segunda-feira, dezembro 31, 2007

CENAS DO ÚLTIMO DIA



Depois dos depois completos em família e o tão grande prazer nisso,
um pouco esquecido do Desemprego no Ensino,
após três meses numa escola do Interior Norte, embora ainda no Distrito do Porto,
e mantendo o part-time Nocturno, que era extra e agora não o é mais,
regresso à Vida tal como ela me esbofeteia.
lkj
Tenho o espírito dividido, guilhotinado entre duas coisas:
sobreviver e criar.
lkj
Vou ter sinceras saudades das caritas trigueiras, saudáveis, dos meus alunos.
Sei que eles vão ter saudades de mim também: um professor que os fazia rir,
um professor que lhes dava afecto e estímulos fortes para se transcenderem e conhecerem,
uma sala repleta de alunos, com todas as condições para a inevitabilidade
de espreitar o colega do lado, durante os testes, durante os exercícios,
com a magnífica consequência de as notas se inflacionarem como balões de Ministra Estúpida,
um professor que lhes deu o benefício da dúvida e a contemplação condescendente
de esses subterfúgios, porque prefere essa paixão competitiva
à apatia dos alunos portuenses, abúlicos, doentes de lés a lés naquelas alminhas decadentes
e precocemente fumadoras e alcoolizadas em comas frequentes.
O ambiente em Portugal torna-se irrespirável
para quem quer Verdade e Justiça, Trabalho e Dignidade:
enquanto os Governantes se tranformam em Putas Caras para os MegaPoderes Globais,
praticam os fechamentos compulsivos de os Serviços Mínimos
que permitem a Velhinhos e a Crianças continuar Portugal no Interior:
o que se fecha Público há-de abrir Privado e, claro, mais caro.
lkj
E eu, senhores? Qvo ibo?
Sinto-me cansado e humilhado de tanta transumância docente!
Escrever consola-me e realiza-me, mas não me paga.
Para mim, preciso pouco. Mas os meus precisam de tudo.
Minha mãe precisa de tratamento médico de qualidade
porque a sua diabetes não está nada fácil.
Minha filha precisa de tudo.
A minha esposa...
Cá em casa há grandes necessidades que me guilhotinam de angústia.
E agora? Como perspectivar as coisas?
çlkj
Out law é para onde me sinto empurrado.
Ser um Jesse James desta vida e não ter lei senão a minha
uma vez que os Senhores-de-Portugal têm as deles para eles e por eles,
e não dão ponto sem nó, assegurando uma Teta infinita para uma massa clientelar
que obrigatoriamente pune de zero e desespero quem nela não se inscreve, como eu,
graças a Deus. O conceito de Árbitro atribuído a um Presidente neste momento
não passa de uma caricatura de ingenuidade e nulo.
Estamos todos tramados.
lkj
Enfim, de 2007 é o Último Dia e não tenho grandes motivos
para dizer ou sentir ou desejar as tretas do costume
em face do panorama que, passadas as delícias natalinas,
se me fulgura e parece espancar!

3 comentários:

Tiago R Cardoso disse...

Venho lhe desejar um Feliz Ano de 2008, que seja o realizar de todos os seus desejos.

Tiago

antonio ganhão disse...

Meu caro eu acredito que 2008 vai ser o nosso ano. Mas continuaremos explorados e mal pagos, haja Deus!

Anónimo disse...

Que este Novo Ano seja repleto de Paz e de Bençãos de Deus nas vossas vidas!

Beijinhos

Fa-