domingo, outubro 13, 2013

VAMOS ENFORCAR MUSSOLINI NO ROSSIO

O que vem saindo aos bochechos acerca do Orçamento do Estado para 2014, mediante cirúrgicas fugas de informação, com vista a queimar ora o Primeiro-Ministro Portas ora o Primeiro-Ministro Passos, configura o estado absolutamente infernal em que a duplicidade do Governo português se move: a cooperação da coligação é a da ordem da lei de Talião, olho por olho, mentira por mentira. Se Passos era o saco de todos os apodos, o balde de insultos, escarros e vitupérios é agora dividido com Portas, cada facção apostada em fazer encher o recipiente da outra. O Novo Ciclo de finais de Julho, na sua morbilidade murcha, foi um nado morto. E agora a austeridade regressa em força, coisa outonal-invernosa. Antes das autárquicas, o discurso com o verbo cortar foi cortado para regressar agora com toda a força do choque e do terror porque noveamente em cima de sectores sociais já sobejamente comprimidos, sofridos e batidos. Não é à toa que os triplicemente esmagados funcionários públicos se deixam seduzir pela revolucionarite ou pelas lições velhas da velha ideologia que justamente denuncia estarem os criminosos da banca, após o saque às nações, a salvo, inteiramente a salvo, ao passo que os mais vulneráveis pagam com extremo empobrecimento esses desmandos e colapsos de que não foram, nem por sombras, culpados. 

Afinal, depois da austeridade imposta de 2011-2013, o Governo, sob a vista especiosa da Troyka, não admite senão mais austeridade e compressão social de modo a atingir a austeridade perfeita, modelar, fabricando um exemplo de reajustamento a toda a brida num só País da União Europeia. Cortar nos orçamentos do Estado deveria significar libertação de recursos para a promoção do crescimento, mas é provável que mais este aperto deprima a procura e faça regredir o consumo, logo agora que a rã em cozedura branda nacional aprendera a saltar com duas patas, cortadas as outras duas. Não se vêem os Partidos da Oposição preocupados com a reforma do Estado, capazes de sugestões construtivas para a racionalização dos gastos públicos a fim de que algumas medidas muito dolorosas, mas de efeito mais imediato, fossem evitadas. Assim, a austeridade de 2014 promete introduzir nova entropia na criação de riqueza e no consumo, ainda que 2013 se tenha revelado uma agradável surpresa sob o Enorme Aumento de Impostos. Afinal, não se verificou uma quebra tão generalizada no consumo e essa quebra não imobilizou tanto a economia, conforme se previa. Mas não se verifica que a brutal austeridade de 2013 tenha travado mais pobres na classe média ou tributado com mais eficácia os mais ricos. 

O que vem saindo aos bochechos acerca do Orçamento do Estado para 2014, mediante cirúrgicas e venenosas fugas de informação governamentais com vista a queimar ora o Primeiro-Ministro Portas ora o Primeiro-Ministro Passos, configura o estado absolutamente infernal em que a duplicidade do actual Governo português se move: a cooperação na coligação e a paz no seio dos actuais incumbentes é exercida segundo a lei de Talião, olho por olho, mentira por mentira, e o princípio da vingança servida a ferver e congelada. Se Passos era o saco de todos os apodos e o balde de todos os insultos, escarros e vitupérios, sucedendo a Sócrates como o mais odiado de Portugal, esse ónus é agora dividido com Portas, cada facção apostada em fazer encher o recipiente odioso da outra. O Novo Ciclo de finais de Julho, na sua morbilidade murcha, fora um nado morto. E agora a austeridade regressa em força, síndrome outonal-invernosa. Antes das autárquicas, o discurso avulso governamental com o verbo cortar foi cortado para regressar agora com toda a força do choque e do terror porque novamente em cima de sectores sociais já sobejamente comprimidos, sofridos e batidos. Não é à toa que os triplicemente esmagados funcionários públicos se deixam seduzir pela Revolucionarite Perpétua do PCP ou pelas lições velhas da velha ideologia marxista que justamente denuncia os criminosos da banca impunes e imunes após o saque às nações. É bem verdade que os governos os colocam a salvo de quaisquer retaliações, nos Estados Unidos e na Europa, ao passo que os mais vulneráveis pagam com extremo empobrecimento desmandos e colapsos de que não foram, nem por sombras, culpados. Depois de terem vivido acima das suas possibilidades e tudo ter estourado, a Banca Mundial e o Poder Político Europeu obrigam a maioria dos portugueses, irlandeses e gregos a viver muitas vezes abaixo da sobrevivencialidade. Afinal, depois da austeridade imposta de 2011-2013, o Governo, sob a vista especiosa desta Troyka, não admite senão mais austeridade e compressão social como princípio activo de depuração do Sistema Bancário de modo a atingir a austeridade perfeita, modelar, fabricando um exemplo de reajustamento a toda a brida num só País da União Europeia. Cortar nos orçamentos do Estado deveria significar libertação de recursos para a promoção do crescimento, mas é provável que mais este aperto deprima a procura e faça regredir o consumo, logo agora que a rã em cozedura branda nacional aprendera a saltar com duas patas, cortadas as outras duas. Não se vêem os Partidos da Oposição preocupados com a reforma do Estado, capazes de sugestões construtivas para a racionalização dos gastos públicos a fim de que algumas medidas muito dolorosas, mas de efeito mais imediato, fossem evitadas. Assim, a austeridade de 2014 promete introduzir nova entropia na criação de riqueza e no consumo, ainda que 2013 se tenha revelado uma agradável surpresa sob o Enorme Aumento de Impostos. Afinal, não se verificou uma quebra tão generalizada no consumo e essa quebra não imobilizou tanto a economia, conforme se previa. Mas não se verifica que a brutal austeridade de 2013 tenha travado mais pobres na classe média ou tributado com mais eficácia os mais ricos. É aqui que Passos se torna um símbolo particularmente odioso e passível de concentrar contra si a tal Revolucionarite Histérica nada conveniente aos desígnios herméticos da Troyka e à sua agenda, cuja prioridade absoluta é limitar o risco bancário, robustecer a cadeia financeira, pressionando só por último os regimes de privilégio e de renda dos interesses que subjazem afinal a esta crise. Ora, tomar os pensionistas e funcionários públicos como sacos de toda a pancada do reajustamento português, esmagar os rendimentos com que centenas de milhares contam para fazer face a compromissos que nunca diminuem, necessitaria que outros sectores fizessem a sua parte: se o Governo está a exigir a Lua ao funcionariado público tem de se mostrar exemplar, despojando-se de todos os symbolos e sinais sumptuários que os separam de nós. Um Governo e uma Alta Administração Pública com os mesmos hábitos, os mesmos gastos, a mesma folga insulta o povo de empobrecidos e esmagados que têm sido segregado pelo Ajustamento. Também não se pode ignorar nem deixar sem punição e perseguição os verdadeiros responsáveis pela crise da dívida. Passos ainda não fez nada nem mostrou nada que prove estarem o sistema bancário e os interesses privados que cresceram à sombra do Estado no mesmo plano de sacrifícios e privações que os demais habituais. Os políticos incompetentes e corruptos continuam à solta a comentar nas TV e a dar entrevistas mostrando um escândalo rafeiro com as medidas Troyka-Governo, sendo igualmente pesados responsáveis pela crise da nossa dívida soberana. Passos nunca se pronunciou em nosso nome contra as fortunas escondidas em offshores bem protegidas da tributação, ganhas pessoalmente por poucos à custa do que todos perdemos pessoalmente e em massa. Há limites na não explicação e na não assunção de uma só palavra em nome dos desprotegidos, anunciando cortes generalizados nos rendimentos com uma bitola cega, rendimentos com que uma família se habituou a contar, salvo nos casos de gritante acumulação, sem nada de reequilibrante do lado que nunca perde. As fugas de informação do Governo têm sido como uma frequência em microondas a torrar o cérebro do adversário e a aterrorizar as nossas expectativas. Um corte das pensões de sobrevivência mal explicado bem como o aumento da taxa de audiovisual, sem um valor clarificado, mói e macera a psique colectiva de uma Nação de Pensionistas e Funcionários Públicos no seu Limite. E o que não fará uma Nação de Funcionários Públicos e Pensionistas no seu Limite? Uma loucura qualquer. Conviria que o Dueto Portas-Passos metesse na cabeça e no seu discurso que centenas de milhar de idosos acolhem e tutelam hoje, nas suas casas, filhos, netos e bisnetos. Provavelmente, não serão eles a ir pessoalmente ao Palácio de São Bento linchar o Mussolini insensível e impante de serviço, mas nas palavras vergastadas da rua e na implacabilidade à bruta das redes sociais grassa há muito um apetite por revolução porque o Governo, tal como nenhum no passado, interpreta real e verdadeiramente a vontade do Povo, enganando-o de todas as maneiras concebíveis e aturáveis. Por um lado compreendemos os limites e a dureza da negociação com a Troyka que transformou Portas num gatinho e Pires de Lima num Desaparecido Inerte e Inútil [que saudades de Álvaro Santos Pereira!]. Por outro, os limites da brandura dos portugueses pode desandar em qualquer coisa de horrível, o Horrível Agudo, numa completa e generalizada perda de paciência. Reformados e funcionários públicos, os grandes alvos da grosa empobrecedora da Troyka vêem-se encurralados e poderão ser levados a uma espécie de Shutdown passando à chantagem legítima sobre Troyka e sobre o Governo, podendo eclodir a rebelião ao menor pretexto. As massas exaustas podem ir mais longe e desencafuar Mussolini ao Palácio de São Bento para o linchar, enforcar. Se Passos ou Portas não pensam nisto porque não querem nem podem, os CEO da EDP, da Chine Three Gorges, da PT e outros sectores protegidos e altamente lucrativos deveriam pensar nisto. Não há loucura suficientemente saciada em quem nada tem a perder. Passos Coelho e Paulo Portas deveriam ter esta imagem bem presente, enquanto se entretêm na compita sobre quem fica pior e faz pelo outro ficar pior na fotografia; enquanto se entretêm no jogo «Quem descoordena mais perfeitamente a mensagem política e quem assassina com maior competência qualquer coisa de bom aproveitável neste Governo a bem de Portugal». Já deveria ser tempo para que o Sonso Passos Viperino e o Escorpião Portas Traiçoeiro se deixassem de mariquices e de merdas e viessem explicar por que raio preferem instilar angústia, rebelião e estupor na Sociedade Portuguesa, em vez de acertarem agulhas e mostrarem coragem para nos dar a Verdade, só a Verdade e nada mais que a Verdade.

