segunda-feira, janeiro 14, 2008

TEMPLÁRIO NO MEU ÂMAGO


E então, agora que nos esbarramos,
agora que tivemos o nosso primeiro encontro e recontro,
o embate das nossas lâminas-estilo, armas-palavra,
e os nossos escudos se roçaram, num teste à rijeza dos nossos braços,
achas que já me conheces completamente, ó Neovisitador?!
E não pensas que sou um convencido?, um grande vaidoso?!,
e não pensas que eu tenho a mania que sou bom?!,
e não supões que eu incho de Ego?!,
e não sais por aí a espumar contra mim, que ando armado em Intelectual?!,
e não formulas um juízo assassino de mim
e do meu blogue infecto de publicidade, ó NeoVisitador?!
Mal me viste, exultaste: «Aí está alguém novo por quem me posso interessar!», consideraste.
Mas depois que a minha casa se te abriu, notaste que não gostavas,
que tinha cadeiras-palavras de desconforto.
No Campo de Extermínio da tua mente,
definiste-me em três tempos e Câmara de Gás comigo.
Saíste daqui e assunto arrumado para ti.
Que eu não era exactamente aquilo que querias e muito menos o que pensavas.
Que eu era um egocêntrico, meio louco mais de metade, meio isto, meio aquilo,
quantas desculpas para me rejeitares!!
lkj
Tens alguma ideia de como eu cativo as pessoas, todas as pessoas que encontro na vida?
Só não cativo certo tipo de gente cujo coração se encrostou de cegueira à humildade interior.
Olho-as. Sinto-lhes os demónios dentro. Vejo-lhes as garras aduncas cravadas no coração.
lkj
Sabes que mais?, tenho de seguir o meu caminho.
O meu caminho, agrade-te ou não, é isto.
Que esperavas de mim? O que é que pensavas que eu era?
Que vinha para aqui tentar citar alguém ou ser exactamente igual a ti?
Não. Construo o que dizer porque me construo igualmente a cada frase.
Pensavas que eu era mais um entre as tuas centenas de visitantes formais e previsíveis?
Por que achas que sou um solitário? Por que motivo consideras que labuto Só no meu canto.
É por viver, pelo menos na escrita, que não na vida toda, no lado doloroso e sensível dela.
Não há abraços fáceis. Não há beijos grátis.
lkj
Tresando a suor e a pó do muito combater nesta Reconquista por Cristo em minha Carne.
Cheiro mal das minhas partes íntimas das longas vigílias no Deserto de ser Compreendido.
Passam os dias. Passam os meses. Apareces-me tu, primeiramente radiante,
logo depois a querer matar-me e por isso mesmo tenho de vigiar
e de lutar quando menos quereria. E tu são muitos. Tu são quase todos, NeoVisitador!
klj
Olha para mim: vês um soldado-monge, vês o Templário infinito de Mim-Mesmo,
zelando pelas Relíquias e Lugares Santos do meu Ser, pela integridade do meu Coração-Fé.
Também fui o miles romano disciplinadíssimo e leal na Conquista da Gália em Mim.
Também fui o espartano feroz, capaz de todo o meu sangue pela Pólis de Mim-Mesmo.
lkj
E chegas tu, que nem sequer me conheces, e já tens tanto a detestar-me?
Não posso escapar de esta Sede e de esta Solidão, vão com a minha natureza,
ó NeoVisitador, e sou isto: a perpétua surpresa de mim a mim mesmo.
Isto que eu sou não é para todos. Podes perguntar aos meus VeteroVisitadores.
Ficaram porque, ao contrário de ti, que jazes morto por minha mão,
souberam prolongar o combate.
Ainda hoje, quase todos os dias,
nos recontramos num combate leal, sem Morte.
Mas esses são os meus VeteroVisitadores,
sobreviventes Comigo. Sobreviventes Contra, Por e Para Mim.

13 comentários:

São disse...

Sem medo e com sinceridade, te digo: pasmo como é que a douta Carolina Salgado e o ainda mais douto Jorge Costa publicam livros e pessoas como tu...não!!


Um grande abraço, Quim!

Blondewithaphd disse...

Ponto nº um: Faz o favor de te pores em dia "sim"! (e isto está no imperativo).
Ponto nº dois: Não posso ir espiolhar quem é esse teu Novel-Visitador porque me andas a crashar de cada vez que eu aqui entro.
Ponto nº três: Nesse combate de palavras aposto no Palavrosaurus Rex.

Blondewithaphd disse...

Ponto nº quatro: Esquece lá as outras duas louras! E nada de confusões que também há loiras "boa gente".

Anónimo disse...

Por seres o herdeiro de ti mesmo, estranham tua conduta.

Estes (in) dividuos são aparolados palácios mirando os bois, são vítimas justas do
tempo inicial arbitrário, desconhecem a volta do efeito sobre a causa.
Seus infímos desvios, nos seus neoprocessos interpessoais ,ampliam lhes tortas doenças mentais.
Neuróticos insistem em produzir o modelo já não adaptado...
Sinto os por aqui também...
Tens razão, há que cravar lhes bem fundo nos seus umbigos a espada palavra de prata...
senão ,como zombies,retornam.

Xaxuaxo

SEMPRE disse...

Joshua
Não sei quem é esse Novel-Visitator mas sei que estou aqui e aqui voltarei sempre com a minha paixão por aquilo que dizes, com a minha solidariedade por aquilo que fazes.
Tal como Brecht, para lém da vida e da morte (virtual neste caso) seremos sempre companheiros.
Um abraço

quintarantino disse...

Ó Joshua, mas afinal quem raio é o Neo-Visitador com quem te pegaste?
Precisas de ajuda a malhar?
Eu acho que não, mas em carecendo tu diz homem de Deus!

Luís Galego disse...

soldado-monge, fiquei sem folego ao ler este teu deafiar de palavras bem escritas...vou estar (ainda) mais atento...

Tiago R Cardoso disse...

Eu ao ler isto até era capaz de dizer uma asneira, P*** que P****, que grande escrita...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joshua
Não te preocupes com quem te provoca. Preocupa-te antes com quem te ama e compreende.. Só esses são dignos da tua atenção e da tua perda de tempo.
Para quando um livro teu?
Um abraço

amigona avó e a neta princesa disse...

Vou voltar a ler devagarinho...faz-me bem saborear as tuas palavras...abraço...

LaMar disse...

Joshua...
Me tocan tus palabras, tan llenas de sinceridad y fuerza.
Te percibo como un hombre de batallas, nobles batallas.
Lamento no poder escribir en tu muy hermosa lengua, la cual sí entiendo; espero entiendas estas líneas.
Es una delicia leerte.

amigona avó e a neta princesa disse...

Dei-te, pelo prazer enorme de te ler, um prémio! Mesmo que te zangues, dou-o à mesma!!!Beijo...

bluegift disse...

Não me parece que fales com algum neovisitador em particular. Pergunto-me apenas se as tuas palavras não serão também antros sagrados, que se visitam, em silêncio...