terça-feira, setembro 26, 2006

MNEMÓNICA CAGADEIRA















A paisagem não mente.
Entre o caos e o verde, edifica-se.
Mas a paisagem nunca mente.
Ela denuncia, no meio da luz, um local adequado para os homens das obras
tomarem as refeições,
mudarem de roupa
e outro local também,
mais afastado em destaque ermo,
projectando uma sombra gémea,
para evacuarem.

Nada contra a demolição da paisagem que tinha por minha.
Nada contra a disposição caprichosa do pó empreiteiro
exportado cá para dentro e cá dentro respirado.
Nada contra a ruidosa maquinaria por meses argamassando,
peidando e cagando, cimento armado,
tijolos empilhados,
para no meio e no fim
haver casa.

Uma casa onde outrora odorosas vacas bostantes
pastavam exemplarmente
e rebanhos de perfumadas ovelhas caganitativas
acumulavam rotunda grenha
para extremo consolo dos meus áureos olhos
em serena mediocritas.

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