O TERRORISMO DA INCERTEZA

Ainda alimento a esperança de que o fundamentalista Arménio leve a grande ganadaria minoritária de protestantes para uma avenida habitual de Lisboa, em vez de arriscar chatices e incidentes na Ponte 25 de Abril-Salazar. Se calhar chovem picaretas no dia 19 e lá irão eles, os camaradas, todos molhados, cuecas molhadas, bigode molhado, ventre rotundo molhado a pingar pela ponte, apanhando uma tosse, uma gripe, uma maleita qualquer. Se alguém se constipar, de quem será a culpa? Do Arménio, pá! Quis espingardar contra tudo e contra todos. Agora que se amanhe enquanto chove a cântaros. Se qualquer lugar serve para espingardar, por que motivo tem de ser na Ponte, sujeitos a uma rabanada de vento derruba-camaradas, asa delta à força o camarada gordo agarrado à tarja a pique no Tejo, pá?! A CGTP-PCP continua muito caprichosa e insiste em aterrorizar-nos com a incerteza de uma manif pachorrenta ou incendiada pelas endorfinas eufóricas da travessia Almada-Lisboa. É um escândalo que algumas entidades se acovardem e não digam o óbvio: a marcha é uma criancice tola. E não pode acontecer. Dou-me conta, e digo-o muitas vezes, que não vale a pena procurar com uma lanterna uma só voz autorizada, forte, liderante, digna de respeito em Portugal. É o deserto. Um Primeiro-Ministro fraquinho. Um Presidente fraquinho cheio de medo de ser mal-interpretado e indirectamente conspurcado com as aselhices do amigo Machete, todos os ex-Presidentes irrelevantérrimos, com excepção não-rapace de Eanes, pontificando nesse triste friso III-republicano Zero Soares e Zero Sampaio; uma Oposição indescritivelmente fraca, submissa e incapaz de mobilizar convincentemente um átomo de gente. Mas nem tudo é mau quando, apesar de fraquíssimo, vem o Presidente da Comissão Europeia ousar espetar uma bandarilha no grande costado pastoso da Vaca Sagrada Constitucional. Não é para qualquer um. Foi no 2.° Fórum Empresarial do Algarve, no fim-de-semana passado, em Vilamoura. Estava lá a nata do empresariado esclavagista mal-pagante, e a nata da política nacional, composta, essa nata, pela consabida gente fraquinha na comunicação, na decisão e na mobilização de vontades. Ora, que bandarilha espetou Durão Barroso no grande costado sagrado constitucional? O simples lembrete de que os chumbos do Tribunal Constitucional fodem com o cumprimento do memorando de entendimento assinado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Durão não teve medo e disse que o Estado Português está, todo ele, comprometido com esse Memorando. Disse que não é somente uma obrigação do Governo cumpri-lo: trata-se de uma obrigação de todos os órgãos de soberania, o que inclui os tribunais, o que inclui o TC. Estão a ver? É preciso ser um pouco mais homem, ao menos uma vez na vida, para dizer qualquer coisa absolutamente óbvio e que nos protegeria do terror da incerteza, se houvesse juízo e aggiornamento naquelas cabeças principescas do Ratton. Durão, por uma vez, esteve bem. Portugal dos desempregados, dos pedintes, dos desprezados, relegados, dos mil Camões cagados e cuspidos pela reles mole de formatados em comuna, o Portugal das famílias atascadas, à procura do local onde se sirva sopa quente, esse Portugal está-se a cagar se A ou B empreendem tentativas ilegítimas de pressão sobre o poder judicial independente, sobre o Tribunal Constitucional. O que querem é que os Políticos deixem de engonhar e lhes resolvam os entraves e óbices a uma vida normal, de um País com financiamento normal, com uma vida económica normal, com a clique corrupta colocada em prisão, com um princípio de justiça evidente, com um sócrates, todos os sócrates, caladinhos, sem antena e sem TV para não meterem nojo e não acrescentarem escândalo ao escândalo. Sim, é ao Tribunal Constitucional que cumpre garantir o respeito pela Lei Fundamental da República Portuguesa e fazer prevalecer as suas normas contra actos dos órgãos de soberania que as possam violar, mas se está em causa a própria soberania do Estado Português e a supremacia da nossa ordem jurídica democrática, elas não se aplicam num tempo de excepção, não funcionam com a casa a arder, não fazem sentido com a espada de Dâmocles sobre a nossa grande cabeça de vento colectiva. Uma Constituição sem agilidade, sem adequação à voragem do tempo em que vivemos joga contra o nosso incêndio, ironiza com a nossa urgência. Ora, se não são alguns, raros, altos responsáveis do poder executivo a acender nas consciências o claro estado de excepção em que nos encontramos pela sua natural e necessária intrusão na esfera de autonomia do poder judicial, como é que expelimos a Troyka no prazo fixado? Durão Barroso, que é mais um político fraquinho, mais uma personalidade irrelevante num cargo maior que ele, tem toda a legitimidade e toda a competência para interferir nos assuntos internos de um Estado-membro da União Europeia sob Resgate à conta da Corrupção de Regime que lhe está na base. Pode e deve opinar sobre as relações entre as suas instituições soberanas, no caso de o colapso geral estar dependente do terror exercido pela incerteza do Palácio Ratton. Aplaudo, portanto, a coragem por um dia de Durão Barroso. Pode regressar ao modo anódino habitual. A Comissão Europeia ganha alguma autoridade sobre o Tribunal Constitucional Português, estando o Estado Português miseravelmente no estado em que o deixaram os corruptos. Outro respeito e deferência merece o Tribunal Constitucional alemão e as constituições de todos os estados-membros que não foram atirados à sarjeta pelo seu statu quo corrupto, para a desgraça e a humilhação da pré-falência em que resvalamos. O respeito pelos princípios constitucionais comuns é uma coisa muito bonita quando serve e protege os mais altos desígnios da soberania mantida. Não perdida. Quando a soberania é perdida, todos, incluindo o TC, devem excepcionar as mariquices fiscalistas nefelibatas e obviar à resolução rápida dos nossos problemas de subsistência enquanto Estado. Portugal não é a Hungria. Já sabemos que a Europa está desesperada na grande competição planetária com a barbárie económica de outras potências emergentes, combate que se compagina pouco com os sagrados valores consagrados na nossa Constituição, partilhados por todas as constituições democráticas numa só e mesma cultura europeia. Acontece que a decadência europeia, que é económica e cultural, impõe outra agilidade de reacção. Ou bem que se vê o quadro mais alargado ou não se vê. Para onde iremos com uma Constituição Obsoleta e Reluzente e miséria por todo o lado?! Como é que a nossa prodigiosa Constituição não nos salvou da rapacidade da classe política, do conluio banqueiros-construtoras-políticos, da grande e tóxica omertà maçonaria-magistratura-política?! Essa gente medonha rapou Portugal durante décadas. Há urgência em sair da Merda Nacional. Uma Constituição ranhosa pode esperar. Os socialistas, sociais-democratas membros do complexo empata do Ratton só têm de ser, por uma vez, tão corajosos como, por um dia, foi Durão. Depois podem voltar a ser fraquinhos e anódinos o resto do tempo e ir juntar-se aos milhões de passos-coelhos, tó-zé seguros, jerónimos, que constituem o Povo Português, todos irrelevantes, todos fraquinhos, todos murchos e com medo de sair à rua. Ámen.

