terça-feira, julho 05, 2011

DA DESONESTIDADE POLÍTICA

10 comentários:

floribundus disse...

-quem é o 'cabiludo'?
-alguém que sabe tudo

Miguel Rocha disse...

Vou dar a minha opinião enquanto ex-aluno. Na verdade, ainda frequento o 2º ciclo do ensino superior, mas não me considero aluno. Se aluno sou é dos livros e artigos que li para minha tese. Eu, no ensino primário, frequentei uma escola com poucos alunos, numa zona que não é bem interior, nem é bem litoral, fica no limbo. Na minha sala de aula existiram sempre dois anos de ensino. Era uma escola pequena, velha, do tempo da 1ª República, apenas com duas salas. A turma era fraca. Eu era o melhor aluno, mas desde essa altura ficaram graves problemas na minha formação enquanto letrado, nomeadamente ao nível da gramática e na matemática, nas contas de dividir, ainda hoje não as sei fazer (e acreditem que até sou rápido a fazer contas de cabeça). Com 8 anos, a meio do meu 3º ano escolar, mudei de escola. A autarquia tinha inaugurado uma escola nova, bem equipada, com cantina, campo de jogos, pavilhão polivalente, seis salas de aula e até pré-primário! Contudo, na nova escola continuei a ter na mesma sala alunos de anos diferentes. Passei de uma escola pequena, sem condições físicas (que sinceramente pouco me apoquentavam), perto de casa, para uma nova, longe de casa. Mudou o edifício, agruparam-se vários edifícios num só, mas a escola, enquanto conjunto formado pelo professor e pelos discípulos, seguindo uma doutrina e um sistema específico, continuou na mesma. Das duas experiências que vivi, retenho que o importante não é se a escola é grande, se têm muitos alunos, ou poucos. O que importa é que os conhecimentos básicos de raciocínio, fala, escrita e comunicação ficam ou não bem retidos. Os alunos merecem um acompanhamento personalizando, que tenha em conta o seu ritmo e necessidades específicas (eu merecia). Tinha sido mais útil para a minha formação a colocação de outro professor na sala, que permitisse um acompanhamento mais próximo.

(cont.)

Miguel Rocha disse...

Por vezes, usa-se como desculpa para o encerramento das escolas o facto de nas mesmas existirem alunos dos vários anos de escolaridade numa só sala. Para os defensores desta tese, esta situação necessáriamente, e numa correlação simplista, prejudica a aprendizagem dos alunos. Quando frequentava o básico tinha uma professora de história (desde sempre a minha melhor disciplina, aquela que amava profundamente) que achava que deveria ser colocado noutra turma, com um nível de qualidade superior, pois, no seu entender, isso teria uma influência positiva na minha formação. Tinha razão. Só compreendi isso quando "andei" na universidade, quando na minha turma de licenciatura me vi rodeado de colegas de um calibre cultural e capacidade de raciocínio superiores ao meu. Nesses três anos aprendi muito, cresci muito com aqueles que se cruzaram no meu caminho. Aonde quero chegar? Simples. Nas escolas pequenas do ensino primário, se por um lado os alunos mais velhos não têm quem puxe por eles (ou não? O professor por exemplo), por outro os novos beneficiam da sua presença, pois têm o privilégio de ter como colegas meninos mais "sabedores". O que é necessário, seja a escola grande ou pequena (não me parece um problema fundamental), é criar condições para que as capacidades dos alunos se desenvolvem e as questões básicas da escrita, da língua e do cálculo fiquem devidamente apreendidas. É necessário para isso valorizar a educação, dotando o aluno de um programa coerente e exigente e de tutores que saibam potenciar aluno. De um lado o programa curricular básico, do outro o professor que escolhe os métodos e a didáctica a adoptar em função da turma e do aluno. No final de cada ciclo o aluno é avaliado num exame para a sociedade comprovar que o mesmo aprendeu o que devia aprender. A mim pouco me importa se o exame é feito por a ou b, o que interessa é que corresponda nas perguntas ao que o aluno têm a obrigação de ter apreendido, que lhe exija a demonstração das capacidades definidas para o seu nível. Para mim, é nessa avaliação que também se avaliam os professores. Pouco importa se o professor ensina os alunos com cantigas, usando e experimentando exemplos práticos, com meios audiovisuais ou não audiovisuais, se é numa escola nova ou velha, com poucos ou muitos alunos. O que interessa é o aluno reter e apreender o currículo.

Miguel Rocha disse...

