quarta-feira, novembro 22, 2006

PAPEL-HIGIÉNICO OU A METAMORFOSE














O que eles querem é que sejas o papel-higiénico
que limpa o cu à Sociedade:
os casais separados,
os casais litigados,
os pais presos,
os pais desempregados,
as madrastas putas,
os enteados que odeiam as putas das madrastas,
os putos pelo meio,
limpa o cu, se és professor, à Sociedade,
aqui, no sítio do costume, onde se entretece a riqueza da relação pedagógica
por excelência, no espaço por excelência da relação pedagógica.

Exigem-te disciplina? Tu mostras o papel-higiénico
da complexidade de tudo e a fome de permissividade toma conta de ti.

O que eles querem é que te fodas,
que trabalhes, que atures do pior
transversal, vertical e obliquamente,
que ganhes cada vez menos com isso e a todos os níveis,
porque és um problema orçamental,
um número que pesa no balanço das contas.

Querem que te abastardes, que te desumanizes,
que dobres o pescoço, que aceites o jugo,
que faças a transumância do território por um pasto magro onde calhe,
concurso a concurso,
que fiques pobre, paralizado, separado de filhos e de esposa,
que te humilhes, que sejas nulo.

Calmamente, os hábeis secretários de estado do ministério sorriem
e vomitam demagogia para as TV's. São técnicos na proporção da hipocrisia e da cara de pau.
São técnicos, sem terreno, sem campo, sem experiência com a massa humana.
Só sabem ser cabrões com teorias nórdicas para este sul renitente a putices.

Enquanto isso cada vez mais entre ti e o papel-higiénico
nasce uma relação não metafórica, não simbólica:
tu que te fodas, que és um número,
tu que te fodas, que és um problema de finanças.

Tu que te lixes, que já não és gente,
já não contas como pessoa, docente,
agora és número, és papel e o mundo todo olha-te de soslaio,
burocratas da merda,
submissos à merda,
criativos apenas no rumor
e nos respectivos derivados de merda.

Quando a maquiavélica merdanistra
faz de ti papel-higiénico, àspero, de terceira,
Portugal já pode redentoramente limpar o cu
e poderá também vir a limpar as mãos trágicas,
mas à parede.

Os técnicos não reformam nada. Fodem tudo.
São técnicos. São burros que sorriem e têm calma.

Joaquim Santos

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