SÁTIRA: PSEUDO-TRANSCRIÇÕES

A sátira às escutas que ontem circulou por todo o lado, com carimbo falsário da Comarca do Baixo Vouga, tem uma marca inequívoca: são 70% socratinizantes. Isto é, são uma possibilidade de um certo socratismo insolente e acossado, com motivos para andar mal-humorado, lavar o fígado. Nela abundam insultos grosseiros dirigidas a Manuela Moura Guedes e a Manuela Ferreira Leite. Os outros 30% são tiros no pé em tentativas de equidistância. Não há humor neutral. Não há humor sem alvos. Insultar e desvalorizar duas mulheres. Desvalorizar as transcrições de que tanto se fala pela bastonada do chiste. As transcrições reais, perante as quais o Procurador gagueja inexplicações e entrava esclarecimentos, essas percebe-se não terem piada nenhuma, deixando as mentes ingovernáveis do Governo de cabeça perdida. Se é possível secundarizar inteiramente o volume crescente de desempregados e indigentes; se é possível fazer de conta que a desordem assombrosa das contas públicas não foi uma coisa mentida e ocultada, cavada e explorada, é porque o calcanhar de Aquiles de este poder PS, vazio de bom-senso e moderação, consiste nos processos manhosos a que recorreu para voltar a ser poder. É desse tipo de maquiavelismo negro, de uma infinita incúria saqueadora, que a República tomba vítima.
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