domingo, maio 06, 2007

DE UM VELHO ARDIDO


Em vão te recluías naquele monastério ocasional
num religioso descansar de egocêntrico desvario,
quando triunfante me relatavas fodas senis
com moças aos molhos juvenis
seduzidas com olhares e estilo
da tua verve desdentada,
forjada a frio.

Amizade para ti era somente trono
a que se dobra adorativo
o joelho reverente
e o teu dinheiro,
poupanças e negócios,
disco riscado ouvido em paciência
rumo à náusea mais exausta do que 'já sabemos'.

Ó amigo Henrique, Don Juan depenado,
tu, que nem notavas o sofrimento do teu próximo patenteado à tua frente,
tu, que nunca aliviavas a sua carga de dor à tua frente,
tu, para quem só tu mesmo eras assunto e centro e tudo,
tu, o das grandes conquistas fêmeas,
das sexuais fantasias só verbo-de-encher,
dos duvidosos remédios e poções pró-tusa duvidosa,
tu, enleado em ti mesmo como Narciso,
pedante merda, pedante mijo,
tu, diletante na vaidade dilatado:
setenta anos e pico,
não era tempo de teres juízo?

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