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terça-feira, abril 16, 2013

NÃO TIVE CULPA

Joaquim Carlos in Bolhão City.
Não tive culpa que me quisesses, me desejasses.
Se depois ardeste contra-vontade,
foste tu, só tu, o archote ateado.
teima experimental.

Mais tarde, muito mais tarde,
houve nos teus olhos, moça,
a febre de um ressentimento,
uma partida desarvorada.
Então, era eu que ardia,
numa teima magoada.

sábado, novembro 20, 2010

SNU, SEGUNDO NATÁLIA CORREIA

«(Sá Carneiro)  Natália, que tal é a nossa editora [Snu era a responsável pela Publicações D. Quixote]. Você conhece-a bem e...
(Natália Correia)  É melhor não querer saber como ela é. É uma princesa nórdica que jaz adormecida num esquife de gelo à espera que venha o príncipe encantado dar-lhe o beijo de fogo. Esse príncipe encantado é você. Porque ela é a mulher da sua vida. Corra para ela! Telefone-lhe e convide-a.» Maria José Oliveira, Público

sexta-feira, setembro 10, 2010

GERAÇÃO FILIPE RIBEIRO DE MENEZES

Não é o primeiro nem será o último português a encontrar recursos e oportunidades admiráveis lá por fora, especialmente quando a fome de conhecimento que o habita supera de longe qualquer coisa de mediano e corriqueiro "português". Porventura sem vez que lhe fizesse justiça à capacidade ou, o que é o mesmo, institucionalmente a mais por cá, tomou uma decisão luminosa. E triunfou. A nossa espécie é auto-exigente e inexcedível, lá fora, mas acabrunhada se cerceada, cá dentro. Por isso, haja mais Filipe Ribeiro de Menezes, um académico da minha geração. E haja mais do mesmo desassombro frio e cortante que toda a gente agradece, mesmo quem não saiba ou possa fazê-lo por não poder lê-lo com as fracas competências que a escola dá ou se arrisca a dar pelo nivelamento menorizante do "sucesso" moderno. Biografias como a dele ensinam a ver o Presente, a retomar o essencial das coisas de governo para que todo um Povo, pela mão da sua elite balofa, não pereça numa baça e vil miséria moral que a fortuna tem deixado durar muito: «Eu tinha interesse em saber mais e portanto comecei a pesquisar e a escrever. Em termos de carreira académica, precisava de um grande projecto que tivesse apoios financeiros. Havia uma série de bolsas de grande prestígio e era preciso agarrar uma. E como é que alguém que escreve sobre história contemporânea portuguesa vai agarrar uma dessas bolsas? Era preciso um tema grande, um projecto que não tivesse sido desenvolvido antes e viesse a ter impacto, no qual valesse a pena investir. Então pensei em escrever a biografia de Salazar. Um projecto com a possibilidade de ser financiado pelo contribuinte irlandês, de um português, sobre história de Portugal, é uma coisa notável. Mas era preciso que fosse escrito em inglês - ao menos que os irlandeses o pudessem ler - e inserir-se na historiografia de língua inglesa. Mas com a garantia de que seria traduzido e editado por uma editora portuguesa.»

