terça-feira, março 11, 2008

O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES...


...às vezes é bem melhor que o Abrupto feito pelo seu autor efectivo
e isto é só chocante porquanto José Pacheco Pereira tem demonstrado
um especial comprazimento com o tratamento de polé
que é dado a pessoas como ele, comprimidos contra a parede,
na verdade, escravizados - não vale a pena suavizar! -, sodomizados pelo Sistema.
lkj
Tendo em conta as suas responsabilidades de opinador 'fundamentado' e influente,
vê-lo sistematicamente subscrever exclusivamente uma parte é, repito, chocante.
Mas é um homem magnânimo, que dá a voz aos que o lêem e pensam em sentido oposto.
Os que o lêem perdoam-lhe a insensibilidade mediática no Quadratura e noutros Fora.
lkj
Já sabem que as suas piruetas discursivo-temáticas têm alvos preferenciais
e como também ele é um dos que provêm da Extrema Esquerda
vertida hoje em tecnocracia decisória totalitária irredutível ou em aberrações
parecerísticas ad absurdum como Vital Moreira.
lkj
Lembro e louvo António Câmara e tudo o que pensa acerca do conhecimento
enquanto dimensão poligonal partilhável, hoje ao alcance de todos,
completável com a experiência particular e a sensibilidade de todos
e que deve fundamentar devidamente quaisquer decisões
porque o tempo do unilateralismo acabou
e a assumpção de representar a vontade popular
particularisticamente tem os seus limites de bom senso e abusivo absurdo:
lkj
(...) Antes de mais, convém perceber que a revolta dos professores não é de agora e tem que ver com muitos mais factores do que a Avaliação de Desempenho. De facto, há muito que se sentia entre os professores um mal-estar latente. Note-se que foi com este Ministério da Educação que, entre outras medidas, os professores passaram a ter um horário na escola mais alargado, as progressões na carreira congeladas, a idade da reforma adiada para os 65 anos, aulas de apoio e de substituição por sua conta e um regime de faltas e de interrupções lectivas muito mais apertado. Tudo isto medidas que, independentemente da sua justiça e urgência, infligiram aos professores perdas nos seus direitos outrora adquiridos.Claro que, por si só, estas medidas não eram justificativas de grandes contestações, mas somadas, uma após outra, foram mais do que suficientes para que a classe docente se sentisse ferida e perdesse a confiança no Ministério de Educação. À custa disso, os sindicatos reforçaram o seu papel junto da classe docente e tornaram-se os principais, senão únicos, fazedores de opinião credível entre os professores, adoptando uma postura de clara oposição a tudo o que emanava do gabinete da Ministra. Está bom de ver que, a partir daqui, só faltava uma boa desculpa para que a bolha da insatisfação explodisse para fora das escolas.Os sindicatos quando pegaram na questão da Avaliação do Desempenho dos Professores fizeram-no com óbvia má fé, fazendo crer que o que aí vinha iria tornar a vida dos professores no inferno, impossibilitando que qualquer professor subisse na carreira. Os professores, completamente manietados e acríticos, nem se deram ao trabalho de ler a legislação e de dar o benefício da dúvida ao Ministério da Educação em algo que, não sendo perfeito, é mais do que necessário e justo fazer. Afinal, a sua posição há muito que estava tomada.João Filipe Marques Narciso
lkj
(Professor de Matemática do 3º Ciclo e Secundário)
lkj
Sou um dos muitos milhares de professores que desceram da Avenida da Liberdade até ao Terreiro do Paço no último sábado. Sou um dos muitos milhares de professores em luta e de luto pela Escola Pública de Massas que os modelos mercantilistas e a excessiva regulamentação centralizadora têm vindo a pôr em causa. Sou um dos muitos milhares de professores que sabe muito bem porque não quer estas políticas. Mas também sou um dos que procura discutir e debater propostas alternativas.Por isso faço parte de um dos grupos de reflexão da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino - APEDE, recentemente criada e que se fez representar também na manifestação de dia 8. Uma vez que ainda não nos é possível um acesso regular aos mídia, (...) aproveito para dar a conhecer um texto resposta a um dos opinion makers que prima pelo alinhamento governamental:
O Centralismo “democrático” e o Mercado. Os modos de regulação das políticas públicas têm vindo a alterar-se nas últimas décadas. Como é natural as políticas públicas de educação não poderiam de forma alguma ficar de fora desse movimento.No entanto, não deixa de ser curioso constatar que algumas pessoas que têm uma aura de intelectualidade reconhecida e aparentemente honesta se deixem embrulhar pela espuma desta onda de mudanças, ao ponto de, perdendo o Norte, defenderem hoje o oposto do que defenderam toda a vida e em nome dos mesmos princípios.Um desses casos é o de Vital Moreira que consegue, num artigo publicado na Net, defender o mercado e a mercantilização da Escola Pública, afirmando-se defensor dos princípios de igualdade, desenvolvimento e mobilidade social que apenas a Escola de Massas pode garantir.Se o “professor” fizesse um esforço para não esquecer a História da Escola de Massas, recordar-se-ia que a estratégia desde sempre seguida pelo Estado foi a de realizar alianças preferênciais, excluindo da regulação da Escola Pública os parceiros que definiu como incómodos em cada momento histórico.Se é verdade que assiste razão aos pais e à comunidade em geral, no que toca à sua exclusão da participação na regulação da educação, a responsabilidade desse facto não pode ser assacada aos professores mas sim ao Estado, que tradicionalmente utilizou o saber destes profissionais para estabelecer uma regulação burocrático-profissional centralizada.Numa altura em que é manifestamente difícil para o Estado manter o controle centralizado das suas políticas e porque receia que o saber dos profissionais lhes garanta a autonomia que possa ser usada em associação directa com as comunidades, resta a esse Estado centralista e centralizador a promoção de uma aliança privilegiada com os pais, enveredando por soluções de quase mercado. Para isso torna-se imprescindível diabolizar o anterior aliado, o saber dos profissionais, através de acusações de incompetência, defesa de interesses meramente corporativos, ou controle e instrumentalização partidária. E nesses truques totalitários, o “professor” é pessoa experimentada e com provas dadas.
llkjj
Francisco José Santana Nunes dos Santos,
Professor Titular do Ensino Básico
(a quem a avaliação não afecta em termos de progressão na carreira)
çlk
Os desvaloriza... dores
Tenho, nos meus arquivos, uma grande colecção de recortes da imprensa, aos pares, que são do seguinte teor:«Tribunal Constitucional arrasa contas dos partidos» / «Partidos desvalorizam (...)»;«Tribunal de Contas arrasa empreitadas públicas» / «Governo desvaloriza (...)»;«DECO arrasa serviços dos CTT» / «Administração dos CTT desvaloriza (...)»;«OCDE arrasa (...)» / «Governo desvaloriza (...)».«Adeptos do (...) provocam distúrbios» / «Presidente do (...) desvaloriza (...)»E por aí fora, a que se juntam muitas outras "desvalorizações", não aos pares, mas igualmente bizarras, como a do Ministro das Finanças que "desvaloriza" o facto de o Estado deixar prescrever dívidas fiscais no valor de quase 800 milhões de euros, a do Ministro da Administração Interna que "desvaloriza" a onda de criminalidade, etc. etc.Agora foi a vez de a Ministra da Educação e de José Sócrates "desvalorizarem" o gigantesco protesto dos professores.Bem... cada um lá sabe de si. Mas o que pensaríamos de alguém a quem fossem avisar que tinha a casa a arder e que, com um ar de superioridade, "desvalorizasse" a informação?
lkj
(C. Medina Ribeiro)
çlk
