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segunda-feira, agosto 10, 2015

VOU!

Desde Outubro de 2012 ao dia presente, pastei mal e mal apascentei uma vida digna, tendo-me ela, a vida, feito confluir a crise pessoal de rendimento com a crise nacional de insolvência e desequilíbrio macroeconómico, entretanto vencida ou numa clara trajectória de superação. Crato cortou nos custos, emagreceu o Ministério da Educação pelo lado mais tenro — o pessoal docente periférico e descartável —, e eu sofri as naturais consequências como, julga-se, outros trinta mil. É muita gente de uma vez chutada pela biqueira de aço da Troyka e do Equilíbrio-Orçamental-a-quanto-obrigas, Maria de Lurdes Rodrigues por outros meios. Tudo bem. Fiquei sem rede. Estava sem rede. Continuo sem rede. Tenho concorrido anualmente e conservo um fiozinho de esperança em, finalmente, ter escola. É uma réstia de nada para 2015-2016. Se, pelo terceiro ano consecutivo, não tiver escola, não obtiver um horário anual, conforme me sucedia até 2012, vou! Vou para fora. Saio de Portugal. Viro costas. Reinicio. E seja o que Deus quiser. Destino já o tenho. E já decidi.

De 2012 até ao presente, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que me vi obrigado a solicitar dinheiro a conhecidos e a amigos: uns 5€ ou 10€, em situações-limite. Constato que, em cinco dedos, só dois foram capazes desse tipo de generosidade metálica pontual. Um mais, outro menos, mas capazes. Os outros três, não. De todo. Se tudo correr bem, tenciono reembolsar desses trocos quer os amigos e conhecidos que me valeram e me não faltaram pontualmente, quer aqueles que não foram capazes, antes se afastaram de mim, após tantas vezes entabularem conversa comigo em chat, numa iniciativa unilateral e recorrente que sempre soube acolher. Pedir dinheiro humilha. Recusar dar avilta e vulgariza o avaro porque tudo passa, todos morremos: encher o coração de Amor e generosidade é imensamente mais desafiante e gratificante que encher os cofres de ouro, conforme no pós-morte se verá.

Passaram quase três anos. Fiz escolhas. Aguardei melhores dias. Intervim publicamente com o meu máximo satyrico, contundente e criativo, atento aos factos, lendo a realidade nacional. Enganei-me na minha crença pura em Luís Filipe Menezes. Sondei uma hipótese brasileira de vida. Adiada. Tive sempre esperança no meu País. Confiei no núcleo macroeconómico, cerne das políticas da Coligação PSD-CDS-PP; tal como entre 2005 a 2011, continuei a sentir-me tapado, boicotado, tolhido pelo poder dos empregadores de clientelas do Regime com força bloqueadora sobre os que escrevem de mais e lutam de mais contra tal poder pardo no Regime. Combati o sarro corrupto e mentiroso dos velhos rendeiros, dos velhos chupistas, portugueses à parte, na sua casta excepcional e intocável, os proenças, os salgalhados, os sócrates, os soares, o diabo que os carregue; bati-me contra as ideologias-fóssil da miséria, das venezuelas sem cerveja nem papel higiénico, dos syrizas dos multibancos raccionados, da fome e do esmagamento económico por inércia e inacção deliberadas à maneira varoufakisiana, combati o Acordo Mortográfico, Merdográfico. Mas já não suporto mais a minha situação de desemprego, as dificuldades pessoais e familiares de liquidez, a penhora perpétua que o BES inventou para a minha vida, nem suporto sobretudo o ostracismo-exclusão-morte social que representa para mim, como para milhões de outros seres humanos, uma tal situação prolongada. De 1995 a 2012 ensinei — tal como de 1985 a 2005 catequizei —, pensei, escrevi, inseminei paixão por Portugal, pela Cultura e Literatura Portuguesas, lutei pela Fé, pelo Cristianismo Constitutivo da Alma Nacional, hoje Insipidez Cultural e Miséria Identitária, Sordidez Mediática.

