segunda-feira, março 10, 2008

ESTEREOTIPAR, DIVIDIR, ESMAGAR = AVALIAR


O Comunismo era um dogma intolerante e indisputável.
Geriu e organizou sociedades com mão de ferro e controlo férreo.
Suprimiu liberdades. Amordaçou convicções. Perseguiu e matou quem as professasse.
Sofreram os cristãos. Todos sofreram o delito de sentir e ter fé.
Quase um século de perseguições e assassínios, gulags e processos sumários.
Em nome do farol científico da Luta de Classes.
lkj
Não ponho, como António Barreto e outros põem, as mãos no fogo
por Maria de Lurdes Rodrigues em matéria de sensibilidade humana,
preferindo eles responsabilizar e imputar à grande ETAR burocrática da 5 de Outubro,
sinédoque muito em voga, esta voragem castradora chamada 'Avaliação' e 'Reforma'.
Acredito, pelo contrário, no lado sádico e truncado do seu rosto de aparente tranquilidade.
Só com uma tranquilidade destas se pode envenenar tudo
e disfarçar que se envenena. Este povo de macerados, que ainda se denomina 'professor',
compreenderá, talvez tarde, a mutação em capachos obedientes e normalizados
em que os querem reconverter:
lkj
«O sistema de avaliação que a ministra pretende impor
e que os sindicatos recusam é apenas um dos temas de contestação.
Mas é o que tem surgido com mais evidência.
A coberto de uma virtude indiscutível,
a ideia de avaliação não é recusada por ninguém.
lkj
É de bom-tom dizer que se é “a favor da avaliação,
mas contra esta avaliação”.
Para todos, ou quase, é uma espécie de santo-e-senha de honorabilidade.
Acontece que não é. A palavra, o conceito, o mito e o tique
nasceram há vinte ou trinta anos.
Em Portugal e na Europa.
lkj
Criado por burocratas e tecnocratas,
os defensores da avaliação acreditam que um sistema destes
promove a boa educação, melhora o ensino,
castiga os maus profissionais, detecta os talentos,
permite corrigir erros e combate o desperdício.
lkj
Na verdade, o sistema e a sua ideologia,
que infestaram o ministério da educação,
são próprios de uma educação centralizada, integrada e uniforme.
Na impossibilidade humana de “gerir” milhares de escolas
e centenas de milhares de professores,
os esclarecidos especialistas construíram uma teoria “científica”
e um método “objectivo” com a finalidade de medir desempenhos
e apurar a qualidade dos profissionais.
lkj
Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas
com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos,
ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno.
O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção,
a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola.
lkj
O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade
e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa
e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola
e da profissão docente.
Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas
e de perceber o que os professores realmente fazem.
É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes,
incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional.
Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério,
é mais um sinal de crise da educação.
lkj
Mais do que dos sindicatos ou dos professores,
a ministra Maria de Lurdes Rodrigues é vítima da 5 de Outubro.»
lkj
António Barreto

«Retrato da Semana» - «Público» de 9 Mar 2008

1 comentário:

Sharon disse...

Hi Joshua,
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Sharonlt42@aol.com