MÁRIO, O MAL-COMPORTADO

Simplesmente não gosto, JJC, que Nababos historicamente mal comportados como o Soares autopsiado por Rui Mateus se pronunciem sobre delinquentes num País Fodido. Também por eles. Em casa de fome, o mais natural é que a decência e a lei ganhem uma nova maleabilidade. A do desenrasca. É da natureza humana. O Super-Maçonaria-Man Soares tem demasiadas responsabilidades nisto, tal como Cavavo e outros. Entre Machete e Soares não há a pontinha de uma diferença: são Paxás do Regime, Nababos da puta da “democracia” que tem sido muitíssimo boa mas só para eles. Ou não é esta um raio de uma “ditadura democrática” de quem mais rapou, como ele?!

sábado, outubro 12, 2013

GRIPE NA PONTE

Está tudo a postos para uma marcha como nunca Portugal viu, no próximo dia 19 de Outubro, na monumental ponte 25 Salazar-de-Abril. Na verdade, todos os fascistas como eu, os fascistóides como tu, fachosinhos e faschozões como são todos os que não se revêem na retórica e nos passes de exclusividade do PCP-CGTP, rebolarão de raiva e horror por terem dado força à luta da CGTP-PCP, escrevendo uns posts e tendo uns pronunciamentos malucos. Será, já é, um sucesso. Uma travessia daquelas a pé deve ser coisa para mais de uma hora e meia, porque uma pequena mole de duas mil pessoas leva o seu tempo para sair do ponto A e chegar ao ponto B. Isso coloca um problema sério de corrosão sobre a ponte pelos litros de mijo inevitáveis: uma ponte não é um poste qualquer atrás do qual se faz um chichizinho sem outras consequências. E no que tange a outras descargas-evacuações excretadoras de origem humana?! Quem se responsabilizará pelos detritos largados irresponsavelmente naquele enorme perímetro?! Transportará a Central Sindical latrinas móveis suficientes?! Arménio Espingardante e o conselho de sábios espingardantes não escutam a razão. Diante dos vários pareceres negativos à realização do protesto na Ponte Salazar de Abril, reiteram disponibilidade para dialogar, isto é, para cagar d’alto para o bom senso emitido pelas diversas entidades, colar ao peito e esperar que seque. Empatar o trânsito, arriscar o pêlo à chuva, ao vento e ao relâmpago não interessa nada. O que importa é não alienar o direito legal e constitucional de expressão e manifestação enquanto garantes da defesa dos direitos, liberdades e garantias que a dívida vai tragando. Se essas vozes cheias de testosterona e escândalo e essas manifs cheias de «Demissão!» e «Passos, escuta, és um filho da puta!» resultassem em invenção de dinheiro, prosperidade e vencimentos chorudos para sempre, eu seria o primeiro, todos os dias, a marchar de braço dado com os camaradas. Infelizmente, as marchas não produzem um parafuso, não colhem uma banana, não semeiam um tomate, não montam um iPad. Pelo patético não vamos lá.

sexta-feira, outubro 11, 2013

PARUSIA. TUDO!

CONTAS PARA CATADORES DE FASCISTAS

Eu sei que o Primeiro-Ministro é fraquinho e teimoso. Eu sei. Mas a divindade faz milagres colectivos com os mais incompetentes e incapazes, com os mais covardes e estouvados, menos com os competentes e repletos de si, porque o paradoxo da realização espiritual ocorre na precisa auto-anulação e no fracasso pessoais à luz dos critérios-selva dos humanos, o ápice da realização espiritual dá-se na descida ao âmago de nós mesmos pelo inferno da derrota, pela entrega de si nas mãos do Alto, cônscios da nossa cintilante miséria no plano mais vasto de um Cosmos, provavelmente mais um grão de pó entre os Multiversos, mas em que cada coração é maior que a soma de cada um deles-Cosmos. Só mesmo o pós-morte para premiar e dar sentido absolutos a uma vida nascida e morta no lixo de Manila, nascida e morta nas minas diamantíferas de África, nascida e atolada no pântano da Incúria como é Portugal. Uma vida pessoal ou colectiva fracassada ainda beneficia da larga promessa das Bem-Aventuranças. Alguém tape a boca ao beato que aqui posta e assassine o fascista que há em mim, se há alguém no blogue que lê o blogue, como diria um leitor fora-de-si. Ora, portantos, Passos é fraquinho. O que se evidencia em Passos, evidencia-se muito mais no Povo Português, um Povo que é igualzinho a Passos ou até menos que Passos, naquela acepção espiritual que acabei de expor. Por exemplo, quem matou as expectativas crescimentistas para 2014? Passos! O Povo Português fará o resto. Este era para ser o ano do nosso apuro enquanto Povo tutelado pelo BCE, com uma abóbora na Presidência da República, um pepino como líder do Principal Partido da Oposição, além de uma série de grelos e de nabos na chefia de um sindicalismo instalado e obeso, com bigode e vasto ventre. Portanto, olhe-se para Passos e pense-se em milhões de Passos, milhões de Arménios e milhões de Ferreira Leite, Seguros ou Jerónimos, em sã desharmonia, consumindo produtos estritamente nacionais e procurando soluções inteligentes para fazer face ao empobrecimento galopante da nossa sociedade. Não se pensa? Porquê? Porque todos são fraquinhos, teimosos, medíocres. Nabos. A retoma da economia, graças a Passos e graças ao Esquerdismo Pessimista e graças a todos os lambisgóias da opinião, poderá ser mais um flop, com retracção no consumo das famílias e no investimento privado. Soluções? Nova rebelião murcha em frente ao Parlamento? Claro que não. Crescimento económico, investimento privado massivo contra tudo e contra todos. Passos, como digo, é fraquinho e limitado tal como Seguro, Jerónimo, Semedo, todos nabos, todos grelos. Ainda bem, dirá o BCE. Medidas como o corte nas pensões ou nos salários vão fazer-nos tremer por antecipação até ao dia da sua entrada em vigor, antes de, muito depois, o Tribunal Constitucional voltar a intervir, declarando que há dinheiro para fazer tudo ao contrário do que o Governo e o BCE-Troyka determinaram. País-comédia que faz chorar e rir! Passos, Passos e Passos! Sim, concentremos em Passos todas as queixas que poderíamos distribuir pelo padeiro, a florista e o homem que escarra na rua e leva o cão a cagar no espaço reservado a peões: o homem não sabe ser claro, directo, transparente, sério e verdadeiro, coitado. Muitos portugueses, se pudessem viver de expedientes e chegar à ponta de um Dias Loureiro, não perderia a oportunidade. Passos poderia dizer-nos que 2014 nos aterrorizará, que sentiremos que o pior ainda nem sequer começou, mas prefere aquela conversa redonda e perifrástica, olhos nos olhos, na RTP, enquanto vemos nada ser feito nos crimes graves do passado, nada atalhar as corrupções e roubos descarados aos contribuintes. E Machete, o Pachá-Nababo da Direita, que não há maneira que se vá. Sintomático, não?! Não é a falar genericamente do corte nas pensões de sobrevivência, meus caros profissionais apodadores de fascistas, que contribuiremos para separar o trigo do joio, em Portugal. Chateia-me que a esquerdalhada bem como a manuela-ferreira-leitada não trate esta questão, e outras, por segmentos. Chateia-me que se fale desta medida como violadora da matriz social-democrata, escamoteando um conjunto de dados que configuram Portugal como um Estado muito longe da justa distribuição de sacrifícios. Estamos todos muito incomodados com esta medida, mas as contas do FMI são implacáveis quando anunciam a necessidade de financiamento do Estado em 72,5 mil milhões de euros, para 2014 e 2015: Portugal tem que se financiar em 22,1% do PIB no próximo ano e em 20,5% do PIB em 2015 para amortizar a dívida que vence nesses dois anos e pagar os défices orçamentais: são estas as necessidades de financiamento anuais e é este o volume de dívida bruta. Temos, portanto, um problema sério para cuja debelação todos na vida pública nacional se mostram fraquinhos, teimosos, demagogos e covardes. Com um Passos Coelho à medida de milhões de passos-coelhos e um Arménio ou um Seguro replicados por milhões de seguros e de arménios. Todos muito fraquinhos, muito teimosos, muito aluados. E muito friamente do que precisamos é de crescimento económico e de taxas de juro favoráveis. Nem de marchas. Nem de manifs. Nem de Tribunais Constitucionais a detonar esta urgência de paz com os mercados.

WANNA BE YOUR LOVER

quinta-feira, outubro 10, 2013

DERROTA TÉCNICA, SUCESSO EM SECO

Por imperativos de bom senso e mínimos de segurança, a propalada manif-marcha do próximo dia 19 de Outubro não poderá decorrer na Ponte Salazar-25 de Abril. Não será, mas já é um sucesso. Não acontecerá, mas já é uma vitória. Após pareceres negativos de duas entidades, Conselho de Segurança da Ponte Salazar-25 de Abril e PSP, a manif na Ponte foi interditada. Inconvenientes técnicos ditam o fim da fantasia, da pose em grande, coisa que não se coloca à alternativa, a pista n.º 1 do Aeroporto da Portela, com a anuência de todas as entidades, incluindo o Observatório de Aves em instalações aeroportuárias e os caçadores de gambuzinos. Entretanto, o secretário-geral da CGTP-PCP, Fóssil Espingardante Camarada Arménio, considera virtuais os pareceres negativos do Conselho de Segurança da Ponte e da PSP: não os recebeu nem por carta, telex, telegrama, ou e-mail, nada. Já o ministro da Administração Interna, Paulo Macedo, garante que dois pareceres contrários é muita areia para as pretensões desafiadoras da CGTP-PCP e que os comunicados técnicos negativos já foram devidamente remetidos ao PCP-CGTP, tendo mesmo as câmaras municipais de Lisboa e de Almada manifestado a sua completa incompetência para quaisquer pronunciamentos pela autorização ou não da realização da marcha pontifícia que-era-para-ser. A comunicação social veiculou a novidade mas, segundo Fóssil Camarada Espingardante Arménio, isso não chega. Nada lhe chegou às mãos. Importante é que alternativas existem: a Pista n.º 1 da Portela. O problema deixou de ser rodoviário. Passou a aéreo. Os aviões podem esperar.

