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sexta-feira, outubro 18, 2013

LUÍSA, A MATERNAL, E A SEVÍCIA NACIONAL

Ontem, já era tarde, o sono pesava, pude ver a brevíssima entrevista de José Gomes Ferreira à Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. O entrevistador esteve bem, como sempre, simpático, directo, capaz da pergunta incómoda. A Ministra mostrou-se leve, simpática, natural, directa, assertiva. Maternal. Gostei da pessoa e a pessoa passou bem, tanto mais que aquela mulher, trucidada e combatida ao longo do Verão pela culpa desculpista e UltraSwapista do PS, não é uma máquina de propaganda do PSD nem faz um discurso redondo. É só uma técnica, uma mãe, uma de nós. Como qualquer mãe, faz o que tem a fazer e fá-lo no máximo das suas capacidades. O Orçamento do Estado 2014 de que falou, já se sabe, é, se for, a derradeira mensagem aos credores, mensagem de boa-fé às instituições europeias, o abre-latas para todas as possibilidades imediatas no concerto do dinheiro mundial. Quando passar na AR e se prevalecer ao crivo obsolescente do Obsoleto Ratton, um conjunto de medidas aliviadoras e de carácter sistémico na e da Europa ficaria automaticamente em aberto e talvez a solidariedade inter-membros regresse, como deve, à União. Com o sucesso do nosso Resgate, é o Euro que está em causa. Ao contrário do que acontece na Alemanha, onde os partidos negoceiam e se coligam naturalmente para formar Governo, em Portugal o primitivismo reles e a bacorada do baixo interesse pontuam há décadas, fomentando uma compita e um exclusivismo que se têm revelado estéril e contraproducente. Hipócritas apontam o dedo a hipócritas e os dedos apontados dariam provavelmente, se entrelaçados, para urdir um cesto. Só assim se explica que, por exemplo, o PS não tenha interesse em transformar a Governação PSD-CDS-PP por dentro, mediante a lealdade negocial activa, a persuasão firme e acordos que salvaguardem os interesses nacionais, votando hipocritamente às cegas contra um documento que provavelmente seria compelido a desenhar se estivesse na governação; votando contra um documento desconhecido no momento mesmo do anúncio do voto contra. Só assim se explica que haja cartas antecipadamente marcadas nos demais partidos PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, com a velha retórica de beco murado, sempre intransponível, onde tudo, no Governo, será sempre horroroso, nada explicável, nada digno de aplauso, combatível à partida. A Ministra garantiu que o corte nos salários e pensões é uma medida transitória, não precisando o trânsito temporal em que vigorará. O tempo concita de nós paciência e coragem, responsabilidade e honestidade intelectual, à luz da história exemplar e recente da Grécia: sempre que tergiversou, piorou o seu cenário. Espero do Presidente da República o respaldo ao documento que implicitamente já existia fantasmagoricamente nas suas intenções de um acordo de Regime aquando das negociações tripartidárias falhadas de Julho. O objectivo nacional não pode ter opostos e é, para já, apenas um: assegurar o êxodo da Troyka. Ponto. Aceder, assistidamente ou quase, aos mercados. Espero que o Tribunal Constitucional consistentemente o máximo de medidas que foram alvo de um expresso bloco fundamentador e nada mais fundamentador que a situação de extrema necessidade e absoluta vulnerabilidade do Estado Português para se financiar, começo de conversa para a saída do sufoco, base para o crescimento, regresso à reposição dos rendimentos guilhotinados. Tudo o que sejam medidas presidenciais e decisões rattonianas que empatem essa derradeira mensagem apaziguadora aos mercados em que este OE 2014 consiste, deve ser evitado a todo o transe como uma submissão do documento a uma fiscalização preventiva. Sempre que um Estado entra em falência, os Governos antes de se submeterem à vontade soberana dos seus Povos devem submeter-se aos critérios dos seus devedores. Isto é fatal. Depois de uma falência, os OE deixam de ser actos rotineiros revestidos de patética formalidade. São batalhas. Levamos já duas batalhas e meia por Portugal, 2011, 2012, 2013. A quarta é a decisiva. Agora, a execução orçamental da Mensagem Orçamental de 2014 necessita de estabilidade para que o Estado Português possa pelo menos aceder ao programa cautelar substitutivo do programa de resgate. Se há uma data crucial a ter em conta, Junho, tudo tem de correr pelo melhor. Sem atritos. Sem furibundices. Sem perdas de calma. Se raivas inúteis. Suportando o trabalho, quem o tiver. Suportando o desemprego, que nele estiver. Teremos de ter um Orçamento funcional em Janeiro. O primeiro trimestre será um tempo amargo, só feliz se representar a evacuação da Troyka; tempo do fim das avaliações trimestrais; fim do vexame da ingerência; fim do ditar de condições externas para obtermos financiamento. Sim, infelizmente, os credores têm de ser domados e convencidos e são Orçamentos corajosos, duros, com demasiado saque e superabundante confisco que os satisfazem. A figura serena, firme e maternal de Maria Luís passou ontem a mensagem crucial de inclusão sua no passo que daremos pela libertação formal e simbólica da intrusão internacional. Uma mãe. Uma mulher. É muito pouco plausível que uma mãe seja insensível e não faça estritamente o que tem de fazer. Cabe-nos armadilhar o País para que nunca uma geração de chupistas degenerados possa lançar Portugal de novo na sarjeta, na vergonha de nos não consentirmos boa governança nunca, vergonha de um escrutínio popular pobre, vergonha de uma elite comentadeira venal e pactuadora com decisões políticas-crimes a montante destas decisões-crime remediadoras, vergonha de uma massa flébil demagogizável, pasto de demagogos devastadores, como Sócrates, e manipuladores maldosos e desavergonhados, como Sua Impostura, Bardamérdio Soares. É uma pena que muitos encontrem um estranho consolo nas suas palavras sediciosas e anti-patrióticas: quero saber o que faria o PS com um motim geral instilado por Soares a estalar-lhes nas mãos e se acha que ficaria de fora da nossa ira? E que progressos práticos obteria o PCP se os extremistas infiltrados na que era-para-ser-Marcha-CGTP-na-Ponte-e-vai-espingardar-de-popó desembrulhassem a sua virulência?! Só há uma saída para o País, o pragmatismo. Temos de lidar com a realidade tal como ela se nos apresenta. A realidade é a do Euro. As exigências são as de um País falido a tentar reerguer-se, custe o que custar. Uma nota final acerca das greves: façam-nas. São justas. São um sinal, um dos poucos, da nossa pertença e coesividade comunitárias e um reagente, talvez o único, contra um estado de difusa opressão multiforme. São milhões os que trabalham de mais e vivem de menos. São milhões os que não têm trabalho e também não vivem com mais plenitude e a dignidade por que vale a pena estar vivo. Outros milhões são os que ou comem ou se medicam. Podem os Governos perseguir-nos, podem os mercados oprimir-nos, algures, ao nível do solo, ou aprendemos a ser concretamente solidários entre nós ou merecemos tratos e destratos muitíssimos piores.

