sexta-feira, agosto 18, 2006

Assumpto



















Fazes alguma ideia,
do quanto o misericordioso acto da escrita,
húmido tacto, tendões, músculos, ossos,
fisiológico abraço,
insólito coito,
me faz falta à mão
à carne?

Compreendes que só assim subo ainda mais a pique
a escadaria-escrita, se pelo meu pulso,
e que ascendo ainda mais por dentro
a essa luz no fim
e que mato ainda mais a sede
de voz muda
por estes degraus cinza,
de deriva
quando, errante, tenho fé
e na cegueira vejo?

As palavras surgem-me
metabolismo
de momentos cúmulo em monte,
montículos momentâneos
entesourados dentro.

Subir sorve-me ainda mais para dentro
para avistar
o silêncio, toda a imperturbabilidade,
toda,
amniótica,
da essência
do íntimo.

Grita-me por isso a mão pelo labor oleiro no torno vértice
que tinge,
que tange a folha mar
branco,
a linha tinta, tanta.

Palavras couro que couraçam.
Palavras zebra que listram.


Joaquim Santos

41 comentários:

Luna disse...

Que as palavras te acompanhem sempre e tu as partilhes connosco
beijinhos de bom fim de semana

Ana disse...

Gostei do blog.
Gostei do post.
Parabéns.

Anónimo disse...

Lindo poema, gostei muito.
Continua assim, e não ligues aos velhos do restelo que nao evoluem mas tambem nao querem deixar os outros crescer em grandeza, como tu o fazes e muita inveja causas.

sonho disse...

Apenas com palavras sentidas o ser humano alcança a comprensão mútua. Que a partilha das palavras enquanto forma de expressão continue a acompanhar-te e que a tua poesia profunda e sentida continue a despertar a nossa sensibilidade para que nos encontremos em todas as tuas belas e coloridas palavras com que nos encantas diariamente.

Sem mais palavras

Beijoquitas
Diana

angelic fruitcake disse...

lindo,lindo,lindo.adorei.e qd é que me voltas a visitar?aparece na mnh humilde casa.
beijo

Deepak Gopi disse...

Down the memory lane ?

Anónimo disse...

Meu Deus! Que poesia tão medíocre! Você não lê? Depois de ler Neruda e o'Neill, ainda tem coragem de postar estas coisas?

BÓLICE disse...

Voltarei p'ra te ler com mais atenção... entretanto, bem hajas i'ntÉ

joshua disse...

Máquina Zero, tu que só lês Neruda e O'Neill, já pensaste num exame à prostata? Nunca te passou pela cabeça visitar o rectologista para avaliar a tua funcionalidade cerebral?

Não precisa de agradecer.

A propósito, o teu blog é uma seca monumental.

José Leite disse...

A poesia profunda e bem urdida de um grande poeta. A classe e o subtileza habituais que só os subnutridos intelectualmente não atingem. Enfim, às vezes são pérolas a...

Mariana disse...

muito bom seu escrito, muito emotivo. Jorraram de mim filetes de sensibilidade. Sua poesia emanou raios de comoção ao meu coração. Parabéns e obrigada por visitar meu blog.

Anónimo disse...

Mas este é algum blogue judeu ou quê? É só choramingas e merdosos a fins.

Vão mas é trabalhar cambada de pseudo poetas.

tb disse...

sim sei.
Que elas te ascendam ao cume e as partilhes connosco para que contigo subamos os degraus!

Chellot disse...

Palavras podem ser usadas de diversas formas. Para elogiar, para expressar raiva, para demonstrar amor, para insultar, para criticar, para denunciar, enfim, para formar conteúdo daquilo que pensamos e sentimos.
Nem tudo o que escrevemos é do agrado geral, no entanto não paramos de escrever. Palavras não podem ser guardadas, pois foram feitas para serem livres.
Beijos serenos.

Anónimo disse...

joaquim poeta de ouvido
como professor uma merda
como homem está
fodido

Anónimo disse...

Isto poesia? Petulância barata, termos patéticos e sem cunho popular, sem musicalidade, sem alegria... fruto de alguma frustração professoral a caír no paroxismo mais aberrante: aquela do ânus transpotado às costas é de um mau gosto total...

Enfim,quem usa um nome desses já nasceu arrevezado...

Anónimo disse...

Nunca vi poeta assim,
Em "ascenÇão"... Coitado...
Tantos erros... Joaquim
És o professor Xanfrado...

ASCENÇÃO está mal, é:

ASCENSÃO, prof...

Anónimo disse...