No caso da avaliação dos professores, tem-se utilizado o argumento de que em 100% de funcionários da Administração Pública (AP), cerca de 30% são professores que escapam às virtudes empresariais do tipo de avaliação imposta aos restantes.A matriz desta avaliação dos funcionários da AP existe desde 1982 e, até 2003, era aplicada como indicador de qualidade, empenho e eficácia.Todavia, tendo-a utilizado, considero que não existiam na AP metodologias de organização, parcial e comparada, para que essa avaliação cumprisse o seu objectivo.Embora, em teoria, admitisse uma acareação entre o dirigente que classificava e o funcionário classificado, prestava-se a desmandos.Quer do dirigente directo do funcionário, quer do dirigente desse dirigente, quer do superior dirigente que avalizava a operação.Prestava-se também, entre outros vícios, ao de pretender avaliar desempenhos em Serviços dependentes de Direcções subjugadas por uma ausente ou negligente orientação política. E ao de, de modo ínvio, se permitir avaliar funcionários pelo desempenho do respectivo Serviço, onde as chefias não era avaliadas.A partir de 2003, nesta avaliação deficiente, embora aceite como justa, acrescentou-se explicitamente o critério – até aí implícito – do numerus claususUma solução simplista usando um critério exclusivamente economicista para a redução da despesa da AP.Será que, aceitando a figura da avaliação, queremos para os professores avaliações deste tipo?Onde um Muito bom, com a aplicação dos numerus clausus acaba num Bom?Ou, ainda pior, avaliações em que técnicos altamente qualificados sejam testados por principiantes ou por técnicos de outras áreas?Teremos que aguentar tanta falta de rigor numa área tão científica?
lkj
(MJ)
lkj
1- A educação em Portugal é um dos problemas mais preocupantes do país pelos reflexos a médio e longo prazo que originarão; O FALHANÇO DA EDUCAÇÃO é uma espécie de bomba relógio que irá rebentar nas gerações vindouras. Ao contrário de outros sectores, os “buracos” na formação não se remedeiam com novas medidas. Em muitos casos o processo não será reversível­­­.
2- O investimento público na Educação é muito elevado, e não são aceitáveis as crónicas desculpas da falta de meios. A invasão do aparelho do ME por gente “especialista na educação” em que os fins se esgotam nos meios, é um flagelo só comparável à filoxera que dizimou os vinhedos do alto Douro.
3- A actual equipa ministerial atacou alguns problemas importantes: escolas sem alunos, aumento de permanecia na escola no básico, aulas de substituição..Fê-lo porém de uma forma agressiva, em que desde inicio colocou os professores, não apenas os maus professores, como vilões a abater.
4- Os sindicatos, como vem sendo hábito, estiveram sempre na defesa do patamar anterior e contribuíram para que a opinião pública julgasse a posição dos professores como mera defesa corporativa de privilégios adquiridos.
5- A ministra fala em intenções louváveis, que quase toda a gente subscreve. Onde está então o problema? Simplesmente na implementação concreta de tais intenções.
6- Quando publicamente se defende a inclusão, o rigor e a aprendizagem mas as direcções regionais tentam impor até ao limite que, por exemplo alunos dos Cursos de Educação Formação que entrem, têm de sair com um diploma (falo em casos concretos devidamente testemunhados), que podemos concluir da veracidade do discurso?
7- Quando se pretende que os alunos superem a má preparação mas ao consultar a Lei n.º 3/2008 se verifica que no artigo 22 (Estatuto do Aluno) que os alunos faltosos sem justificação, tenham direito a prova especial, se falharem terão explicações especiais e se voltarem a falhar então terá de reunir o conselho de turma para ponderar o que fazer, começaremos a perceber que o sinal dado é o do mais completo laxismo para o qual haverá sempre uma recompensa.
8- Quando o aumento de tempo de permanência das escolas é totalmente absorvido a realizar esquemas de ensino, fichas das mais variados formatos e inúteis banalidades, tudo para encenar uma representação burocrática na qual os alunos em nada são beneficiados, então verificamos que algo difere profundamente entre o discurso e a prática.
9- Quando verificamos que professores no topo da carreira estão contra o processo de avaliação então o melhor é ver quais os parâmetros que vão ser contabilizados, o seu peso e significado. Descobriremos então que essa espécie de avaliação mais uma vez privilegia a burocracia e não a qualidade do ensino.
10- Quando verificamos que alguns alunos dos Cursos de Educação Formação que mal sabem escrever, mas que estão a ser integrados ficando com um título qualquer (técnico de jardinagem por exemplo), passam a ser considerados como tendo o 9º ano e assim podem progredir nos estudos sem qualquer formação complementar, concluímos que não se está a trabalhar para o futuro do país mas apenas para falsas estatísticas de sucesso.
