quinta-feira, dezembro 13, 2007

REFERENDAR O CU


Tudo isso é verdade e a Europa é isto
que cavalos-puxamos obedientes, mas!
Mas depois de ouvir hoje mesmo um inquérito de rua da RR
sobre o que os Portugueses/Lisboetas sabem acerca do Tratado de Lisboa
ou outras entrevistas do género,
além de uma raiva, uma frustração,
uma pena, um desgosto infinitos pela asininidade galopante
dos entrevistados, essa massa insciente, ridícula e alheada
que justamente por isso sustenta acritica e ininterventiva
a grande tirania democrática socretina,
mais sinto reforçar a ideia de que é preciso começar a pensar no instituto referendário
como uma imensa merda inútil e inconsistente, ó Pedro,
um infinito faz de conta que há democracia.
lkj
A Holanda e a França, não me venham com merdas,
não referendaram e chumbaram propriamente o Tratado Constitucional:
transformaram foi essa questão numa coisa marginal e lateral
tendo em conta interesses candentes no momento.
Basta retrospectivar a coisa devidamente.
Por isso, os referendos às questões europeias servem (ou têm servido)
para 'referendar' APENAS lutas interinas nos respectivos países,
para braços de ferro político-sociais,
como argumento negocial e/ou de chantagem sobre os respectivos Governos
e nada mais.
Porque intimamente, quanto à Europa
das monstruosas burocracias dogmáticas e assépticas,
o que vigora é mesmo um grande «Façam lá o que entederem!»,
Os Governos são pelo 'sim', as maiorias votam 'não' mas só
para infligir derrotas aos Governos com implicaturas noutros domínios.
Não compreendo para que raio serve um referendo
em cuja reflexão e sobretudo depois, na respectiva votação, todos se demitem.
No mínimo, o referendo necessita de ser ou compulsivo ou desaparecer
porque não interessa a ninguém e ninguém se interessa por ele.
lkj
Dito isto, parece-me que, tal como em Portugal
o «Sim» na recente questão abjectamente
colocada do Aborto-até-às-dez-semanas-grosso-modo
ganhou finalmente aderência, mas só à expendiosa segunda tentativa,
ou assim como a questão da ilimitação de mandatos
há-de ganhar na Venezuela do absolutista e aprendiz de Mugabe Chávez,
de igual modo, por desgaste e por demissão,
qualquer resultado zeugmático pode emergir estúpido de um referendo.
E é só por isso que, de momento, não tenho, decididamente,
esses cios democráticos por referendos
por funcionarem tão mediocremente,
por não tocarem na massa crítica de um Povo simplório
alheado das arquitecturas estruturais e organigramáticas
das instituições burocráticas europeias
para as quais se está a cagar,
um Povo simplório que nunca referendou a República,
(elites 'ilustradas' a erigiram ressentidas, que era moda o ressentimento!)
que nunca referendou a Monarquia,
que nunca referendou a Igreja e a Grande Loja,
(fenómenos popular e plutocrático respectivamente)
que nunca referendou a Guerra e a Paz, (para isso houve Salazar e Durão),
que nunca referendou a Pena de Morte, a Eutanásia, a Poligamia e o Celibato
e a Abolição da Escravatura, (talvez as coisas fossem bem diferentes se referendadas)
ou a manipulação indecente das TV's e outros media pelos sucessivos Governos.
lkj
Não, decididamente não tenho como ter
quaisquer cios democráticos por referendos.
Nem percebo como tu, Pedro,
na tua tão bem-pensância, os tenhas, filho!

2 comentários:

Tiago R Cardoso disse...

Pois eu sou totalmente a favor do referendo.

Ricardo Rayol disse...

pelo visto aí como aqui o desconhecimento de causa corre solto