FÓSSIL ESPINGARDAR EM MINORIA

Portugal é um País extraordinário que consegue ter um Governo moribundo há dois anos e uma Esquerda Fóssil, Mumificada há quarenta com um manifesto problema de hiperventilação psíquica: exagera nos seus choques e dores de ilharga, está sempre à espera de um pretexto para se zangar e as lentes que usa para a realidade são as do eterno farisaísmo, inflexível, lapidário, aflito por partir para grandes batalhas campais contra moinhos de vento, aparecendo sempre em minoria.

Prefiro ter paciência com um suposto fascismo europrotector prosseguido pelo BCE e pelos Governos de Estados Intervencionados da União que o aplicam, apertando o gasganete aos sectores públicos na Irlanda, Grécia e Portugal, carreando um enorme sofrimento social a essas sociedades. Prefiro aturar essa estratégia. Desconheço qualquer outra. Prefiro suportar a maligna salvação dos bancos europeus e da banca europeia à custa de milhões desses contribuintes, desempregados cada vez mais endémicos, como eu, ou pensionistas vulneráveis como os meus pais, porque sei que um dia esse holocausto reverterá em benefício dos sobreviventes e máximos sacrificados de hoje, ressarcidos os que se viram na iminência de prejuízos volumosos e investimentos comprometidos pela insolvabilidade bancária de 2008, cujas perdas fariam colapsar a confiança mundial hoje muito delicada nos seus equilíbrios. A impaciência, escrevia recorrentemente Kafka, é o pecado capital da Humanidade. Quando lhe cedemos, sobrevém o pior. A Esquerda é impaciente e apressada nos seus juízos. Rasga as vestes, como se a inexorável Senectudocracia Europeia não suscitasse novos roubos reequilibradores do sistema nunca dantes necessários, a par da lenta coragem dos Governos para, em nome dos contribuintes e dos cidadãos prejudicados, atacar a chicha dos sectores protegidos.

O olhar impaciente do esquerdoproletariado sem prole, versão século XXI, anda sempre tolhido, de cenho fechado, triste, zangado, depressivo-esquizofrénico, à procura de pretextos para se irritar. As notícias boas nunca se relevam e as más são pretexto para os raivosos e viciosos abominadores da Direita largarem o seu flato intolerante, tingindo, por exemplo, Portas e Passos com o estigma de sacanas que sacam pensões e sacam salários e sacam impostos e sacam, sacam, sacam em nome do 1% de ricos e abastados. Não seria absolutamente estúpido andar Portas e andar Passos a arranjar lenha para se queimarem, exporem-se a um criticismo e a uma insuportabilidade de rua nunca dantes vistos?! Seria. Talvez se perceba que a situação portuguesa obriga a formas de actuação que se reclamam há anos porque há anos se reclama um reformismo que permita uma base sólida à vida dos Estados. Ainda não vimos os Governos atacarem a chicha dos Regimes, mas esta parece e promete ser a hora da verdade. É bom que seja.

Conviria que os mais acesos entesoados contra este Governo e contra o próximo e assim sucessivamente, dessem o braço a torcer, se as subvenções vitalícias pagas aos políticos tiverem um corte de 15% neste OE de 2014, começo de conversa para o actual Conselho de Ministros agir mais a fundo em nosso nome e menos em nome dos soares, dos machetes, da nata de mercenários que esteve sempre a salvo do que nos estrangula a nós, hoje. Há mais a pedir ao Conselho de Ministros, ao Governo, a Passos e a Portas?! Muito mais. A latrocinante EDP — com chantagem chinesa ou sem chantagem chinesa — necessita de um golpe de coragem e de ser taxada e regulada como se nós é que mandássemos em Portugal e não eles. A RTP carece de um princípio de moralização que não deixe dúvidas a ninguém, parando de absorver 200 milhões de euros/ano dos contribuintes. O mesmo se diga da abusiva corporação de pilotos fora do planeta terra, abissalmente longe da nossa realidade de fome, e que pilotam os aviõezinhos da TAP no seu egoísmo corporativo como se houvesse País para tanta diferença e sociedade para tanta desproporção. O mesmo se faça com chulos e privilegiados de luxo nas restantes empresas públicas endividadas e não salvas pelos swap que sobraram para pagarmos.

O Regime dos soares, dos machetes e dos animais corporativos, dos devoristas, dos receptadores de rendas chorudas porque sim, esse Regime necessita finalmente de um choque nesta hora da verdade: pense-se que as PPP rodoviárias socratistas-salgadistas foram uma ofensa gritante aos portugueses ainda por nascer e aos que estão no ocaso da vida e vêem pensões cortadas; pense-se que o sistema-cogumelo das fundações intocadas e intocáveis poderia começar finalmente a pagar impostos, por exemplo o IMI. Há demasiados deputados na Assembleia da República e demasiados motoristas para um só Primeiro-Ministro, demasiado dinheiro para os partidos. Corte-se aí. Dê-se o exemplo. Não deveria repugnar à maralha ministerial andar nos transportes colectivos e perder os tiques imperiais do popó.

Não se cortam 100 milhões de euros a viúvos e viúvas, ainda que a pretexto da justiça e no intuito de correcção de abusos, para depois meter 200 milhões na RTP ano após ano. Até 15 de Outubro, o Conselho de Ministros deveria surpreender-nos o mais possível, pelo positiva. Passos e Portas deveriam mostrar se só têm colhões para nós ou os têm para os outros, a malta que tem passado por entre os pingos do ácido. Não é bonito nem exemplar nem moralizador que tenham tardado tanto cortes nas subvenções vitalícias pagas aos 400 ex-titulares de cargos políticos, correspondentes a nove milhões de euros orçamentais por ano. Por cada esbulho aos pensionistas, um acto de moralização do Sistema.

O que é cansativo na Esquerda das manifs e das marchas, é que se tenha por detentora única e unívoca do património da sensibilidade, accionista maioritária da justiça e da irmandade dos Povos, única autorizada a insultar detentores de cargos públicos, única sob tolerância intelectual quando simplifica argumentos e a única pensar por e a tutelar milhões de bimbos que ignoram marchas e manifs e vão trabalhar efectivamente a fim de sobreviver, acatando a escravidão que o Global tece. E agora vêm com o luminoso fetiche da Ponte Salazar-Abril para espingardar, exercício inconsequente de quem não se atreve a esmurrar silenciosamente o inimigo, ingressando na indústria do tomate, aventurando-se na nova ruralidade, procurando actividades inovadoras, fazendo pela vida, emigrando, imigrando, comprando, vendendo, procurando alavancar o País e deixar na casota canina a raiva que nasce nos dentes. Nunca se tem visto e ouvido nas Esquerdas em Portugal qualquer coisa como «Ok, vou à procura de fazer alguma coisa por um País exangue.» Não. Tudo é Governo, pelo Governo e para o Governo. Não há, nunca haverá, mais vida para além da marcação em cima a um Governo.

quarta-feira, outubro 09, 2013

GARRAFAS DE ÁGUA FASTIO

A melhor água da Política é a Água Fastio! Beba Fastio
e toque em frente!

