domingo, novembro 21, 2010

RESISTIR AO CONSENSO

Se eu gostei da Cimeira da Nato em Lisboa e a considerei prestigiante para Portugal? Gostei. Considerei. O prestígio do País pela excelente organização de esse evento reverberou o suficiente, apenas para contrabalançar um pouco as notícias quotidianas da nossa bancarrota contra a qual devemos combater, trabalhando mais e denunciando ao máximo todos os desmandos da política e dos políticos. Se isto é mesquinho e denota somente maledicência, santa paciência! Mais que o comprazimento de muitos na nossa derrota e na nossa pequenez, a pretexto de qualquer oportunidade para o País brilhar em cimeiras e galas que nos devolvem ao centro do mundo, o que deve revoltar-nos é o silêncio pactuante de muitos com os que rasuram os mínimos democráticos e falham nos mínimos económicos. Perante a decadência e a indecência dos partidos, sobretudo do Partido Socialista, há que fazer um combate sem quartel aos que se escondem nesses eventos, biombos internacionais para disfarçar o mau trabalho governamental, lobista, anti-patriótico, laxista, porque demasiado ocupado com toda a sorte de questões políticas, de sobrevivência, mas não tão incansável a facilitar a vida aos pequenos e médios cidadãos empreendedores, sempre desconsiderados e traídos. Com maledicência ou sem ela, resistamos ao consenso morno de comer e calar que agora nos exigem e por que implora este PS à tona-latrina. Cimeiras e coisas lustrosas são demasiado fáceis comparadas com a organização de um País tragável, onde valha a pena viver sem sobressaltos desnecessários. Perante isso, o que opinamos sobre elas-cimeiras, mais amargo e negativo ou menos negativo e amargo, não interessa nem faz a diferença, quer sejamos ou não sejamos insignificantes. Qualquer intelectual é acre e cínico a fim de dizer o inédito ou dar a ouvir o inaudito e isso será sempre enriquecedor numa sociedade livre, plural e tolerante. Também há uma tara, um comportamento compulsivo, na alienação de omitir lá, onde o que se impõe é denunciar e rebelarmo-nos legitimamente. É uma evidência que muitos se calam e procuram ignorar o mal que se vai fazendo a Portugal porque são pagos para se calarem. Em favores. Em dinheiro. Tal venalidade pode ser quase traição, mas é inquestionavelmente anti-patriótica.

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