Cá, não me chovem convites para nada nem coisa nenhuma, a não ser petas, burlas, charlas, escravidões, submissões. Cá, não me abordam para oportunidades pequenas, médias ou grandes. Cá, não há absolutamente merda nenhuma para mim, estou a ver. O quê?! Deveria procurar mais?! E como é que só de fora do País me chega uma, válida, em três anos?! Pois para mim chega. Chega disto. O Beco Nacional faz-me mal.

Vou!
Se tiver mesmo de ir, vou! 

sábado, novembro 29, 2014

O AMOR A PORTUGAL CEGA-ME DE LUZ

Não abdiquei, nunca abdicarei, da minha Palavra pessoal aqui, nesta minha casa. Acontece que desde há largos meses, acho que há mais de um ano já, vejo-me limitado na expressão larga do meu pensamento e das minhas emoções, apenas por estritas razões técnicas que hei-de ultrapassar. O meu computador pessoal, duramente experimentado ao longo de oito anos de luta pela frescura, renovação e liberdade do Portugal que adoro, não resistiu e não mais me assiste.

Mas parece-me óbvio que a sua "morte" por hyperaquecimento dos circuitos valeu a pena, bem como toda a minha paixão e entrega até hoje e que não mudará de hoje em diante. Há esperança. Há sinais de que a Justiça e a Transparência abrem caminho, crivando as pesadas elites da Banca, dos Media e da Política do joio maligno que as perverte e nos oprime e subjuga desde há mais de quarenta anos. Dado que com um mero telemóvel posso comentar e postar pequenos apontamentos, tenho privilegiado o Forum por excelência de todo o debate, denúncia e partilha nacional dos factos da nossa vida pública, o Facebook. É lá que me podem encontrar mais assíduo.

A todos os meus amigos, declaro desde já que está tudo bem comigo. Estou sereno e vivi serenamente quanto sucedeu nos últimos dias. Parco em festejos e pronunciamentos. Prometo um regresso à intensidade e habitualidade das minhas postagens, mal me veja apetrechado de um novo PC também ele disposto ou capaz de percorrer o meu caminho, de suportar o meu tempo. O tempo e o caminho das minhas lutas de sempre, sob os meus dedos, sob o meu uso. É que o amor a Portugal cega-me de luz. Não posso parar. Não saberia.

segunda-feira, abril 28, 2014

ESPETO DA SITUAÇÃO

Não trabalho oficial e normalmente desde Outubro de 2012. Sempre cumpri escrupulosamente todos os meus deveres fiscais. Os meus rendimentos globais são abaixo do zero da dignidade, como acontece com milhares de pais de família em Portugal, nos últimos três ou mais anos. Não me mexo, não dou um pio, não clandestinizo laboralmente a minha vida. Nunca o fiz. No entanto, pelo menos desde 2005-2006, o Fisco descobriu e inventou para mim os mais estapafúrdios incumprimentos, as dívidas fiscais mais manhosas, e os juros de mora da praxe, incidentes fiscais que fui pagando conforme pude. E não posso. E continuam. Sou até um sincero entusiasta do trabalho global do competentíssimo Paulo Núncio. Pessoalmente, não sei como apode a minha situação pessoal senão de um espiral depressiva. Depois de esbulhado pelas consequências da Bancarrota, macerado pelo desemprego no Ensino, perseguido pelo opressor BES e pelo persecutório Fisco, resta-me o quê?! Há alturas em que se me evapora toda a esperança.

terça-feira, março 11, 2014

ENFIM, LEITOR, É ISTO!

