sábado, dezembro 29, 2007

SER OUTRO, NUM PAÍS QUE NÃO SE TOCA


Muitas e muitas vezes, as coisas (em) que pensamos e em que acreditamos
não podem ser escritas por nós. Outros, proféticos e compactos, as dizem.
Antecipam-se-nos nessa Rara Ousadia, em Portugal,
com que se exprime a dura verdade da falência espiritual de um Povo,
precisamente Agora. Hoje.
Mas até as pedras gritariam, se os blogocidadãos se vissem amordaçados
e constrangidos ao silêncio da submissão.
É nessa perspectiva que me sinto irmão-de-espírito
do meu querido amigo João,
comungando inteiramente o que a seguir dele se transcreve:
(Os relevos são da minha iniciativa.)
lkj
«Aqui, aqui e aqui, o Francisco José Viegas deu-se ao trabalho
- muito bem feito, aliás -
de "balancear" o ano que termina.
Não faria nem diria seguramente melhor ou muito diferente.
Permito-me, no entanto, acrescentar dois temas que marcaram o ano nacional.
O aborto, em cuja campanha contra o "porque sim ou porque me apetece"
participei, e a independência de espírito, ou melhor, a falta dela.
lkj
O absolutismo democrático do PS calou a sua esquerda
e enrouqueceu o dr. Louçã com a aprovação da lei do aborto
para melhor poder assentar esse seu absolutismo ensimesmado
na vassoural figura do chefe. Foi um passo em frente no "progresso"
- reparem como o ano encerra com um país mais rico,
próspero e confiante justamente em homenagem ao retórico "progresso"
e prenhe de excelentes perspectivas de renovação populacional -
e um passo atrás noutras coisas que agora não interessam nada.
lkj
Aliás, a cumplicidade da hierarquia cortesã da igreja neste "progresso"
ficou bem ilustrada na eloquência do seu silêncio.
Depois, a falta de independência de espírito que marcou,
e marca como uma doença incurável e terminal,
toda a sociedade portuguesa.
Senti isso de perto quando vi amigos de anos
e de intimidades feitas afastarem-se,
rendidos e vendidos à insolência dos tempos e curvados aos altares da correcção.
Sente-se isso todos os dias no nepotismo primitivo
com que se embala a pretensa democracia caseira,
onde pequenos ogres prosperam como varejeiras sobre a merda.
Sente-se isso na fala dos "comentadores" do regime,
falsos "independentes" sempre de bem com quem e com o que está.
Sente-se isso na gente que ocupa lugares e na gente que distribui os lugares.
A falta da independência de espírito corrói e infantiliza.
Jamais chegaremos a uma democracia madura com gente vergada,
mansa ou amansada pela tirania do correcto.
Também pouco importa que cheguemos a lado algum.
Tempo de chacais e não de leopardos,
tempo de Sedaras e não de príncipes de Salina,
este é um momento impróprio para os verdadeiros aristocratas de espírito
que aqui saúdo.
lkj
Pertencer a outra coisa que não a isto,
mesmo continuando a falar disto, é a vantagem deles.
É ficar - ou sair, como preferirem - por cima.
lkj
in Portugal dos Pequeninos

7 comentários:

Pata Negra disse...

Salvámo-nos dos "comentadores do regime" aqui onde eles não comentam! Eles podem comer caviar mas, aqui nestes blogs onde se sente o calor do chouriço caseiro, eles não entram!
Nem quero acreditar que depois dos enchidos de fumo a ASAE venha também querer higienizar os blogs!
Um abraço a este fumeiro

SILÊNCIO CULPADO disse...

Joshua
A terminar o ano de 2007 quero agradecer-te a pessoa que és e que me tem visitado e deixado mensagens de valor inestimável.
Que o Novo Ano de 2008 te traga tudo o que desejares
Beijinhos

Abrenúncio disse...

Caros concidadãos blogosféricos,


ano novo, vida nova.


Dentro do espírito fraterno que nos une, o Marreta, juntamente com uma comissão de festas independente a eleger, propõe-se organizar um repasto-regabofe-farra gastronómica de confraternização, troca de ideias, ideais, e puro convívio degustativo e copofónico.


A localização do evento será escolhida com o acordo da generalidade dos comensais, no entanto o Marreta poderá desde já adiantar dois menús possíveis que de certo irão ao encontro dos diferentes gostos pessoais:


MENÚ 1:


- HORS D'OEUVRES:Pâté au trouffes
- SOPA: Consumé de perdiz
- PRATOS: Chateaubriand, Tornedó au molho de Bérnaise
- VINHO: Bordeaux tinto 1935
- SOBREMESA: Creme de frutas e cassis
- Café
- Whiskye Cardhu 50 anos


Preço: 100 euros/pax




MENÚ 2:


- ENTRADA: Pézinhos de coentrada, salada de orelha de porco, torresmos, azeitonas e tremoços
- SOPA: Caldo de beldroegas
- PRATOS: Grão com mão de vaca, Feijoada à Transmontana, Jaquinzinhos fritos com arroz de pimentos
- VINHO: Tinto a jarro, branco à pressão (origem e ano desconhecidos)
- SOBREMESA: Fruta da época, Baba de Camelo
- Café
- Bagaço caseiro, aguardente de medronho directamente do produtor


Preço: 9,50 euros/pax




Agradece-se a quem estiver interessado em comparecer que confirme o mais antecipadamente possível (através da caixa de comentários do blog), pois devido à previsivel enorme afluência, a reserva do restaurante terá que ser feita com alguma antecedência.


Aceitam-se sugestões de locais, restaurantes, ementas, datas e tudo o que por bem contribuir para o sucesso da grande farra.


A bem da blogosfera,
o Marreta.

- Paula disse...

Misterioso....curioso!
;D

Anónimo disse...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.

Carol disse...

Feliz Ano Novo!

quintarantino disse...

Joshua,
Venho aqui propositadamente para te desejar um Próspero Ano Novo. Faço-o em meu nome pessoal, em sinal de reconhecimento pela amizade e estima.
E também em nome do NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAS