«Há cerca de um mês que o Governo e as oposições andam às turras a propósito dos célebres swaps.
A discussão não é, como seria suposto, sobre o monumental buraco tóxico escavado pelo anterior Executivo, ou como se vai pagar a dívida, mais de 5,2 mil milhões de euros, mas se a ministra das Finanças conhecia a sua verdadeira dimensão.
Maria Luís Albuquerque pode ter dado um tiro no pé ao negar ter sido avisada sobre o problema criado por empréstimos contraídos em condições criminosas por diversas empresas do Estado.
Peço imensa desculpa, mas parece-me irrelevante saber se a senhora mentiu quando afirmou no Parlamento não ter sido informada pelos anteriores governantes ao serviço de José Sócrates.
A história dos swaps é como se uma quadrilha de bandidos que assaltou um banco durante seis anos resolvesse, no final da carreira, avisar a polícia de todos os roubos.
Os ladrões queixam-se mais tarde, que ela – a polícia – nada fez durante os dois anos seguintes, a não ser evitar que o cofre voltasse a ser arrombado. De quem é o crime?» PPM
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
quarta-feira, julho 31, 2013
O MEU MINIMALISMO II
«Há quase vinte anos, um pequeno livro, escrito por uma ex-agente imobiliária norte-americana, deixou milhares de leitores a olhar de outra maneira para a tralha que acumulavam nas suas casas e para as suas vidas aceleradas. A autora chama-se Elaine St. James e o livro tem um título que diz tudo: Simplify Your Life: 100 Ways to Slow Down and Enjoy the Things that Realy Matter (qualquer coisa como «Simplifique a sua vida: 100 maneiras de abrandar e aproveitar as coisas verdadeiramente importantes».) Foi também o que aconteceu com Rita Domingues. Há dois anos que simplificar e dedicar-se àquilo que realmente importa se tornou o lema da investigadora na Universidade do Algarve. Podíamos dizer que esta mãe de dois rapazes tem o livrinho de Elaine St. James na cabeceira, mas... Rita não tem mesas-de-cabeceira. Percebeu que não precisava delas, nem de uma série de outros móveis, que foi doando ou vendendo, enquanto se despojava também de roupas, calçado, louças, livros e revistas. A bióloga marinha de 32 anos, natural de Lisboa e a viver em Faro, tem sido uma grande divulgadora da simplicidade voluntária e tornou-se, ela própria, minimalista.» Notícias Magazine, #1100 23, Junho, 2013
UM DIA HISTÓRICO
«O parlamento da Galiza deverá aprovar, até outubro, legislação que potencie a utilização da língua portuguesa naquela região autónoma de Espanha, indicaram hoje à Lusa os promotores da iniciativa popular que esteve na génese do processo.
Trata-se de uma proposta de lei subscrita por mais de 17.000 pessoas, desenvolvida durante o ano de 2012 pela comissão promotora da Iniciativa Legislativa Popular "Valentín Paz-Andrade", reclamando "o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia".
Foi aprovada no parlamento da Galiza, na generalidade, em maio, e já durante o mês de julho, explicaram os promotores, foram produzidas emendas ao texto original, por parte dos quatro grupos parlamentares.
"O debate e aprovação final [do texto da lei] terá lugar em setembro. A comissão promotora está a realizar três relatórios, um por cada artigo da lei, desenvolvendo as suas possibilidades de aplicação", explicou à Lusa Joám Evans.
As emendas, disse ainda este responsável da comissão promotora, serão discutidas e votadas na Comissão de Educação e Cultura, antes de o texto final voltar à sessão plenária do parlamento, "no final de setembro ou início de outubro".
O primeiro dos três artigos originais que constam da proposta - que está a ser revista -, definia que o Governo galego "incorporará progressivamente, no prazo de quatro anos, a aprendizagem da língua portuguesa em todos os níveis de ensino regrado" e que o domínio do português "terá especial reconhecimento para o acesso à função pública e concursos de méritos".
O segundo artigo estabelecia que o relacionamento, "a todos os níveis", com os países de língua oficial portuguesa "constituirá um objetivo estratégico" do governo regional, nomeadamente fomentando a participação das instituições regionais em fóruns lusófonos económicos, culturais, ambientais e desportivos, bem como a organização na Galiza de eventos "com presença de entidades e pessoas de territórios que tenham o português como língua oficial".
Previa ainda, no terceiro artigo, que aquele governo "tomará quantas medidas forem necessárias para lograr a receção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre".
Aquando da aprovação da proposta na generalidade, por todos os partidos, os promotores afirmaram tratar-se de um "dia histórico", aproximando linguisticamente o que foi separado no passado.
"Acho que vai ser, para todos nós, para todos os galegos e galegas, para os que virão depois de nós, um dia histórico e lembrado. O dia em que voltamos a unir o que a história separou", afirmou, a 14 de maio, Xosé Carlos Morell, daquela comissão.
O aproveitamento do português é visto naquela região como uma forma de potenciar a utilização do galego, dada a sua proximidade, facilidade de compreensão e tronco comum de origem, em termos linguísticos, relegado para segundo plano pela língua nacional.
"Não se trata de construir impérios, que já passaram, ou novos poderes, mas de recuperar humanidade e relações económicas, naturalmente", admitiu Morell, reclamando a "representação" da língua galega e da região autónoma, "por direito próprio", na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), enquanto "origem e parte da lusofonia".» DN
UM CONAS CHAMADO RIO
O País e o Porto têm tido em Rui Rio um austero e severo líder autárquico. Trata-se de um homem sério? Sem dúvida. De um político pelo qual podemos pôr as mãos no fogo? Sim, quase em absoluto. E no entanto, é um conas. Um elitista. Alguém que corta relações com parte da alma portuense, o FC Porto, e acha que é assim que se amputa a passada promiscuidade clube-autarquia. Não esteve mal na requalificação dos bairros da cidade, na remoção do Bairro de São João de Deus, mas não teve nada para oferecer às camadas mais pobres da população, um dinamismo novo por mais emprego, um projeto de vida. Rui mostrou-se muito preso de movimentos e imaginação para combater o desemprego da cidade, coisa a que um autarca menos merceeiro poderia obstar com mais cultura, novo petróleo do empreendimento jovem. Gritou na questão SRU, é certo, mas do enfraquecimento da liderança do Norte e do Porto falam anos de silêncio em torno dos dossiês da ANA, da RTP-Porto, do Porto de Leixões, da Casa da Música, do túnel do Marão, do comboio Porto-Vigo, dos voos para Bragança e Vila Real. Nisto foi conas. Passado é passado, embora isto nos esteja atravessado.
