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quarta-feira, novembro 14, 2012

CONTRA O VOSSO EMBEVECIMENTO NARCISISTA

As greves gerais são, hoje, manifestações ineficazes
perfeitamente arqueolíticas.
Infelizmente, as greves na Europa só podem ser uma festa na Índia e na China, actos tardios de náufragos enganados quanto ao número de balsas e à gravidade do rombo no casco colectivo europeu. Não impactam um centímetro nas actuais políticas sufocantes de sobrevivência europeia, tentativa de recuperação económica através do nivelamento por baixo relativamente ao resto do mundo, onde, ao contrário da Europa, se produz 90% da riqueza mundial. Não espelham nem dão esperança a desempregados porque o mercado de trabalho está entupido de direitos adquiridos por uns e inacessíveis aos demais, à maioria, talvez para sempre. A luta, através da Greve, é paradoxal: empobrece as principais vítimas das políticas seguidas e não atinge os interesses que passam bem ao largo dos sofrimentos das pessoas, os quais vieram para ficar. A riqueza e a vitalidade económico-financeiras já não estão aqui. Estão longe, no Dubai, em Singapura, em Hong Kong, sim, em Angola e, sim, no Brasil. Está tudo errado, se uma greve não significa nem garante o que pretende obter: uma direcção por onde o Mundo não irá, um rumo que a globalização não seguirá. Esta Greve 'Geral' tem um lugar raso no grande cemitério das greves inúteis porque no fundo equivale à insana atitude ataráxica d' Os Jogadores de Xadrez, de Ricardo Reis, diante de um desastre muito mais amplo. Esta noite, tirem-me da frente, nas TV, a vossa face de embevecimento narcisista por terem feito greve, neste oceano de desactivados e desempregados de que faço parte. Olhem bem para os nossos cornos, primeiro! É que quando me vierem dizer que a vossa Greve 'Geral' foi geral, os senhores estarão a passar a si mesmos um dos mais estrondosos atestados da vossa mumificação intelectual.

quarta-feira, abril 25, 2012

O GRANDE COITO VICIOSO QUE AMEAÇA ABRIL

As ameaças a Abril são muitas ou, melhor, o falecimento de Abril tem algozes variados. Internos e externos. Os assassinos externos são complexos e não podem ser ignorados, já que a forma de os Países emergentes competirem connosco passa pela aviltação mais completa do ser humano, o que, se nos derrota economicamente, ameaça-nos também outros velhos equilíbrios sociais e humanos, já para não falar na ameaça a certas certezas idealistas: não havendo tecido produtivo nem dinheiro, quase nenhuma economia, quase nenhuma renovação geracional, não há sistema social e outras almofadas que resistam. Perante isto, o nosso futuro a médio prazo é quase um filme de terror nacional que só não atinge Américo Amorim e as demais flores de estufa da impropriamente chamada elite nacional. Os assassinos internos do 25 de Abril, de uma Democracia plena, passam, desde logo, pelos impunes, pelos desonestos e a impunidade geral de que beneficiam. Políticos corruptos riem hoje de quem sofra. Eles só se cevaram e se mantêm graças ao Putrefacto Sistema Instalado que os protege bem como aos detentores de privilégios imorais acumulados, reformas imorais ou outro tipo de benesses do Regime. Não há 25 de Abril que resista à gente parasita da Política no Grande Coito Vicioso Económico-Político. Foram três décadas alheadas de haver um Povo a cujo serviço deveriam devotar-se: «Encerrado que está o ciclo do desenvolvimento básico, importaria percebermos que, muito para além das partidarizações paroquiais, as grandes ameaças ao regime saído do 25 de Abril são de natureza global. Verdadeiramente, são as mesmas que ameaçam a Europa nos seus níveis de qualidade de vida e de garantias sociais.» Manuel Tavares

quarta-feira, abril 18, 2012

NÃO DEIXA DE SER BELO

Globalização é isto. Globaliza-se a glória da ciência, globaliza-se o estrelato Messi, Ronaldo, globalizam-se a tragédia e a arruaça gregas. Nada é seguro. Nada é estável. Tudo pode ser negócio, especialmente a Poesia e a Futilidade. Já não se conhece a estrema entre o sublime, o espontâneo e a encenação de quaisquer minutos de fama porque a fama, pelo menos, pode ajudar com atenção e qualquer atenção sempre podem ser uns trocos a mais no bolso. No caso extraordinário de Maria João Coelho há qualquer coisa de tocante a que só o desejo de ver o Papa se compara. Certamente tremeram-lhe as pernas quando ouviu o "sim", ou quando ousou o beijo, o que não deixa de ser belo: «Acho que foi a minha simplicidade que desarmou o Jeremy Irons.» Público

sábado, janeiro 21, 2012

MEGAUPLOAD E O GRUPO ANONYMOUS

Foi-nos dito que vivemos em democracia, mas a verdade mais profunda passa por um directório pardo, na sua eminência e que, no plano global, vai ditando quem vive e quem morre, já que não está para nascer um regime de partilha e bom senso entre os humanos. Quem tem, tem. Quem não tem, roubasse, assassinasse, intrujasse, pois foi indubitavelmente que muitas fortunas começaram e ainda prosperam. Só assim se entende o encerramento do site de partilha de ficheiros Megaupload, ordenado pelo FBI, e que desencadeou a maior resposta de sempre, segundo o grupo Anonymous: mais de 5600 pessoas estiveram na noite de quinta-feira para sexta envolvidos num ataque concertado a sites de entidades governamentais americanas e da indústria da música e do cinema. Um "bombardeamento" de pedidos de serviço que bloqueou sites como o do próprio FBI. É obra! Cidadãos contra poderes fátuos.

sexta-feira, setembro 03, 2010

GLOBALIZAR A RESISTÊNCIA

A crise europeia é o que é: entre outras coisas uma forma de sucumbir sem luta ao poderio emergente da China, da Índia, do Brasil. A Europa esboroa-se na sua natalidade residual e com evidente regressão industrial, produtiva, criativa (milhares de cérebros europeus radicaram-se há muito e por muitos anos nos Estados Unidos) em favor dos países atrás enunciados. Quem paga é o célebre e demagógico Estado Social europeu. Quanto ao Estado Social português, esse anda na boca dos "socialistas" como um chupa-chupa meramente propagandesco que escamoteia a sua fragilidade mortal. Os sindicatos foram capturados pelos Governos e serventuarizaram-se ao Estado porque tudo se amacia com privilégios bem untados. Se há uma globalização do Lucro, dos portentados económicos planetários, que se sobrepõe muitas vezes ao interesse dos Povos e dos próprios estados, falta uma outra globalização mais subtil porque unificadora dos interesses e da defesa dos que trabalham, sejam chineses, europeus, sul-americanos, indianos, brasileiros: globalizem-se reivindicações, coordenem-se os interesses comuns. O Lucro não tem pátria. Nem o trabalho muito menos o trabalho escravo. Aquilo que permite ver e adoptar uma obra de arte, uma Gemma Atkinson, assim, ubíqua e acessível, à mercê dos olhos do Planeta, permitirá lançar as bases de uma resistência comum às violentações sociais operadas pelo Lucro Global. Meios para isso existem. Só não funcionam entre gado disperso e dividido. É só reverter a arma de marketing e manipulação mediática que nos divide e dispersa.