Joaquim Carlos, parabéns pelo teu blog, pela capacidade que tens em criar, e não somente te limitares a postar poesia já feita por um qualquer poeta, como muitos o fazem, e que por usarem o nome desse poeta, sentem-se no direito de criticar quem faz algo por sí próprio, pelo seu esforço e dedicação. E não te preocupes com as críticas destrutivas, com os parasitas que tentam ferir-te, procurando algo que te possa ferir na tua susceptibilidade, amigo Joaquim.

"Mas onde quer que desejeis subir comigo, meus irmãos, olhai que não haja parasitas que subam convosco!

Um parasita é um verme rasteiro e insinuante que quer engordar com todas as vossas intimidades enfermas e feridas.

É esta a sua arte; adivinhar onde estão, fatigadas, as almas que sobem. Na vossa aflição, no vosso descontentamento, no vosso frágil pudor constrói o seu repugnante ninho.

Onde o forte é débil, onde o nobre é demasiado indulgente, é ali que constrói o seu repugnante ninho; o parasita habita onde o grande tem recantos doentes.

Qual é espécie de seres mais elevada, e qual a mais baixa?

O parasita é a espécie mais baixa, mas o da espécie mais alta é o que alimenta mais parasitas.

Como não há de a alma, que tem a escala mais vasta, descer mais baixo, transportar sobre si o maior número de parasitas?"

"Assim Falou Zaratustra"
Friedrich Nietzsche

Anónimo disse...

"Assim falou Zaratustra" [também referido como Zarathustra]

Anónimo disse...

Atenção parasitas:

O título do blog era ASCENÇÃO

O esperto prof mudou-a para COURAÇA
não corrigiu o erro, pior, OCULTOU-O!!!
Errar é humano, querer fazer-se passar por vítima é cobardia sem nome...
Se fosse um aluno seu a fazer esta pulhice chamava-lhe os piores nomes possíveis como é seu hábito, vejam os nomes que ele usa... "filha da puta" e piores...

Pedagogia esta?! De sargeta é o que é...

Klatuu o embuçado disse...

Gostei do poema.

Anónimo disse...

Joaquim,
É difícil assumir um pensamento autônomo, ter uma postura diferente daqueles que só ratificam o que dizem "os mestres da sabedoria da tirania ou da ignorância total", pessoas incapazes de criar, de opinar por medo de se exporem, medo de nada terem a acrescentar, medo do ridículo.
Todos têm o que dizer.. o máquina zero foi pretencioso, vaidoso e cruel no seu julgamento, mas... cada um age como quer, afinal, vivemos ou não numa "democracia"?
Porém, quem lê o que vc escreve sabe perfeitamente que está a ser criticado por um anônimo covarde, que não tem argumentos sólidos, que usa termos rascas e, claramente, te acompanha já desde alguns poemas anteriores.. esse sim, é pobre, inculto, frustado e invejoso! Se assim não fosse não estaria a acompanhar-te há tanto tempo, deixaria um comentário e cá não mais voltaria.
Gosto da sua poesia e admiro imenso a sua prosa. Parabéns!

Antônia

joshua disse...

Pente Zero à Máquina

Ó adoráveis anónimos, vinde adorar-me. Vinde postar insultos e alarvidades, que, por assim me venerardes com atenção e assiduidade, mais me confirmais em eu simplesmente ser eu mesmo.

Anónimos desagradáveis. sois tão transparentes na porcaria que vos habita, ascensão de merda aos dedos que digitam! Não imaginais como cada insulto, cada presença maravilhhosamente daninha, me vivifica! Sinto-me no céu, se insultado, sinto-me bem-aventurado, se perseguido pelos medíocres do espírito, pelos malígnos da carne humana apostados em vigiar-me a escrita, numa vigília demoníaca.

É bom não ter que me proclamar vítima, mas notoriamente sê-la porque vos resisto, Máquinas Zero, Calinas, Anónimos que não compreendeis que a identidade é irredutível a essa popularidade rimática, reumática, de rimas fáceis que não questionam o âmago de nada nem de ninguém.

Dêem-me lá pancada, enquanto eu rio da vossa estupidez crassa. Façam lá de conta que eu sou uma merda nisto e naquilo, vou rir de igual modo, mas da vossa pobreza de espírito, na armadilha em que caís e vos torna lama, estrume que me energiza e alenta.

Sou o que sou.
Podem matar-me, assassinar-me bloguianamente, que ressurgirei. Farei o favor a mim mesmo de ser eu mesmo todo o tempo que me for dado respirar e escrever como
quem respira.

Xico Guedes, Des Contente, se gostas tanto de vir ao meu blogue, és bem-vindo.

Diz o que quiseres que assim manifestas melhor a ti mesmo o que és.

Eu ganho asas e fico ainda mais forte sob assédio. Se sob a assídua maledicência do Calinas e dos anónimos que o não são ao meu olhar de lince, só me robusteço.