domingo, novembro 29, 2009

FISIONOMIA PETULANTE

Nunca esquecerei aquele dia. Dentro do aparelho de televisão, o indivíduo passava de nariz emproado e, em face de tanto indigente, tanta gente estendida no catre espiritual da miséria no seu País, ele declarava-se alheio, exprimia indiferença, com o seu esgar inconfundível aparentado vagamente com um sorriso, esgar velhaco de paxá intrépido, entregue ao deboche de Estado. Chocava ser esse espectáculo de gente caindo na miséria absolutamente indiferente para si. No topo da cadeia alimentar, todos os golpes que dera até aí, todas os desfalques indirectos que fizera às contas públicas, todas as luvas que recebera, graças à altas posições alcançadas, fora em nome do aperfeiçoamento pessoal, do acesso aos maiores requintes da vida, o gosto de dominar, de alcançar a todo o transe esse mesmo topo e o mais rápido que lhe foi possível. Estar de pé, depois de tudo o que se lhe conhece, como se nada fosse é a sua forma de mangar com a gente. Habituou-se a ditar a Lei. Alargou por decreto a decência fazendo-a recobrir algumas obscenidades. Sabe-se indecente, mas está por tudo. A Lei dobra-se perante o imperativo de si mesmo. Que o apeiem, se souberem. Se puderem. No seu histórico, sobejavam oportunidades que lhe coubera aproveitar. Enriquecera. Fazia-se temer pelo círculo dos que empregava, uma corte obediente bem forrada com os dinheiros públicos. Era cretino? Sim, era. Convicto? Convicto! Se lhe assassinavam o carácter e o bom nome, faziam-no com verdade e justificadamente, embora um assassinato de carácter seja universalmente um acto baixo, uma iniciativa reles. Só isso permitia uma extensa defesa por parte de algum senso-comum devidamente apascentado. Ele porém provava com o seu caso, num país dissoluto, que o crime já não contava, se se pudesse manter todas as aparências. Provava que os media, quando encostavam um Político enegrecido-carvão à parede com factos graves a ele imputados, essa mesma parede tinha afinal portas sucessivas e sucessivas saídas secretas. O sistema respaldava o corrupto com naturalidade, o que faria as delícias de um sul-americano. De resto, nesse país dissoluto, tudo era corrupção. Estar desempregado consistia num azar pessoal. Emigrar para Angola, só por especial favor, cunha especial. Nada importava no país dissoluto. Não importava senão a ventura de um salário mínimo de 450 euros, matéria de riso, barrigadas de riso, por toda a demais Europa. Nunca esquecerei aquele dia. Aquela fisionomia petulante ainda lá está, hirta e firme, sorrindo, nesse país dissoluto. Ainda o mesmo esgar, o mesmo punho instalado na anca, enquanto perora na arena parlamentar. Sempre ao ataque, é a maior virgem impoluta de que há memória. Dizem-me para olhar para a floresta e não para a árvore. Porém, que símbolo maior da floresta encontraria senão tal árvore de caruncho reluzente?!

quarta-feira, março 04, 2009

BERUFSBEZEICHNUNG?


Blogger! Com todo o ser e toda a seiva, blogger!
Há um muro de silêncios de presuntos amigos
com o qual te isolam e te cercam, chumbo de ostracismo cínico,
demente, torpe. E porquê? Porque provocas,
porque opinas, expões-te todos os dias no campo de batalha
de seres blogger. Pareces-lhe ocioso
e és uma ânsia maior que a deles por florescimento,
por participação da Vida comum e transformação seminal
e fermentária de todas as coisas. Não ser a democracia
feita de outra coisa mais directa e com as pessoas,
não por cima delas, indesejando-as, subestimando-as!
lkj
Nexos! Envergonharam-se d'Ele, quando se manifestou Verbo,
chamavam-Lhe louco, iam buscá-Lo familiares embaçados,
com vexame afiado, às praças e sinagogas,
regressando de mãos vazias e semblante perturbado.
Não Lhe supunham Divindade nem Missão, nem Mistério sequer,
metido entre aquele pó humano, rente e ignorante dos demais à escuta,
turba ignorante e rente, como talvez O tomassem.
lkj
E a ti, bicho de escrituras contínuas, deixam-te também a sós,
na lâmina da exclusão activa, ignoram-te ou aguardam-te a distância
apenas porque és blogger e não milhares de outras coisas possíveis
fora seres sobretudo blogger. Não teres onde reclinar a cabeça,
nem soldo certo, e, ainda assim, vogares todos os dias nu e livre,
com sede e com fome, pelas praças cansadas do teu país.
Não seres senão soldado contra inimigo desproporcional.
Abres o dia, atavias-te de Paixão amorosa e indignada
por mais Verdade e Sabor, e partes de lança em riste,
o teu escudo e a tua espada, elmo e sandálias.
lkj
Berufsbezeichnung? Blogger!
Com toda a minha Seiva. Com todo o meu Ser!