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terça-feira, julho 30, 2013

A LIDERANÇA DE SEGURO ESTÁ MORTA

A moção de confiança que se ritualizou agora mesmo no Parlamento foi uma humilhação para António José Seguro. Poderia ter sido a moção de confiança à cooperação estratégica do PS com as condições de governabilidade para a próxima década, encaradas realisticamente e sem sombra de preconceito; poderia ter sido a moção de confiança à igualdade, não de dois, mas de três partidos de Governo perante responsabilidades, metas e desígnios inscritos no Memorando. Mas não foi. Serviu exclusivamente para desfile triunfal de uma maioria reconsagrada, com dois anos para fazer toda a diferença. Da moção surgiu um Governo arregimentado, coeso e focado, no sentido de conduzir a Política segundo os imperativos de retoma económica, sob a legitimidade constitucional segregada pelas últimas eleições legislativas. O PS voltou a não estar à altura do País e das aspirações da sua juventude capaz de comparar países, partidos, políticas, caminhos de sucesso por esse mundo: um Partido que ilegitimamente trai as aspirações de milhões de portugueses no sentido de um entendimento alargado no âmbito da governabilidade, ostraciza-se a si mesmo. O PS perdeu uma oportunidade ímpar. Quer de eleições antecipadas, quer da possibilidade de fazer parte da solução e não do problema, do vício empata e do clube engonhante a que se reduz a Oposição. Se houve quem acreditasse que do PS viriam propostas construtivas e capacidade de entendimento, sem palas nem esporas, deve estar desiludido. Mil vezes desiludido. Até aqui, parte do aparente fracasso das políticas da Troyka [nulo crescimento e empolamento da dívida] advinha basicamente da cisão entre duas formas de conceber a governação dentro da Governação. Cisão na gestão do imediato, entre dois pólos e enfoques complementares, mas em contenda dentro do mesmo Governo, onde Gaspar pontificava. Os pólos da consolidação e do crescimento. A consolidação levou sempre a melhor. Demasiado. Agora, a sobrevivência deste Governo está indissociavelmente ligada a quantos sinais de crescimento e consolidação, com inversão de ciclo, se confirmarem na economia. Esta moção marca, portanto, o tiro de partida para dois anos onde não será de menos mobilizar e convencer o País das vantagens de libertar a sociedade para a magna tarefa de ser e fazer mais, fazendo recuar o Estado de pesar sobre cada um, sufocando-nos fiscalmente e tolhendo a iniciativa privada graças a uma teia inextricável de obstáculos e burocracias. Dois anos em que se assistirá ao acantonamento do PS, por moto próprio, incapaz de uma agenda credível, incapaz de outra retórica senão a eleitoralista e a do facilitismo frouxo e oportunista. E porquê?! Por se ter submetido à velhice mais asna e politicamente mais esclerosada que alguma vez imaginámos poder tutelá-lo, nesta Hora crítica do País. Seguro perdeu em toda a linha. Perdeu-se a si mesmo. Perde internamente, pois é vítima dos efeitos da sua capitulação às vozes de facção e reduto; perde eleitorado que lhe lê a fraqueza, a superficialidade e a imaturidade para acordos com significância nacional abrangente, chamem-se ou não de salvação nacional. A Oposição Parlamentar já não é liderada por Seguro, se é que chegou a ser. A sua sobrevivência política, antes de um Costa qualquer que avance, tem dois meses para mostrar capacidade de superação. Seguro está encostado às cordas. Uma bancada hostil. Uma fronda de velhos movimentando os bastidores, mal-fodida, igualmente hostil, indiferente à ternura segurista, antes ferindo-lhe as ilhargas com esporas de Esquerda. Ele é alguém que já não pode passar má figura perante um Novo Governo Passos disposto à negociação perpétua e à adopção mesmo de soluções com que o próprio Seguro obtivera convergência negocial na ronda de iniciativa presidencial. Quando o Governo patinava e a crise interna estava iminente, Costa simulou avançar, mas travou. Agora, perante o crescer de uma vontade governativa de fazer mais, melhor, diferente; perante a suspeita de uma economia a florescer, quem ousará avançar e disputar, em Outubro-Novembro, o lugar esmagado de Seguro?!

A MÃO QUE SE ESTENDE AO PS

É um Governo patriótico, defende os mercados para poder defender o País. Estamos a pagar uma Troyka para que os mercados ganhem confiança no País, logo, na economia do País, logo na sustentabilidade da dívida, logo, na estabilidade que permite os negócios e o emprego. A dívida é um calçado de chumbo para quem quer nadar à superfície. Defender Portugal não pode ser a fingir e o PS tem todo o interesse em contribuir para a pagabilidade da dívida e a sustentabilidade do Estado Português, o que implica cortes. Necessariamente. O PS só tem soluções despesistas para a Economia. Tudo o que demagogize e eleitoralize o palavrório político é PS.

quarta-feira, julho 03, 2013

PELA MOÇÃO DE CONFIANÇA

A reflexão que se faz abre um extenso menu de soluções putativas. Subscrevo desde logo esta: «Não teria recomendado ao Primeiro-Ministro alguns trechos da sua alocução. E teria recomendado, à cabeça, a apresentação de uma moção de confiança no Parlamento. O minimalismo presidencial, aliás, suscitou a questão da outra moção - a de censura - mas o correcto, nas presentes circunstâncias, é submeter politicamente o Governo ao juízo da Assembleia da República. Porquê? Porque, desde logo e em apenas 48 horas, o Governo perdeu dois ministros de Estado, um deles o presidente de um dos partidos da coligação. Depois, porque os restantes membros do Governo desse partido estão com pedidos de demissão anunciados. Finalmente porque o Governo de Portugal não pode estar cativo de estados de alma infantis que o país não entende numa altura de alto risco para a sua sobrevivência material e ética. Como, apesar de tudo, "isto" ainda é uma democracia (nada adulta, é certo, mas uma democracia), a resposta do Parlamento a essa moção de confiança pode ser avaliada a todo o tempo pelo "povo" em sede própria. E o comportamento das "elites" políticas também.» João Gonçalves