ARMÉNIO, O ESPINGARDADOR RADICAL

A hora oportunista da CGTP, isto é, do PCP é a da radicalização, seja na ponte Salazar-25 de Abril, seja em outro local qualquer. Radicalizar o risco. Erigir o patético. Criar espectáculo. Imitar a escala brasileira do protesto e talvez o descontrolo. Eis tudo. E porquê esta sanha nova do PCP-CGTP pelo patético e a pantomina nas manifestações rotineiras de Outubro-Novembro-Dezembro? O que é possível mudar nas Políticas Europeias do Governo em Funções sem o poder de ruptura de uma invasão extraterrestre, sem a força transformadora de um assassínio político, sem o virar de tabuleiros de uma guerra continental?! Nada. Porém as coisas correram muito bem ao PCP nas autárquicas. Portanto, a manif rotineira de 19 de Outubro quererá subir de tom, confrontar as polícias, engendrar vitimas involuntárias, levar o protesto minoritário ao patético e ao truque da maioria minúscula que tornou célebre o desvanecente Bloco. Em suma, Arménio passou-se e aí vai ele, de peito feito, na sua fantasia vã e caprichoso aventureirismo. A Ponte é um Symbolo. Foi na Ponte e graças à Ponte que o último Governo Cavaco tombou fragorosamente graças a um erro do animal ávido-BPN Dias Loureiro. Portanto, nada mais auspicioso que o PCP regressar à Ponte em nome das massas populares, dos trabalhadores contra as Políticas de Direita. Muito ingénuo andará o Ministério da Administração Interna se olhar carneirescamente para os desígnios radicais da CGTP-PCP e anuir-lhes ao intento, apesar das falinhas mansas e das boas intenções que homologam esta marcha politica à maratona desportiva. Qual será a decisão final? Logo ali, no terreno aflitivo da travessia, é muita entidade ao barulho, Lusoponte, Refer, Estradas de Portugal, Protecção Civil, Gabinete de Coordenação e Segurança Nacional e Instituto da Mobilidade Terrestre. Mas o PCP-CGTP quer marchar, ver o mar, ver o rio, quer mudar de praça, de avenida e de ares. Arménio Carlos está a milhas do bom-senso e da sabedoria de Carvalho da Silva: falta-lhe um sentido de totalidade e um módico de compaixão, para não falar na subestimação da maioria dos portugueses. Muito bom a espingardar talvez ainda melhor a espantar a caça, Arménio não percebe o lastro de desconfiança que a esmagadora maioria dos portuguese alimenta em relação aos radicais de Esquerda [não os temos de Direita, graças a Deus, como os têm os Gregos] e como é implacável a puni-los. O Bloco de Esquerda já pagou parte do preço eleitoral da sua completa inutilidade, nas últimas autárquicas: dizer mal, insultar muito, e apresentar o abismo como saída, dá merda, Arménio. Põe os olhos nisto: as eleições passadas são uma coisa muito volúvel e passível de reversão violenta no futuro, Arménio. Uma marcha com veneno na língua e o diabo no corpo pode correr mal. Uma manifestação é um acto passional. Nada tem a ver com eventos desportivos. Numa manifestação, as massas enraivecidas e acossadas pelas palavras de ordem robóticas e simplistas podem ver resvalar a chinela disciplinada do Partido para a loucura dos que se sugestionam com o desespero. Numa Meia Maratona a mole limita-se a correr. Numa manifestação, tudo pode acontecer. São dois quilómetros sobre o rio Tejo, as vozes vão enrouquecer a gritar «Demissão», a insultar Passos, a Troyka, e a incensar o Diabo. Pode chover. Pode ventar. Uma rabanada de vento pode arremessar o pesado camarado com bigode e barriga para o fundo do rio, segurando a bandeira vermelha ou a faixa asa delta. Da Praça da Portagem a Alcântara, a paisagem convida à paz e à concórdia entre Esquerdóides Fanáticos e a Direita Rançosa, uma orgia colectiva como no ápice de O Perfume, e não estou a imaginar o que se ganharia em cortar, por um dia, o principal acesso rodoviário da Margem Sul à capital. Mais a mais, uma tal marcha pavoneante da CGTP-PCP custar-nos-ia os olhos da cara em despesas correlatas a lembrar uma swap politiqueira qualquer: por que teríamos de pagar brigadas anti-terrorismo, segurança marítima e terrestre nos acessos e ao longo de toda a ponte, portanto, milhares de euros só numa putativa operação de segurança, com pagamentos adicionais aos agentes da PSP, GNR? Aos kapos do PCP paga o PCP. Tem a CGTP-PCP recursos para cortar os acessos rodoviários ao tabuleiro, definir alternativas, manter um corredor de segurança para casos de emergência e garantir que ninguém tenta aceder ao tabuleiro inferior ferroviário?! Pode o PCP-CGTP garantir que ninguém tenta atirar-se da ponte a fim de chocar a opinião pública e obter um impacto patético-político ainda maior?! Os riscos são demasiado pesados, Arménio. A CGTP-PCP quer brincar com o fogo, pois esta manifestação jamais seria como qualquer outra. Tecnicamente, uma manifestação desta é muita areia para a camioneta política do Partido Comunista Português e o seu biombo sindical, tal como as greves da Metro de Lisboa são um golpe demasiado baixo a coarctar a liberdade de circulação de quem pagou os passes. O PCP-CGTP vive na fantasia. Quer sangue. Quer impressionar o burguês. Quer adrenalina. Procura emoções fortes. E deu-lhe para as pontes. Mas um dia, quando passar o tempo dos machetes, dos soares, dos cavacos, dos loureiro, dos sócrates, dos grandes dinossauros rapaces do Regime, das grandes lógicas devoristas EDP, de todos os egoístas e reles que Portugal pariu, gente que dita a minha miséria-Camões e a de milhares, poderemos usar as pontes para passeios de Paz e fazer amor nas pontes e ver a natureza das pontes. Um dia. Dia sem Arménio, o Espingardador Radical.

terça-feira, outubro 08, 2013

PARA ATRAVESSAR 2014 COM PASSOS

Deixem Pedro Passos Coelho em paz e esperem dele coragem para enfrentar os interesses mesquinhos da EDP e de outras mordomias de Regime, Estado Matrioska grátis dentro do Estado que pagamos. Vão insultar outros e outras, de preferência estrangeiros ou ninguém, o que seria ainda mais são. Sejam patriotas. Não sejam malignos. Evitem o maniqueísmo ideológico e passem a ver pessoas, dilemas, desafios, complexidades lá, onde vêm maldades, ladrões, bandidos e coisa similares. Alarguem o campo de visão aos constrangimentos reais do País. Se os outros são sempre maus, incorreremos permanentemente no erro da nossa iliteracia de carácter. Reconheçam os rapaces. Reconheçam os que se imolam e enfrentam todas as incompreensões na tentativa de salvar Portugal, bem maior. Ignorem o que o Governo pretenda ou não fazer, em obediência à Troyka, no sentido de a tais medidas não dar o pior sentido nem esperar o pior efeito possível engravidando as psiques e as vontades nacionais com o vírus do Medo. Não aterrorizem ninguém nem se deixem aterrorizar por ninguém. Fujam da lamechice de Seguro, da choraminguice comiserativa de Seguro a cada corte, a cada medida dura, fujam da demagogia bonzinha e reversora de Seguro e notem o nascimento de um António Costa de Estado, muito mais ponderado e com mais calado que Seguro, repleto de bom-senso e ciente da necessidade de pactos de Regime e da não demonização do adversário político, dou o braço a torcer à mais-valia pelo menos retórica deste Costa. Relativamente a 2014, as nossas expectativas têm de ser as melhores possíveis e a nossa esperança de um ano normal e feliz deve brilhar acima de todas as desesperanças de desastre e depressão colectivas que os cangalheiros do BE e do PCP e os ranhosos socratesianos queiram cavalgar. Austeridade representa poupança. Poupem. Austeridade representa ponderação máxima na hora do consumo de cada um. Ponderem. 2014 será o ano económico e pessoal que quisermos que seja, apesar do que contenha o OE para 2014, dados os compromissos compressivos que implica para com os credores internacionais de Portugal. Deixem que o País se torne justo e salubre, deixem que os salários no sector público sejam ajustados às possibilidades de um Estado em dificuldades, coisa dura, eu sei; permitam que se faça a convergência das pensões segundo as lógicas da necessidade em que vivemos e achem bem que se moralizem entorses e injustiças lá, no âmago mesmo do sistema de pensões. Matem falsas ideias, boatos, distorções, e incitem os demais portugueses a fazer o máximo por Portugal e o máximo por si mesmos. Vão trabalhar, aselhas da opinião, instiladores do pânico! Deixem a CGTP, os raivosos, os cuspilhantes, os desinformados, a espingardar sozinhos, burros no meio da ponte. Objectivo prioritário e único, colocar a Troyka para fora de Portugal. Se não queriam sofrer as consequências de uma pré-Bancarrota, não permitissem as liberalidades soaristas e regimentalistas de um Estado maçónico, corrupto e injusto, a partir desde 1974, com benesses para alguns e a factura para quase todos. E a factura é hoje.

sexta-feira, outubro 04, 2013

UFANO CAVACO, DEPRESSIVOS PORTUGUESES

Cavaco e quase todas as forças políticas e largas franjas da sociedade portuguesa fizeram tudo para conduzir o Governo de Sócrates à tardia evacuação, usando como argumentos a dívida, a descredibilização externa, o despesismo, a situação real e iminente de pré-colapso, de bancarrota, enfim. Já não havia PEC que nos valesse. Hoje, se somos masoquistas segundo Cavaco é porque há portugueses que não reconhecem como virtuosos o crescimento económico, a baixa do desemprego, o aumento das exportações, as avaliações positivas da Troyka e mesmo agora a baixa das taxas de juros em todos os prazos, nada. Efectivamente, há um enorme e doloroso esforço para sair do atoleiro legado pelo socialismo gastador irresponsável, mas há quem insista em dizer que não há nada de bom no presente e no horizonte. Uma luz. Uma esperança. É preciso que sejamos mais ufanos e orgulhosos do fizemos até aqui. Não quero dar como vão o meu desemprego e as minhas dificuldades de sobrevivência. Recuso-me.

