quarta-feira, março 13, 2013

QUASE TODA A EXCITAÇÃO CIENTÍFICA DO MUNDO

Está neste planeta.

UMA LUZ CÍVICA AO FUNDO DO TÚNEL POLÍTICO

E pronto, chegados a 12 de Março, nasce-me a única esperança digna desse nome no que à transformação urgente do Sistema Político Português diz respeito. Não importa que eu vote CDS ou BE, não importa, nunca importou, o que o Presidente da República viesse dizer, interrompendo o seu letargo de velho funcionário político prudentíssimo, segundo uns, acovardado, segundo outros; não importa ainda o que a morta social democracia dentro do PSD ou a falecida democracia cristã que havia no CDS ousem perorar só agora, saídas da tumba. Esperei por elas e defraudaram-me. Hostilizadas pela nova lei da selva na economia, desvaneceram-se. A Europa, na verdade, já não é região recomendável para a tradução renovada de um pensamento cristão da política. No entanto, há esperança. A rua semeou um princípio de mudança no Anquilosado Sistema Político Português, cujo bloqueio à cidadania vem sendo todo um tratado de opacidade e traição.

O principal fruto da rua parece desenhar-se e é este, por enquanto um Manifesto, em breve um movimento plural e reformador em que possamos apostar. Após toneladas de manifestos sectários, ronhosos, para nada, por isso mesmo sem adesão massiva, acrisolou-se um princípio em que quase todos certamente acordam: parte da resolução dos nossos problemas e da prevenção de outros ainda piores passa pela reconstrução do regime democrático e pelo fim da concentração do poder político nos partidos. Todos os democratas e apaixonados por Portugal, cansados do ódio sectátio estéril, ódio personalizado no A e no B, devem, sem demora, engrossar a mole de signatários deste manifesto. Todos sabemos da tragédia social, económica e financeira a que vários governos conduziram o País. Todos nos exasperámos e cansámos de partidos e executivos sem grandeza, sem ética e sem sentido de Estado, manipuladores de soundbytes, de números, de optimismos, cujos titulares, ápice da baixeza, saíram airosamente ricos. Todos nos vimos impedidos de uma participação democrática e em verdade, sem que o sistema político acolhesse a vertigem da novidade útil, da frescura, dos melhores e mais competentes.

PORTUGAL, COMEÇAR O DIA A AMAR-TE

CENAS DO TIPO Ó-TIO, Ó-TIO E POR ENQUANTO

«O BPP e o BCP partillharam uma offshore que tinha como accionista o tio de José Sócrates, diz a RTP. As investigações às offshores do Banco Privado Português levaram à descoberta de uma sociedade a Burgundy Consultants, partilhada pelo BCP, com ligações ao tio de José Sócrates. Uma investigação do programa da RTP, "Sexta às 9", desmontou uma offshore partilhada pelos dois bancos e com ramificações a um tio de José Sócrates. As investigações da CMVM e Ministério Público à gestão do BPP demonstraram que João Rendeiro tinha um projecto de poder, que consistia em garantir uma participação de destaque no maior banco privado português. A Burgundy Consultants, sediada na britânica Ilha Man, "traduzia uma relação financeira perigosa entre o BPP e o BCP", refere a RTP. A sociedade é accionista de pelo menos duas offshores no BPP Cayman e de pelo menos uma do BCP Cayman. Um dos proprietários da Burgundy é Celestino Júlio Coelho Monteiro, tio de José Sócrates. João Rendeiro está envolvido em pelo menos sete inquéritos crime e em dois processos de contra-ordenação lançados pela CMVM e pelo Banco de Portugal. Para já o Ministério Público só deduziu uma acusação contra João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard, ex-administradores do Banco Privado, pela prática do crime de burla qualificada, em co-autoria. Em causa está uma operação de aumento de capital de uma sociedade de veículo criada pelo BPP, a Privado Financeiras, para adquirir as acções do BCP mobilizadas no quadro da luta pelo poder pelo controlo do banco fundado por Jardim Gonçalves. Uma nota emitida pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa refere que a investigação, iniciada em Fevereiro de 2010, ficou concluída três anos depois de o inquérito ter sido aberto".» Económico

