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quinta-feira, março 01, 2012

O GALLO DA FRESCURA

No Brasil, toda a gente adora o azeite português. Há qualquer coisa inculcada acerca dele que parece indelével e vozeado de geração em geração e de ouvido em ouvido como algo de tão milagroso quanto o farmacêutico alho, por exemplo. À mesa, quando se petisca sem olhar para as horas e as agendas, carne assada, água-de-coco, rubacão, há sempre o azeite. Uma lata de Azeite Gallo sobre a mesa. Nunca esquecerei o facto de uma das comensais, em convívio numa dessas tardes brasileiras de calor e afectuosidade, ter literalmente bebido azeite como se bebe um shot de cachaça. Este conflito pateta parece uma "frescura" mais norte-americana que brasileira: num País onde quase todo o mundo, mas mesmo quase toda a gente, é escura e deliciosamente escura, não estou a imaginar uma marca a querer melindrar a cor de quase toda a gente. Que é que se passa com estes brasileiros que estão a mudar, dando a frioleiras?!

quarta-feira, dezembro 14, 2011

TRIUMPH OU O TRIUNFO DO ESQUELETO

O pior, Isabel, é que parece ser o zelo lazarento do fotoshop, e não as mulheres, o responsável pelo desastre desta promo de Natal. Quando passo pelos outdoors e os olho, fico desconsolado com a evaporação de carnes destas moçoilas e vou meditando, «porquê, meu Deus, porquê?!» e fazendo minhas as palavras da Rititi: «Mas a ideia de gajos heterossexuais a baterem punhetas com a publicidade da Triumph horroriza-me. A ideia que um homem me ache obesa em comparação com uma carcaça com sutiã que não pesa mais de quarenta e cinco quilos é assustadora. E triste. E cada vez que leio ou ouço um gajo a chamar gorda a uma miúda normal só me apetece mandar-lhe para a puta que o pariu.»

quinta-feira, novembro 17, 2011

AS COISAS COM QUE O VATICANO PERDE TEMPO

«Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu a casa do cheiro do unguento.» Jo 12, 3
Eu, sinceramente, cada vez compreendo menos o coração político e diplomático da minha Igreja Católica, nestas reacções ao mundanal, sensível ao registo mundanal ao ponto de lhe reagir mundanalmente. Parece que se deixa capturar com a maior das facilidades por qualquer frivolidade e arquitectura promocional bem urdida, caindo em sucessivas armadilhas de ricochete mediático, em sucessivas esparrelas de exposição e relevância do que pura e simplesmente não se situa no mesmo nível de missão, nem no segmento de ocupação nem sequer na preocupação ou escopo profundos. Armadilhas, emboscadas: seja do José Rodrigues dos Santos com as suas leituras e escrevinhamentos apócrifos 'iluminadíssimos', seja de uma Companhia perita em obter justamente toda a atenção que lhe for possível, cada cavadela, cada minhoca. Agora que o Vaticano nos anuncia ir perder o seu precioso tempo e o seu precioso dinheiro para proceder legalmente a fim de evitar [evitar?????] a publicação da imagem do Papa Bento XVI a beijar o grande imã da mesquita Al-Azhar do Cairo, Mohammed Ahmed al-Tayeb, o melhor a fazer seria precisamente nem sequer comentar ou gerar mais notícias a propósito dessa campanha possível Beijos Impossíveis da Benetton. Estou para compreender de que modo é que a Benetton interferiu com a diplomacia vaticana antes de ter interferido com o nosso sentido de humor, com a nossa indiferença, com o nosso calo empedernido ao publicitário, após anos de cartazes, spots, movies, ideias 'inovadoras' e slogans ainda mais inovadores antes de se gastarem, romperem, passarem de moda e de tudo.  