PSD, PURGAS E CAÇA ÀS BRUXAS



Sou formal e explicitamente contra a qualquer espécie de punição sobre militantes que não foram seguidistas quanto às escolhas para estas Autárquicas 2013. Rui Rio pode ter muitos defeitos, inclusive a falta de agilidade e visão integrada para potenciar os milhões de turistas que a Ryanair deposita no Porto, mês após mês, mas jamais deverá ser sancionado, irradiado, punido pelas posições que assumiu. Nem ele, nem Pacheco Pereira, nem Capucho, nem ninguém. Ninguém de valor, no PSD, se é que o PSD merece regenerar-se, aprender e progredir, pode ser punido apenas por conceber um PSD diferente deste apascentado por Passos, por discordar frontalmente desta liderança e criticá-la, pondo em causa o chamado PSD Sistémico. Criticar é ajudar. Dou graças a Deus pelos que me criticam, mesmo quando se apressam nos seus julgamentos aos meus posts. Com isso, tal como com a indiferença, só me impulsionam para diante. Pessoalmente, nem sempre gosto de Pacheco, nem sempre suporto Rio, mas estou muito longe de deixar de reconhecer a um e a outro, por exemplo, qualidades úteis ao PSD, necessárias ao País, bem como ideias incómodas sempre urgentes ao debate de ideias. Há muitos caminhos para se alcançar um País mais arejado de vícios políticos e mais regenerado de hábitos caducos. Goste-se ou não, quer Rio, quer Pacheco têm ajudado a essa missa. Já de Capucho tenho dificuldade em vislumbrar algo mais fecundo que um mero ressabiamento prebendista, ou não tivesse falhado clamorosamente o seu tirocínio à presidência do Parlamento. Ele e o Criador lá saberão.

quinta-feira, outubro 03, 2013

PÁSCOA DOCENTE

O nosso sofrimento é duro. O modo como nos dois últimos anos o Sistema Cratoniano comprimiu as condições na sala de aula e inventou desemprego docente em larga escala ficará nos anais do maquiavelismo moderno, em estados particularmente falidos. Em todo o caso, o Estado Português tem de sobreviver e seguir adiante, der por onde der. Por isso atira borda fora lastro, víveres, alma, cérebros, doentes e especiais. A Barca Nacional navega à bolina e é uma casca de noz perante a procela da dívida. Não há muito a fazer senão cada qual inventar um caminho nunca dantes percorrido, ter uma bóia e agarrar-se a ela. Hoje, os desempregados do Ensino amargamente pedem meças ao impotente Ministério. Amanhã cotizar-se-ão para um bilhete dos One Direction e procurarão esquecer esta sina triste de ser utilizados e deitados ao lixo, sobretudo professores que escrevem de mais em blogues e não poupam aselhas sejam eles do PS, do PSD, do CDS-PP, do BE ou do PCP. Ser franco-atirador da palavra vale a pena. É pena esta fome, este desperdício humano, esta sensação de não-pertença, de não-inscrição. É no que dá ter-se governado com os pés. É no que dá aceitar a corrupção enraizada e transversal no Regime dos soares e dos cavacos, dos sócrates e dos passos.

O NOSSO PARTIDO É O POTRO PÓNEI

Corre a ideia de que, no Porto, as eleições foram ganhas e perdidas no Facebook e que é no Facebook que a cidade do Porto se pensa, se agita e se move, sendo o seu centro nevrálgico e a sede da sua massa crítica os passeantes pela Avenida Brasil. É bem possível. Alguns dias antes do voto, dei-me ao trabalho de ir comparando a quantidade de gostos por post entre a Página Oficial de Campanha de Rui Moreira e a de Menezes. Foi aí que as evidências me perturbaram a convicção quanto ao sucesso certo do meu candidato, um político assertivo, ágil, um decisor com visão de futuro, experiente, forte. Embora com menos posts, menos fotos, menos ideias, menos um pouco de tudo, cada post rui-moreiraniano tinha para cima de duzentos gostos, ao passo que a página de Menezes averbava em média, por cada post, cem ou menos. Valia o que valia. Como nunca me satisfaço factos consumados e verdades de cristal, percorri ontem uma das zonas portuenses que varremos em arruada, a Boavista, para colocar uma questão simples às mesmíssimas pessoas que havíamos cumprimentado e que nos haviam retribuído um sorriso de confiança bem como a promessa subliminar do voto: «Por que acha que o Dr. Menezes não ganhou?» As respostas foram surpreendentes vindas de gente laboriosa pouco interessada em política e muito menos dada a facebooks: donos de restaurantes, frutarias, peixarias, cafés, gente da loja da esquina, professoras reformadas, gente da rua, na rua, gente suficiente para me dar uma explicação consistente para a minha derrota, a nossa derrota. Ei-los no que, grosso modo, me disseram: «Eu gosto muito do Dr. Menezes, mas não votei nele porque nunca explicou como seriam pagas as dívidas deixadas em Gaia; o Dr. Menezes nunca teria recursos para cumprir o que prometia; com a situação do País é pouco plausível que o Dr. Menezes cumprisse o que prometia; o Dr. Menezes é muito bom político e fez imenso por Gaia, mas tive medo de que deixasse o Porto igualmente endividado.» O medo, a prudência são características sócio-culturais de uma faixa etária experimentada pelos anos e que, sabemos, predomina na cidade. O medo. Há endividamento e endividamento. Nunca foi possível ao Dr. Menezes, pelas TV, defender aguerridamente a obra de que se deve orgulhar em Gaia, demonstrando que o endividamento de Gaia não foi um qualquer, mas um endividamento virtuoso, que aplanou o caminho aos negócios, ao turismo, à qualidade do lazer e oportunidades para ele. Se é o povo que vota e o povo é mais que a soma de príncipes e princesas que formigam pela Foz, não há dúvida que a Campanha Porto Forte não foi eficaz na mensagem deixada, especialmente nos últimos dias, os mais determinantes e em que as diferenças devem ficar vincadas. Agora, o ilustre Rui Moreira, milhares de sessões de charme no ancestralmente seu Salão Árabe depois, torna-se presidente de câmara do Porto e um Farol Federador, ou não, da Área Metropolitana do Porto. Ora, a cadeira em que se senta, ou a liteira onde o levitam, é, na verdade, o Facebook. Pelo Facebook vive ou morre o líder. Depois de 29 de Setembro, fique para memória futura, nada será como dantes para o Porto porque afinal, no Porto, tudo se jogava nas redes sociais, na sua força de persuasão e expansão. Nada traduz uma doxa que a Rede. Foi no Facebook que os meninos e meninas da Foz fizeram alastrar a continuidade contentinha e sossegadinha de piloto de automóveis Rui Rio, tudo bem incubado n’O meu Partido é o Porto, uma forma de vida política independente, sem porco assado nem doses pimba, embora suportada por um PSD clandestino e por um CDS-PS reclama-patentes. Rui Moreira pode ser um príncipe, um homem bom, ético, com ideias e capacidade de as traduzir em decisões, mas não tem, salvo melhor opinião, músculo político testado e tarimbado e não será propriamente capaz de atrito criativo com as lógicas apropriacionistas de capital da Capital. Se ele representa uma ruptura com os Partidos, os Partidos, enfraquecidos e deslegitimados pela massiva abstenção, poderão romper com ele, isolá-lo na impotência e no gelo, e governará fraco e encolhido com as suas boas contas sem Norte. Se nenhuma sinergia for gerada seja para o que for, bem pode Aldoar-Foz-Nevogilde limpar as mãos à parede, tal como os abstencionistas. Cada vez se vota menos no Porto e cada vez o voto é mais idoso ao ponto de se poder dizer que foi uma minoria maioritária que entronizou Moreira. A esmagadora maioria dos portuenses não votou em porra nenhuma. O partido dessa esmagadora maioria não deve ser, não pode ser!, o Porto. Talvez seja o potro, o potro pónei de coisa nenhuma, partido do haxixe, do tabaco elementar, algum café, muita cerveja e, sobretudo, siga.

quarta-feira, outubro 02, 2013

OI E PT FUNDEM-SE, NASCE A CorpCo

Ficheiro:Afrika Korps emblem.svg
Alegrem-se. Isto, a fusão PT-OI, é simplesmente mais um episódio de transumância e miscigenação do dinheiro luso-brasileiro bem debaixo do nosso nariz. Miscigenação e encontro de culturas é o nosso nome do meio, tal como gerir bem um dos nomes do meio de Bava.

A PT tem sucesso. O que Bava faz, faz bem, conluios políticos à parte. Os outros, a concorrência, internacional ou interna brasileira, que se cuidem. Vem aí uma abada tecnológica, um marketing arrasador e preços demolidores para a concorrência, a qual se vence ao cêntimo com o gigantesco argumento da qualidade do serviço.

Diga-se de passagem que "CorpCo" lembra demasiado o Deutsches Afrikakorps ou Afrika Korps. Ainda bem que a designação é transitória.