José Leite disse...

Cara "anónima" Antônia:

Belo disfarce, prof medíocre! Usar um nome anónimo para se defender, quão ridículo e petulante mas o "criminoso" deixou lá as "impressões digitais"!

Antônia é JOSHUA. Vejamos.
PONTO UM:
"O máquina zero foi pretencioso"

Alguém tem dúvidas que quem escreveu isto é o mesmo que escreveu "ASCENÇÃO"?
(AMBOS COM Ç QUANDO TODA A GENTE SABE QUE É COM S).
Erro sistemático do asnático prof que se queixa de "vigilância" dos outros quando ele era como prof o mais persecutório "vigilante". O erro sistemático denunciou a sua cobardia infame. Usa o anonimato para se defender a si próprio e chama cobardes aos anónimos... usa aquele ô (brasileirismo) para disfarçar mas... os alunos de tanto serem "policiados" por ele já são bons polícias da língua; ele que se arvora em super-boy, que discrimina alunos por questões ideológicas, que é homofóbico e racista cem por cento, vem defender a tese da cobardia...

PONTO DOIS:

A hora em que foi postado o Anônimo "Antônia"
4:18 PM

é imediatamente anterior ao seu post (4:36 PM) em que com babosa, incorrigível, pretensiosa e patética autodefesa tenta chamar-se a si próprio de superinteligente e aos outros de pacóvios... Está mesmo doente, depois a culpa é dos tais parasitas que tem a roerem-lhe a mioleira... coitados dos parasitas, estão a comer a tua monstruosidade... Ainda criticas a ministra da educação... tu, um palermóide destes, um inculto, ignorante e pretensioso (com S e não com C como tu dizes, seu parolo).

Ai prof, prof, leva nota MEDÍOCRE MENOS... para não dizer MAU MENOS...

joshua disse...

Ascensão da Verdade

Vieste sorrateiro postar insultos
e assinavas Calinas.

Pensavas minar o meu propósito,
abalar-me,
e não te contiveste.

Bastou a ratoeira ASCENÇÃO para mostrares o lado alternativo, que é brutal.

O Rouxinol era hiena, a avezinha canora afinal era urubu, o Urubu de Bernardim.

Urubu de Bernardim, o teu problema com o ânus é apenas uma lacuna interpretativa: representa a hipocrisia, a falsidade dos que rejeitam uma parte do corpo, mas que permitem que lhes saia o que o senhor pássaro acabou de soltar.

Lamento.


Joaquim Santos

Se eu aparecer morto, foi você.

Anónimo disse...

muito obrigada pelo comentario, agradeço teres me dado a conhecer este espainho..

tenho pena que isso te aconteça. no entanto nao te escondas, tu escreves o que queres e o que sentes, é o teu blog, quem nao gosta, nao tem que ca vir=)

eu passarei ca mais vezes, acho sinceramente que tens jeito para poesia

beijinho e continua=D

angelic fruitcake disse...

ui...anonimos....corajosos,não são?adoro-os tambem quando vão ao meu cantinho dizer estas pérolas...enfim...obrigada pelo teu comentario.e quanto ao politicamente correcto,cuspi mesmo em cima disso.e acertei em cheio no politicamente correcto.não sou "mari vai com as outras" sou mais "maria vai sozinha quem quiser vir que venha"
beijo e vai passando no meu cantinho,na minha instabilidade cronica...

Rebeca dos Anjos disse...

Olá, Joaquim!

Muito prazer! E igual prazer ao ler tua poesia!

Define muito bem a inspiração para a escrita, essa necessidade latente, essa emoção florescente!

Beijos!!!

Rebeca dos Anjos disse...

Ah, e goeti dessa coisa de "Palavrossavrvs Rex "...

Interessante!

Mais beijos!

Fran Rebelatto disse...

palavras que me absorvem, me fazxem subir as escadas misteriosas e estreitas de tua poesia, me confundem,, me ignoram, me apaixonam...

Palavras medíocres ou sábias palavras? Quem sabe???

parabéns e um beijos

Vitor Monteiro disse...

Amigo quim...realmente tens uma escrita fantástica...adoro a forma como escreves!!! parabens!
Verifica se é o servidor do blog que n está a dar problemas...por vezes isso acontece comigo...se não divulgas-te a tua palavra pass a ninguem dificilmente alguem te
"bloqueia" o blog!!!...mas se isso continuar depois pessoalmente tentarei ver se te consigo ajudar...aquele abraço

Vica disse...

Olá! Estou agradecendo a visita. Adorei teu blog. Beijos.

Luzinha disse...