terça-feira, março 12, 2013

CONTRA A FILOSOFIA MARXISTA DA MARMITA

«Faz-lhe confusão a marmita? Tenho uma pequena empresa, somos cerca de 20 pessoas, além disso ainda tenho alguns filhos em casa, temos microondas na copa e também eu levo marmita, cito JASeguro: qual é o problema?!! Essa conversa das conquistas de Abril infelizmente tem sempre agua no bico - a verdadeira conquista de Abril foi podermos viver num regime democrático. o resto é cartilha de pacotilha. A riqueza não vem do céu nem chega por decreto. A riqueza que precisamos não virá como julga, chegará isso sim com o máximo espaço para a iniciativa privada e o máximo de liberdade para 'criar' (empresas ideias etc), isto implica necessariamente menos Estado. Reparei que nutre um carinho especial pelo 'el Comandante', pergunto-me: por que será que a esquerda tem esta tendência para gostar de regimes musculados? será mesmo um resquício de necessidade de sombras tutelares? Sejam elas na figura de Estados opressivos e muito presentes sejam elas nas figura de personagens grotescas e egocêntricas? Que tiram aos ricos para dar aos pobres até que ficam todos pobres? (menos eles próprios - claro!). Pergunto-me então outra vez: será que esta esquerda só aprecia a liberdade de expressão e a liberdade para a criatividade até ao momento em que consegue derrubar os regimes democráticos e finalmente passa a viver a sombra dum «paizinho' qualquer com mão de ferro? E então já não se importa de frequentar cantinas comuns com ou sem marmita, desde que todos entoem a Internacional, e assistam embevecidos e acriticos aos discursos de 5 horas do pai na Nação? Não, não sou um Coelhista muito menos um Relvista, e até estarei de acordo com algumas criticas- só quero é que não me contraponham a eles as vossa utopias esquerdistas que dão cabo da economia de vez. Como já sei que aqui não nos entenderemos nunca, pois prefere a sombra do 'pai' Estado, pelo menos que nos entendamos na questão de criar uma justiça efectiva para prenderem de vez todos os que se aproveitaram desta liberdade e que andaram a 'mamar' anos a fio.» Anónimo

O DOM PALPITANTE DA FELICIDADE

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Meu Deus, dai-me o dom de manter e frutificar a minha felicidade,
através de um coração generoso e fraterno.
No fim de contas, a Felicidade sois Vós Mesmo.

PERGUNTAS E UMA FACA ENTRE OS DENTES

E se a economia melhorasse, se o desemprego deixasse de descer? Aplacar-se-ia a rua contra o PSD? O panorama das eleições autárquicas seria, enfim, minimizado? Poderá Passos passar a exigir mendigar mudanças na condução alemã da política austeritária a qual, por causa das eleições alemãs, Merkel não parece desejar alterar?! Poderá o PS ser absolvido do seu lastro e passar a depositário de todas as nossas esperanças de transparência e responsabilização do Estado que não ousam reformar? Estará o Regime de todas as impunidades e de todos os glutões partido-banqueiros próximo de implodir? Continuaremos a insurgir-nos as ruas sem um corpus de exigências concretas que alarguem a democracia e a fiscalização cívica ao sistema que os Partidos criaram e acalentam para si? Qual será o próximo líder populista a emergir? Daniel Oliveira transformar-se-á no próximo independente nas listas do PS? Passaremos a imitar os altos índices de responsabilidade individual que as sociedades norte-europeias evidenciam, pagando as empresas escrupulosamente à Segurança Social e ao Fisco escrupulosamente?

BÁRCENAS E O SEU APOCALIPSE DE MERDA

«Imagina que te comes dos ollas de fabada asturiana, cinco burritos con salsa picante, un par de litros de kalimotxo peleón, una botella de horchata, dos cafés, y luego vas al lavabo mientras te fumas un cohibas. Pues la diarrea que saldría parecería una caquita de conejo al lado del APOCALIPSIS DE MIERDA que hay en los papeles de Bárcenas. En ellos figuran donaciones irregulares al PP por parte de algunos de los más grandes empresarios españoles, así como regalos y sobresueldos dirigidos a eminentes políticos. En los papeles de Bárcenas hay tanta mierda que parecen la receta de un pastel de Ikea.» El Jueves

NÃO AGUENTO 24 HORAS DE INDIGNAÇÃO

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. 

