sexta-feira, março 07, 2008

BACH PARA EXPATRIADOS


É bom, não é mau!, escutar o meu Bach
através disto que me cyborguiza e extraterrestrializa MP4 -
«Ruht wohl Ihr Heilige Gebeine», da Johannes Passion -
e ter pensamento aqui, neste lugar público onde me cumprimentam, se eu deixo,
os vultos longínquos de quem me viu crescer ou não quis ver.
Ter pensamento, pensar no drama ingente da vida
para quem é pequeno e sentenciado no mundo canídeo que se tece.
Talvez muitos tenham um «Não Satisfaz» ou dois
porque já ninguém tolera a maravilhosa mediocridade
no seio magnânimo das nossas sociedades sem freio na orgia preferencial com o dinheiro.
E a quem não é consentido ser medíocre cá dentro
será - foi sempre assim! - extraordinário e excepcional lá fora, num novo País imprevisto.
Como aqui é normal que algo de errado nos erradique,
100 mil a trabalhar fora à semana e a descansar cá ao fim-de-semana,
descobrimos em bom tempo, depois de alcançar essa Pátria Nova de Emigração a contragosto
que não se aparvalha em nos pagar melhor que mal
que o problema nunca fomos nós, é Portugal.
lkj
Mentem, fazem de nós uma Frulac que não foi,
uma Martifer que não pode,
uma Logoplaste que não é.
çkl
E todos babam pelo trabalhador português, que é o mais dedicado, disponível,
o que mais veste a camisola, o que tem mais qualidade: é o melhor do Mundo!
E todos admitem que a produtividade é, antes de mais,
um problema de boa gestão e não só ou sobretudo de qualificação laboral.
E todos reconhecem que a amplitude salarial não deveria ser a que vigora obscena em Portugal. Que um País será sempre miserável e injusto com a extinção da classe média.
Música de empresário português bem sucedido e em expansão pelo mundo!
lkj
Regresso ao meu Bach,
através disto que me cyborguiza e extraterrestrializa MP4 -
«Ruht wohl Ihr Heilige Gebeine», da Johannes Passion,
é melhor que me aconchegue a Bach,
é bem melhor que Bach me venha abençoar
neste sítio familiar, no segredo secreto de o ouvir nesta mercearia familiar com confeitaria,
onde todos os da família são imensos, feios e gordos,
todos parecidos com o DeVitto-Penguim, rival de Batman,
todos merceeiros apaixonados por dinheiro e sem rasgo para promoções
e ilusões de promoções e a alegria de talvez oferecer alguma coisa a alguém.
lkj
Há dias, quase todos, em que só Bach me salva!

1 comentário:

Anónimo disse...

Herrlich, wunderbar! Es ist ein klein schatz. Danke, mein freund.