11- Finalmente o resultado de tudo isso é uma gigantesca fraude em que os resultados de sucesso das estatísticas representam o mesmo que os resultados eleitorais das ditaduras: são inevitavelmente excelentes. Claro que uma reportagem televisiva sobre um país sujeito a uma ditadura pode conduzir-nos facilmente as mais disparatada conclusões. Claro que em cima de tudo isto há muito ruído de fundo; claro que há professores incompetentes que pretendem que a antiguidade continue a ser um posto; claro que a avaliação é apenas uma gota de água que fez transbordar o copo.
12- Finalmente COMO SE EXPLICA QUE NÃO POSSAM EXISTIR MULTIPLAS E FUNDAS CAUSA QUE LEVAM A QUE NUM PAÍS ONDE FREQUENTEMENTE 40% NÃO VAI AO FUNDO DA RUA PARA VOTAR, E AGORA UMA PERCENTAGEM MAIOR SE DESLOQUE CENTENAS DE KM PARA MANIFESTAR A SUA REVOLTA?13- Não podemos confundir a realidade com a ficção nem procurar vislumbrá-la em espelhos distorcidos que se chamam sindicatos. Nem sempre as aparências permitem tirar conclusões certas nem é óbvio que uma bigorna e uma pena de galinha sejam atraídas de forma idêntica para o centro da terra.
lkj
(José Cavalheiro)
çlk
Vários Professores foram fotografados, em grupo e individualmente, por "fotógrafos", não identificados e não autorizados. Escolas foram visitadas, professores foram questionados, "por razões de segurança". Vinte autocarros, vindos de Viana do Castelo foram impedidos, na estação de serviço de Aveiras, de continuar viagem em direcção a Lisboa, supostamente por alguns docentes vagarem de pé. Ao nível da segurança rodoviária é muito grave, ao nível da motivação em participar na manifestação, é único, ao nível do impedimento de prosseguir viagem... . Permita-se a pergunta. As forças policiais acompanharam os trajectos das centenas e autocarros, repentinamente apercebem-se que nos autocarros originários de Viana há Professores em pé. Porquê, apenas em Aveiras? Existem claques organizadas que não são objecto de tão apartado controlo. Suponho que terá sido por razões de segurança que "instituições", como a PIDE-DGS foram constutuídas. Por último, devo relevar o facto de ter recebido profundo apoio de vários agentes de autoridade que observavam uma manifestação de professores em determinada cidade. Aos mesmos agradeço, não revelando o nome da cidade, por razões óbvias. Devo referir o quanto emocionante foi sentir e ouvir o aplauso de pessoas anónomas, pais e alunos ao longo da AVENIDA DA LIERDADE. A todos, um OBRIGADO do tamanho do MUNDO.
lkj
(Z)
lkj
(...) Contudo quanto à avaliação dos professores, penso que a haver mito, é o mito de que agora a avaliação vai ser feita com rigor e tendo em conta a excelência. Os comentários que aparecem no seu blogue disso são ilustrativos.A avaliação anterior, que existia, contrariamente ao que afirma no seu texto, não funcionava por várias razões, nem todas imputáveis aos professores.As acções de formação disponíveis, acreditadas pelas estruturas do Ministério da Educação eram por vezes de uma pobreza confrangedora e desfasadas das necessidades do sistema educativo. Cheguei a ouvir falar em viagens de teor turístico a darem créditos. Quem teria cometido a barbaridade de as acreditar?!. Se essas acções davam os famosos créditos que permitiam a transição de escalão, deveriam ser os professores a auto-disciplinarem para não se aproveitarem do sistema?!As Escolas Superiores de Educação inicialmente criadas para a formação contínua dos professores foram reconvertidas em instituições de formação inicial (formação 2 em 1, aliás, mas isso é outro assunto), passando a formação contínua a ser um nicho muito restrito.A qualidade dos formadores, acreditados também pelo sistema, era frequentemente dúbia, para não repetir confrangedora.Muitos de nós, professores, criticávamos este sistema. Pela minha parte obtive os meus créditos com duas formações especializadas em Educação Especial (efectivei-me tarde na carreira, motivo pelo qual só tardiamente comecei a transitar de escalão e só aí precisando de créditos). Por fim, obtive uma terceira pós graduação, que agora de nada me serve, pela obtenção da parte curricular de um mestrado sobre relação pedagógica. Ficou congelada, como tudo o resto. E agora, fico a aguardar ser avaliada por um coordenador que nada tem a ver com a minha área de docência (Educação Especial) e que já informou que uns colegas a quem atribuiu a tarefa de elaborar um documento para o departamento, deveriam posteriormente ser recompensados na avaliação por terem tido mais trabalho do que os outros...Senti-me aluna da primária novamente. Será isso a excelência?
