sábado, julho 30, 2011

IMPRESSÕES BRASILEIRAS

1. O Brasil que reencontro agora em 2011 soa-me [e sabe-me a] particularmente diverso daquele que descobri em 2007. Ainda não descortinei se será dos meus olhos. Num momento em que todos os indicadores da economia são fabulosos no plano federal [receitas fiscais, actividade económica explosiva e invejável], ao nível do povão médio-baixo e médio-médio as razões legítimas para um certo ufanismo nacional servem talvez para camuflar a óbvia ressaca geral depois dos excessos de uma vida a "crédito" [extrabancário, mão em mão, clandestino], quando o crédito e o fraccionamento milimétrico dos pagamentos era instigado como vício e modo de vida. O mergulho na realidade dura, com a sua sobriedade e contenção forçadas, conduz a um evidente retraimento da componente social ao ponto de se poder pensar que, por este caminho, um certo Brasil ainda afável e sensual não escapará, no espaço de cem anos [psicológicos ou reais], à frieza e ao individualismo que castigam o hemisfério norte. 2. A região pernambucana em que me encontro, Vale do São Francisco, floresce economicamente graças à produção frutícola, sendo que a ignição de esse crescimento feliz, pelas sólidas safras da manga, coco, da uva ou do caju, se deveu em grande parte ao empreendedorismo japonês, israelita e também português, no aproveitamento do potencial hídrico do rio São Francisco. O interior de esse Nordeste há muito que já não é o mesmo. Mas só pode crer quem puder ou quiser ver. 3. A esta distância, Portugal parece-me um local imóvel há séculos, fulminado pela ganância de uma elite política e económica medíocre, egoísta e incapaz, que prefere conservar o país pobre e repleto de empobrecidos, onde as cartas estão todas marcadas: poderão os nichos onde se abrigam os mais ricos entre os ricos do mundo suster o absurdo construído até aqui? O lixo de crimes e inépcias que se vai desenterrando não surpreende, mas a placidez e a contemporização da sociedade, essas sim. E enojam. 

1 comentário:

Carolina Louback disse...

Não conheço esse país que descrevestes principalmente sobre o empreendedorismo que falas. Desconheço. ¨pelas sólidas safras da manga, coco, da uva ou do caju, se deveu em grande parte ao empreendedorismo japonês, israelita e também português, no aproveitamento do potencial hídrico do rio São Francisco.¨ Preciso me inteirar o que sei é que o povo nordestino soa a camisa e se tem imigrante por ai deviam dar graças a Deus da gente tratá-los bem e de poderem comer do fruto dessa terra. É o que falta.
Aliás, falas de crise, que crise, a que somos catedráticos em vencer?