Vejo a beleza do pôr-do-sol quase todos os dias à beira-maresia e prostro-me interiormente
em adoração ao Criador e ao Seu Santo, Jesus Cristo.
Fiz 44 no Domingo passado. Foi um dia feliz em família, com os meus pais com quem vivo, as minhas irmãs, um dia cheio de amor, mensagens inspiradoras das centenas de amigos e admiradores no Facebook. Ando cheio de esperança, apesar de sem grandes razões para ela. Procuro dar uma corrida todos os dias e, de vez em quando, aquela caminhada de 20 quilómetros, costume meu que já leva mais de catorze anos. Vejo a beleza do pôr-do-sol quase todos os dias à beira-maresia e prostro-me interiormente em adoração ao Criador e ao Seu Santo, Jesus Cristo: tenho tido êxtases, tenho tido emoções espirituais muito fortes. Depois regresso a casa cheio de alegria e de amor, com um sorriso que não é deste mundo. Sem correrias, sem outras rotinas que não sejam as meninas, escola, infantário, a esposa, e o meu activismo cívico através da escrita, acabo por recentrar-me sabaticamente no meu íntimo, no que me é fundamental, e aí descubro o cerne da felicidade, podando o bonsai do meu coração. Somente a escassez de dinheiro é que, a espaços, tolda esta nossa vida e se faz problema, para mais impossibilitando, após 2011, uma viagem ao Brasil para estancar as saudades que são muitas e me trazem a mulher algumas vezes chorosa e nostálgica dos pais, dos irmãos, dos sobrinhos. Enfim... é isto.

quinta-feira, junho 27, 2013

RUBROS DE CÓLERA

O mulher ficou rubra de cólera porque o dinheiro acabou. O homem ficou rubro de cólera porque o Sport Lisboa e Benfica baqueou. A criança ficou rubra de cólera porque o Canal Panda congelou. De todas as razões para ficar rubro de cólera, a pior é o fim do dinheiro, logo a seguir o fim da saúde, quem sabe se mais tarde o fim de tudo.

quinta-feira, maio 23, 2013

SOU UM BICHO ESTÚPIDO

Falta-me qualquer coisa. De vez em quando passo longos dias sem tomar um café. É deliberado. Gosto imenso de café. Mas faço por não depender de nada, de nenhuma substância. Não custa. Decide-se e pronto. Passa o primeiro dia. Depois mais um, uma semana, duas. Porventura por isso mesmo uma certa agitação e alguma predisposição à histeria e a uma violenta aspereza, em certos momentos, se potencie em mim, mas nada disto tem a ver com a escrita nem nela se reflecte. Quero escrever, escrevo. Sinto, sei, vou. Quero combater pelo meu País, combato. É no resto. Dói certas horas de desarmonia, em que nada parece funcionar devidamente, em que a linguagem dos afectos se depara com muros, incompreensões, agastamentos, que ontem dir-se-iam impossíveis, improváveis. Sou um bicho estúpido. Basta um floco de falhanço, a falta de um recurso, qualquer coisa fora do sítio no meu dia e perco-me um pouco. Estou a maior parte do tempo em casa. A maior parte do tempo de luz só, consigo cortar e contar todos os silêncios pela minha janela, o trinar das aves, o ladrar dos cães. Correr ao vento, na direcção do Sol e do Mar, isso, sim, resgata-me, limpa-me, baptizo-me sempre na límpida e densa água marinha, digo para mim mesmo: «Nada me falta, Vós estais comigo». Por isso morro um pouco quando me dizem: «Agora não vás.» ou «Já foste. Fica.» Quero ficar e quero ir. E instalo-me no labirinto de dois desejos.

terça-feira, maio 21, 2013

VENNER, INSENSATEZ E IRRACIONALIDADE

Hipocritamente, o futebol gera paixões do mais irracional que conceber se possa, basta ver o tipo de ameaças que um blogger recebe apenas por dizer o que pensa, desconstruindo pela hipérbole o cagaçal que a hipérbole clubística gerou. Ameaçar, insultar, personalizar o que é geral, eis toda a imbecilidade de um País desinformado e desfasado de si mesmo. A fome não o choca tanto. Nem tragédias como a de Oklahoma beliscam a sua paz, recordando que somos todos frágeis e, no limite, mortais. É assim que leio o suicídio de Dominique Venner, antigo membro da Organização Secreta Armada. Uma causa perdida conduziu-o à morte. Em vez de viver e deixar viver, matou-se na tarde desta Terça-feira na catedral de Notre-Dame, em Paris. 78 anos. Fê-lo espectacularmente. Entrou na igreja, colocou-se atrás do altar e disparou um tiro na boca. Eram 16 horas. 

terça-feira, abril 16, 2013

NÃO TIVE CULPA

Joaquim Carlos in Bolhão City.
Não tive culpa que me quisesses, me desejasses.
Se depois ardeste contra-vontade,
foste tu, só tu, o archote ateado.
teima experimental.