Agora lembrou-se de dar alvitres e judicar acerca da democracia adulta em que ainda não vivemos a propósito das declarações erráticas da Ministra Albuquerque no Parlamento. Rio tem um punhal bastante comprido, na hora de dar facadas morais e desleais aos seus oponentes e adversários internos, sendo que, tanto quanto me dei conta, os principais adversários e oponentes de Rio encontram-se precisamente no próprio partido, talvez em exclusivo, o que o irmana com Pacheco Pereira, outro que é basicamente um espírito de contradição e de uma fertilidade intelectual estéril simplesmente atroz. Outro conas. Mas adiante. Certo é que Rio diz mais, na sua entrevista conas à RTP, cuja superioridade moral é todo um tratado absolutista do à-vontade para julgar do alto da burra. Ignorando deliberadamente a complexidade do caso e o peso político da contenda PS-PSD subjacente aos swap, Rio simplifica o seu ataque dizendo que a Ministra não diz a verdade, o que faz pressupor como inteiramente honestos e assertivos os testemunhos de Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício. Nada mais parcial. E acrescenta que, sendo assim, com ele, a Ministra perderia as condições para desempenhar o cargo. Insiste que ela já é um problema para o Governo de Pedro Passos Coelho. Diz que a avaliação que faz das capacidades técnicas da ministra é muito má, [parece Soares] diz que Albuquerque é uma pedra no sapato, um erro e o elo fraco do Governo, mas também diz que não deve sair agora. Lindo. Rio, manhosamente, contribui para sedimentar uma opinião lapidatória de uma mulher e recomenda que apodreça mais algum tempo antes de ser evacuada do cargo. Em suma, é muita opinião destrutiva, muita emissão cortante, muita imputação definitiva e convicta sobre uma só mulher, num caso penoso, é certo, mas repleto de sujidade política que a poucos poupa, onde a rapina da Banca e a leviandade caucionadora dos políticos merecem total execração. Vingança?! Há muitos anos que não via tanto asco misógino nem um entrevistado tão peremptório numa entrevista. Por que é que Rio não organiza um pelotão de fuzilamento?! Pode convidar os secretários de Estado demitidos por este Governo à conta da questão.
Mas há mais. Já todos perceberam, especialmente os munícipes portuenses, que a Câmara do Porto será habitada em breve por Luís Filipe Menezes, muito simplesmente porque a intuição e a sensibilidade portuenses não têm outro remédio, além de estarem cansadas da fronha avara de Rio ou de alguém como ele e queiram substituir a sua prudência baça pela visão, pelo carisma repleto de iniciativa que há comprovadamente em Menezes. À falta de melhor, mais capaz, mais recto e mais sério, Rio averbou justamente três mandatos quase imaculados, certinhos, direitinhos. Não se espera que Rio apoie Luís Filipe Menezes. Mas se há um problema de hipocrisia e de oportunismo tem a ver com as questões pessoais que embaraçam o que está em causa e é do interesse do Porto: não basta dizer que Menezes faz promessas e promessas e promessas, é preciso dizer se fazem sentido, se mobilizam os munícipes, se nos fazem sonhar e acreditar num ciclo novo de futuro na Cidade, de engrandecimento dela. Ora, até aqui Rio representou nada mais que o pensamento pequeno, as favas contadas, as águas paradas da vida como habitualmente. Pode passar-se três mandatos sem dar um grito, um protesto, uma marcação directa a falhas e más opções do centralismo contra a Cidade e Região do Porto? Pode. Rio foi a abstinência quase total de uma voz que se ouvisse e o apagamento quase total do Porto enquanto ventrículo sincopado com o outro ventríloquo, o Sul, Lisboa. Basta essa noção do apagamento e inexistência de uma voz no Porto, com Rio, para termos a obrigação ética de nos demarcarmos muito claramente desse perfil passado, que, apesar de outras virtudes, também destruiu e silenciou a nossa afirmação. Também isso descredibiliza. Não basta ser sério, é preciso LIDERAR.
Não vale golpes baixos, dr. Rio. Tanto nos pode desgostar os efeitos na nossa carne do facto de o PS ter sobreendividado o País como a paralisia, a ausência de ideias e iniciativas para dar vigor ao nosso Porto e pensar para além das elites e dos seus interesses. Há todo um povo à espera de pulsar pelo Porto e com o Porto para quem um Rio não cabe na cova de um dente do sonho. Luís Filipe Menezes, em Gaia, por mais que o detraiam, criou todas as condições para um Turismo de Excelência, criou todas as condições para a capacitação de uma malha industrial pronta para o investimento; pensou a Cidade, ousou pensá-la, no plano das infraestruturas com incidência nos negócios, sob um ciclo nacional há pouco iniciado e anunciado e que só pode e só deve pensar na reindustrialização, na produção de bens transacionáveis, como única saída do paradigma esgotado da especulação financeira global.
Rio, em Política, symboliza aquele que enterra o talento ou a quem faltou talento para mobilizar. Aquele que não ousou multiplicá-lo. Menezes é, pelo contrário, aquele que arrisca e multiplica os talentos recebidos. Rodeia-se dos melhores, dos mais capazes para pensar fora da caixa, como deve ser. E faz. O que faz, faz bem. A Rio fica mal assassinar o carácter de Maria Luís Albuquerque e em desconsiderar Luís Filipe Menezes, através da RTP, como se este não tivesse deixado uma obra que nos orgulha, a nós gaienses, da Afurada a São Félix da Marinha. Temos a obrigação de nos demarcar de atitudes frouxas e conas. Para além das boas contas, é preciso rasgo.
Claro que sou completamente contra a que Rio seja sancionado pelo PSD pela posição assumida nessa entrevista à RTP. Esse partido, o PSD, tem a obrigação de ser incomparavelmente mais tolerante, plural e aberto que qualquer outro. Para partidos castradores, trauliteiros e insultadores gratuitos da diferença interna e da opinião externa, basta o PS com os seus chantagistas velhos, a sua maçonaria controleira de tudo o que mexe, e basta a Ala Socratista duplipensante para quem, após anos de xupismo e irresponsabilidade, grasnar «a Direita isto e aquilo» é argumento o bastante para insultar, rebaixar, destruir o Outro. Para perseguir, assediar e acossar de modo reles os adversários de opinião, bastam outros supostamente de outros partidos, os quais, se pudessem, assaltariam a cidadela do opinador, à maneira medieval, violariam mulheres, matariam crianças e passariam todo o adversário ao fio da espada. Lêem ad nauseam o que abominam e declaram que ele se repete ad nauseam, mas lêem. Depois vêm insultar a mulher do blogger, as filhas do blogger, o blogger apenas por existir e ser livre, como se não houvesse mais vida além de uma opinião com picante. Tristeza! Esquecem que nesta casa não é a divergência nem a oposição de pontos de vista que impedem a Amizade Incondicional, a Admiração Recíproca e uma defesa leal dos companheiros aventadores entre si.
