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terça-feira, novembro 05, 2013

FRANCA APOLOGIA DE UM NOVO BLOGUE

Não colecciono nem isqueiros, nem selos, nem objecto algum, mas sou, sempre fui, um apaixonado-passional coleccionador meticuloso de textos  extensos conteúdos de livros inteiros, discursos, excertos, poemas —, tudo transcrito por minha mão nos suportes virtuais-imateriais que fazem do nosso tempo um repleto de interpenetrações informativas e estéticas. O intuito último será dizê-los em voz alta. Declamá-los, vivificá-los por minha voz, haja auditório amigo ou familiar a isso disposto. Semelhante espírito me move em torno das obras de música clássica, impregnando-me da substância delas, uma a uma, bem como dos conteúdos e do entorno contextual e biográfico das autorias.

Compreendo, portanto, muitíssimo bem quem colecciona e se apaixona aí. Vem isto a propósito de um novo blogue feito com a paixão de que poucos são capazes, mas perpassa todos os poros do meu amigo João Távora, O Maravilhoso Mundo do Som Analógico. Não deixarei de acompanhar, fã que sou da já admirável galáxia de conteúdos do João: «A montante deste caprichoso prazer de coleccionar os sons antigos e de saborear sofisticados sistemas de reprodução sonora está uma enorme paixão. Neste blog que afinal é uma contradição de termos – uma plataforma de partilha digital em defesa do suporte analógico - presto tributo a essa que considero a mais divinal forma de expressão humana: a música.» João Távora

terça-feira, abril 16, 2013

NÃO TIVE CULPA

Joaquim Carlos in Bolhão City.
Não tive culpa que me quisesses, me desejasses.
Se depois ardeste contra-vontade,
foste tu, só tu, o archote ateado.
teima experimental.

Mais tarde, muito mais tarde,
houve nos teus olhos, moça,
a febre de um ressentimento,
uma partida desarvorada.
Então, era eu que ardia,
numa teima magoada.

terça-feira, dezembro 27, 2011

JOSÉ, O DELICIOSO CHONÉ

Quase pela mesma ordem de razões sou blogger e também eu não posso desistir de espalhar inquietação, fúrias santas, moções renovadoras. Por isso aplaudo o 'crime' quotidiano do José que consiste em espalhar encantamento e imprevistos de sorriso e amor: «Estava com vontade de escrever à mão cartas de amor, bilhetes. E [esta ideia] foi um estímulo para escrever todos os dias, para fazer um exercício de escrita criativa: escrever frases de amor, definições ou não, que me surgem no dia-a-dia. Coisas patéticas como ‘A paixão é tremoço, o amor é azeitona’. E qualquer pretexto serve. As frases são inesgotáveis.» José

sábado, julho 02, 2011

MENOS QUE TU, CADELITA!

À vista desarmada
tu amas, cadelita que não tenho!
Mais que isso, desesperas por que te afaguem,
derramas-te em latidos por que te recebam e te perdoem e te mimem!
E eu, tão sequioso do mesmo e tão só, emurcheço e estiolo,
sentindo o bem escasso da amizade, a míngua de amor por todo o lado.
Ver-te é ver-me tão igual a ti e até menos que tu,
faminto de pele, inquieto por beijos, infeliz, 
arfando à toa dentro da coleira
que te atrela.

domingo, fevereiro 06, 2011

FACEBOOK: DUPLICAÇÃO DA DOR

«O amor no Facebook é fodido Depois do Facebook - a rede social criada há sete anos, a 4 de Fevereiro de 2004 - o início e o fim das relações nunca mais foram o mesmo. Antes, bastava apagar o número de telefone da agenda, deixar de frequentar o café do costume ou evitar passar 500 vezes em frente à janela do outro e já estava: this is the end. Agora, além disso tudo, ainda é preciso apagar o rasto virtual do ex. Apagá-lo do Twitter, do MSN, do Facebook. E no Facebook o célebre "desamigar" nem chega: se tiverem amigos em comum, não há maneira de achar que o outro não existe. Como se isso não bastasse, ainda é preciso terminar relações duas vezes: o fim só se oficializa quando se muda o estado civil na rede.» i

