devastadora e tem gerado as bancarrotas socialistas que se conhecem bem, coisa com que o actual Governo e a actual Justiça contemporizam desabridamente. No Brasil, nem a mais retinta corrupção política e societária afrouxam um clima geral de expansão e crescimento. Apenas vincam a crassa injustiça no abismo entre rendimentos. Há, portanto, diferenças entre a incandescente Rua Brasileira e a Nula Rua Portuguesa. O Brasil tem uma tal pujança económica que, após os estádios, gerou um escândalo redobrado nos cidadãos confrontados com os seus precários e displicentes sistemas de saúde e de ensino públicos, escandalizando-os igualmente a corrupção associada à política, às obras de Regime, desde líderes estaduais a autarcas das principais cidades. Mas em Portugal, embora repletos de razões de fundo contra o Regime e a Corrupção que o caracteriza, não podemos encher só agora as ruas. Na presente situação de decrepitude financeira e ruína económica, numa situação sistémica europeia de risco do Euro, tal ideia só pode passar pela cabeça de oportunistas estúpidos, imbecis mediáticos e lunáticos anacrónicos de uma Esquerda-Razia-Económica que, após 1975, não volta nem pode voltar mais.

segunda-feira, maio 06, 2013

MAUS SINAIS DO IRMÃO BRASILEIRO

Provavelmente, alguma da elite política brasileira hoje no Poder acompanha com ignorância e desdém os acontecimentos dramáticos na Velha Europa, especialmente as humilhações do Estado Português sob resgate externo, convencida de que as suas escolhas megalómanas à pala do Mundial 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016, não lhe trará amargos de boca também a ela. Se assim é, essa elite é mesquinha e acerba. 

Basta a simples noção de que, tal como em Portugal, a força devoradora da corrupção brasileira tragará , uma e outra vez, fatalmente, na sua voragem, todo o potencial criador e justo de uma economia repleta de potencial. É pena. Num mundo global, ninguém vive com a miséria vizinha, nem que o vizinho [pomposo país irmão] fique a mais de nove mil quilómetros. Porém, no Brasil provinciano e circunscrito de Dilma, tudo é possível. Até a ingratidão.

Ora, medidas como esta recente, de reafectação a outros países de sete mil estudantes brasileiros que tinham escolhido Portugal para fazer parte dos seus estudos superiores, após o Governo brasileiro ter anunciado, no dia 24 de Abril, o cancelamento das bolsas para Portugal concedidas no âmbito do programa Ciências Sem Fronteiras, além de ressumarem ingerência na esfera pessoal dos estudantes e serem de duvidoso sentido estratégico num País que, em todo o seu gigantismo, só ouve a sua língua e a sua língua é a sua única música [não há legendas nos filmes, nas séries, em inglês, francês, alemão, espanhol]  só vêm comprovar que Portugal, nesta hora decisiva e solitária, em que todos os tapetes nos são tirados de debaixo dos pés, não tem todo o apoio nem toda o carinho que merece do Brasil. Tem o preconceito em cima. Tem o mito tropicalista ressentido, presumido, e os seus equívocos de reescrita histórica ao arrepio da tese Casa Grande & Senzala. Tem a desconsideração pelo pequeno País, o castigo do desdém, o alheamento desse Brasil, por tanto tempo vítima do FMI e ainda sujeito a ratings nada lisonjeiros por parte das agências de notação sediadas no Umbigo do Mundo, Nova Iorque.

Sim, isto é bem verdade para as pessoas e para os Estados: no mundo real, quando não se tem dinheiro, até os cães nos vêm mijar às canelas, coisa ainda mais verdadeira numa sociedade ultraliberal, para lá de salve-se-quem-puder, como a brasileira. Ouve-se dizer que as coisas vão melhor que nunca no Brasil, mesmo com uma Europa que não compra e num mundo em suspenso e em risco global perante o abismo europeu com a crise do Euro. É possível. Mas a primeira vítima da alta política do Planalto já é o défice de nobreza de que a medida referida é só um sinal. Um mau sinal.

quarta-feira, março 27, 2013

O SEXO É UM BEM RARO E PRECIOSO

Há quem perca a cabeça só para lhe sentir o cheiro enganador. A falta de sexo pode ser aflitiva, falta em parte logicamente explicável pela ausência de saldo na conta ou contas bancárias. Cuidado, desesperados! Primeiro é preciso ter dinheiro. Depois é possível a oportunidade de prazer consentido e consensual, se tiverem sorte.

sábado, março 23, 2013

PAIXÃO BRASILEIRA

Esta é a hora em que a minha insónia portuguesa cogita a hipótese de uma segunda vida brasileira: tantos e tantos amigos partem para o lado de à procura do que é sonegado cá. Eu quero ficar do lado de cá, mas poder ir lá quando e quanto queira, cultivando dois amores na mesmíssima Pátria da Língua Una. 

terça-feira, março 05, 2013

A CORRUPÇÃO ESTERILIZA

Diga-se o que se disser, se Portugal hoje é um País a esvair-se, o Regime corrupto e fechado, por acaso uma república medíocre, explica-o de sobejo. Explica que não se nasça. Explica que se parta em massa. Enquanto Povo, tolerámos a corrupção da Política e da Banca, contentámo-nos com a opacidade da decisão em proveito dos decisores, com a desactivação industrial e agrícola. A riqueza não foi partilhada. As injustiças sedimentaram-se. A Justiça tornou-se a principal miragem e fonte de desânimo colectivo. Regredimos. Vamos regredir ainda mais. Mas não está previsto que alguém pague pelo mal que nos fez, por mais que nos manifestemos.

terça-feira, novembro 13, 2012

EUROS E KWANZAS

«Se queremos convencer a chanceler alemã da necessidade de corrigir um caminho que está esgotado e já produziu os melhores resultados que pode produzir, num ajustamento rápido que, a partir de agora, só pode voltar a levar-nos ao precipício, se esperamos que Merkel aceite os alertas que há semanas vão sendo feitos pelo FMI, este é o momento adequado. Se queremos convencer a Alemanha de que merecemos uma nova oportunidade nos fundos comunitários, depois de milhares de milhões recebidos e que acabaram numa intervenção externa, este é o momento. Não foi a chanceler alemã - ou a BMW e a Siemens, como se depreende do vídeo de Marcelo Rebelo de Sousa que poderia ter sido subscrito por Francisco Louçã - que nos trouxe até aqui. A responsabilidade de Merkel é outra, é a de demorar a tirar a Europa e a zona euro da crise em que está mergulhada desde meados de 2008. A chanceler tem, apesar de tudo, cedido à realidade para segurar uma moeda única que é também um factor que explica o sucesso alemão. Portugal precisa da Alemanha, como precisa de Angola, porque somos europeus e ‘atlânticos', por justaposição e não por contraposição. Mas, num caso e noutro, sem perder uma soberania que já teve melhores dias, sem vender a dignidade por euros e kuanzas, sem hipotecar a história. Ora, a reacção do Jornal de Angola a uma notícia do Expresso sobre a abertura de inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República a três altas figuras angolanas, nomeadamente ao vice-presidente Manuel Vicente, é, no mínimo, um alerta. No máximo, uma ameaça intolerável.» António Costa