terça-feira, novembro 01, 2011

CGD, MAU HUMOR E IMPOTÊNCIA PUBLICITÁRIA

Não fazia a mínima ideia em torno de que tópico este excelente trio de actores, que admiro e louvo, gizaria humor, animaria a Nação, far-me-ia rir, atirar-nos-ia para cima. Os pródigos cartazes, espalhados como maná pela cidade, sugeriam algo enigmático e dúbio: «a nossa troika vai falar» e eu pensei em sátira da boa. Confesso que a minha desilusão foi total quando a instituição por detrás da iniciativa se mostrou à luz do dia e o meu sentido de humor desmoronou-se inteiramente. Com que então era a CGD, esse banco político, politizado e politizável, onde se sentaram durante anos, e engordaram, tantos militantes do PS e do PSD, especialmente o glorioso e frugal Vara?! Todos os Bancos foram amigos do socratismo e concubinos da política no mau sentido. Todos. Todos foram o instrumento perfeito, em vários momentos e para diferentes fins, uma vez que em Portugal o Poder político se converteu no ápice de um jogo e de uma traficância sem outro fito senão inocular ilusão colectiva de haver zelo pelo bem comum; tirar o máximo proveito e partido pessoal das oportunidades e das mediações; contentar os amigos, favorecer os negócios e os interesses privados sacrificando por regra o interesses público, tirar contrapartidas, arriscar com o alheio, salvaguardar o próprio. CGD e humor não combinam, pelo contrário, a CGD é a sua antítese perfeita. Pelo menos a mim deprime-me como um desfile funéreo de alguém que era muito querido, demasiado novo, demasiado benfeitor e filantrópico. Pode ela, CGD, vir para cima de nós com os melhores actores, com os melhores palhaços, com os melhores desportistas, com as melhores e mais desnudadas fêmeas, basta ter tido um Vara, negócios com cheiro a Vara, perfumes e gabinetes com dedadas de Vara, relógios Vara, sabonete Vara, vinhos Vara, gravatas Vara, para lhe degradar o prestígio, reduzindo-a à impotência publicitária por muitas e boas décadas. Esta publicidade não está no PAP. Vai é directamente para o lixo.

terça-feira, abril 19, 2011

FUTRE, DIVERTIDA MÁQUINA DE LUCRAR

Futre é assunto todos os dias. Corre por aí que veio reensinar-nos a sorrir. Esta crise, este caos, esta falência, podem abrir oportunidades novas, refrescar-nos a alma e dar-nos recomeços. Se é ele que no-lo inspira, dê-se-lhe estátua, comenda e condecoração: «O país despertou para Paulo Futre, mas o antigo craque explica que há muito faz intervenções semelhantes em Espanha. E também faz publicidade. "Aqui tenho feito algumas coisas, a última foi para a Rexona. Já fiz publicidade para a Gillette, no Mundial estive num anúncio para uma casa de apostas, e já nem me lembro das outras marcas pelas quais dei a cara. Em Espanha é normal, fui sempre assim, tive mil polémicas com o Atlético de Madrid, que era a equipa mais polémica do mundo. As pessoas já estão habituadas. Aí já não me conheciam", disse o empresário, director desportivo na lista de Dias Ferreira para o Sporting. [...] Agora quer aproveitar o boom mediático para publicar a sua biografia. "É um livro polémico, com escândalos. Estava a ser preparado quase há dois anos. Vai ser lançado brevemente", confessou. E sinceramente, concluímos, estava à espera de tanta atenção? "Tinha de ser criativo. Sabia que ia ser uma bomba. O país estava a chorar e consegui meter tudo a rir. Só fiquei triste por os gajos [jornalistas] terem escrito que eu estava a inventar. Sou cronista do melhor jornal desportivo do mundo, a ''Marca''. Não posso inventar histórias!" Não inventou, mas reinventou, quase que por acaso, a sua imagem em Portugal. Agora podem continuar a gozar, que ele vai recolher os lucros. É a vingança do ''chinês''.» Pedro Miguel Neves

sexta-feira, março 20, 2009

ANTIDEMOCRACIA PS INDEMISSIONÁRIA


Pedido de demissão justificadíssimo pelo PSD. A ofensa aos mais indefesos e esmagados dos nossos concidadãos é grosseira. Simplesmente, demisão é uma palavra impronunciável pela estrutura tentacular camorrana PS, que asfixia e colooniza Portugal. Esse tipo de honra mínima foi rasurado e não se exerce: deixa-se morrer o assunto (e são tantos!) e siga para bingo. A estatização de tudo em que o PS governamental toca é clamorosa e massiva. Trata-se da unipartidarização do País por força. Não admira que muitos cidadãos independentes, não filiados em quaisquer partido, vejam neste PS comportamentos e intervenções próprias de uma democracia de partido único de que a colagem sorna anti-manifestação na Antena 1 o mais horroroso corolário. Santana foi sacudido da governação por muito menos assim como lhe moveram guerra mediática por infinitamente menos. O que terá o Vitalino, o boquinha amaneirada, a dizer sobre esta coisa de mau gosto? E ASS, o grande malhão marretóide, de esta vez não se pronuncia? O que teria ASS a dizer de esta ofensa-publicitária-em-pequenino a todos os portugueses? «O PSD pediu hoje a demissão da direcção da Antena 1, devido ao "spot" publicitário de promoção à informação da rádio, que considera "atentar contra a liberdade de expressão e de manifestação". [...] Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o deputado social-democrata Luís Campos Ferreira defendeu a demissão da direcção da rádio pública. "A tutela da Antena 1, rádio paga pelos contribuintes (...) deve tomar uma atitude digna, e só há uma: demitir os responsáveis que puseram o anúncio", disse Campos Ferreira. Para o PSD, o anúncio "divide os portugueses, coloca-os uns contra os outros". O "spot" publicitário mereceu igualmente críticas da restante oposição.»