É por isso que vale a pena aventar no Aventar.
terça-feira, julho 30, 2013
A LIDERANÇA DE SEGURO ESTÁ MORTA
A moção de confiança que se ritualizou agora mesmo no Parlamento foi uma humilhação para António José Seguro. Poderia ter sido a moção de confiança à cooperação estratégica do PS com as condições de governabilidade para a próxima década, encaradas realisticamente e sem sombra de preconceito; poderia ter sido a moção de confiança à igualdade, não de dois, mas de três partidos de Governo perante responsabilidades, metas e desígnios inscritos no Memorando. Mas não foi.
Serviu exclusivamente para desfile triunfal de uma maioria reconsagrada, com dois anos para fazer toda a diferença. Da moção surgiu um Governo arregimentado, coeso e focado, no sentido de conduzir a Política segundo os imperativos de retoma económica, sob a legitimidade constitucional segregada pelas últimas eleições legislativas. O PS voltou a não estar à altura do País e das aspirações da sua juventude capaz de comparar países, partidos, políticas, caminhos de sucesso por esse mundo: um Partido que ilegitimamente trai as aspirações de milhões de portugueses no sentido de um entendimento alargado no âmbito da governabilidade, ostraciza-se a si mesmo. O PS perdeu uma oportunidade ímpar. Quer de eleições antecipadas, quer da possibilidade de fazer parte da solução e não do problema, do vício empata e do clube engonhante a que se reduz a Oposição.
Se houve quem acreditasse que do PS viriam propostas construtivas e capacidade de entendimento, sem palas nem esporas, deve estar desiludido. Mil vezes desiludido. Até aqui, parte do aparente fracasso das políticas da Troyka [nulo crescimento e empolamento da dívida] advinha basicamente da cisão entre duas formas de conceber a governação dentro da Governação. Cisão na gestão do imediato, entre dois pólos e enfoques complementares, mas em contenda dentro do mesmo Governo, onde Gaspar pontificava. Os pólos da consolidação e do crescimento. A consolidação levou sempre a melhor. Demasiado. Agora, a sobrevivência deste Governo está indissociavelmente ligada a quantos sinais de crescimento e consolidação, com inversão de ciclo, se confirmarem na economia.
Esta moção marca, portanto, o tiro de partida para dois anos onde não será de menos mobilizar e convencer o País das vantagens de libertar a sociedade para a magna tarefa de ser e fazer mais, fazendo recuar o Estado de pesar sobre cada um, sufocando-nos fiscalmente e tolhendo a iniciativa privada graças a uma teia inextricável de obstáculos e burocracias. Dois anos em que se assistirá ao acantonamento do PS, por moto próprio, incapaz de uma agenda credível, incapaz de outra retórica senão a eleitoralista e a do facilitismo frouxo e oportunista. E porquê?! Por se ter submetido à velhice mais asna e politicamente mais esclerosada que alguma vez imaginámos poder tutelá-lo, nesta Hora crítica do País. Seguro perdeu em toda a linha. Perdeu-se a si mesmo. Perde internamente, pois é vítima dos efeitos da sua capitulação às vozes de facção e reduto; perde eleitorado que lhe lê a fraqueza, a superficialidade e a imaturidade para acordos com significância nacional abrangente, chamem-se ou não de salvação nacional.
A Oposição Parlamentar já não é liderada por Seguro, se é que chegou a ser. A sua sobrevivência política, antes de um Costa qualquer que avance, tem dois meses para mostrar capacidade de superação. Seguro está encostado às cordas. Uma bancada hostil. Uma fronda de velhos movimentando os bastidores, mal-fodida, igualmente hostil, indiferente à ternura segurista, antes ferindo-lhe as ilhargas com esporas de Esquerda. Ele é alguém que já não pode passar má figura perante um Novo Governo Passos disposto à negociação perpétua e à adopção mesmo de soluções com que o próprio Seguro obtivera convergência negocial na ronda de iniciativa presidencial.
Quando o Governo patinava e a crise interna estava iminente, Costa simulou avançar, mas travou. Agora, perante o crescer de uma vontade governativa de fazer mais, melhor, diferente; perante a suspeita de uma economia a florescer, quem ousará avançar e disputar, em Outubro-Novembro, o lugar esmagado de Seguro?!
MANOBRAS DE DIVERSÃO
«Já sabemos isso tudo. Foram os socialistas que afundaram Portugal e destruiram o futuro do país. Foram eles que fizeram os swaps e assinaram a grande maioria das PPPs mas agora desviam a atenção para uma querela sem interesse nenhum e com com o jogo do disse e não disse ou que informaram ou não informaram a actual Ministra das Finanças. Who cares? O que é que isso interessa? O ponto principal é que entornaram o leite! Se entornaram o leite isso apenas devia reflectir o facto de serem péssimos gestores. Deviam dizer abertamente que as swaps foram uma burrice e que foram incompetentes por o terem feito O ponto principal foi a burrice que eles (socialistas) próprios fizeram e não a actual conversa de chacha!» Anónimo
MAQUIAVEL ESTÁ VIVO
«Ao não aceitar a demissão de Portas e ao promovê-lo na hierarquia do governo, Passos Coelho protagonizou a mais maquiavélica jogada da política portuguesa. Liquidou o futuro e a autonomia do CDS. Complementarmente, ao vincular os centristas a uma futura coligação pré-eleitoral, compromete a possibilidade de vitória do Partido Socialista nas próximas legislativas e aniquila Seguro.» Paulo Morais
QUEM NÃO MENTE?
Hoje, Maria Luís Albuquerque poderá retractar-se ou não da imprecisa formulação inicial acerca da transmissão do terrível dossiê swap. Já observámos uma sensível evolução discursiva do «nada lhe foi transmitido relativamente à matéria dos swap» para «o que lhe foi transmitido acerca da matéria dos swap era insuficiente para tomar decisões». As modulações discursivas são imperdoáveis em Política [em comparação com o facto de se ter lesado os contribuintes e o erário em vários milhares de milhões de euros, coisa de que nem se fala nem interessa para nada], especialmente quando o que se pretende é abater alguém seja a que pretexto for, por daí se extraírem vantagens mesquinhas na contenda política. E a questão é muito simples na sua extrema e intrincada complexidade: interessa ao País que as Oposições explorem este filão de putativa inconsistência até às últimas consequências ou o que interessa ao País é perceber quantos contratos swap os Governos Socialistas autorizaram, por que motivo os autorizaram e por que, na altura da transição, Pedro Felício, Carlos Costa Pina e Teixeira dos Santos sabiam tão pouco ou quase nada acerca dos prejuízos potenciais e virtuais de esse tipo de negócios ao ponto de ter sido aos bochechos que toda a informação se reuniu para formar um quadro só inteligível ulteriormente?
