quarta-feira, março 26, 2008

A ISABELA TERIA UMA ESTACA DE PAU PARA CRAVAR NESTAS PALAVRAS


Isabela, os gatos que ainda terei merecem um futuro melhor que eu tê-los,
mas também não é preciso exagerar num certo laconismo cortante.
lkj
Prefiro pensar-nos embrenhados nas lutas actuais,
pertencentes a um núcleo restante de humanidade mais humana e menos cínica,
que odeia opressões,
que não dicotomiza o feminino e o masculino,
ou o preto e o branco,
ou o nacional e o estrangeiro,
que separa lixos,
mas não separa gente nem a estratifica por categorias nem por opções,
(as mulheres que amam outras mulheres,
os homens que amam outros homens,
os homens que às vezes amam mulheres e outras vezes preferem homens
e outras ainda mergulham numa salada com todos-maluqueira grega ou romana qualquer,
que se contêm de molestar crianças, adolescentes e jovens,
caso os desejem,
porque se agirem malignamente contra os mais frágeis e pequenos,
ter-nos-ão à perna dentro da mesma luta por humanidade e desopressão!),
os pais que o deixam de ser só por lhes ser a filha lésbica,
só por lhes ser o filho homossexual,
têm, porque têm!, de se inspirar no saudoso Martinho Lutero,
um iluminado, como outros iluminados, que regurgitou pensamento
restrititivo e castrante, quando muitos e muitos, raros como pepitas,
já haviam emitido um pensamento bem mais complacente,
misericordioso e tolerante à época:
lkj
«Os homens têm tórax grande e largo,
quadris estreitos e mais entendimento que as mulheres,
que têm tórax pequeno e estreito e quadris largos.
lkj
Isto significa que elas devem ficar em casa,
sentar-se quietas,
cuidar do lar,
gerar e criar crianças.»
çlk
Martinho Lutero
klj
«As palavras e os actos de Deus são bem claros:
as mulheres foram feitas para ser esposas ou prostitutas.»
klj
Martinho Lutero, Trabalhos, 12.94
D
E é, Isabela, em nome de essa mesma grande luta
que emancipará a mulher que há em qualquer homem livre e libertador,
e banirá a excisão do pensamento opositivo verdadeiramente independente e livre,
que é preciso também que nos inspiremos em Martinho Lutero.
Por isso mesmo e nessa mesma linha,
é que gostei muito do sermão do Messias Sorrateiro-Sócrates,
lá num evento-PS, anteontem, com palmas e palavras inflamadas,
e onde esse nosso BigBrother-Sócrates,
distribuidor de emprego e de desemprego selectivos,
sublinhou enfaticamente que, no PS, a liberdade é livre
e que ali, ao contrário do que se passava no PSD,
só no PS havia a liberdade de opinião
e liberdade de discordar e a liberdade de divergir e inaugurar novas tendências de liberdade,
a liberdade de falar muito de liberdade, de lembrar imenso a liberdade
de libertar da língua livre o desejo de ser livre e libertado e pluralístico e tal em liberdade.
«Se tu o enfatizas tanto é porque ela falta e tua a odeias.», pensei.
lkj
Certo é que bocejei de tédio, enquanto uma névoa verbal de cínico e hipócrita
pairava sob o sorriso estudado daquelas palavras.
E Portugal é isto e leva à letra isto,
tal como Martinho Lutero, novo Maomé fraccionador de um Corpo,
desbizantinizador obstinado e heresiarca novo, prescrevia:
lkj
«Do mesmo modo, devemo-nos submeter à autoridade do príncipe.
Se ele abusa ou faz mau uso dela,
não devemos odiá-lo,
buscar a vingança ou a punição.
A obediência é devida em nome de Deus,
pois a autoridade é o representante de Deus.
Por mais que eles tributem e exijam,
devemos obedecer e suportar com paciência.»
lkj
Martinho Lutero, no sermão Tributo a César

2 comentários:

Anónimo disse...

Ei ...

obrigado pela visita e pelo comentário!
seja bem vindo sempre !

muito bom seu blog.

O dom da palavra é pra poucos

parabéns

antonio ganhão disse...

Bem não percebo o que te despoletou este post e segui o teu link.

Nunca antes tinha visitado um blog dedicado a putas baratas.