Se isso suceder numa escola pequena, com poucos alunos, e ninguém me provou que não acontece (já dei o meu exemplo, referindo que o que era numa, continuou igual na outra), para quê fechar?? Não será mais importante o currículo e o professor?? Não será mais importante as leituras que a escola têm a obrigação de ter e de facultar ao aluno?? Não será mais importante os pais e a sociedade valorizaram a formação intelectual dos seus membros?? Não interessa o que cada aluno sabe no 1º ano, se aprende mais depressa ou de forma mais lenta, a saltar ou a rodar, o que interessa é que no final do nível de ensino saiba!! E isso não acontece. Eu não sei fazer contas de dividir, não sabia na altura, e não sei hoje.

joshua disse...

Ultimamente, o ensino inverteu as prioridades: os alunos passam sem saber, sabor ou esforço. E os professores são 'classificados' em função disso.

Quanto ao mais, belíssimo e instrutivo testemunho, Miguel.

FAÇA O SEU PRÓPRIO FLUVIÁRIO SEM FAZER MUITA FORÇA disse...

ã diminuição dos currículos do 2º e 3º ciclo é fundamental para evitar a dispersão

dar mais ênfase à matemática e ao português no 2º ciclo
seria interessante

o fecho de escolas com 21 alunos e um professor ou dois

não são a morte das aldeias

porque a morte do mundo da ruralidade profunda é inevitável

Carlos Pires disse...

Na verdade o que o Santana Castilho conseguiu foi mostrar que Passos Coelho teve razão ao preteri-lo a favor de Nuno Crato.

Anónimo disse...

Como entrei para o ensino primário em 1971, como não tive irmãos muito mais novos, como não tenho filhos e porque não ligo aos meus sobrinhos, muito cedo (muitíssimo) deixei de me ralar com a Escola. Minha Mãe sim, pois era professora - e descrevia-me 'horrores' desde o gonçalvismo (milnovecentosesetenteicinqueiro), depois do gonçalvismo e já muito, muito depois do gonçalvismo. Como tive de estudar que nem um animal de carga para poder entrar no IST (onde depois se chumbava alegremente e às centenas largas...), estas questões "dos exames como 'instrumento apenas'(!)", da "avaliação" (seja de alunos ou professores) e "políticas de educação" deixa-me sempre nervoso e com vontade de vazar olhos. À Escola exige-se que:
1-exista fisicamente.
2-que essa existência passe por edifícios e por pessoas
3-que essas pessoas cumpram a parte que lhes cabe, o professor obrigado contratualmente a ensinar; e o aluno obrigado a estudar e a saber. Se o aluno não sabe, deve CHUMBAR E REPETIR O ANO AS VEZES NECESSÁRIAS PARA SABER.
4-que os programas sejam exigentes, estimulando e puxando pela cabeça das crianças/jovens - e não O CONTRÁRIO sendo apenas uma colecção de 'conceitos' (!!!) confortável para meninos, professores, papás e mamãs e pedagogos enquistados em confortáveis e esquerdistas gabinetes de Lisboa (que mais não querem senão perpetuar a falácia do "Bom Selvagem" e adaptar a realidade a estatísticas queridas)
5-que os programas contenham MATÉRIAS FUNDAMENTAIS E ÚTEIS PARA QUALQUER CIDADÃO NO FUTURO, assim como para o PAÍS QUE GASTA DINHEIRO A ENSINAR; ou seja, que ensinem a RACIOCINAR, PENSAR, LER, ESCREVER, CONTAR.
Poderia continuar aqui a bradar e a chorar, mas não o farei. Apenas refiro que alguém, lucidamente, disse que "igualdade de oportunidades não significa igualdade de resultados". Tudo o resto se deveria submeter a isto. Desmantelar novelos burocráticos, carreirismos, comodismos, teimosias e teorias puramente corporativas e subjectivas é URGENTE. A Escola deve servir o País, a sociedade e o futuro. Na India existem milhões de meninos que sentados na lama aprendem em quadros clássicos a calcular rápido e com superiores resultados.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

O Prof. Santana Castilho que me desculpe - mas considero-o uma espécie de Dr. Emmett L. Brown, com cabelo preto, mas sem a bonomia, a modéstia, a loucura simpática, o génio e o rasgo do 'original'.

Ass.: Besta Imunda

Dédé disse...

Também me parecia que aquilo das eleições teve uma boa dose de concurso de penteados. E nisso temos de convir que o Pedro tem um penteadinho muito mais à maneira...