Lindo poema, escreves muito bem. Infelizmente foi em meu blog justamente quando eu desabafava atraves daquele texto... mas é assim mesmo, vc ainda me pegará em momentos melhores.

Beijos!
www.sempudor.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

"...enquanto o mundo gira numa doçura completa neste terrorismo amoroso e odioso que é blaterar na língua dos homens.

...embora com simpatia e justificações diplomáticas,
e,ora com bombas ora com blogues, temos todos as nossas guerras,
e limpamos o ambiente com subtis lixívias,éticas,étnicas.
«bem-vindos»"

(J.S)

_________________________-

...Joaquim,
por aqui escreveste e tão bem,
tudo o que tinhas para dizer.
Escreves e assinas sem receio...gesto que só te poderá dignificar.

O que escrevemos,será sempre alvo de opiniões diversas.
Óbviamente,não podemos agradar ao mundo.
Mas uma coisa é certa...uma opinião divergente,uma crítica,
etc...deveriam existir sempre dentro de um sentido construtivo
...e do respeito merecido.

Hoje em dia sinto que não vale a pena deixar de escrever,deixar de sentir que o nosso espaço é nosso e de todos os que gostam de nos ver,ouvir e ler...
e por aqui tens tantas pessoas que se encantam com os teus textos...continua a partilhar Joaquim.

Um grande abraço J.
:)

rosa disse...

Caro Rouxinol, a sua homenagem à Natália está deliciosa. Bravo!

Caro Joshua, avance com a caravana e não se prenda com escatologias...

BÓLICE disse...

Caro Joshua:
Estou deveras contigo, e éticamente... dedico um poema a toda a má-boa-gente!

Quadras à Deriva

Eu que não vi o que sei
E que sei o que não vi
Só sei que nada vi
Do que vi e nada sei

Porque senti o que não sinto
Sem sentir o que vos minto
Não minto no que pinto
Se pintar o que não sinto

Por ter visto o invisível
De invisível mais que visto
Devo e assisto ao direito cível
De na cruz pregar o cristo

Do mar, ó-mar-ó-mar
Parte a barca desenfreada
P’las marÉs vivas, ir e voltar
Que do mar eu não sei nada

Que saudades que eu já tinha
De remar sem nunca voltar
A esta terra, tal ilha minha
Que dou à costa sem saber nadar

Empurrados somos, p’los ventos
Na crista da onda pequeninos
Variações de vários tempos
Na Rosa-dos-Ventos, libertinos

MarÉs revôltas, em agitação
Sonante canção de uma Diva
Tempestades belas, revolução
Mantendo a sétima das Quadra à deriva

Pedro(B)PólicePropanoPontinha

BÓLICE disse...

Viva Natália Correia...
'intÉ'y'olÉ

BÓLICE disse...

Errata:
Onde se lê;
..."sétima das Quadra à deriva",
deve-se ler;
..."sétima das quadras à deriva".

Juraciara disse...

Toda vez que entro no seu blog, confesso, fico sem palavras...me recolho-me a minha insignificância e me pergunto: como pode alguém conseguir dizer tantas coisas em tão poucas palavras? Só há uma resposta: dom...
Me encanta a forma bela como escreve!
Gosto muito quando me visita! Um grande abraço e apareça quando quiser...

raquelmoniz disse...

Escrever é um bem necessário para aliviar a alma.

José Leite disse...

Este indivíduo, depois de entar no meu blog estilo "faca na liga" : "Ó rouxinol não sabes quem foi o F**** da P*** que foi postar como Kalinas no meu blo? Depois de, com respeito e consideração, lhe ter dito que não fazia a mínima ideia, vem agora confirmar as minhas suspeitas. Fui alertado no próprio dia em que postei o comentário a elogiá-lo, que ele andava a chamar-me Kalinas e coisas do género. Só para o "provocar" postei aquelas "coisas" acima, aguardando a sua "explosão"... O teste surtiu efeito. De facto andava a caluniar-me. Mas andava também a lançar tiros para um tal Des-contente e um Xico Guedes. Será delírio persecutório? AFIRMO, MAIS UMA VEZ QUE NÃO FUI EU. Este imbecil continua obcecado e não vale a pena fazer-lhe ver a realidade: quando se fazem acusações é preciso prová-las e o que me disseram dele é de facto deprimente pois julgava ter um amigo e saíu-me um pulha do piorio. Chega ao ponto de andar por outros blogs a tentar rebaixar-me. É triste, tinha consideração e até um certo respeito, mas perdi tudo. Aquela de "se eu aperecer morto foste tu!" é digna de meditação. O que é que ele deve ter dito a meu respeito para justificar que eu o matasse?!!! É algo digno de estudo por algum psiquiatra. Delírio persecutório?