quinta-feira, janeiro 24, 2008

PORTUGAL, PAÍS ADMIRAVELMENTE SALOIO-ZEN


Há textos fabulosos, pelos quais se sintetiza, em autópsia e em antítese,
o estado de maturidade nacional
e de intervenção cívica em Portugal: ZERO. NADA. NIHIL.
Esta Merda é uma dormição de Branca de Neve sem beijo de Príncipe ressuscitador.
Esta Merda tem uma Bruxa Má à frente e os Sete Anões assobiam para o lado.
O Governo é um portento de controlo obsceno de tudo e de intrusão inédita na esfera privada.
O Governo faz propaganda e zurze à força toda no parco navegar do simples cidadão.
A Oposição menezista é uma imitação em Fraco e em Frouxo do Governo,
anuindo mais que contrastando.
A Oposição é uma tragédia de Burro, com Menezes a desastrar sucessivamente
num abrir de boca sempre desastrado, porque, no seu caso, ou Moás ou Portugal.
E Moás tem tido mais 'sorte' que Portugal
com o Menezes que poderia interpretar e escutar as bases,
mas que afinal cortou com elas e decalca todo o posicionamento político
com o que está a fazer-se com invisíveis demarcações Morais, Éticas, de Forma e de Fundo,
ficando-se pela grande mercearia dos lugares pluto-interessantes
e o surf pontual das pequenas aparições pontualísticas de oportunismo inconsequente.
Parecia outro Menezes, aquando da eleição para líder, em sintonia com o Povo.
Se existiu, evanesceu-se! Não é mais!
País confrangedor!
Constança Cunha e Sá surge extraordinária neste artigo de Opinião,
modelo de observação e de consciência penetrante de Isto Improvável chamado Portugal:
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O RAPTO DE MARILU*
(Transcrição via Portugal dos Pequeninos)
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«Há pequenos incidentes que, na sua aparente insignificância,
valem pelo mundo que revelam.
Não é necessário chegar aos excessos do ministro Mário Lino,
onde o advérbio francês "jamais" compete efusivamente com "desertos"
a preservar a todo o custo e com a irresponsabilidade das decisões governamentais.
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Às vezes basta a auto-satisfação miúda
com que um ministro alardeia o "pluralismo" do PS
e a generosidade de um governo que se dá ao luxo de "permitir"
que um militante socialista se apresente numa televisão privada a criticar as políticas apadrinhadas pelo primeiro-ministro e chefe supremo do partido.
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Perante um exemplo tão magnífico como este,
o dr. Santos Silva não se conteve: desafiando adversários
e dois ou três socialistas que primam pela ingratidão e pela excentricidade,
o ministro, sempre atento a qualquer tipo de desvio na informação, pegou numa pequena entrevista na SIC-Notícias, dada por Manuel Alegre,
para cúmulo, em "horário nobre" e não madrugada dentro, como seria de esperar,
e fez deste simples episódio uma prova irrefutável do "pluralismo"
que floresce na maioria que nos governa.
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Manuel Alegre? Na SIC-Notícias? Com direito a horário nobre?
E, ainda por cima, a exigir a demissão do ministro da Saúde?
Como se comprova pelo esfusiante arrazoado do ministro,
é nestes pequenos nadas, nestes inesperados episódios
que o "pluralismo" socialista se revela em todo o seu esplendor.
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O dr. Menezes, que preside, agora, com mestria à desagregação do PSD,
devia seguir estes exemplos de democracia e de liberdade interna,
em vez de andar, por aí, com o dr. Santana Lopes,
a insultar os seus opositores, ameaçando-os com as próximas listas de deputados
- que, ainda no último congresso, no início do descalabro,
iam ser feitas pelas "bases" do partido:
esse mito do aparelho que preserva os seus interesses
e promove a menoridade dos seus caciques.
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No PS, como se depreende das declarações do ministro Santos Silva,
o "pluralismo" resplandece sempre que uma voz desalinhada irrompe
num canal de televisão onde, aproveitando o pequeno espaço que lhe é dado,
sacode umas opiniões incómodas, perante a satisfação do Governo
e a impassibilidade das sondagens.
