quarta-feira, maio 10, 2006

2050: depois das más, agora as boas notícias















Gosto imenso destas notícias-projectivas, prospectivas, que de vez em quando abrem noticiários e fazem as manchetes dos jornais. Gosto delas porque me fazem imaginar como são criativos e imaginativos os fazedores deste tipo de projecções: o povo não é produtivo e não faz filhos, logo, o país não cresce e mais ou menos pelo ano de 2050 seremos os últimos...

Ao dizerem que, em 2050, seremos os últimos de toda a Europa, eu dá-me vontade de rir um riso realizado, porque sei que o sistema bancário português, nessa altura, já terá vampirado até ao tutano, secando-o, o povo, o qual, mantido em baixo, bem rente ao solo, nos seus salários, nos seus direitos, espremido de impostos, impostos que pagam a permanência barata e atraente do grande investimento, só terá como caminho reproduzir toda a espécie de dificuldades nas gerações que vão surgindo.

Mas os Bancos e as Seguradoras, esses como estarão em 2050? Calculo que os principais grupos portugueses serão poderosíssimos no contexto mundial e um exemplo de eficiência na grande família mundial do dinheiro. Calculo que, devido aos seus miraculosos e adoráveis lucros, não terão dificuldades para lançarem os primeiros balcões em Marte e na Lua, entre slogans caros como: «Ganhe a Lua com as prestações mais baixas do sistema solar. Falhou uma? Isso não tem gravidade!» Ah, ah, ah!!!

Quando perguntei ao Sr.Magalhães, um grande amigo, uma enciclopédia viva e um meigo afagador de meias macieiras, por que motivo os empresários portugueses não estimulavam os seus empregados, pagando-lhes bem melhor, tendo em conta a vantagem sobre o aumento dos consumos e da procura, na economia? Ele respondeu como um derviche, interrogado sobre o porquê de o homem existir:- A lógica que rege o empresariado português é tão simples como isto: cada um deles acha que não tem o suficiente, sente que tem de ganhar muito mais. Ora só se ganha cada vez mais se se consegue pagar cada vez menos.

Fiquei a pensar que, em 2050, haverá alguma coisa em Portugal que não será 'último' e alegrei-me: seremos os primeiros na pobreza e na falta de crescimento; seremos os primeiros na falta de poder aquisitivo; seremos os primeiros a chorar por não sermos os primeiros.

Mas haja esperança. Um dia destes aparecem-nos projecções acerca do nosso crescimento em 2080. Com certeza que já se notará uma inversão da tendência miserável em que estamos. Em vez de últimos, que tal penúltimos em alguma coisa não sei quê na Europa?

Joaquim Santos

(Não me lembrei de falar nos hipermercados como outro motivo para sorrir em 2050... Ganham dinheiro, também têm lucros porque jogam o jogo do tempo: recebem a pronto; pagam a prazo. Ora assim também eu.)

7 comentários:

Night disse...

Boas noticias padecem cada vez mais, é difícil ser-se grande num pais tão pequeno, quer em tamanho quer em costumes, assim vamos vivendo.

Um abraço...

Sérgio Costa

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