quinta-feira, julho 25, 2013

OBSOLESCÊNCIAS

Ontem, parido e empossado, surgiu o Governo Passos Coelho II. Nasceu para levar a jangada até ao fim e mostrar resultados, se houver tempo e o Daniel estiver errado. Terá de fazer violências. Apanhará provavelmente com mais greves por mês que o Governo Passos Coelho I, mais débil, muito mais medroso. Muito menos articulado do que este promete. Precisamos de greves na função pública, apesar da compressão de direitos e rendimentos, das requalificações e evacuações? O mundo europeu da Moeda Única carece delas? Claro que não. Do que precisamos mesmo é de menos Fisco, mais indústria, mais emprego, mais actividade privada e um caminho de competição directa com outros pólos planetários hoje com regras mais favoráveis para eles e que nos vão deixando mais e mais para trás e a dever-lhes dinheiro. A Ásia, sim, precisa de greves. Urgentemente. Nunca as terá. E mesmo que as tenha, delas pouco ou nada se falará. O Brasil também. Greves por mais direitos laborais, pela humanização da sua indústria e de outras estruturas produtivas, greves por condições gerais mais justas de remuneração. Cá, na pequena paróquia política portuguesa, por exemplo, pensar em greve, neste contexto em que uma hora conta, já antecipa ineficácia e cansaço levados ao limite e é um contrassenso quando no horizonte muitos aventam um novo cenário de bancarrota. As sociedades europeias que intuíram e inventaram o Estado Social e a aspiração ao bem-estar têm de redescobrir estratégias novas de protesto, mais cívicas e inteligentes, menos tiro-no-pé, à medida da massa crítica que constituem, à medida da realidade demográfica e cultural que habitam, e sobretudo à medida da nova consciência ambiental que se traduz em novas práticas individuais libertadoras, minimalistas, capazes, só elas, de engendrar uma felicidade pouco compatível com a loucura consumista, a ganância e a ambição competitivas que trucidam a concorrência e pisoteiam as caveiras dos derrotados e menos capazes. Há outras formas de protestar com eficácia. Não tem de nem pode passar obrigatória e monotonamente pela greve: note-se que, de 2007 para cá, as greves, todas as greves, demonstraram que qualquer Reforma do Estado explicável e entendível pela Opinião Pública só passará com um tipo de apoio bem maior que aquele que cada Governo consegue mesmo em maioria: trata-se de uma mudança de princípios e de relação entre a política e a cidadania e que os partidos terão de abraçar, sob pena de desaparecerem a bem ou a mal. O que revolta as pessoas? A opacidade das decisões e a nítida consciência de que o rendimento das famílias está sob sequestro por parte dos Governos e dos decisores transgovernamentais, acima deles em benefício sistemático da Banca. Há cortes de que não poderemos escapar, por mais que o Partido e o Sindicato anunciem o inverso lutando pelo inverso. É o caso do PS com as propostas ridículas, simuladoras, que ousou levar à célebre Távola da Salvação Nacional: o que é que, por exemplo, Carlos Silva pensa dos cortes de apenas 2 mil milhões sugeridos aí pelo Partido Socialista?! Concorda ou não concorda? E como é que se pode, por um lado, cortar 2 mil milhões e, no mesmo passo, apresentar a sugestão do aumento de despesa e, portanto, da diminuição de receita dos mesmos 2 mil milhões?! Como? Repondo pensões, actualizando salários congelados, congelando os despedimentos encapotados na função pública?! Dou de barato a utilidade de proceder ao abaixamento do IVA da restauração, uma imbecilidade troykista que pouco ou nada trouxe de bom à actividade económica, ao emprego e à receita. Mas gostava que Carlos Santos, o socialista-sindicalista, comentasse isto. O seu PS, ainda com a psique formatada para a existência de dinheiro e a possibilidade de o esbanjar, negociou na dita Ronda objectivos