ABSTENÇÃO, GÉMEOS SEMEDO E PASSOS

Há uma cómica homologia entre Passos Coelho e João Semedo do BE e quem diz Semedo, diz Catarina. Homologia não só na escala da derrota autárquica, os extremos tocam-se, mas no preço político da inexpressividade e do negativismo de uma liderança ainda que numa liderança a meias. Nada mais fatal em termos políticos. Numa análise superficial ao discurso de ambos ou deste tríptico-de-pele-e-osso, a mensagem que predomina é negativa, derrotista, formalista, passa desapontamento e não carreia esperança, não tem capacidade para insuflar ânimo. Entre ele-Passos e um cangalheiro não há diferença: a face é funérea por defeito profissional. Passos quer desempregar em larga escala no Estado. É uma necessidade. Semedo celebra ou fantasia as derrotas relativas da Direita, insulta e rebaixa a Direita, mas não tem nada de seu a celebrar, nenhuma vitória aporta à Esquerda, nenhuma esperança tem a dar, senão a secura do fim do mundo e o desalento chova ou faça sol. Do outro lado da barricada retórica negativa e depressiva comum à bina Passos / Semedo-Catarina, não temos no Lágrima Seguro ou no Testosterona Costa, pelo contrário, os portadores da esperança, da confiança e da alegria, mas os simuladores de alternativas, os porta-estandartes do Favor Político e da Empregabilidade Política, conforme os velhos genes socialistas. Os socialistas têm um especial instinto de emprego com eles, só que um emprego à pala do Estado, um emprego favoritista, um emprego pela multiplicação de cargos, de tretas, da grande teta da cultura ao grande chupismo solene dos que se aproximam do grande mamilo de Esquerda que os socialistas maquilham de túrgido, mas anda sempre ressequido, pago pelo resto da maralha nacional com sangue, suor e lágrimas: com Testosterona Costa, Lisboa corre o risco de se tornar, isto é, de continuar ou ampliar um oásis para este tipo de liberalidade só para amigos na mesma proporção com que o Príncipe Independente Moreira CDS-PP, no Porto, sentado na sua liteira aristocrática de ouro, paralisará o Porto nas boas contas, petrificará o Porto na gestão corrente, ele que não deu às turbas porcos assados nem gajas roliças pimba a dançar e a cantar para ser eleito nem dará manuais escolares grátis do 1.º ciclo a todos os pais da cidade, folgados ou apertados. Isto traz-me à ideia a conclusão pela letal letargia e imbecilidade corrupta de uma parte dos portugueses que vota. Está na hora de responsabilizar os portugueses que votam ou não votam pela qualidade de merda dos seus votos. Perante a emergência nacional em que nos encontramos, nos mais variados âmbitos, os portugueses não comparecem em massa para votar. Enterram a cabeça na areia. Alheiam-se. A intervenção externa produziu e vai continuar a produzir um vasto oceano de excluídos. Na hora sagrada do voto, cada vez menos de nós se atrevem ou exercê-lo ou a passar para lá da barreira do voto nulo ou branco, como se o exercício do voto expresso não contivesse uma mensagem construtiva, algo que o voto branco não possui nem o voto nulo nem a abstenção. Como um tumor, este fenómeno de alheamento cívico alastra e compromete a legitimidade dos eleitos, eleitos por muito menos de 50% de eleitores. Compromete a saúde do Regime: abaixo de 50% de votantes a exercer o seu direito, o que esses mais de 50% estão a declarar é guerra ou a nulidade mesma do Regime. Se cada eleição continuar a ser um plebiscito de garantida rejeição ao Regime, quando forem 30% de votantes a escolher pela vez de 70% abstinentes desse direito, quanto faltará para só votarem os militantes, só votarem os membros e a cúpula dos partidos e mais ninguém, Governo minorca gerado pelas minorias e servo das minorias dos que nele votaram?! Nestas autárquicas, dentro dos totais absolutos nacionais, somando os que não votaram, os que votaram em branco e os que votaram nulo, o resultado é uma abstenção de 55 %. A abstenção revela a vergonha da acção política em Portugal, revela a desmobilização cívica em Portugal e a mais crassa falta de esclarecimento em Portugal. Não foram os partidos políticos que acobertaram a nata da inoperância e da corrupção. São os próprios portugueses, no seu todo, que se tornaram cínicos e o seu cinismo cívico constitui o primeiro sinal e a primeira manifestação de corrupção à partida: não há maior forma de corrupção que a recusa em mudar, em punir, em censurar, em exigir, subjacentes ao voto expresso. Ninguém nos condena. Nós encarregamo-nos de nos condenar. Pela negativa, como Passos. Pela desesperança, como Semedo-Catarina.

MEGAFALÊNCIAS LOW PROFILE NA AMÉRICA

Em menos de uma década, eis as mais admiráveis falências made in North-America, num total em perdas de 1,285 mil milhões de dólares. A dívida é um lastro e um veneno, tal como a ganância e o consumo inveterado:

1. Lehman Brothers, em 2008, com perdas de 691 mil milhões de dólares;
2. Washington Mutual, com perdas de 328 mil milhões;
3. WorldCom, 104 mil milhões;
4. General Motors, 91 mil milhões;
5. Banco das PME, CIT, 71 mil milhões de dólares.

THEY ARE NOT PORTUGAL

Depois de Detroit, a Sra. Falência bate à porta de Cleveland, Memphis, New Orleans, St Louis, e Oakland. Castelo de cartas ou dominó, há um vendaval de dívida impagável que poderá abater-se, mais minuto menos minuto, sobre os Estados Unidos. They are not Portugal... Há uma grande guerra Austeridade / Espansionismo da Dívida, no Congresso Americano, entre Republicanos e Democratas, sendo que a recusa de cortes pelos Democratas e o crescimento exponencial da dívida pública poderá conduzir aquele colosso ao abismo planetário do qual ninguém sairá ileso. Nós, portugueses, já levamos dois anos de austeridade, mas em face do tsunami mundial que se prefigura, parecerá pouco, quase nada. Talvez nem a Europa, com toda uma estratégia completamente diferente, de contenção e disciplina orçamentais, tenha condições para resistir completamente aos efeitos de uma mega-hiper-falência dos Estados Unidos, aos bochechos, mas falência. Cidade a cidade, mas falência. Se não tiver, muito menos outras economias.  

terça-feira, outubro 01, 2013

AO TRIUNFAL BONZO BUDA COSTA


Passou a pastilha democrática das eleições autárquicas, com as suas ilusões e as suas esperanças. Não houve uma imensa participação cívica. Houve a mesma participação cívica baixa, ainda para menos, uma humilhante abstenção, entre emigrados, mortos e alheados: percebe-se que se há óleo lubrificador dos sufrágios ele escorre somente na engrenagem passional dos clubes-partidos da política, do seu velho ping-pong, e percebe-se que somente um refugo de dependentes e familiares das migalhas políticas se movimenta, espessa minoria que vota neles. Mesmo os falsos e semi-falsos independentes, amuados ou dissidentes do Partido que os preteriu.

Indiferente à História Recente, o Povo, mais quinhentos mil que no PSD, votou no PS. Votar PS é votar com a mesma inteligência e sentido de acerto com que Roberto, ex-guarda-redes do Sport Lisboa e Benfica, defendia a gloriosa baliza pífia aquilina. Lisboa, enfim, sorvedouro ímpar e supremo a todos os títulos, votou massivamente no Bonzo Buda Costa, alguém que anda a excitar a necessidade de excitação de todas as Esquerdas e a fazer sombra a Seguro: pela mesma razão por que se votou no Bonzo Costa não se podia votar no Bode Expiatório Menezes. É só fazer as contas.

Como um Clérigo do Partido Socialista, todos pudemos ver, triunfal, o Bonzo Buda Costa a abençoar os Eternos Parasitas da Capital, todo aquele Friso "Cultural de Repetidos Batidos" babando, que o aplaudia com lágrima de Esquerda ao canto do olho, especialmente Helena Roseta que sempre precisou de Homem, na Política: primeiro Sá Carneiro, depois Soares... e agora Costa, o Grande Bonzo Buda de todas as Esquerdas. A Capital é de Esquerda. A Capital, como aquele umbigo em forma de vórtice a pedir terramoto, não se enxerga. A Capital não vê um boi à frente dos olhos e menos ainda a grande paisagem desolada nacional. Na Capital, ou se mama directamente do Estado Socialista, quando ele existe em directo com o PS, ou se mama em diferido do mesmo Estado Socialista, com o PSD, ou se mama por interposto plano local na mega-despesista autarquia olissiponense, quando o socialismo prevalece. 

Há no Bonzo Buda Costa um vácuo menos vácuo que em Seguro e uma voz grossa mais grossa e mais convincente que a do Tó Zé. Costa tem ainda, como argumento, uma pele em tom bronze liberdade. A política participativa mediante o voto, no seu velho flato amnésico, soltou-se. A Capital votou mono. 

O Porto elegeu um Príncipe Suave e a sua liteira. Lisboa quis confirmar o Super-Bonzo Socialista, pai dos pobres e esperança dos aflitos. Passaram as arruadas. Voltou Portugal espezinhado pela Troyka. Todos aguardamos por más notícias, melhor que péssimas. O Estado está sob estresse, mas não a Lisboa de Costa. Há incerteza no ar quanto ao desenlace desta dupla avaliação troykista, mas a Lisboa do Bonzo Buda vai bem e ficará ainda melhor, não temais. 