klj
Conceição Faustino (Leiria)
lkj
Há realmente muitos mitos a respeito da Escola, dos Professores e mesmo da sua dignidade profissional. Tenho acompanhado com alguma assiduidade a sua opinião sobre a postura deste Ministério da Educação. Parece-me, repito: parece-me, que a sua posição política ou "opinion maker", radica em muitas contradições. Desde logo, e a principal, o desconhecimento quase absoluto como funcionam as Escolas públicas portuguesas. E construindo uma opinião sobre o desconhecimento deste mecanismo, é pura e simplesmente opinar gratuitamente e, errar. Vou enunciar-lhe algumas inverdades, deturpações ou o que queiram chamar. Desde logo a questão da avaliação: Desde o ministro Roberto Carneiro que os Professores são avaliados, sob vários parâmetros. Mediante inspecções técnicas, mediante a apresentação de relatórios críticos periódicos sobre a sua actividade (com avaliadores) e mediante a frequência de cursos de formação contínua, igualmente com avaliação dos formandos e mesmo sem ninguém referir isso, os formadores também eram avaliados. Milhares de Professores completaram a sua formação académica com o grau de licenciatura, durante dois anos escolares nas mais insuspeitas Universidades deste país, a expensas suas, sacrificando as suas vidas familiares e melhorando as suas qualificações técnicas. Milhares de Professores continuaram a melhorar as suas qualificações académicas obtendo mestrados, a expensas suas, prejudicando as suas vidas familiares. É evidente, que estes milhares de professores o fizeram com ética e sujeitos a avaliações rigorosas, em pé de igualdade com os restantes alunos universitários. Não acha uma inverdade que os professores não eram avaliados, escrutinados e mesmo repreendidos?Depois, há sempre os homens e as mulheres detentores de toda a sabedoria, que não imaginam o que vai acontecendo em cada célula educativa deste país. Sentados nos seus pedestais de Lisboa anos a fio, ignoram, ou pior, não se interessam pelas condições atrozes que muitos profissionais e respectivos educandos suportam. Escolas com salas frígidas de Inverno e fornalhas autênticas nos meses de Primavera e Verão. Escolas sem apetrechamento pedagógico mínimo. Escolas a funcionar em condições de insegurança incríveis; Espanto-me como a ASAE ainda não vislumbrou esta realidade. Escolas sem funcionários a tempo inteiro e em quantidade minimamente aceitável. Escolas com orçamentos ridículos, limitadores de qualquer veleidade pedagógica. Abominável então, é ter a "lata" de pedir a esses mesmos professores que improvisem, desencantem soluções milagrosas, que não estão na alçada da sua responsabilidade. Professores que pagam do seu bolso materiais para crianças desfavorecidas, que pagam do seu bolso imensos materiais de trabalho e manutenção das escolas. Uma infindável lista de injustiças que se arremetem contra os docentes. É por isso que estes ficaram fartos e diria, completamente desmotivados.O verdadeiro problema da Manifestação de 8 de Março de 2008, não é o que a comunicação social, os comentadores políticos e o Governo querem fazer crer. Não. O verdadeiro problema, é que a Escola pública é um conjunto de situações alarmantes para a prática educativa, é uma montanha de burocracia que atafulha qualquer professor e o desvia sistematicamente do seu papel. É a falsidade do seu horário real que nada tem a ver com o seu horário laboral legal. Nenhum professor deste país cumpriria a sua função com rigor e autenticidade, se nada mais fizesse para além das 7 horas legais que lhes estão atribuídas. E