Mais tarde, muito mais tarde,
houve nos teus olhos, moça,
a febre de um ressentimento,
uma partida desarvorada.
Então, era eu que ardia,
numa teima magoada.

terça-feira, janeiro 15, 2013

NÃO ME APETECE

... trabalhar no País Rebentado que me legou José Sócrates e o seu Partido de Asnos nem no País Raso que Passos, e os seus Cínico-Técnicos de Topo, cilindra obrigatoriamente à pala da Troyka. Não me merece um País que fecha os olhos aos que, pela Política, com a Política e na Política, roubaram os contribuintes, mas os esbugalha, persecutórios, sobre o indivíduo, quer pelo Fisco Assassino, quer pelas armadilhas e alçapões com que a Segurança Social desalavanca os seus contribuidores passados, mal passam a necessitados. Não é que valha a pena morrer como o melhor acepipe possível dentro da grande ementa nacional de desgraças, injustiças, crueldades, reformismos cortantes à ceguinho-seja-eu. Não. Vale a pena, sim, o meu eremitério em família, o meu nicho de paz de espírito, o meu trabalho invisível de eremita cujo destino de desemprego, como o de milhões, na Península, está traçado, mais cinquenta mil menos cinquenta mil evacuados do grande colo estatal português. Vale a pena não consumir absolutamente nada. Não comprar. Não precisar. Não pessoalmente. Quando já não careço de nada, senão de sol, de mar, de amor dado e recebido, deixa de ser sacrifício que pelo menos nada falte aos que amo, excedentes, não sobras!, do que me privo.

sábado, janeiro 05, 2013

VIVER FELIZ COM NADA

Mas por que motivo e por que diabo não poderei ser feliz com Nada?! Viver de belo-árvore-flor-livro, viver de céu, sol e mar, tratar das minhas pencas, cenouras, favas, couves, cuidar das minhas árvores, restringir-me ao essencial, abrir o olhos para o ecrã da vida muito mais que para o ecrã tóxico da grande mentira virtual, cumprir com o que me incumbe nas responsabilidades de pai e depois não consumir porra nenhuma. Nada. Não consumir, não comprar, não pagar, não gastar absolutamente nada, em primeiro lugar por não fazer parte desta turma de cus sagrados, sibilas, cérebros abençoados, especializados em viver acima das possibilidades de dois ou três portugais com o resto da gente como eu por estes dias a roçar a indigência pelas esquinas, a sensação de injustiça nos precipícios de onde ainda não se atiraram. Em segundo, por desdém e desprezo assumido para com esses prazeres legítimos que assumimos como naturais, um café, um sumo, um jornal, um chocolate, uma alegria comercial qualquer dentro do miserável espectro paupero-classe média dos vinte euros. Quando estou horas à beira-mar, sinto que, sim, eu posso. Por isso declaro desde já que abdico de consumir. Uma factura por cada pão. Uma grande paz por cada dia sem aquisições minorcas nem despesas fúteis nem recreio, nem coisa absolutamente nenhuma. Esses que venderam o cu para hoje passearem o espólio de anos de saque à mama da política que olhem para mim: façam bom proveito do furto. Tratarei de ser feliz com Nada.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

TODOS SÓS NO MEIO DA TURBA

A solidão dos indivíduos é mais histérica neste tempo de Natal. Toda a gente é uma soma de egos sós, dramaticamente sós, cada qual com a sua ilusão de ser amado, não o sendo, pelo menos não o sendo conforme se ilude ser. Drama e libertação.

terça-feira, dezembro 18, 2012

MEU CORAÇÃO INCONFORMISTA

Sou por natureza inconformista, mas preciso de paz como de um pão celeste. Busco-a na paisagem mutável do meio-dia, na luz, nas mortes crepusculares de cada dia, no mar que contemplo. Escuto ansioso a palavra divina e abraço o silêncio e a solidão de cada dia. Não espero mais nada.

