domingo, janeiro 06, 2008

EDUARDO PITTA E O TUBARÃO DE MENEZES


Não sabemos se Eduardo Pitta é o metafórico Tubarão de Menezes,
mas é, indiscutivelmente, o Macaco Mudo-Cego-Surdo de José Sócrates.
lkj
Por vezes, acomete-me uma febre de leitura do excepcional blogue Da Literatura.
Numa hora, recubro um ou dois meses inteiros de magníficas e olímpicas postagens
e até me arrependo de não ter voltado a ser um seu leitor quotidiano
e colocá-lo aqui ao lado no meu semibloghierarquizador Em Relevo.
Depois esse arrependimento passa.
lkj
Ora foi depois do que li numa das postas,
Menezes e o Tubarão, dedicadas
à leitura-recensão que o historiador Rui Ramos faz do livro de Luís Filipe Menezes,
Coragem de Mudar (as moscas), que reparei na estranha inexistência de qualquer coisa
de atentamente equivalente a José Sócrates no Da Literatura,
que, por isso mesmo, só pode estar a fazer lóbi tácito, implícito e explícito
com a situação política actual de Absolutismo Plutocrático Socratino,
segundo me parece.
lkj
Porque se é bem que o Eduardo Pitta escreva genialmente de livros,
faça a espargata e a ubiquidade com quantas situações culturais se lhe afiguram,
faça a legítima defesa da Microcultura Homossexual, coitadinha!,
(ou o levantamento crítico dos excertos homossexuais na Literatura Portuguesa)
e reflicta sobre os problemas que a acossam (de Indiferença Geral, basicamente),
e transforme o Natal em Gastronomia de Luxo,
e nefelibatize-se nessa pasta de pronunciamentos intelectuais infinitos,
se tudo isso é bem,
é, por outro lado, muito mau que relegue o grave momento social e laboral
para o Grande Limbo das não-matérias ou do negligenciável.
Não será, Eduardo?
lkj
Dir-me-ão: «Eh, pá, mas, que se saiba, Sócrates não publicou qualquer livro.»
Pois, mas Políticos-kitsch há muitos e não apenas sob a forma escrita/publicada
e se toda a questão se condensa no Campeonato da Piroseira,
no desdém da moda ao político Luís Filipe Menezes
na sátira a sério da sua figura pública,
do seu ser aceite, do seu desejo de ser amado,
do exercício-em-trambolhão do ridículo enquanto Pessoa Pública,
Menezes é, afinal, fraca caça, é apenas um pequenino (duplamente pequeno!) aprendiz.
Sócrates, pelo contrário, é nisso mestre e doutorado nisso cum laude,
ele é que é o grande Verkitschen português, hoje Europeu, amanhã Mundial,
nestas coisas da Vaidade Curricular Exibicionista-Prada ou dos vestígios-de-leitura,
ele é que mereceria uma recensão tão gulosa e divertida dos seus discursos oníricos
como esta de Rui Ramos ao livro de Menezes
tão convenientemente subscrevível por Pitta.
lkj
Cambada de brincalhões tendenciosos!
Gostava de compreender esses Armistícios entre a Inteligência e a Mentira
em certas mentes brilhantes!
Ainda bem que nem todos estão para isso!

1 comentário:

quintarantino disse...

Sócrates ainda não publicou nenhum livro?
Ó Josh, rapaz, tu antecipa-te, tu antecipa-te. Acaba o rascunho que aqui vens alinhavando e procura editora... diabo, olha que ele se se lembra de publicar, abafa-te qualquer possibilidade de sucesso.
Já quanto ao Menezes, não te preocupes... o homem é, como soi dizer-se, "peanuts"!