quarta-feira, setembro 06, 2006

ESCOLA SOCRÁTICA DO SORRISO POPULISTA












No princípio, não era o Verbo,
era a falta de sorriso.


Sócrates disse-lhe:
«Ouve lá, ó Maria de Lurdes, deixa-me dizer-te que estás a fazer um óptimo trabalho,
ehehehe, mas já consideraste por um pouco a possibilidade de sorrir mais,

durante as entrevistas,
as conferências de imprensa
e os plenários nas visitas às escolas?
As nossas políticas educativas são boas,

mas sem um sorriso rasgado e confiante,
passam a más diante da opinião pública
e nós temos de conservar o favor dos eleitores».

Depois, puxou-lhe o braço e sussurrou-lhe ao ouvido:

«Ao menos olha para mim. Já reparaste no meu efeito?
Diz-me se não me saio bem melhor que o Paulo Portas,
mesmo sem embranquecer a dentuça?
Ele tinha aquela vozinha de direita minoritária...
Nunca teve este poder incontestável
de uma direita incontestável
disfarçada de socialismo.»

«Sim, PM., compreendo», respondeu a Ministra,

«mas perante esta classe docente parasita,
dá-me cá uma raiva no uso da tesoura orçamental!...».

E a Ministra passou a sorrir.

E a sorrir trabalha por que o gado professoral se sinta cada vez mais gado
em transumâncias desumanas permanentes,
destituídos de uma vida normal,

da normalidade de uma família,
da normalidade da normalidade,
de um local de vida certa ou de vida sequer.
Dizem alguns que são inerências da profissão que abraçaram.

Abraçaram uma profissão e as suas inerências,
mas não abraçaram tudo o que pressuponha uma Ministra de sorrisos e directrizes
sempre a tender para o sádico

sempre a tender para o esmagamento
do docente.


Joaquim Santos

3 comentários:

filipelamas disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
filipelamas disse...

Simplesmente genial. Também sou docente, embora sob a tutela do Gago. Tenho assistido com pavor
à paulatina destruição de uma classe que, em outros tempos recebia o seu exacto valor. Nem mais nem menos. Os professores não querem ser privilegiados, mas também não podem aceitar ser encarados como párias sociais. A firmeza na luta pelas justas aspirações deve ser complementada por uma irrepreensibilidade de comportamento dos próprios docentes. Talvez alguém se lembre de desfolhar um livro de História e confirmar que um Povo só é grande quando investe e honra a sua cultura e a sua educação. Mesmo em época como a que vivemos em que o pão e o circo dos augustos imperadores romanos são velha receita repetida.

kinkas disse...

Olha lá ó cagarolas.
Esta merda baixou de caralho as audiências.
Eu bem te disse que nem com a fotografia da familia toda te safavas.
Já te viram o cu, aliás, foste tu quem o mostrou.
És mesmo burro