Por que motivo tem de ser a nova Ministra das Finanças a pagar toda a factura de uma matéria por que não foi responsável directa enquanto governante, tendo herdado um dossiê escabroso?! Ok, talvez Albuquerque o tenha engonhado e não o poderia engonhar. A vingança serve-se fria, mas o Regime Socialista Português serve-a a ferver sempre que um titular de cargo público ouse encalacrar o Partido Socialista, os seus ex-titulares de cargos públicos, entalando-os nas gravíssimas irresponsabilidades em que incorreram. Isso é que é imperdoável, em Portugal. Denunciar abusos, excessos, malfeitorias políticas costuma ser mortífero para o atrevido denunciante. É por isso que está interdito falar no socratismo [raro é o companheiro do BE que convoque, invoque, relacione o passado socratista com muitas das opções políticas em decurso, pacta sunt servanda] e muitos preferem falar no cavaquismo e nas culpas da monarquia às riscas a abordar o hiato de irrespirabilidade antidemocrática dos anos 2005-2011. Albuquerque meteu a unha no mau trabalho dos socialistas, denegriu-o, quis dar a entender que os titulares desse Governo não lhe transmitiram nada porque pouco ou nada saberiam. Azar. Quem se mete com o PS, leva. E hoje, quem se mete com o PS ex-Governo, leva dos galfarros do PS e pode levar com toda a violência e toda sanha dos esbirros não-PS, iludidos com futuros e convénios de Esquerda que nunca sucederão, bem pode vaca tossir e os agentes do Grande Satã branquear todos os dias a pessoa política e pública do grande embusteiro. Nós, os que amamos a verdade, não temos culpa que a verdade incrimine os governos socratistas. Pela dívida. Pelos improvisos. Pela inaudita vertente casino trazida para a governação. É a vida.
A MÃO QUE SE ESTENDE AO PS
É um Governo patriótico, defende os mercados para poder defender o País. Estamos a pagar uma Troyka para que os mercados ganhem confiança no País, logo, na economia do País, logo na sustentabilidade da dívida, logo, na estabilidade que permite os negócios e o emprego. A dívida é um calçado de chumbo para quem quer nadar à superfície. Defender Portugal não pode ser a fingir e o PS tem todo o interesse em contribuir para a pagabilidade da dívida e a sustentabilidade do Estado Português, o que implica cortes. Necessariamente. O PS só tem soluções despesistas para a Economia. Tudo o que demagogize e eleitoralize o palavrório político é PS.
segunda-feira, julho 29, 2013
CENAS MENORES CONTRA UM BODE EXPIATÓRIO
É preciso deixar de repetir o que muitos socialistas e outras abéculas do fanatismo insultador dito de Esquerda têm-se esforçado por demonstrar e tem falhado no âmago: que Maria Luís Albuquerque recebeu a totalidade da informação pertinente relativa aos swap aquando da transição de pastas entre Governos cessante e empossado, em Junho de 2011. Perante o Parlamento e os portugueses, Albuquerque disse que não recebera tal informação cabal nessa altura. De todas as vezes o disse. Modificou a forma de o dizer, mas manteve o que disse. Afinal, farrapos de emails, informações avulsas a seu pedido, relatórios tardios, resumos, elementos posteriormente enviados, acrescentados, portanto informação em construção, indicam que mentiu segundo a sindicância peremptória da Oposição?! Porquê?!
O ataque concertado de que Albuquerque é hoje alvo também é uma manobra, mais uma, que fundamentalmente branqueia e oculta as aselhices e incúrias dos Governo Sócrates. Sobre a matéria de facto e os acontecimentos passados relativos aos swap importaria explorar por que se fizeram em tal número e quem deles beneficiou lateralmente. Nunca o saberemos porque sabê-lo não é típico do modo como se sindica dolo e desgoverno em Portugal. Não se sindicam. Insista-se na mentira da Ministra e sindicar-se-ão ainda menos. Não temos razões para acreditar que, neste imbróglio, só Teixeira dos Santos, Carlos Costa Pina e Pedro Felício é que são a parte rigorosa no relato dos factos. Pelo contrário, tendo em contra o fluxo de informação subsequente àquela transição solicitado pela então secretária de Estado, este tripé de sábios pouco saberia do que lhes foi por ela solicitado. Pouco ou nada saberiam os facultadores da informação. Andariam aliás tão às aranhas quanto caloiros à entrada no Curso Superior, sendo que aqueles estavam de saída do regabofe governamental e ignoravam as perdas escandalosas que aqueles contratos comportavam.
Quem esteja apostado em fazer escola na grosseira inquisição da Ministra relegando o escândalo dos cento e quarenta e tal contratos swap assinados sob Governos Socialistas, deveria mudar de agulhas e tão pronta e hipócrita acusação: quem é que, no sistema político português e na baixa barganha PS-PSD, pode cantar de galo por gerar demissões imediatas quando há perda de credibilidade técnica ou política ou por cada um desses partidos não tolerar a impunidade após uma mentira ou uma reformulação da linguagem para dizer o mesmo?! A informação recebida por Albuquerque era lacunar e não permitia tomar decisões no imediato. Demonstrem que não é assim, se puderem. Se isto é ser a má moeda que expulsa a boa moeda, no paleio hiena de Daniel Oliveira, é uma pena que a má moeda do comentário político se encarnice por aí: no meu baixímetro do comentário político, medidor de lambe-botas, tendenciosos e contorcionistas da opinião, por exemplo, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira são a má moeda, a moeda facciosa, a moeda ambivalente e viscosa do comentário, sempre para o mesmo lado, que expulsa a boa. Ora eu não gosto, mas vivo muito bem com isso.
O enfoque numa suposta mentira sem olhar ao entorno e à gravidade do assunto é o resumo da porcaria em que labora a política doméstica e o respectivo comentário: ater-se ao supérfluo, branquear o cerne, julgar sumariamente uma parte. Por trás, nada mais que o tardo-socratismo a tentar desesperadamente salvar a própria pele e a não olhar a meios para deslizar airosamente das responsabilidades pela decisão política que engendrou sobejos swap, sobejas PPP e sobejos parques chular. Nisto, não há escrúpulos nem princípios. Trata-se de um trabalho degenerado que procura dar à generalidade da população uma opinão que só agitadores avençados e vingativos formulam, que só tendenciosos cultivam.
Maria Luís Albuquerque não é santinha. Ok. Mas não passa de pretexto para uma caçada e um biombo para esconder a imponderável responsabilidade e o padrão danoso das governações socialistas. Se cair, o circo que foi montado pelas oposições partirá para outra. Se não cair, os palhaços, pantomineiros e focas das oposições moralóides e convictas mudarão de assunto de orelhas murchas. Tudo cansa. Mesmo mentir acerca de uma mentira que vai-se a ver e é verdade.