Lá, onde, por exemplo, no 15 de Setembro se rejeitava a Taxa Social Única, não se pôde evitar e rejeitar a hecatombe fiscal que 2013 haveria de testemunhar, não se pôde sacudir o torpor demagógico dos aburguesados partidos de Esquerda que se colam, como abutres, à evidência da nossa tragédia, ao cheiro infecto do nosso sofrimento, adesivos abusivos da nossa dor, casa assaltada, única coisa que fazem aliás. Não se pôde fazer mais nada, senão exprimir o nosso sofrimento sem agenda, as agruras da nossa falta de dinheiro sem reforma da representatividade parlamentar, sem consequências em transparente actuar político, sem o dom do plebiscito frequente e imediato, como na Suíça, às políticas que nos tocam e às lógicas que fazem de Portugal uma arena estupenda para a escravidão laboral e a injustiça salarial mais escandalosas: entre o que abicha Mexia mês após mês e o que pelintra um desempregado a diferença é todo um regicídio para coisa nenhuma, todo um Auschwitz em lume brando com milhões de morituros portugueses a quem ninguém poderá valer.

segunda-feira, março 11, 2013

JANEIRO, CHÁVEZ JAZIA E ARREFECIA EM HAVANA

Terá sido em Janeiro que Chávez expirou, mas o processo de mitificação exige tempo de maturação. A utilização do morto para efeitos de Regime e de política melodramatóide seria uma mina que conviria acalentar. Curioso como estes Regimes abominam a verdade: «Outro facto que a inteligência dos Estados Unidos já deixou bem evidente nos meios diplomáticos. Chávez morreu, provavelmente, no começo de janeiro. O prolongamento mentiroso de sua vida foi apenas uma armação para permitir a inconstitucional posse de Nicolas Maduro, através da geração de um dramalhão popular em torno da torcida pela “salvação” e cura do bem amado mito Chávez. O problema para o regime venezuelano é que o atraso na revelação da verdade contribuiu para que as mentiras aflorassem...» Alerta Total

OCTAFUCKINGFRAUDE

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Aonde quer que ele vá, faça o que fizer, há merda.

APRENDER A DERROTA NA CASA DO INIMIGO

A casa decadente e miserável do inimigo
vai deserta e insegura.