Separados à nascença, na sua negatividade desesperançadora, se Semedo se atirou a toda a casta de desculpas pela sua estrondosa derrota, pelo seu gritante Zero Hilariante em todos os planos, Passos, fica claro, também gosta de apanhar. Apanha na medida em que recusou hostilizar e estigmatizar o PS, o qual, ao invés, fez e faz uma campanha-hiena sem quartel e sem descanso para demonizar e menoscabar a jangada governamental desde o início. Pois eu digo: observando o desfecho destas eleições, dá vontade de, agora sim, de atirar o País para legislativas antecipadas, italianizar isto. Passos, que não se sabe defender nem defender o Partido nem defender o Governo e a sua brutal herança, deveria demitir-se. Toda a fauna socialista e bem-pensante conspira contra si-Passos. Fosse ele outro, entregava o Poder à gloriosa omnipotência mundividente do dr. Seguro e ao clero sem cloro do grande friso do Regime, avistado na aclamação messiânica a Costa, o Bonzo Buda: Soares, Alegre, Almeida Santos, todos. Sair de cena e entregar a casa roubada sem trancas à porta pelos Socialistas aos mesmos Socialistas, sempre com a caramunha, seria qualquer coisa de impacto mundial, tal como deixar o Escorpião Portas a falar sozinho. «Criaram toda a espécie de problemas, geraram toda as dívidas pelas décadas das décadas, fomentaram toda a espécie de óbices manhosos à sua resolução? Pois então desemerdem-se vocês e o vosso planeta nefelibata socialista!» 

Nestes dois anos, não tem havido coragem governamental, assertividade governamental, e bons exemplos governamentais. Ofenderam-nos com Relvas e Machete. Insultaram-nos com nomeações de imberbes às dúzias para funções pagas a ostras, ouro e papel-higiénico de platina. A frugalidade dos tachos neste Governo vai no Batalha e não fica atrás do outro Governo. Os merdia e os partidos abençoados pelos merdia, espécie de cartas viciadas que dizem e dão a dizer sempre a mesma coisa, não indulgenciam nada neste Governo. Opinadores sob estipêndio das TV, ressabiados das oposições, espíritos de contradição, espalham a sua cizânia como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os offshores parisienses financiam as mesmíssimas vozes de burro e o seu legado asno. Não há futuro para a dívida e paz orçamental do Estado Português sem um novo ataque aos salários, ao emprego no Estado, às prestações sociais, aos custos na saúde. Embora a retórica dos recessos deste Regime diga, dirá o que quisermos ouvir, que há alternativas. A dívida tem muita força e o traiçoeiro voluntarismo socialista, célere a criar O Problema, arrasta-se e é lastro na solução de Qualquer Problema. O PS institucional tem muito sorriso, vai inchado e não seguro, mas não poderá impedir que, no curto e médio prazos, nos tornemos ainda mais pobres a fim de baixarmos a dívida pública que nos estrangula e sequestra o nosso sistema bancário apanhado pelos colhões pelo que andou a fazer em larga escala em 2011. 

Não há volta a dar-lhe, diga o venenoso Pacheco Pereira o que disser. O défice tem de ser cumprido. E será. A dívida terá de recuar. E recuará. Tem o PS uma mensagem diferente? Mente. O eleitorado recompensa mentirosos, começando por recompensar os mais mentirosos. Numa escala de Zero a Dez, o PS mente dez e o PSD mente sete e meio. Há que premiar quem mais mente e quem mais engonha. Isso explica o grande resultado do Bonzo Costa Buda que tinha à sua frente a aplaudi-lo efusivamente inocentes e admiráveis ex-gestores públicos como Carlos Costa Pina, esse clarividente caucionador de subscrições swap. 

No fim, os portugueses estarão sempre aí. Aí para se baldarem largamente aos plebiscitos eleitorais. Aí para recompensarem os despesistas sem obra e punirem os despesistas com obra e intervenção social. Aí para votar nos Bancarrotas-PS, nos Socialistas-Bancarrota, desde que algum tempo tenha passado sobre as memórias tolhidas. Fome, desemprego e desespero nunca é obra sua.. Punir por punir, puna-se o ajustamento brutal em decurso, não o caminho regabofiano que o preparou. Poupe-se o partido santinho PS que o Passos nunca invectiva, nunca ataca, nunca responsabiliza. Estão, sempre estiveram, muito bem uns para os outros. 'Bora, todos a gritar: Bonzo a Presidente! Bonzo a Presidente! Bonzo a Presidente!

Deixo claro, desde já, que no plano estritamente pessoal, simpatizo e respeito a pessoa do político António Costa. Azar ser socialista e ter pontificado ao lado do camarada Pinto de Sousa.

APARIÇÃO GAGÁ REAPARECIDA

Tenebrosamente, agoirando muito, Sua Majestade Devorista voltou, voltou de lá para mais um derramamento faccioso e desfasado aos media. Alguém seja uma bengala moral ao Dr. Soares e lhe recorde que há mais vida para além da política e muito mais vida para além do ridículo. Não há limites a esta admirável e grande Ténia Nacional na hora de ser e parecer sinistro. Como se não bastasse a nossa má sorte.

O MEU MINIMALISMO IV



«Rita decidiu tornar-se minimalista em 2011, durante uma viagem de trabalho a uma ilha grega, em que à noite, no hotel, leu o eBook The Power of Less. O autor, Leo Babauta, é um guru actual do minimalismo, uma década depois do êxito das cem dicas da Elaine St. James. "Os minimalistas parecem pessoas muito felizes, livres de stress e sem a preocupação de ter mais e melhor do que o vizinho do lado, que é um fenómeno tão enraizado na nossa cultura. E eu queria isso para mim." De volta a Faro, aplicou-se mais. "Já me tinha livrado da tralha física à minha volta, mas faltava ainda a tralha mental, os compromissos, as responsabilidades. Comecei por dizer não a muitas coisas, quer no trabalho quer na vida social. Comecei a fazer aquilo que eu queria, e não aquilo que as outras pessoas queriam ou esperavam que eu fizesse, mesmo eu não querendo. Estabeleci prioridades e comecei a viver a minha vida em função dessas prioridades. E nunca fui tão feliz como sou desde que tomei essa decisão. Nestes dois anos, tem alcançado metas de grande significado pessoal, algumas bastante prosaicas, como conseguir limpar o seu T3 apenas numa hora. Rita, que assume que foi consumista e acumuladora (e muito mais ocupada do que é hoje), livrou-se de mais de metade da roupa, de móveis, utensílios de cozinha e livros. E começou a recusar actividades, tanto no trabalho como na vida pessoal, que não estava relacionadas com os seus objectivos. Conquistou tempo para se tornar praticante diária de ioga. E algo que para muitas pessoas será especialmente importante na economia crítica em que vivemos: começou a poupar cerca de metade do ganha. Essa era uma das suas metas pessoais e, ao fim de um ano, está a conseguir cumpri-la. Passados todos estes meses, Rita tem uma tranquila certeza: "Não sinto falta de nada!" Recentemente, começou a partilhar no blogue histórias que os seus leitores lhe enviam, narrando as suas experiências de minimalismo. E disponibiliza gratuitamente dois eBooks que escreveu para ajudar quem quer começar: Guia Rápido Para Simplificar a Vida e 100 Dicas Fáceis Para Organizar e Simplificar a Vida.» Notícias Magazine, #1100 23, Junho, 2013

PSD, FUNERAL COM CROQUETES

Claro, claro, é que o PSD vive uma longa e acre autofagia. Mendes comeu Santana, Menezes comeu Mendes, Manela comeu Menezes depois de os media e os barões desassisados do partido o terem esquartejado com raros requintes de malvadez; Passos comeu Manela. E Rio, talhado para grandes gastronomias intrapartidárias, tal como Pacheco Pereira, tirando Manela, vão comendo um líder do PSD de cada vez até acertarem num intragável, quem sabe, quando Portugal acabar ou quando os portugueses se entregarem a outro sócrates moreno e portador do Paraíso-em-Cuecas. De dois em dois anos, o Povo gosta de uma dose de alienação e de um grande e expressivo perdão aos Bancarrotas-PS. Ainda não descobri se Rui Moreira será ou não a lufada de ar fresco da política-sem-partidos e da transparência-sem-partidos ou mais bafo de estufa, a estufa de Nevogilde, da Foz, o casulo onde o CDS-PP incuba subir a escada da relevância nacional à custa da aselhice política e da retórica funérea de Passos. Não tardarei a descobrir.

EU E O MEU FAIR-PLAY DEMOCRATÓIDE

António José Seguro
Parabéns, Tó Zé [António José Seguro], realmente a amnésia dos portugueses é prodigiosa. Agora espero que o PS se limpe da converseta de encher e enfrente a realidade tal-qualmente o Hollande a está a enfrentar, pelo lado duro e responsável de se encarar uma. No mínimo, Tó Zé, inspira-te nele-Hollande e apresenta alternativas ao salazarismo-a-medo do Passos, se é que existem. Foram só umas #eleições #autárquicas, não é preciso embandeirar em arco do triunfo. Quanto menos passares essa imagem de demagogo sempre à beira de uma lágrima, melhor. Quanto menos pareceres impostor segundo a impostura vigarista de um partido que não se enxerga, melhor. Boa sorte, #antóniojoséseguro E cuidado com o Buda Bronzeado Costa. Nem tudo o que luz é ouro. Pode ser treta. O mais certo é que seja mesmo.