segunda-feira, julho 14, 2008

DIE GOLDENE PALME DER KREATIVITÄT


Es gibt ja immer und überall Werbung,
aber diese hier, aus dem Wartezimmer eines Arztes,
lkj
Quanto a Sócrates e à sua reeleição, escapa ao País desatento um conjunto
de coisas graves, erróneas e erradas, em decurso na economia nacional e
independentes dos famigerados factores externos, essa muleta tão à mão.
Por isso mesmo, Sócrates, que detém os Media nacionais
e os domina a seu bel-prazer, será reeleito.
lkj
São aspectos de Política Pura, de atitude e de credibilidade profundas do Sistema
e seus subsistemas, do Regime e das suas ramificações institucionais degradadas,
os quais, aspectos, pelo facto de corajosamente os Media lhes não pegarem,
pelo facto de um povo profundamente alheado, acívico e ignorante, estar ausente,
e juntos os não enfrentarem, os primeiros a soldo que estão de quem lhes paga,
para debitarem só parcelas de verdade,
só meias verdades, só formas de adocicar a realidade,
enquanto se cravam seis cigarros ao jornalista,
os segundos numa aura de positivo e optimismo infantil,
tudo isto determinará que Sócrates,
que detém os Media nacionais e os domina a seu bel-prazer,
seja reeleito.
lkj
A fim de não responder a sérias interpelações no Parlamento, no útimo debate,
Sócrates, no seu estilo sempre desdenhoso e sarcástico dos outros líderes e forças políticas,
fez a homilia do respeito que lhe devem, do protesto pelo insulto inexistente,
e assim fugiu das questões, mostrou indignação espectacular,
queimou tempo, tresleu, deturpou os discurso alheio.
É isto, esta ratazanice e esperteza e nada mais, o que nos espera,
o que nos pastoreará por tanto tempo quanto o tempo há muito expirado de João Jardim,
ou o tempo caduco e anacrónico de um velho sovina sóbrio, Oliveira Salazar.
lkj
Não deveria ser assim. Não deveria!!! Há excessivas razões de reserva e receio:
é esta hipertrofia intrusiva do Estado na Sociedade como nunca se viu;
e é esta ditadura sorridente-impositiva, esta pseudo-simpatia esmagadora em tudo
esta Pax Socratina, que vai asfixiando
quer a Verdade, que rareia como discurso e como acção,
quer a verdadeira pluralidade - vigor do pensar diverso,
que, como sempre no nosso longo passado comum,
se extingue, é perseguido, morre.
lkj
Não deveria ser assim. Mas será!
lkj
Isto está bom é para abismos de Vaidade e Ego, gente muito para além da gente comum,
como Miguel Sousa Tavares, o fumador,
Júdice, o comentador inaudível, e Vital Moreira,
o socratino-encomioso, ideólogo do que está,
todos eles novos megafones alienígenas em relação a toda a gente,
só reprodutores do dictat desse consagrado novo proprietário de Portugal,
todos eles com as prateleiras repletas dos próprios volumes,
como troféus de caça, ócio, transigência,
de favorecimento tácito ou implícito.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

JOSÉ VEIGA E OS LIVROS COMO JOGADAS ECONÓMICAS


Parece um livro de culinária
o livro que um par de jornalistas escreveu
compaginando as histórias conspirativas sobre conspirações e inépcias
dentro do Benfica contadas pelo conhecido empresário José Veiga.
lkj
Quem poderá resistir a palavras-chave como 'Campeão', 'Benfica',
'incompetência', 'desarmónica e humanamente crispada crispação
entre os dirigentes benfiquistas' ou, claro e necessariamente, 'polémica'?
[Ó mar imenso de vaidade e ambição que representa
a maldição de dirigir ou ter dirigido este Bismark-dirigível Clube Aquilino!]
Poucos. Muito poucos.
lkj
Daí ser este mais um daqueles passes de mágica económicos recorrentes
publicitária e comercialmente infalíveis.
Cada vez vende mais livros quem nunca soube nem escrever nem falar.
É a vida! São os tempos! É Portugal no seu resplendor nulo
de tricas douradas e cusquices folheáveis
sem interesse nenhum nem conteudístico nem literário.