CONTRATOS SWAP MADE BY PS
«1. O governo do partido a que pertence este MERDAS chamado Zorrinho, empurrou as empresas públicas para se financiarem de maneiras criativas, nomeadamente fazendo contratos de swap com características especulativas que poderiam render ganhos. No caso presente perdas, como parece ser apanágio das decisões tomadas por estes MERDAS em que sai tudo ao contrário. A RESPONSABILIDADE destes contratos e da falta de controlo sobre os mesmos cai sobnre os ombros de responsáveis deste partido de MERDA. O PS
2. Quando se fez a passagem de pastas a informação não existia na forma necessária para tomar qualquer decisão. Antes da tomada de posse não responderam a Maria Luis Albuquerque e apenas de pois da posse foi revelado que 4 entre muito mais empresas acumulariam já 1200 milhões de perdas. Quem a informou tarde e mal foi o MERDAS que foi à comissão parlamentar dizer que tinha comunicado TUDO. Aparentemente conseguiu viver bem sem informação durante muito tempo, já que só a teve quando já nem sequer o PS era Governo.» Groink
É MENTIRA?
«Agora tudo tem de se fazer neste período de três anos, tudo. A reforma do Estado, a reforma das Parcerias Público-Privadas, dos contratos swaps - tudo o que constitui risco elevado para o país, tudo o que nos impediu de crescer durante anos, tudo o que aumentou o peso do Estado e obrigou os portugueses a pagar mais impostos. Tudo o que se foi fazendo ao longo de anos sem pensar no que haveria de ser a situação de futuro. Tudo agora tem de ser resolvido nestes três anos. E toda a indulgência que houve durante estes anos todos para estas situações inexplicáveis agora desapareceu. Agora temos de enfrentar a maior exigência e crítica com tudo o que se decide e se faz.» Pedro Passos Coelho, Festa de Verão do PSD, em Vila Pouca de Aguiar
O PROPRIETÁRIO DO PARTIDO
Acabo de ler mais uma entrevista de Mário Soares, o proprietário do PS. Elas são semanais. Quantas mais entrevistas, mais desespero, menos poder efectivo na sombra de eminência pardacenta do Regime. Lê-se aquilo e fica-se com imensa piedade de qualquer um que resolva ser líder desse partido, tirando a suprema besta desavergonhada, Torpe Playboy, que fez o que bem lhe apeteceu, devastou, estropiou, e ainda se queixa da coligação negativa que o conduziu a demitir-se, após anos sob um chorrilho de críticas públicas, tsunami de detestação geral e razões fundadas para processos consecutivos numa Justiça que não fosse mero penduricalho impotente, à vez, do Partido no Poder.
Todos os líderes do PS têm sido títeres de Soares, tendo o beneplácito inicial do octogenário-viciado-em-aparecer, até ao momento em que resolvam efectivamente liderar, tomar posições próprias, demasiado livres da tutela opinativa e chantagista da eminência parda Soares, formatador do Regime segundo um perfil soba do tipo venha-a-nós-sou-rei. Mesmo Passos foi acalentado e apoiado inicialmente por este Dono do Regime [há outros, como Almeida Santos, patrono de centenas de empregados no Aparelho de Estado], até ao momento em que Soares se viu ignorado ostensivamente, traído e vexado no velho vício de influenciar, pressionar, condicionar um Primeiro-Ministro de cada vez, assegurando o velho fluxo de recursos com que se paga alguma paz mediática e opiniativa para um Governo.
A senecta e triste figura quixotesca soaresiana apresenta-nos um estertor em forma de gagá. Mimalho, birrento, simplista, conspirativo e completamente confuso sobre o estado geral do mundo, para quem a Austeridade não é terapia nem método, mas o próprio Mal Incarnado e os seus defensores menos que fanáticos inquisidores, Sua Alteza soaresesca simplifica simploriamente a realidade em que vivemos. Cola-se ao radicalismo mais abstruso, rejeita absurdamente compromissos, o que pode ser bom para fanáticos sanguinários, carbonários, gajos de Esquerda que escrevem dicotomicamente e com ódio, com nojo e outras visceralidades com que assassinariam levianamente o adversário de argumentos, mas não é bom para um enfrentamento inteligente da realidade complexa em que vivemos.
Soares diz que adora o Papa. Eu também adoro o Papa e comovo-me muito com ele. Mas Francisco, na sua simplicidade e espontaneidade desarmantes, também denuncia a corrupção dos políticos, a malícia dos chupistas, dos abusadores de posição privilegiada, os viciados na Política-Religião, como Soares toda a vida adulta, todo ele barriga em todo o tempo, tutelar e papal no mau sentido laico e controleiro da palavra.
Por que é que Soares não descansa de lutar para manter tudo o que está tal como está para si e para os seus?! Que tal deixar o País respirar, por uma vez, crescer, por uma vez, ter superavits, por uma vez, longe da tenaz corrupta que nos humilha?! Ter poder na sombra pode ser muito bonito, mas é um vício muito feio, Vossa Arqueológica. Deixe Seguro perder ou ganhar, Vossa Exma. Vampireza, deixe-o acordar ou não acordar acordos com a Direita [A Direita, ahahahahaah! Machete e Soares, Dias Loureiro e Sócrates, Almeida Santos e Oliveira e Costa são a Direita em forma de dinheiro, offshores, influência, cara de pau]! Do outro lado, o PSD não é o Demónio, Dr. Sonecas. É apenas a sede de ideias diferentes para o País das Bancarrotas e dos Faxes de Macau, dos Freeport, dos BPN, da politiquice ávida de Esquerda Impostora que estigmatiza e condena este Regime a dar ciclicamente com os burros na água.
Seguro, coitado, tão tenro no posto e já condenado apenas porque V/ Vampireza Cagarreta amuou, arrufou e pigarreou desilusão. Isto admite-se?!: «Não posso negar que [Seguro] me desiludiu, principalmente com a maneira como ele me mandou dizer, por Almeida Santos, que estava magoado comigo por ter salvo alguns dos melhores militantes do PS. Tanto Manuel Alegre como eu evitámos que eles se demitissem antes de Seguro se pronunciar. Mas confesso-lhe que fiquei desiludido com o discurso brando com que anunciou o desacordo e deixou algumas portas abertas para uma nova discussão. Também fiquei desiludido com a entrevista que deu depois a Ana Lourenço, como já disse atrás, em que numa hora falou sobre ele e uma só vez no PS.» Três desilusões. Um só vácuo. E a Liberdade para um líder se afirmar?! E a Liberdade para um gajo brincar ou não brincar o seu jogo, dr. Soares? E a liberdade para sair de um Partido ou ficar na merda de um Partido, dr. Soares?! A Liberdade, caralho! A Liberdade, foda-se!!!! Só conta quem está, dr. Soares. Nem o dr. Soares é eterno, embora se comporte como incontornável. Definitivamente, esta canalhada com idade para ter juízo pensa que ainda está na Primária a trocar recados e a zangar-se no recreio. Quem pensa assim não pode pensar no País. Só na Igreja do Partido. Coisa fanática e cega. Com Salazar também foi assim. O Partido era o Poder e toda a symbólica dele.
