sexta-feira, maio 11, 2007

BRAMINDO, O NEGRO MAR DE LONGE BRADA


Caída a noite,
advindo o sono a todos,
noctivagarei pela casa que respira em cadências de maré.
Meus passos, sobressalto de pé, palma-planta nua,
deslizam em vento.
Longe, penetrando paredes,
o bramido em arrarrarrarra,
contínuo marulhar de águas em limos,
rochas, godo rotundo, areias,
vem pousar em que eu o oiça, lhe sinta a voz viva em fundo,
na minha terra.
Fala, meu mar,
diz-me de novo o que sempre disseste arrarrarrarra!
Que som tão luz de luar cheio, tão brisa oeste na minha vida!
Hei-de ainda dissolver-me em pleno dia
ao contemplar-te a coloração esverdegrada
e à espuma tocar-lhe em afagos de esposo.

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