sexta-feira, julho 01, 2011

PASSOS NÃO É SÓCRATES

Alguns socialistas murchos, outrora impassíveis e agora nostágicos de quando eram eles a mentir ou a servir de guarda-costas à mentira, vendo no saque ao subsídio de Natal a oportunidade perfeita para assimilar Passos aos lugares comuns acentuados por Sócrates, vêm recordar-nos a lei inexorável da traição à palavra dada no exercício do Poder. Mas há aqui uma distinção a operar. Sócrates nunca tirou o pé do acelerador de quaisquer erros nem mesmo da inconsubstancialidade entre as palavras ditadas pelo teleponto e realidade sofrida pelos cidadãos. Nunca se furtou a mais dívida, nunca a susteve e, pior, nunca refreou o luxo que tomava para si naquele absoluto e criminoso escárnio da nossa penúria. Mesmo nos piores momentos do País, com os juros a escalar, insistiu em almoçar com requinte nos melhores restaurantes de Lisboa para engolir os melhores nacos e insuflar-se de pose, sempre escarninho e indecente, apesar dos insultos da clientela que não se coibia em recordar-lhe o escândalo de, em face dos apertos em que mantinha o País e das mentiras em que cinicamente persistia, se locupletar como um déspota africano qualquer. Quando ia a Milão, num saltinho de Falcon, a comprar os seus fatos caríssimos e paradoxais, as suas peúgas e as suas boxers de seda, desembolsava a doer e sem remorsos, apesar de por cá as gentes resvalarem para o desemprego, a míngua, a fome. Viciado em si mesmo e na satisfações dos seus sentidos, fez-se primeiro-ministro para si mesmo e para os seus. Contra o que Marcelo Rebelo de Sousa defende, há uma prisão seráfica e vexatória a aguardar tal criatura. As razões são infinitas. Tal criatura, imiscível com gente, nada tem a ver com Passos, cujo percurso fez-se segundo princípios de modéstia e moderação. O novo primeiro-ministro mostra empatia total com as pessoas, gosta da gentes por si mesmas e não por que lhe afagam o ego, sabe sofrer e misturar-se connosco, é um de nós. Compadece-se realmente dos cidadãos e por isso fará, tal e qual, os sacrifícios que é forçado a submeter-nos e tomará as decisões que tiver de tomar segundo o interesse geral, por demasiado tempo espezinhado pelos socialistas. Portugal precisa da Sorte invocada pelo ministro Gaspar, mas precisa especialmente dos velhos sentimentos imortais compendiados na mente e no coração dos que vivem segundo o Espírito: Verdade Honesta, Compaixão Actuante, Justiça Imparcial. Deste lado, a mesma vigilância ardente de um ardente patriotismo.

9 comentários:

Anónimo disse...

Sim. Rotinados na encenação e na mentira, ex-ministros e ex-secretários-de-estado - assim como o deputedo novo e velho do PS - julgavam poder lamuriar parva e ardilosamente na AR, atingindo com frases chicas-espertas o ministro Gaspar. Afinal "sabemos todos que vai haver recessão e mais desemprego; todos o sabem lá fora e será melhor que não o ignoremos cá dentro; credibilidade". Limpinho: as velhas retóricas aputefadas do parlamento embatucaram, desconfortáveis, sem táctica e de garganta seca. Oxalá a provinciana e chula máquina partidária do PSD-autárquico compreenda também.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

800 milhões cortados no Natal dos portugueses, mais 1000 milhões para o BPN.

Donatien disse...

Pois não.
Apenas uma coisa pode ser idêntica a si mesmo.
Mas é igual...

floribundus disse...

sapatilhas não concluiu a licenciatura disse o prof em tribunal.

queixa-crime por gestão danosa

Contra.facção disse...

O Sócrates provou que era o besta. Pronto.
Por que é que Passos é santo, mesmo mandando-nos para o inferno?
Clubismo, tudo bem! Partidarismo clubista, por favor... a gente também pensa.

Anónimo disse...

Junta-te a um país virtual: http://tinyurl.com/42xc5n3

Dédé disse...

Não é Sócrates, mas está a ficar cada vez mais parecido:
DAS PROMESSAS À REALIDADE Então e qual foi o VISTO FAMILIAR ao IMPOSTO DE NATAL?

Miguel disse...

Têm razão dédé, já tinha reparado nisso. A mim pareceu-me logo que isso do visto familiar, era uma treta alvitrada pelo CDS. Quanto a parecenças: são políticos; fica-se por aqui. Mas, a medida ainda não está formalmente formulada, por isso, quem sabe, talvez se lembrem da importância da família. Deve um pai de família que ganhe 1500 euros, cuja mulher esteja desempregada e possua 3 filhos, contribuir da mesma forma para este sacríficio em prol da Republica que um colega seu, solteiro e com iguais rendimentos? Mais e então as fortunas milionárias e as transacções financeiras?? Não devem elas, por igual, fazer um sacrifício nos seus rendimentos? Justificações necessitam-se. Não basta andar em económica. Eu compreendo que se façam sacrifícios, estou disposto a fazê-los, mas não para voltar ao mesmo filme. Já agora um conselho aos socialistas: só quando expurgarem Sócrates serão levados a sério.
Espero, assim, que a medida seja implementada com maior justiça social, mesmo que me prejudique a título pessoal, já que sou um jovem solteiro que ganha mais que um salário mínimo. O ridículo é este: se retrocede-se 10 anos, o meu pai (pouco mais ganhava que o salário mínimo), então pai de família e a única fonte de rendimento da mesma, pagaria mais do que eu hoje vou, em principio, pagar. Mais justiça social exige-se.

Miguel disse...

Têm razão dédé, já tinha reparado nisso. A mim pareceu-me logo que isso do visto familiar era uma treta alvitrada pelo CDS.*

(não me perdoem os restantes erros ortográficos, não me ajuda em nada).