O País tem outra agenda. Tem de ter.
sábado, julho 27, 2013
O NÃO-ACORDO DE SALVAÇÃO NACIONAL
Ao ouvir o Primeiro-Ministro, percebe-se desde já que o PS está amarrado ao não-acordo de Salvação Nacional, isto é, o facto de não ter havido acordo formal entre os três partidos convocados pelo Presidente não impediu a obtenção de aproximações em inúmeros pontos. Logo, será com essa base que a decisão governamental se construirá nos próximos dois anos: numa convergência democrática entre PSD-CDS-PP e PS, quer este queira, quer não, quer diga que sim, quer diga que não. Quem disse que era preciso acordo assinado e vinculativo? O que era preciso afinal era uma espécie de abertura à negociação perpétua para satisfação das aspirações da maioria da população portuguesa, paz, pão, povo e liberdade. Para além disso, repare-se no acolhimento feito em Pombal ao PM: bastou ter-se mostrado um baluarte do País, na primeira semana de Julho, para começar a emergir... Espantoso. Apesar dos Pachecos e dos imitadores de Pachecos.
A CILADA
A tomada de posse do Governo Passos Coelho II foi um momento de esfuziante êxtase. Paulo Portas surgiu felicíssimo, confiantíssimo, sorridentíssimo, o que enfatiza um excepcional grau supercola na coligação. Ainda bem. Ele, que era o principal santo para o peditório socialista por ruptura, demissão, divisão na coisa governamental, deixou de poder ser um alvo. Já não há uma brecha para a Oposição explorar obsessionadamente, tirando a vulnerabilidade aparente da inamovível Maria Luís Albuquerque ou o estatuto gagá de Machete, espécie de sumptuário tardio, senecta anedota num ministério esvaziado em forma de sinecura, coisa que lhe não é estranha, depois de uma vida inteira a passear estilo e boa vida.
A pergunta agora é esta: a quem e a quê se agarrará o PS, na sua mó retórica por eleições antecipadas ou por demissões forçadas?! Regressar esse PS ao comunicado demissionário de Portas, ao alarde da sua consciência, ao cansaço do adjectivo irrevogável já está gasto. Mas alguém tem paciência para essa insistência e essa merda?! Por que não se entretém o PS a conferir as suas próprias propostas apresentadas na Távola da Salvação Nacional e que o Governo Passos II engatilhará como passíveis do voto coerente favorável do mesmo PS?! Esqueçam Paulo Portas: sim, dissera que «ficar no Governo seria um acto de dissimulação», mas não é. Não é simplesmente porque o Governo já não é o mesmo. Não é materialmente o mesmo. Não é pessoalmente o mesmo. Não é retoricamente o mesmo.
O segundo ciclo de governação, com Paulo Portas colado à cadeira, será o ciclo do negocialismo crescimentista, da multiplicação dos pães e dos peixes da convergência alargada de esforços: com Portas, o Governo Passos II negociará com um PS ancorado e vinculado ao que ele próprio subscreveu em cortes, medidas de estímulo e de crescimento. Com Portas, o Governo Passos II, além de aproveitar todas as propostas razoáveis apresentadas pelo PS, na semana soteriológica nacional, negociará com todos os agentes sociais e económicos, com empresários, com as forças vivas culturais, sem o bloqueio abrasivo das restrições passadas. É o céu a abrir-se na governação.
Na verdade, não há ninguém mais entalado-obrigado a cooperar como o PS e ninguém mais feliz e livre como um passarinho que Paulo Portas. O PS passará à concordância forçada com este novo ciclo, dissimulando oposição. Dissimulará oposição, mas concordará com a baixa do IRC e com quantas medidas similares teria apresentado, se fosse Governo. Temos, portanto, oficiosamente um Governo de Coligação Alargada, PSD, CDS-PP e PS, sendo que, infelizmente, ninguém do PS tomou posse, mas não poderá dar o dito nas rondas pela salvação nacional por não dito: a cilada do Presidente da República funcionou, amarrou o PS a um compromisso tácito, e, por isso mesmo, o estatuto do PS na arena da Oposição só poderá ser o da dissimulação de discordância e alternativa. Alternativa a quê, se o Governo se prepara para absorver parte da sua agenda?! Para o PS, estar contra será um penoso acto ou efeito de dissimular; fingimento, disfarce; ocultação. Estar contra passará a coito envergonhado sob o íncubo governamental e não importa vir agora auspiciar o estado de morbilidade desta segunda versão: se as coisas começarem a mudar sensivelmente na economia, na doxa, na impressão de desanuviamento emocional das massas, o percurso aparentemente desastroso dos últimos dois anos será esquecido com a maior das facilidades: se duas das minhas irmãs de repente tivessem emprego, nós, cá em casa, esqueceríamos os últimos três anos sem esperança dele-emprego. E se, em vez de merda, passássemos a comer de modo mais variado e nutritivo, também esqueceríamos a merda que andamos a comer e porquê. Esquece-se de tudo, quando temos ou passamos a ter pelo menos mais dinheiro para gastar em carne e outros alimentos de que nos privamos como milhões de famílias empobrecidas, idosos sós, e animais domésticos negligenciados por força das circunstâncias.
Este não será um novo ciclo apenas porque o Governo quer. Será um novo ciclo porque a maior parte do mal que era preciso fazer foi feito. O gasparismo foi um processo de destruição criativa, de terraplanagem possibilitadora de uma variegada reflorestação. Quando o PS vem, raivoso, falar-nos dos 127% de dívida pública, dos 10,6% de défice no primeiro trimestre, dos 4% de recessão acumulada e dos quase 18% de desemprego vem precisamente descrever o perigeu deliberado do gasparismo-troykismo, a partir do qual é, porque só pode ser, sempre a subir. A Fé, meu caríssimo e amado amigo Cardoso, a Fé faz acontecer. Tu hás-de concordar que os dois últimos anos não foram anos de falhanço, de desastre económico e de tragédia social por incompetência e incapacidade, mas por estratégia e movimento deliberado pensado em Berlim-Bruxelas e executado em Lisboa. Sempre que um homem quer, um novo ciclo nasce. O Governo Passos Coelho II dá-nos, finalmente, um negociador que ladra, morde e dá caneladas. Portas.
