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terça-feira, março 12, 2013

NÃO AGUENTO 24 HORAS DE INDIGNAÇÃO

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. 

Lá, onde, por exemplo, no 15 de Setembro se rejeitava a Taxa Social Única, não se pôde evitar e rejeitar a hecatombe fiscal que 2013 haveria de testemunhar, não se pôde sacudir o torpor demagógico dos aburguesados partidos de Esquerda que se colam, como abutres, à evidência da nossa tragédia, ao cheiro infecto do nosso sofrimento, adesivos abusivos da nossa dor, casa assaltada, única coisa que fazem aliás. Não se pôde fazer mais nada, senão exprimir o nosso sofrimento sem agenda, as agruras da nossa falta de dinheiro sem reforma da representatividade parlamentar, sem consequências em transparente actuar político, sem o dom do plebiscito frequente e imediato, como na Suíça, às políticas que nos tocam e às lógicas que fazem de Portugal uma arena estupenda para a escravidão laboral e a injustiça salarial mais escandalosas: entre o que abicha Mexia mês após mês e o que pelintra um desempregado a diferença é todo um regicídio para coisa nenhuma, todo um Auschwitz em lume brando com milhões de morituros portugueses a quem ninguém poderá valer.

domingo, dezembro 11, 2011

OS ÚLTIMOS DIAS DE PUTIN

Se os Estados Unidos tivesse assim tanto poder mobilizador da sociedade russa perante a última falsificação eleitoral do pessoal instalado, isso só confirmaria a nulidade e estado de usurpação perpetrado por Putin, Medvedev e a maralha oligarca que os ampara. O protesto segue inédito em mais de doze anos de 'governação' de Vladimir Putin e alastra a toda a Rússia, como a imolação pelo fogo de um humilde comerciante tunisino alastrou a toda a Tunísia. Cinquenta mil em Moscovo. Dezenas de milhares de russos em todo o País tomaram a desvergonha eleitoral nas próprias mãos e exigem novas eleições, indignados com as fraudes nas eleições legislativas que a 4 de Dezembro deram, de novo, ao Rússia Unida o controlo da Duma. Estas indignações populares, pacíficas e heróicas, são o que são: nem vêm tarde nem vêm cedo, incham, adocicam, amargam, até cair de maduras e, quando chegam, redundam nos finais simultaneamente tristes e felizes que temos testemunhado entre árabes, persas e quejandos.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

O MOTOR GRIPADO DA INDIGNAÇÃO

Em Portugal nenhuma indignação medra, nenhum escândalo escandaliza, nenhuma injustiça deprime, nenhuma avenida enche, nenhuma raiva eclode, nenhum punho se fecha, nenhum grito grita, nenhum mal se corrige. E é pena. Gado que segue sendo gado, não por aí que o gato da transformação política e cívica vai às filhoses: «...aos “desempregados, ‘quinhentoseuristas’ e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal!.»

quarta-feira, abril 15, 2009

MORRER DE FOME E RETÓRICA BARATA


Acabo de ouvir o dr. Alberto Martins na SIC-N a falar do Estado Social e blá-blá-blá a blaterar as tretas sociais da-boca-para-fora do Estado 'sensível' e 'justo', afinal completamente intraduzidas no terreno, a perorar contra o neoliberalismo, que afinal foi a menina dos olhos (e ainda o é!) de toda a governação socialista socratesca. Ferraz da Costa, pelo contrário, bem queria exemplificar com factos como o Estado-PS e o PS-Governo falham, eleitoralizam e instrumentalizam a dimensão social para a qual, na verdade they don't give a shit. Por falta de tempo, prevaleceu a cassete do dr. Alberto Martins, cuja voz trémula e triste sinaliza todo um encolhimento de alma que estes quatro anos de absolutismo incompetente lhe incumbiram. É triste que nos venham com estas cassetes hipócritas quase toda a rapaziada socialista que parece que ainda não compreendeu que, para além do pretexto da Crise internacional, nós portugueses perdemos e empobrecemos desastrosamente nos últimos quatro anos. O Estado pseudo-social do Dr. Martins, completamente 'social' e diligente com os seus Boys ou Clientelas, não foi nada social para os opositores políticos com uma legislatura esbanjadora, cínica e mentirosa, toda assente em Oco, em Propaganda, numa Acção Sociamente Inerte, Insensível e Desatenta, mas com palavras Diligentes, Sociais, Dinâmicas, Simuladoras de Acção. A letra da música 'Sem Eira nem Beira' dos Xutos pode ser perseguida e mal digerida pelo sr. Sócrates, mas lembra aos portugueses sem direito a subsídios, excluídos de toda a forma de apoios sociais contra a miséria que os submerge, que Bancos, Banqueiros, Empresas Pré-Falidas Poços-Sem-Fundo têm sido apoiados imediatamente pelo Estado Neoliberal que o sr. Sócrates inaugurou e levou ao paroxismo; lembra-nos que clientelas partidárias têm sido atafulhadas de euros e favores e privilégios e por quem. Lembra os portugueses que vivem sob um regime apodrecido, sob um mix de Corrupção, Poder Imoderado e sem escrutínio, supressão subreptícia do Estado de Direito, esquartejado e anulado pelo PS Maçónico e pela Maçonaria Socialista e por todos os joguetes que obedecem e falam-falam de isenção, de separação de poderes, em lisura, quando é precisamente o contrário o que desejam, praticam, sucede. A letra dos Xutos a mim lembra-me os quatro piores anos pessoais e recordam-me ser só possível em Portugal pagar prémios e bónus de produtividade a empresas de Parceria Público-Privada semi-falidas, mas consentir que um homem com quarenta anos com mulher desempregada e duas filhas bebés receba, emifrados e corrigidos, 271 ao longo de quase três anos de desemprego consecutivo, cirurgicamente ministrado aliás: «A letra da música Sem eira nem beira, recentemente gravada pelos Xutos & e Pontapés, é considerada pelo líder da CGTP, Carvalho da Silva, como “uma síntese extraordinária do que são as práticas não só deste Governo, mas de todos os poderes”. E acrescenta que a letra “adequa-se à mensagem que hoje emerge das manifestações”.»