miríficos, não foi, Carlos?! Pagar é verbo que ninguém nesse partido quer conjugar no futuro, faltando à realidade da verdade e à verdade da realidade, não é, Carlos?! Que sugestões propõe o socialista-sindicalista Carlos Silva para o nosso delicado problema de défice e de dívida?! Na verdade, as alternativas à austeridade só promovem mais austeridade por mais tempo: o PS acha que nos convence de que a saída para a crise se faz com aumento da dívida e do défice, conservando um Estado Opaco, Rançoso, encavalitado na iniciativa privada, sufocando-a. Mais do mesmo. O mesmo parasitismo. Empresas públicas monopolistas a secar, como eucaliptos, quem ao lado possa fazer melhor. Não. Não acredito na eficácia das greves nem na eficácia do crescimento assente novamente em investimento público, segundo critérios mais que duvidosos, impressionistas, simpatiquistas, amiguistas. Essa retórica já era. O principal inimigo de Portugal e dos Portugueses não é a Direita Austeritária nem é a Esquerda Mãos-Largas Vazias. É a corrupção e a incompetência político-económica. A corrupção a pretexto da política para as pessoas; a incompetência incrustada na distorção das relações humanas a partir de um complexo de superioridade moral da Esquerda sem bases económicas sólidas para sustentar a viabilidade de direitos impossíveis de garantir, umas vezes saindo do Euro, outras rasgando o Memorando, outras renegociando unilateralmente com a Troyka, outras vociferando o «Não pagamos!» do deputado socratista não me lembro agora o nome e que jurava que os alemães se cagariam de terror. A julgar pela grande capacidade de insultar adversários de argumentos e de ideário, dir-se-ia que, para a Esquerda, ninguém fora da Esquerda e do braço socialista impostor dela, é democrata o suficiente para merecer conservar os dentes intactos. Só a Esquerda em geral e em Bloco é democrata; e só ela, com o Partido Socialista a Reboque, garante a defesa da Constituição, da legitimidade e legalidade democráticas com que se enchem barrigas e se oferece empregos. Quem não pense como esta Esquerda Talibã merece morrer, ser cuspido e destratado. Dá-me por isso um infinito prazer acontecer-me ser tratado segundo essa democracia sublime que quer fuzilar o adversário para ter razão e espezinhá-lo, caso ele defenda que a greve já não funciona nem convence, que o irrealismo dos socialistas desmobiliza eleitorados, e que ter de suportar o visco rançoso dos Sócrates anti-Salvação Nacional, dos Alegre ou dos Soares anti-Salvação Nacional é como frequentar a paralisia, a hipocrisia, a estagnação mais torpe e mentirosa, assente nas estratégias de insistência mediática do tipo nazi ou estalinista. O País tem o dever de caminhar na direcção oposta desses figurões mais democratas que eu e mais democratas que qualquer um, se quiser sobreviver. É preciso fugir, como quem foge da peste, do exclusivismo fechado e faccioso dessas vozes anacrónicas, conspurcadoras da rectidão, do interesse nacional e de um sentido de união pluralista e multicultural. É preciso rejeitar a manutenção das rendas, ganhos e recursos quase ilimitados que títeres como esses garantiram para si apenas porque tomam o Regime como seu, tutelado por si, coisa para eles. Os que não querem rupturas e se mostram incapazes de uma mudança de vida [desafiante e dolorosa, é certo] estão petrificados em si mesmos. As greves, os berros, as palavras de sonsa impaciência eleitoral que a Esquerda e a Impostora Ala Socratista corporizam, neste momento, são um serviço de traição aos mais altos desígnios do País, de interesse egoísta da pequena política, de destruição de Portugal. Não é preciso muito para perceber isto: todo o alívio de condições e maior favor que as potências ingerentes possam vir a conceder-nos acontecerão no patamar da lealdade. Não no do lodaçal da ruptura.