sexta-feira, setembro 15, 2006

MÍNIMO MINARETE GÉMEO

















Por muito que ruísseis,
estais de pé,
insuportável ruptura da fotografia com a vida,
estais de pé porque nos lembramos,
lembramos a perpetuação
intolerável dessa retaliação,
lembramos o ocluso beco intransitável
desse golpe e do convite aceite
de retribuir às cegas.

E para quê, se o mundo inteiro
nunca será almádena donde se grite,
«Alah u akbar» porque tudo em absoluto o grita
multiplicemente, multicolormente?

Extinguem-se os sítios esguios e altos donde se apela à oração,
e ao apostolado da morte Hizbollah:
a esguia e alta torre donde se avista somente o deserto
e as planícies
e, num burburinho formigueiro,
o humano mercadeando especiarias
e armamentos
vai desmoronar.

Nunca mais haverá um só credo nem uma só cor:
no cerne do ódio, cúpulas douradas rebrilham,
jerusaléns fragmentam-se em igrejas e sinagogas deflagradas
e muitos minaretes têm também um minarete gémeo.


Joaquim Santos

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