sexta-feira, março 08, 2013

UM PÉNIS DE OURO PARA CADA MULHER

Agora que já capturei alguma atenção, mais a sério. Não venho propor um novo princípio constitucional que garanta uma espécie de Pénis-Magalhães de Ouro a cada portuguesa, vibrátil, na linha dos direitos inefáveis, tendências democratizadoras e aspirações furadas que a Constituição consagra, deveria garantir, mas cujo chulé na verdade nem sequer cheiramos. Também não se está aqui a pensar em roubar aquele caralho de mel que parece estar na boca de Filipe Pinhal quando fala, ó ânsias de falo!, para dá-lo liberalmente a quem de direito carece da mais elementar glucose em suporte rígido. Pudessem todas as mulheres oprimidas e mal-pagas deste Portugal ousar chorar despudoradamente como ele, após anos de capitalização, offshores e mais valias. Não. Venho somente com a minha lenga-lenga beata do costume. Se há uma herança e um testemunho que desejo passar à mulher em geral e especialmente à mulher portuguesa não é de todo que todas passem a ter um áureo pénis só seu, realístico, áspero, nervurado e evocador, claramente artificial e artístico, como o Pé de Ouro engendrado a partir de um molde de silicone com Messi dentro. Não. É outra coisa. Venho outra vez com a minha conversa sobre a Felicidade com Nada. Continuo nesse ponto igualzinho. Passou Janeiro com o seu palrador atrevido Ulrich. Passou Fevereiro com a pirueta invertida de Gaspar e nada mudou no meu propósito. Prefiro um cêntimo numa caixa esquecida a investir meio cêntimo num pão recesso. Isso vale para mim. Não vale para as minhas filhas ou esposa. É a minha resposta pessoal libertadora perante a injustiça que grassa em Portugal e pune grosseiramente cidadãos vítimas dos ventos globais, mas também vítimas de Governos que viveram acima do Pudor, das Possibilidades Passadas, Presentes e Futuras do Estado, com titulares que viveram ainda mais acima da Moralidade Pública ou do diâmetro do próprio cu, mas é também uma resposta vincada e muito minha perante as distorções e os excessos da sociedade de consumo e dos seus pressupostos autofágicos, suicidas, de ilusório crescimento pelo consumo de mais recursos finitos, de mais energia caríssima, cujo paradigma petrolífero, aliás, ameaça rebentar-nos na cara, não tarda: temos de exercer incomparavelmente menor pressão sobre os recursos do Planeta e mesmo o nosso crescimento, se algum dia tivermos crescimento, deverá operar-se sobre bases ambientalistas novas de plena sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente. O nosso Mar, tal como para o estorvo Cavaco, afigura-se como que barras de ouro debaixo do nosso nariz ou a ilustração da célebre máxima ouvida na tropa: Para quem não sabe foder, até os colhões estorvam. Temos Mar. Já não sabemos o que lhe havemos de fazer. E, se sabemos, a UE não autoriza ou demora. Penso nas mulheres como seres belos, maravilhosos, cuja natureza convida a cuidado da pele, das unhas e do cabelo, à terapia das compras, à sedução pelo que são e pelo modo como cuidam de si e dos demais. São frágeis. Hoje gerem agregados complexos, esquizofrénicos, compactos, alargados, compostos por dois ou três filhos desempregados, por um marido desempregado, por um irmão desempregado, sem falar nos próprios filhos e nos pais, já velhinhos, de quem cuidam. Ora, a Saúde, o equilíbrio interior destas mulheres e especialmente a sua felicidade íntima, absoluta, estão em causa. Estão em causa para mim e para todos, especialmente os mais vulneráveis e propensos à depressão e ao desespero por doença crónica ou desemprego: ao mesmo tempo que as pessoas deverão libertar-se da compulsão para o consumo, abraçar efectivamente a natureza todos dos dias com pasmo, com tempo e paciência; e deverão amar a arte e TER uma vida intelectual e cultural, devem passar a olhar para o dinheiro com a mesma liberdade dos que o têm exageradamente, invertendo os respectivos pressupostos: a liberdade que os megaconsumidores [banqueiros, ex-banqueiros, jogadores de futebol de topo, gestores da TAP, Jorge Jesus, a Pipocatota] têm de dispor e desbaratar uma hecatombe de recursos finitos é igual à dos que dispensam perder o escasso ou nulo que têm, dispersando um cêntimo que seja em bens que não perduram comparativamente nem na fruição sinestésica de uma tarde no Campo, na Praia, nem no seu valor espiritual absoluto. Nada mais efémero que gastar. Por outras palavras, gastar, consumir, é uma muleta psicológica de fraco desempenho e garantido vazio, especialmente diante de qualquer coisa sublime, como o Mar. Ser mulher é estar Bela, é ser Bela, é sentir-se Bela, não importa o quê. Eu proponho não consumir, não gastar, não ansiar nada, senão o Belo, senão a Deus, senão a comoção de um dia em boa paz familiar, visitando e auxiliando quem precise, e jejuar quinze horas, almoço, mais seis horas, jantar. Tudo isto liberta, purifica o corpo, faz-nos leves para voar efectivamente com o coração, a sensibilidade, o tacto, o paladar. O século XXI será religioso ou não será, alguém escreveu. A julgar pela quantidade de banqueiros doidos, anónimos homicidas, políticos pirómanos e vulgaróides, seres humanos afectivamente descompensados que por aí sobejam, estamos infelizmente mais próximos do «não será». Cada qual pode fazer a diferença por que os nossos filhos vivam num século que É, saindo o mais possível da equação dos Governos e das Potências que enquadram e gerem Governos com abstracções que nunca levam em conta o enorme peso do imprevisto, do acto de pensarmos fora da caixa e das réguas ideológicas estabelecidas. Lá, onde os cabrões falam em produtividade e nós percebemos que estão na verdade a falar de mais exploração, perda de direitos, acrescida precariedade, excesso de horas de trabalho, despedimentos na hora, empregos até à morte, reformas como miragem, nós devemos falar e focar-nos em como ser felizes já, em escolher a Felicidade já, Realização Pessoal, Prazer de Estar Vivos, Poupança de Recursos Naturais, Vida Familiar Digna feita de Presenças e não de Ausências, Orfandade Funcional, Exercício da Reunião. Uma tonelada de likes no Facebook não vale um copo num bar com um amigo que realmente goste de nós e não nos estude como um espécime bizarro apanhado do chão e atirado, após bem virado e revirado. Isto parece-me ser e é Revolucionário: porque quando estou ocupado a ser Feliz, nenhum filho da puta pode atingir-me com as suas políticas cretinas, nenhum burlão pode afectar-me com a sua azia contra a minha classe profissional. Nenhum refinado cretino pode anunciar que, após quinze anos a exercer docência, amanhã não haverá emprego para mim nem para umas dezenas de milhar. É mais ou menos isto.