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Como é óbvio, se a "prova" apresentada pelo dr. Santos Silva fosse um facto banal,
como é em todas as democracias,
o alarido do ministro não só não se justificava
como o levava (quem sabe?) a reflectir sobre o rumo do Governo e o papel do PS.
É o carácter excepcional da entrevista, a inexistência de espírito crítico num partido que,
hoje em dia, se caracteriza pelo conformismo e pela unanimidade
cada vez mais forçada que permite a apresentação desta "prova"
como sinal de um pluralismo
- que se existisse não se deixava obviamente apresentar como prova!
lkj
Só o autismo de um ministro,
que vive na sombra do eng. Sócrates,
é capaz de transformar uma crítica interna num mero trunfo de propaganda.
Porque parte de um princípio contrário a qualquer tipo de pluralismo:
ou seja, que toda a crítica é inócua a partir do momento em que se considera
que a única alternativa à política do eng. Sócrates é o próprio eng. Sócrates, independentemente do fracasso da sua política e das suas promessas por cumprir.
lkj
Afastada, durante seis meses, da política nacional,
por motivos pessoais, seguindo à distância as inúmeras celebrações do Governo,
os vários "escândalos" nacionais,
as desgraças da oposição,
os novos fundamentalismos que, por aí pululam,
as previsões económicas para 2008
e o invariável falhanço das reformas anunciadas,
fui vendo como o país se fazia e refazia, diariamente,
ao sabor das últimas notícias, perante a fragilidade de uma opinião pública
que se indigna com facilidade e se esquece com rapidez do que é, de facto, essencial.
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Ao fim de pouco tempo, tudo se mistura e se esvai
numa amálgama de factos nivelados pela falta de memória,
donde nada sobressai: da eleição do dr. Menezes que,
num momento alto de patriotismo, garantiu que só correria, em território nacional, nomeadamente na Avenida dos Aliados e na Avenida da Liberdade,
ao optimismo do Governo perante o quadro desanimador da economia,
da miséria das reformas ao aumento do desemprego,
da Ota e do que lá se gastou inutilmente à nova polícia dos costumes,
da intromissão do Estado na vida privada dos cidadãos
aos negócios obscuros que, mais uma vez, serão investigados "doa a quem doer",
da contínua degradação da Justiça à farsa que se vive na Educação,
do referendo ao Tratado de Lisboa que não se vai fazer
à amena cavaqueira sobre as promessas dos políticos que ficam por cumprir,
da agonia pública do Banco Comercial Português (BCP)
à sua transformação numa espécie de delegação governamental,
da reacção do PSD que, em nome de uma justa repartição de lugares,
exigiu que um militante seu ficasse à frente da caixa Geral de Depósitos (CGD)
à vontade expressa do dr. Armando Vara querer ir para o BCP,
permanecendo, ao mesmo tempo, nos quadros da CGD,
ficou apenas uma impressão difusa,
subjugada pelo desejo permanente de novidade
e pela forma esmagadora como ela nos cai em cima.
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De um dia para o outro, a fragilidade do capitalismo português,
a dependência dos grupos económicos do Estado,
a promiscuidade entre o sector público e o sector privado
e todos os grandes negócios que ficam por explicar
são substituídos por umas intrigas no PSD
e pelo rapto da Marilu.»
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*Por Constança Cunha e Sá, editado na edição do Público de 24.1.08

2 comentários:

antonio ganhão disse...

Olha eu tenho um amigo que gostava muito do Menezes...

Está visto que com esta fauna não nos safamos. Está na hora de pegar na espingarda e ir à caça.

Anónimo disse...

Caro Joshua,

Como ainda não obtive resposta ao e-mail que lhe enviei, informando-o da sua vitória no passatempo que correu lá pelo meu sítio e pedindo-lhe a escolha do seu prémio, decidi vir aqui à sua caixa perguntar se o não recebeu ou se ainda não o respondeu.
Caso seja verdadeira a primeira hipótese, isso significa que eu não tenho o seu e-mail correcto. Nesse caso, peço-lhe que me dirija um mail (o meu endereço está à vista no meu blogue) a comunicar-me o seu endereço. Ok?