terça-feira, setembro 19, 2006

CATALISADOR


















A Verdade é o catalisador.
A Verdade, uma vez dita ao de leve, como uma brisa imperceptível, torna-se o rastilho de pólvora
que enche de um explosivo ódio prévio
os já previamente indignados e indignáveis,
os sempre prontos a indignar-se,
como umas personagens de O Idiota, de Dostoyevsky,
que tinham esse ar de prontos a zangar-se imenso
com uma pluma branca de passagem pela frente dos olhos,
sempre prontos a violentamente declarar-se não-violentos,
enquanto fuzilam a dignidade humilde de Deus, Allah, Iaveth,
em cada humano livre e inocente.

Ela, a Verdade, não se vergará à violência,
mas dará a vida, só por ser o que é,
porque é necessário que assim seja,
porque o pior de tudo não é que se perca a vida,
mas que se descure o âmago
e mercadeie o íntimo,
e se suje a alma.
Ela, a Verdade,
tem o triunfo completo por promessa,
ainda que os brutos se insurjam e vomitem ameaças,
atraídos como mariposas pelo lucilar dela, da Verdade.
Há uns homens que se dizem cristãos,
mas vivem fracturados nas suas designações
particulares, adormecidos no vazio,
quase mortos, enquanto o seu Senhor não regressa.
Porém, unidos em torno de um pólo coesivo, verão a Verdade,
agora insultada e pisoteada,
irradiar então uma Luz jamais vista.

Joaquim Santos

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