LAPIDAR

«Ninguém tem razão perante um morto. O chamado "chavismo" não terá passado de um justicialismo nutrido pela pobreza de milhões postos à margem num país que ainda é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Para a sua ascensão e êxito terá certamente concorrido o estreito egoísmo da burguesia venezuelana, que queria viver em abundância cercada de miséria, bairros de lata e peões sem quaisquer direitos de cidadania. Não há melhores aliados das revoluções que esses "fazedores de comunistas" derrancados nas cartilhas hipócritas do business first, da livre iniciativa sem coração, na liberdade de alguns sobre a dignidade de todos.» Combustões

quinta-feira, março 07, 2013

FICA ENTÃO O FANTASMA

PEDRO PASSOS CARALHO NÃO ACORDA

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor.

FUMAÇA À PORTUGUESA

Há países onde a vida-aterro sanitário dos bancos é qualquer coisa de muitíssimo mais drástico, com juízes a sério, polícias a sério, jornalistas a sério e suicídios a sério de porta-vozes com odor a homicídios expiatórios. Por cá, a encenação é quase tudo. É só fumaça. A Autoridade para a Concorrência finge que actua e que é autoridade, especialmente em fim de mandato para que o incumbente cessante saia numa aura de glória, atirando alto para media ver ou longe, arma de chantagem de último recurso. Que tristeza, Manuel Sebastião!

quarta-feira, março 06, 2013

DA CRISE TERMINAL DOS PARTIDOS PORTUGUESES

Os partidos valem zero a partir do momento em que constroem meticulosamente uma vida tão própria que se impermeabiliza ao clamor das gentes. Há muito que as aspirações das pessoas [mais participação directa e consequências imediatas dos nossos debates e das nossas escolhas] e a lógica ronceira dos partidos nada têm a ver. Muito por culpa da agenda medíocre destes últimos, das lutas intestinas pela escada e a chave do Poder interno ao fraccionamento interminável das suas facções e fracções: ironicamente, o carunchoso statu quo governativo ora PS ora PSD favorece o ganha pão prosaico e funcionarizado dos demais partidos, sem excepção, representados na AR, pelo que o facto de a contestação na rua visar virulentamente um membro do sistema representa na verdade uma séria ameaça ao sistema como um todo. Mas, ainda que inconsciente disso, o sistema dos partidos faliu. Não nos revemos nele nem nele cremos. Sinal disso o triste e melancólico diagnóstico do que é hoje o Bloco de Esquerda, rebate autojustificativo e tardio com que Daniel Oliveira explica a saída desse partido entorpecido e bizantino. Ele adequa-se à consabida escória da restante partidocracia em Portugal, pesada, estanque, um cancro: perpassados de corruptos, carreiristas medíocres, responsáveis por escolhas devastadoras, gestão danosa continuada do Estado, não nos reflectem. Nenhum nos reflecte. Se com os partidos, tal como estão, não vamos lá, reforme-se a forma como elegemos quem e o que elegemos. Reforme-se já. Para lá de qualquer aqui-d'el-Rei aflitivo e derrotado pelo desespero, nas ruas, comecemos pela remoção desta nossa vã, vil, singela e viciada forma de votar às cegas. Voltaremos às ruas. Vez após vez. Em massa. Com os nossos slogans desfocados, angustiados e álacres. Sem líderes. Sem alternativas. Uma mole sofredora. Para quando também com um caderno claro de reivindicações democratizadoras do sistema onde os partidos apodrecem, empurrando com a impávida barriga um monstruoso divórcio do Povo?!

UM MORTO, VÁRIOS CHÁVEZ

A notícia tem sido explorada até à náusea. Horrendo o tempo que se perde na sofreguidão abutrina de cobrir uma morte anunciada. Cansaço. Pastilhas e injecções de tagarelice transbordam os painéis da SICN, [onde a grenha de Nuno Rogeiro pontifica, grisalha e descomposta e a barba adamastor de Pacheco Pereira brilha para sedução de mil ninfas], TVI24, RTPI. Foi só uma morte. Nada mais que uma morte. Para todos os efeitos, morreu um homem que foi vários, o último dos quais um devoto cristão. Nada apaga a imagem de uma Venezuela caótica, criminal, fanatizada, cuja elite política não consta passe mal.