Os portugueses pressentem que, perante a Troyka, Portas será um leão feroz e uma mãe de família acossada. Com a devida demonstração aos credores, acredito que ninguém senão Portas, transformará o Orçamento para 2014 e o corte de 4.700 milhões de euros num processo humanizado, mais dilatado no tempo, amenizando a austeridade, apesar de mais cortes nas pensões e nos salários a que este Governo, ou qualquer outro, está vinculado, para não falar no acréscimo de despedimentos na função pública, desemprego acrescido. Só mesmo Paulo Portas para enfrentar caninamente a Troyka, para fazer peito e defender os contribuintes e os pensionistas com os argumentos do crescimento incipiente observável e do que só ele saberá e ainda não disse. O tabuleiro de jogo foi virado. Os fracos passaram a fortes. Os fortes, que pedinchavam eleições e apontavam a nudez da governação, vão débeis, com risco gravíssimo de esvaziamento de bandeiras e argumentos. Havia uma cilada presidencial no meio do caminho.
IMPRUDÊNCIA, ABUSO E NEGLIGÊNCIA
«Para lá de eventuais crimes que o Ministério Público estará a investigar (DN, 23-6-2013), que aqui não tratamos, todo este assunto dos swaps tresanda a negligência. Imprudência, abuso e negligência, dos Governos Sócrates; e negligência financeira e política do Governo Passos-Portas. Para lá da eventual responsabilidade penal, a cidadania exigia, neste caso de perdas de cerca de 2,5 mil milhões de euros, a responsabilização política consequente dos envolvidos no abuso e na negligência. Mas, neste azarento Portugal de 2013 tudo se ignora e nada sucede.
Quer a ministra das Finanças recuperar credibilidade política, agora que a trégua política com os socialistas foi quebrada? Comece por publicar o despesismo dos governantes socratinos nos cartões de pagamentos pessoais «IGCP Charge Card» (ou «Cartão de Crédito Unibanco Business IGCP»), que Vítor Gaspar encobriu (por falar nisso, como está o inquérito do DIAP, aberto em março de 2012, sobre as despesas em cartões de crédito e comunicações do governo socratino?); e já agora mande investigar a venda de dívida pública do Estado pelo IGCP (Agéncia de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública) nos tempos do socratismo, cujas pontas há-de conhecer, pois trabalhou lá. Tudo a nu! Quem sabe não passaríamos a ver os soberanos com outros olhos...» ABC
sexta-feira, julho 26, 2013
CONTRA O SWAPISMO SUBVERSIVO
«Durante a vigência deste Governo nenhum contrato ‘swap' foi celebrado, acho que isso é que é importante recordar.» Miguel Poiares Maduro
TOO BIG TO FALL O CARALHO!
Um Banco que instiga a assinatura de mil e uma PPP rodoviárias à vista da desgraça nacional; que perpetra na sombra toda a espécie de merdas lesivas dos interesses de um Povo por décadas e décadas; um Banco que persegue cidadãos, como eu, com penhoras filhas do Diabo, e fica sempre a rir e a ganhar sobre os mais vulneráveis, recebendo em dação o imóvel que lhe é devolvido, leiloando-o em seguida, lucrando com isso, e ainda por cima ficando a mamar por penhora 100 000 euros pelos anos, graças a uma reavaliação manhosa do capital em dívida e do valor estimado do imóvel; um Banco que nem pestaneja na hora de ganhar, portanto, quatro vezes em cima de um só ex-cliente, por ele esmagado e por ele extorquido, um Banco assim merece o pior possível e o pior ainda é pouco. Por exemplo acabar. É bem feito e deveria ser pior. Too big to fall o caralho!
SWAP-GATE
Os detractores da Ministra Albuquerca falam, falam, mas no email de 29 de Junho de 2011, o ex-Director Geral do Tesouro, Pedro Felício, ao abordar o ponto de situação dos Mark-to-Market dos derivados e instrumentos financeiros nas principais empresas do Sector Empresarial do Estado, disse que essa era uma informação que ainda estava em actualização no âmbito do programa da Troyka, e que o grosso dos valores residiria em quatro empresas, quando o que se sabe é que foram contratualizados 145 swap por nove empresas públicas, com valores de perdas potenciais e testes de sensibilidade. Portanto, Albuquerque tem razão ao dizer que a informação que lhe foi passada era omissa e muito por baixo nos números que hoje se dominam. Só em Portugal pode o pirómano apontar o dedo ao bombeiro sem se rir.
OS BLOGUES E A POLÍTICA
Nada mais imediatista e volúvel que os blogues políticos e a linguagem cortante dos blogues políticos. Evidentemente que muitas vezes tais bloggers têm expectativas de carreira política e acalentam uma vaidade descomunal por sentirem que, aqui e ali, da sua escrita e opinião, decorre algum apreço e consideração, flato de alguma influência pública. Não se pode dar demasiado peso ao que se escreva num blogue: um blogue é a manifestação de um tipo de reflexão rápida, quase sempre precipitada, ensaística, incipiente, húmus, afinal, de um outro tipo de pensamento, para quem dele for capaz, esse, sim, mais pesado, mais fundo, num livro ou sob uma função de responsabilidade pública da qual os consensos e o diálogo nunca podem estar arredados. Portanto, perdoem ao Bruno Maçães, coitado. É um puto. Os putos são fodidos. Era era assessor político de Passos Coelho. Escreveu umas coisas. Agora é secretário de estado dos Negócios Estrangeiros. Um dia destes fica desempregado e esquecido. É a vida.
ISTO FAZ LEMBRAR
... os últimos tempos do socratismo. Era uma corrida de velocidade contra o desemprego do pessoal ávido do partido. Espero estar redondamente enganado.
BE E PCP, SEDUZIDOS E ABANDONADOS
É prodigioso observar o fenómeno do passa-culpas no dossiê contratos swap. A Oposição acaba de encontrar um gnu manco na manada governamental. Saltam leoas, hienas e abutres no seu encalço. Pedem sangue e demissão. Pobre Maria Luís Albuquerque! Bem tenta espernear, aparar os golpes, mostrar que não mentiu. Mas nada parará a magna tarefa patriótica dos partidos da Oposição de moralizar o Governo Moribundo, Morto, Inumado, Exumado, etc., coisa a que se prestam, à falta de mais o que fazer. Portugal, que já engoliu elefantes e baleias com licenciados falsificados, com decisores absolutamente criminosos, não pode, ai Jesus, engolir o girino Albuquerque, as imprecisões e graduações da verdade da Ministra das Finanças! Coisa curiosa é a sintonia de propósitos e princípios entre BE, PCP e a Ala Socratista do PS: dir-se-ia que os primeiros estão a ser seduzidos para a grande convergência de Esquerda, materializável em eleições a qualquer momento. Pobres partidos! São como a mulher ingénua e simplória para a foda oportunista e o engano que a descartará sem qualquer sombra de dúvida. Entretanto, com a barafunda, o pó levantado, a vozearia estéril, em torno da tenra Albuquerque, perde-se de vista quem em primeiro lugar contratualizou os swap, quem os autorizou e recrudesceu autorizações, quem, em seis anos de Governo, não fez a ponta de um corno para suspendê-los, renegociá-los ou abortá-los. Não. Pelo contrário, com a bênção tendenciosa dos media nervosos com o estatuto indeterminado da RTP, somos obrigados a determo-nos, com olho exigente, no que em dois anos não foi feito. Isso é que é gravíssimo. Cenas fúteis e cínicas que nem a remodelação do Governo permitiu secundarizar e fazer esquecer. Mordido daqui e dali, o gnu Albuquerque sangra e ainda esperneia. Talvez, na caça dada à Ministra das Finanças, o que está em causa é a caça à política gasparista que subscreve. O horizonte de curto prazo é pasto de enormes e profundas incertezas. Vamo-nos dando conta de que a situação do País não permite tranquilidade nem margem para improvisos.
