sábado, setembro 23, 2006

CASTRO VAPOROSO














Olha sempre para o céu
ainda que não dê dinheiro, não alimente nem vista ninguém.
Olha continuamente esse panorama,
sobretudo à passagem desse batalhão de nuvens
numa cruzada jihadista contra a secura dos campos
ou numa insistência de encharcamento deles,
sente e compara gratuitamente
a miséria da política terrestre
(os nomes dos homens avaliados e verberados)
com o azul e a nívia nuvem gratuitos que te foram dados a respirar.
Só por olhá-los se transforma o teu íntimo,
só por eles logo te acalmas todo por dentro.
Então, por um momento, não valorizes
o braço de grua do que de humano feda na paisagem.
Não mais te esqueças
dessa porta, por onde entras com os olhos,
desse lar, onde se senta e repousa o teu coração
desse forte, onde és absolutamente inexpugável.


Joaquim Santos

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