não estão obrigados a mais, note-se.São estas as questões que ficam sempre por dizer, debater e resolver. Tudo se ilude com ideias que aparentemente parecem atormentar os professores. Mas desvalorizam o que fundamentalmente continua por resolver há décadas. Porque custa muito dinheiro. Porque é invisível e não ganha votos!Perguntava-se a uma criança ou jovem de tenra idade, o que gostaria de ser em adulto. A primeira opção que então surgia, era ser professor(a). Tenho colocado esta questão, nos últimos anos, a dezenas de crianças e jovens. Nunca aparece a opção professor. Porquê? Afinal o que mudou? O acesso à informação é muito valioso.Tenho dois filhos e sou viúvo há vários anos. Como fiquei com a responsabilidade de os educar, tive o bom senso de os convencer a retirar-se desse caminho, que só traria incomodidade e tristeza. Muitas vezes lhes referi: prefiro ver-vos a servir numa mesa de café (sem desprimor), que ver-vos suportar o que suportei e continuo a suportar. Não vale a pena. Mesmo que a alma seja do tamanho do universo.Este será o futuro de Portugal. Uma Escola pública sem qualidade, servida por quem não terá a qualidade necessária para erguer este país do marasmo. Já há indícios dessa degradação. Será a grande oportunidade para o serviço privado. Não haja ilusões.Tanta propaganda falsa e atabalhoada para iludir quem porventura tem mais que fazer na vida. Permita dar um exemplo: Os números do insucesso escolar. Claro que vão baixar exponencialmente. Veja-se. Um Agrupamento estabeleceu como média de insucesso (verificando os resultados escolar anteriores) nas diversas áreas curriculares entre 1 a 3% da totalidade dos alunos (sem valorizar as realidades próprias de cada unidade). Se um professor, ao leccionar uma turma composta por 20 alunos, tiver a infelicidade de cotar 2 alunos com notas negativas (ou mesmo um!) já leva com o "casqueiro" da avaliação! Dois alunos em 20, corresponde a 10%. Se a média nem a 5% chega, é fácil deduzir o que virá a seguir. Isto é o que ninguém quer explicar, e por isso se adivinham baixíssimas taxas de insucesso. Artificialmente. Questiono: qual o Encarregado de Educação, que se irá incomodar pelo facto do seu educando transitar sempre de ano, ciclo. Irá solicitar ao Professor que não concorda, que o seu educando deve reprovar? Alguém vai acreditar nisto?Termino, repetindo o que Jesus em vida, disse, ao insurgir-se contra o apedrejamento de uma meretriz: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra". Anda para aí muita gente a atirar pedras injustamente, cujos alvos são errados, estando as suas vidas , provavelmente, repletas de contradições e imoralidades.
lkj
(VL)
çlk
Na reportagem que a SIC fez sobre a grande manifestação de professores que aconteceu ontem, em Lisboa, e que reuniu cerca de cem mil professores descontentes com as políticas deste governo para a educação, foram dadas oportunidades a alguns manifestantes para colocarem questões à Senhora Ministra da Educação. Infelizmente não tive oportunidade de colocar nenhuma, se tivesse colocaria as seguintes: a Senhora Ministra enquanto professora universitária foi avaliada pelos resultados dos seus alunos? O que pensa a Senhora Ministra do alargamento de um sistema de avaliação de docentes com base no desempenho de alunos ao Ensino Superior? E da ideia dos Encarregados de Educação dos alunos do Ensino Superior, que são os próprios alunos, avaliarem o desempenho dos professores? Será que um sistema de avaliação de docentes que se alicerce em parte nos resultados dos alunos poderá de alguma maneira não interferir nesses mesmo resultados? Poderá de alguma forma um sistema desta natureza contribuir para a qualidade do ensino em Portugal??
lkj
(J.J. Nunes)

3 comentários:

antonio ganhão disse...

Gosto quando colocas posts assim curtinhos... tu lês o que copy-pastas aqui para dentro? ;)

Tiago R Cardoso disse...

Já disse que não gosto do Sr. Pacheco pereira, disse não disse ?

Pois não gosto e mantenho.

Gostei foi destas declarações e opiniões aqui reproduzidas.

joãoeduardoseverino disse...

Este é um post muito importante e esclarecedor. Este blogue é único. Para mim, o melhor.