domingo, março 23, 2008

HALLELUJAH! DUAS COISAS DE PÁSCOA


Duas coisas, nesta pausa de Páscoa a que me dei:
cruzar-me na rua com o Zé Manel, Poeta vizinho amigo, genial, humilde,
atravessá-la expressamente para abraçá-lo e ser abraçado por ele.
Tivemos as curvas e contracurvas desentendidas da vida
e não nos falávamos nem nos abraçávamos justamente desde a última contracurva,
e a última contracurva fora no ano 2000.
Mas sempre tivemos este comum fervor pela Palavra e pela boa conversação,
e partilhámos muito sublime, muita intuição de futuro e de fé.
Consciência aguda das minhas amarguras por causa dele, admitiu à queima-roupa:
«Sei que não te tratei lá muito bem no passado.
Mas, olha, são fases. Podes imaginar.»
lkj
Para mim já tudo se tinha dissipado há muito, erodido pelo tempo. Passou.
Era o abraço e a amizade ali, bem vivos, o que então contava.
Agora somos mais vizinhos de e-mails, coisa que nos prometemos manter,
e no PALAVROSSAVRVS REX, meu manifesto quotidiano,
onde todo me verto e onde todo me dou,
talvez me aceda ele no melhor e mais solene dos silêncios.
lkj
Certo é que nos abraçámos com calor, com o despojamento-ternura de amigos,
trocámos breves e intensas palavras de cumplicidade do que tem sido isto
de estarmos parece-que vivos.
Perguntar de mais um do outro de passagem não nos teria respondido.
Só o afecto contava. E comoveu-me a nossa nudez de razões,
o estarmos ali desarmados de tudo,
até das dores e equívocos passados, para nos reencontrarmos
como quem morreu e agora está Limpo e Ressurrecto no Amor Essencial.
lkj
A outra coisa - e eu sou um gajo muito sensível e impressivo e por isso muitas vezes me engano -
foi o modo como outro amigo me evitou, fugiu literalmente de mim,
e nem sequer o perseguia eu. Acontece que seguíamos para o mesmo destino
e eu conduzia atrás, acenámo-nos, ele pelo rectrovisor,
aquando de uma travagem, para que alguém atravessase,
que nos fez reparar que éramos nós,
e depois fui notando que para onde intentava eu ir, ele ia também.
Foi então que ele desatou a inventar voltas sem sentido e eu toquei-me.
Depois de seguir demasiado tempo atrás dele, na esperança de que afinal apeássemos ali
e nos cumprimentássemos, vi que não tencionava estacionar, não faltando lugar para isso,
e, seguindo o meu caminho, parei, estacionei, algo magoado.
lkj
Pensei no desarranjo mental e na perplexidade que quem me leia aqui sentirá
caso, conhecendo-me previamente na carne e no osso, não dissocie a minha pessoa
dos textos-em-arte que emito. E desgostou-me essa rejeição talvez precipitada.
Não serei porventura o mesmo?
O mesmo apaixonado de Cristo, da Vida e da Humanidade?
O mesmo inconformado com tudo e que quer puxar com violência o Céu
para esta Terra de lodos, desgraças e terríveis assimetrias?
Sou o mesmo, Sérgio! Sou o mesmo!
lkj
E ainda que me tornasse o mais tremendo leproso
na minha carne e no meu espírito,
precipitado no inferno do pecado, do vício, do zero,
dissolvido na perda do meu sal de intocável e introcável integridade,
um destroço humano de alguma vez ter tido Fé no Ressuscitado e agido em conformidade,
se ainda assim eu fosse esse nulo, ao ver-me,
no teu lugar, eu pararia na berma,
sorrir-me-ia, como só tu o fazes, viria apertar-me a mão e dir-me-ia:
«Olha, joshua, aqueles que se diziam muito teus amigos,
além de te ignorarem deliberadamente, envergonhados de ti,
dizem que estás doido, que insultas tudo e todos no teu blogue.
Mas eu sei que são burros. Mal lêem o que escreves ou não te sabem ler de todo.
Eu oiço o que dizem e até fico a pensar se não têm alguma razão.
Depois entendo que ficam é perdidos, paralisados na forma, na letra, e ignoram o espírito.
Por isso, se te sentes feliz nas tuas causas, poemas e inconformismos, continua!
Talvez um dia até eu te consiga compreender devidamente e eles também.»
lkj
Aí, Sérgio, seria Hallelujah!
lkj
Porque ser segregado e mal visto por quem me desconhece é-me igual.
Mais perdem. Não perco nada com quem não me entenda.
Sê-lo agora pelo efeito perverso
dos mecanismos de rumor filho da puta
entre os muitos invejosos e inseguros que se diziam meus amigos,
já é mais intolerável porque denunciador da subdesenvolvida mente pequenina
da aldeola em que nasci, quando por todo o Cosmos ressoa a Alegria da Salvação
não a Alergia e a Murmuração.

2 comentários:

Ivo Salvini disse...

Hi, I am Ivo that of Alla Ricerca Del Paradiso Perduto.
Have I put your link among the friends, don't you want to do the same?
Thanks in advance.
Hi
Ivo

Blondewithaphd disse...

Amei este teu texto. Como me revejo aqui e em ti.
É pena que a amizade seja este vaivém de inconstâncias, quebras e desenganos. Aprendi que a vida segue. Duramente, é certo, mas aprendi. E também aprendi que a dor da quebra de laços é, afinal, suportável. Pior, aprendi que conseguimos insensibilizarmo-nos a ela. Porque, Josh, o que eu mais aprendi é que primeiro temos de nos respeitar a nós. E nós devemos ser o mais importante nas nossas vidas. Mas... chegar até aí...

Bom Tempo Comum, já que aqui não vim de propósito desejar-te a boa Páscoa!