quarta-feira, setembro 20, 2006

ESPANHOLA












Quando às vezes a humanidade não vale a pena,
quando é uma lâmina afiada este sumo asco pela maldade nojenta dela
e pelo sangue que dela se derrama prontamente,
já na bala que limpa e liquida,
já nos perdigotos de uma voz, pretexto do protesto em ódio acre,
deve pensar-se em gripe.

Pense-se numa gripe devastadora,
uma tosse cagarrinhosa de enxofre,
que varra em epidemia os poluidores,
os militaristas, os terroristas domésticos,
os filhos da puta egoístas,
os filhos da puta só filhos da puta sem adereços,
os torturadores, os guantanamistas,
os abu grahibistas,
os fundamentalistas,
os democratas parciais,
os democratas com veia autoritária,
e parêntesis torturadores,
os fascistas dos blogues absolutos,
as pessoas más, aquilinas na sua maldade selectiva.
Há-de tanto inocente perecer de uma forma ou de outra
como se a sua transição para o nada ou a Pátria Prometida
fosse lógica, suave e natural,
então que pereçam mesmo
todos os indecentes e todos os decentes
numa orgia de internamento sem esperança.

No resto do tempo, há prados verdejantes,
céu azul e um mar ainda mais doce que como o imagino,
murmurando «paciência, meu filho! Paciência».


Y'shua Santos

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