quarta-feira, agosto 17, 2011

ABC DA FALÊNCIA IMINENTE

Porque são os portugueses toda a vida humildes, trabalhadores, honrados, que se vão foder com a falência iminente do País, empobrecendo pessoalmente e emagrecendo ainda mais para pagar anos de desmandos alheios, há que ir fazendo resumos rememorativos dos motivos pelos quais chegámos aonde chegámos. Quase mil anos de História surfando o ciclo da canela, o ciclo da cana do açúcar, do comércio negreiro, do ouro brasileiro, do cacau e café africanos, o ciclo infando e estéril dos fundos comunitários, para que a realidade geral fosse, como sempre foi, uma absoluta merda para a maioria que já nem filhos faz dado o custo que tal comporta. Se houve alguma vez um pingo de dignidade económico-financeira e contas em dia com o exterior, é vergonhoso que tenha sido apenas sob cinquenta anos de ditadura. Entretanto, alguém entre nós, mas alienígena para connosco, enriqueceu, pediu gloriosamente emprestado em nome do erário, medrou silenciosamente, cevando-se de golpadas magistrais, talvez legais, mas indubitavelmente imorais. Em cerca de cento e cinquenta anos, vamos, quase de certeza, para a segunda falência, desmantelados da sabedoria de produzir riqueza, viver dela e com ela, maximizando recursos humanos, cujo êxodo é outra vergonha, e naturais. Só por isso, o futuro, essa nebulosa sob a hegemonia do par franco-germânico, chama-se Pagar e Pagar até Morrer. Não existe outro caminho nem plano B. Haja memória e vergonha, pelo menos.

1 comentário:

floribundus disse...

fizeram um levantamento dos mais ricos(cortiça e petróleo, mercearias, jogadores da bolsa).

lamentavelmente não mostram os que mais devem

o zé povinho adora ser pobre convencido que é rico.
a árvore das patacas foi sempre abanada pelos outros.

«trabalhar é bom para» os outros

veio do nordeste cheio de tusa para escrever