O GRANDE SARILHO GLOBAL

«Estamos, como se pode imaginar, metidos num imenso sarilho. Em breve perceberemos que o discurso do crescimento morreu, que o empobrecimento veio para ficar, que o risco de implosão social é muito sério, que o colapso das classes médias está em marcha, que o sistemas financeiro global está preso por fios cada vez mais frágeis, que o perigo de um fascismo fiscal espreita as democracias, que estas, por sua vez, estão estruturalmente ameaçadas, e que, em suma, ou descobrimos uma maneira ordenada de fechar esta era de desperdício e insustentabilidade, ou a transição civilizacional mergulhará povos, nações, países, regiões inteiras numa espiral de caos e destruição violentos.» O António Maria

terça-feira, março 05, 2013

A CORRUPÇÃO ESTERILIZA

Diga-se o que se disser, se Portugal hoje é um País a esvair-se, o Regime corrupto e fechado, por acaso uma república medíocre, explica-o de sobejo. Explica que não se nasça. Explica que se parta em massa. Enquanto Povo, tolerámos a corrupção da Política e da Banca, contentámo-nos com a opacidade da decisão em proveito dos decisores, com a desactivação industrial e agrícola. A riqueza não foi partilhada. As injustiças sedimentaram-se. A Justiça tornou-se a principal miragem e fonte de desânimo colectivo. Regredimos. Vamos regredir ainda mais. Mas não está previsto que alguém pague pelo mal que nos fez, por mais que nos manifestemos.

segunda-feira, março 04, 2013

MOVER O POLEGAR

Não poderia estar mais de acordo com este resumo do relvismo: da flébil emergência à crassa inexistência de um ministro. Só nos saem figuras tristes, personagens para esquecer, coladas ao assento pelo cuspo do hábito. Que Relvas fosse evacuado, regressando à sua vida empresarial 'dinâmica', génio que é dos mil contactos e dos mil favores devidos e a haver, seria uma folga dada desde logo ao baraço no pescoço do Governo Passos. Pode não chegar. Sinto-me globalmente traído. Confiei em que, com Passos, o critério da delicadeza, da verdade, e da sensibilidade para com as pessoas concretas estaria antes de qualquer decisão gizada na frieza de um gabinete nacional ou europeu. Enganei-me e enganei-me ainda mais tendo em conta a falta desesperante de resultados positivos. Eu e milhões de portugueses, num protesto contínuo e incansável, derrubamos o Governo Sócrates porque era uma escandalosa obscenidade em movimento, feérica, estúpida, movida talvez a cocaína. Um embuste. Uma loucura. Provavelmente, milhões de portugueses e eu voltaremos a mover o polegar, como o Imperador. Não haja ilusões: com a queda deste Governo, toda a classe política, cega, surda, tacticista, tagarela, seria vergastada e derrubada igualmente. Cresce-nos um nojo que pode não poupar nem o menino nem a água do banho.

domingo, março 03, 2013

PUTA DE ENGENHARIA SÓCIO-ECONÓMICA

Não há qualquer sombra de dúvidas: a falta de resultados do Governo Passos no simples plano da execução  orçamental em 2012, e já no corrente exercício, sentencia-lhe a precariedade, caso nada seja alterado. Dói acrescidamente que o nosso sofrimento afinal não resolva merda nenhuma, não minore qualquer problema estrutural, não alivie a pressão externa. Gostava de saber que paneleiro fanático assessor achou por bem terraplanar parte do sector da restauração com os 23% de IVA, gerando falências, desemprego acrescido e desespero, suicidando a própria receita fiscal. Valeu a pena?! Foda-se! Era só ter um pedaço de compaixão e não ir porra nenhuma além da puta da Troyka, redesenhando à bruta a economia que estava, promovendo tanta devastação à ceguinho seja eu. Nós, portugueses, gostamos de comer. Vamos continuar a gostar de comer para sempre, mais Gaspar menos Gaspar. Quanto mais Fisco, menos tudo.

LOURINHO E GORDINHO