Há um Governo mantido em funções. Sabe-se, por A mais B, que o maior Partido da oposição eleitoralizou completamente o Processo Negocial de Salvação Nacional promovido pelo Presidente e só saltou fora, sabe deus porquê, um dia depois de ter dado a entender a iminência de um acordo. Agora, empossado o Governo Passos Coelho II, a paz política regressou e todo o zunzum de crise política redundou no silêncio sepulcral da expectativa. Vai-se a ver, e as exéquias do Governo haviam sido manifestamente exageradas tal como as notícias de uma Oposição vicejante, grávida de alternativas para além do aventureirismo mais bacoco. Outra coisa que mudou foi a retórica do Governo. O problema é que e com essa retórica que se contemplam os escombros da economia nacional. A degradação da situação económica e social tornou-se uma evidência, sendo que a receita do Governo fora mesmo essa: destruir para redimir, não cuidando que destruir de mais poderia inviabilizar redimir o mínimo. A saída de cena de Vítor Gaspar parece um símbolo. Sai a face mortífera da moeda do Ajustamento: Gaspar implementou uma via que, sobretudo pelo aumento brutal dos impostos, destruiu emprego, economia, consumo interno, a par de efeitos benéficos inegáveis e até inauditos, na democracia: dos índices de poupança, do equilíbrio na balança comercial, ao desendividamento familiar e empresarial. Mas após a saída de Gaspar, o que sucedeu foi somente política, politiquice e politiqueirice. A economia seguia impávida e serena no seu remanso dorido até que a política governativa, aterrorizada com os números do primeiro trimestre, entrou em fase de pânico e deserção só sustida pelo já célebre: «Não me demito!»., enquanto mercados e bolsas ardiam. Agora voltamos ao ponto de partida. O que fazer para acelerar uma saída sustentada da recessão?! O que fazer perante uma taxa de desemprego cuja gravidade não pode deixar de apavorar?! O défice tanto mostra sinais de controlo como indicia derrapagem: o que se fará por uma execução satisfatória dos orçamentos rectificativos?! A dívida parece gritar por um PIB improvável pelo qual se suspira há décadas, após anos de estagnação e dois ou três de recessão. Quais as políticas novas, europeias, berlinenses, passistas, capazes de inverter esta lógica abissal da economia?! Não será sustentável somar mais um ano a este 3.º consecutivo de recessão; mas também não é esperável nem desejável que o Estado regresse a um tipo de investimento socialista cuja transparência eficácia deixaram imenso a desejar, sendo que, de 2010 a 2013, a queda desse investimento terá sido de 35%; da mesma forma, não se pode ser hipócrita na consideração da dívida pública escamoteando dela os montantes do resgate e a regressão do PIB como explicação para os actuais 125%. Mudança. Fala-se de mudança de política económica. Na Europa. Na Troika. Mas poderão as economias europeias parar de alavancar o sistema bancário do pé para a mão e, logo, parar a austeridade nos Estados, meio para outros fins, mas também esse?! Poderemos ter uma economia no médio prazo que sustente o nível de despesa actual permanente do Estado Português?! Os cortes de €4.700M são, cada vez mais, uma meta na ordem das miragens e não na da concretização, embora o Tratado Orçamental os exija.
Acredito que esse tipo de cortes fasear-se-á ao longo de mais anos. É fatal. Foi o espectro deles que tornou explosiva a situação na coligação e contraproducente a situação política das primeiras três semanas de Julho, em Portugal. Portanto, devidamente negociado, cortes daquela magnitude serão feitos aos bochechos e 2014 não se ressentirá recessivamente deles com um impacto tão brutal. A política europeia, essa seguirá como até aqui.
Tudo o que force na economia ganhos de competitividade, equilíbrio ou vantagem na balança de transações, poupança nas famílias e nos Estados, tudo seguirá e prosseguirá, sob o alto patrocínio e estímulo alemão, como até aqui. A nossa fome não interessa. Bem poderemos continuar a comer merda e a contar os trocos para sobreviver. Nada se fará pelo consumo interno. O consumo interno recuperará por si sem estímulos governamentais, sem a artificialização de um dinamismo qualquer independente do real músculo do sistema económico. Basicamente, não mexer, não inventar, não proceder senão a alterações mínimas fiscais que lentamente levantem os bloqueios que suportamos. A crise política está debelada. Falta vencer a outra, a da moeda e a da economia. As oposições entretêm-se com a ministra gnu Albuquerque, ciosos de uma brecha a explorar, embevecidos por uma aliança zelota BE, PCP, Ala Socratista do PS, em futuras legislativas. Prontos para passes de sedução, coito fogoso e abandono cretino, partido mulher usada e abandonada. O País, esse está alheio. Ainda há bocado, em Gaia, em plena hora de ponta, a cidade parecia uma ruína do far west, desertada de gente, centenas de lugares de estacionamento vazios, ninguém nas ruas: onde param as pessoas? Em que algarves, tunísias, caraíbas, brasis, para onde emigram e desaparecem os meus conterrâneos?! A crise económica e financeira está num impasse, num crescendo de incerteza, estando por estabelecer o grau de cumprimento ou afastamento das metas para este ano. O terror que o País experimentou só à conta dos efeitos de duas demissões e da putativa chicotada psicológica do Presidente, chegou e sobrou para prevenir aventuras futuras do mesmo género. Se há coisa que põe em causa o fim do Programa de Assistência é a instabilidade. Um Governo quieto faz milagres e a aparência de milagres. Bastam-nos as incertezas do desempenho económico, da arrecadação fiscal, das privatizações e cortes que nos garantem necessários, acordados desde a primeira versão do Memorando. Os partidos que se prestam à sedução e ao abandono pela Ala Socratista do PS tem uma Albuquerque peluda entre mãos. Andam entretidos com isso. Têm mais olhos que barriga.
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