domingo, fevereiro 24, 2008

COMBUSTÍVEL DO AMOR



Vieram dizer-me, como quem revela um segredo, meu amigo, que eras Gay.
Imagina a minha falta de choque perante essa suposta revelação
na minha caixa de comentários moderada. Zero!
Seres Gay é, para mim, como uma cor específica de olhos,
é ter mais ou menos pêlos púbicos, mais rapados, menos rapados e por acaso reparar nisso,
é um modo de vestir, um modo particular de ser como outro qualquer.
lkj
És Gay, pronto! Eu já sabia e virem dizer-mo
nunca poderia servir de arma de arremesso contra ti. És Gay, pronto!
Mas não és paneleiro como os que vêm tentar estigmatizar-te perante mim, malévolos,
de que és Gay. Paneleiros são todos os que funcionam com pouca humanidade
e conspiram muito contra aqueles que invejam.
çlk
Paneleiros são aqueles que nos olham de soslaio como se fôssemos homúnculos
e nos não perdoam opções opostas às suas e a sua intransigente defesa:
«Sim, sou católico, ó paneleiro laico!, porquê?! Tem vírus que o seja? Tem bicho?»,
apetece-me gritar a esses paneleiros terraplanadores desprezivos de gente com Fé!
lkj
Olha, meu amigo, sê Gay à tua vontade e não te obliteres.
Brindo a ti e a isso só teu e só tu: não permitas que te magoem,
escondendo-te em rebeliões contra seja o que for que és.
São impuros todos os que te olhem ostracizadores, em desconfortável asco.
Vou continuar a amar-te a partir da minha mais estrita heterossexualidade
porque é só nesse âmbito que amo todos os meus amigos e todas as minhas amigas
- é com a minha heterossexualidade que os abraço e lhes sinto os corpos
cujo coração ainda bata. Às vezes esfriam, como glaciações prolongadas,
e temos de seguir além porque não é pouco vulgar que mesmo os nossos amigos,
também eles, se transformem em vis paneleiros!
lkj
Assexuando-se, é que ninguém ama ninguém.
O meu combustível é o Amor e, nisto, as ideias, as opções sexuais estão à parte e aquém.
Gosto de ti, meu amigo Gay. Acredita no que te digo e funda-te nas minhas palavras:
já não há Judeu, Romano ou Grego, Homem Livre ou Escravo, Mulher ou Gay:
todos são UM, em Cristo. Todos são Gente e Filhos Amáveis de Deus,
que nunca foi um Estreito de Ideias, mas a Loucura por Amor em Pessoa.
lkj
O Pecado é outra coisa, outro coito,
esse, sórdido e amarelo, entre velhos Inspectores de Almas,
os infames «escrupulosos detritos», que verbera O'Neill.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

A UMA PAREDE: O MONÓLOGO DO COSTUME


Podes pensar que sou desproporcionado, quando ataco.
Digo-te que o que sou é ingénuo e apressado, quando elogio.
Porque se me toca um excerto de literatura bem urdida,
ressumando aparentes sensibilidade e humanidade,
e o declaro, entusiástico e franco, ao autor para dele recolher no meu regaço
somente o ramo seco de uma sobranceria despreziva
toda dar-c'os-pés-zina de mim,
não hei-de eu revoltar-me em raivas, desproporcionadas, vírgula!,?!
lkj
Depois, sem lhe ter sido dada a palavra, intrometer-se ele,
e ver eu chasqueada a minha Fé como coisa oca, lixo a varrer,
pejada de sarcasmos e brincadeiras de mau gosto, cheia de 'irmãos' e de 'ámens',
como quem atira borda fora a minha herança, a minha pessoa, a minha substância,
eu que sou humano e sou o que sou, não hei-de gerar violências violentas
e dar ao meu verbo a devida modelagem espancadeira?!
lkj
Enganei-me, João Castanhinha, a teu respeito.
Festejei encontrar-te. Enganei-me!
Festejei ler-te uma ou duas postas de bom recorte literário. Enganei-me! Perdi tempo!
Fui ingénuo de mais no meu entusiasmo: não é suposto seres visitado e comentado
por católicos loucos desconhecidos, demasiado rápidos a querer amar-te pelo que és.
Vais logo pôr a tua cassete lesiva anticlerical e antiteologal
e desenrolar desaforos, terraplanando pessoas! Por isso, não vale a pena!
Deves ser estritamente deixado a sós e ignorado nesse teu nó vivo ingrato e dantesco.
Já te tinha dito que tens uma costela adolf-hitlerzinha?
Nem disso te dás conta! És louco em ter espetos
em vez de braços que se abram a quem te abra os braços!

segunda-feira, julho 16, 2007

ENTRE UM RIO E OUTRO


Ante o rio S. Francisco, outro rio de alma se me desagua.
Aqui, Brasil, tão a jusante do meu velho luso país,
é uma terra de promissão,
é o futuro em delta do que do passado afluiu.
lkj
Aqui, onde haver crianças é toda uma fonte de felicidade anti-europeia, euro-alienígena,
aqui, onde os rios são milagres de fecundidade entre duros desertos,
aqui, onde a terra engravida muitas vezes
e tanto ou mais que as sinuosas mulheres ondulantes,
aqui, onde o afecto entre a gente corre livre e torrencial,
onde as crianças nos tocam, nos amam e são amadas e tão queridas,
em que a alegria é como um álcool,
sempre bebido e transpirado e bebido o dia inteiro,
aqui é, afinal, onde deverá desaguar toda a sequiosidade
por amor e verdade do Mundo,
um mundo à procura do Saber-Viver brasileiro
um modo ainda mais perfeito de se ser português.