domingo, dezembro 16, 2012

NENHUM FRENESIM PIRANHESCO POR POSTAR

Nada, mesmo nada, merece o incómodo de um post. Nada. Nem um suspiro, nem uma pedante emanação de frases ou revelações. Nada. A ceara vai loura, pronta para a ceifa.

segunda-feira, outubro 29, 2012

O QUE EU FAÇO PARA LIDAR COM ESTA MERDA

Já me deprimi. Já me envenenei de ressentimento. Pelas desventuras nacionais e minhas, já culpei Sócrates, Cavaco, a mim mesmo, o Diabo a Quatro, mas há actores e responsáveis de quem não gosto, os quais, pelo seu egoísmo, hipocrisia e dormência, tenho de verberar e verbero mesmo. Hoje, entendo a escrita quotidiana no PALAVROSSAVRVS REX e no Aventar como a minha luta por um novo Portugal. Progrido por tentativa e erro. Erro muito, mas não é possível que erre sempre. Tenho 42 anos. Laboralmente, desde 1996, nunca tive paz. Nunca tive certezas. Nunca fui sendo senão precário e pontualmente desempregado. Correr todos os dias os meus dez quilómetros bordejando a minha praia, ajuda. Ler ajuda. Viver da família, para a família, ajuda. Estar de alma e coração com a Mulher e as Filhas, Irmãs, Cunhados, Sobrinhos, e os Pais Amados, ajuda, todos, aliás, cada vez mais amados, cada vez mais solidários e, se isso é possível, mais próximos. Estar em casa pressupõe não gastar dinheiro. Nada. Pressupõe privilegiar muitas vezes uma ou duas boas sopas e nada mais. Acho que correr como um cavalo ou um galgo ou uma avestruz a qualquer hora do dia ou da noite os meus cinco mais cinco quilómetros, decisão tomada há três meses e fielmente mantida, devolveu-me um vírus que inconscientemente havia recalcado desde os meus catorze anos, como se camadas e crostas de rotina e habitualidade se soltassem do meu couro: o vírus de um certo messianismo relacional, coisa benigna, fonte inesgotável de comunhão com a Humanidade e concretizada coração a coração. O que é esse meu messianismo relacional? Uma inclinação fortíssima para o outro, seja ele um velho conhecido, um vizinho, seja alguém acabado de conhecer: estabeleço empatias imediatas e fortíssimas com as pessoas de sempre e com as que vou conhecendo, embora nem todas tenham os olhos abertos e o coração pronto para compreender o que é este sorriso que ostento e quanto menos razões para sorrir, mais sorrio e mais acolho venha quem vier autêntico, fraterno, humilde. O meu olhar fixa-se neles. Os meus ouvidos bebem as suas palavras e partilhas de vida. Eventualmente, a cumplicidade firma-se e transforma-se num abraço fraterno, sincero, forte, quotidiano, euforia do encontro com o outro por ser plenitude, por ser a verdade, por ser o centro realizador de se ser humano. Corro a abraçar o ceguinho aqui da freguesia e a trocar umas palavras de bênção e bem-querer com ele. Estou assim. Lembro-me que, com catorze anos, qualquer coisa como isto irrompeu em mim de um modo absolutamente transformador e irreprimível. Simples e humilde, este messianismo nada tem de narcísico. O meu olhar repousa efectivamente no outro por ele mesmo, ele-mistério, ele casa-tenda onde Deus também é centelha e cintila. O olhar é quase tudo, revela tudo, neste meu vírus messianismo relacional. Olhos nos olhos, explicar-te-ia isto de um modo perfeito, leitor, ao apertar-te a mão. Ao abraçar-te. Ao varar-te num relance coruscante. Se isto é doença, faz-me feliz. Se isto é doença, não quero ser curado.

quarta-feira, outubro 24, 2012

ADORO GATOS

Mas há horas em que perante um dos meus, bem lustroso, roliço, surge a ideia jocosa de comê-lo. Como se fosse um coelho. A gente brinca. Deve ser da fome que algumas horas de privação e contenção o dia-a-dia nos traz.