domingo, maio 13, 2007

AUTOVIVISSECAÇÕES


Tanta beleza sob trabalho de parto,
enquanto não a escrevo suave e sossegado,
e vem o mundo e respectivas vozes triplas,
incapazes do relâmpago da arte
ou de condescendência com ela,
dizer-me que há outras tarefas a cumprir.
Larguem-me! Dêem-me tempo e paz, porra!

Amo mais que me deixem em sossego que os tartarianos sorrisos sinceros
de precisarem de mim.
Ponham-se no caralho e deixem-me só,
escrevendo as minhas autovivissecações urgentes,
minha precaridade de emprego-a-termo ameaçado de ameaças enquanto não se consuma,
ou as caninidades bancárias que me perseguem filhas-da-puta,
com que me revolto revoluteando fúrias no meu coração
fumos de raiva em espirais destrutivas.

Preciso de ser lido
como quem pira funerário
e de escrever do mesmo modo.

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