segunda-feira, maio 07, 2007

AMAR, MAS O QUE É AMAR?


O amor hoje é um conceito esvaziado:
está demasiado associado ao prazer proporcionado
para representar a mais elevada forma de olhar cada ser humano com que nos cruzemos,
nele reconhecendo a dignidade de criatura e de filho amado de Deus
assim como sede de uma Promessa
de eterna comunhão na glória com Ele.

O amor é hoje uma subtileza rara e um conceito conspurcado:
implica a arte de ser pequeno, autêntico e simples,
mas na prática funciona segundo uma lógica de paladar,
tacto, consumo, desgaste, desaparecendo nele, dito, considerado,
a dimensão de generosa festa serena
feita de encontro e densa integridade,
assim como de estável caminhada lado a lado
para uma meta acreditada, confiada, preparada.

Remontar à pureza dos conceitos, ao conceito do amor, faz-me sonhar
com banhos de Latim, Grego e Aramaico,
para que as distinções de sentido se façam
e se redescubra a frescura de palavras
como estas citadas:
(«Reconhecerão que sois Meus discípulos se vos amardes uns aos outros»),
tão cruciais, e no entando aparentemente banalizáveis
com as cunhagens modernas superficiais.

Abominar a tirania, a violência,
a oprimência seja em que contexto for,
abominar os pretextos da falsa competitividade,
que escondem distorções interiores
e abrem caminho a novas formas de abusar dos pequenos
por causa do lucro, da concentração de benefícios,
segundo a máxima mafiosa febril de Almeida Santos:
«Para os amigos, tudo... Para os inimigos, nada.»
já será um bom começo para o chamado amor
que, denunciando tal absoluto discipulado,
nos devemos uns aos outros.

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