ÁLCOOL, SUCEDÂNEOS AFECTIVOS

Prevenir somente proibindo a venda de bebidas alcoólicas aos mais jovens é insuficiente e ineficaz. Seria necessário uma revolução social. Revolução impossível, comprometida que está pela destruição galopante, pelo âmago, do Estado português como um Estado de Direito, a caminho que está de por inteiro se balcãnizar e africanizar entre o caos dos mais irresponsáveis egoísmos administrativos devoradores. Na base do recurso precoce à bebida e mesmo à partilha de drogas estão vários tipos de desregulação familiar, ausência paternal por horários laborais desumanos e anti-família, práticas dispersivas e formas sofisticadas de abandono e de permissividade. Desnorteados do ponto de vista afectivo, as crianças/pré-adolescente/adolescentes têm nos seus pares os sustentáculos de toda a experimentação e de toda afectividade alternativa. Os alunos mais perturbados e vulneráveis com os quais lidei profissionalmente eram socialmente privilegiados da alta sociedade universitária e política portuense, mas vítimas de longas ausências físicas e atencionais dos seus pais. Se os casos de insuficiência hepática ou cirrose estão a aumentar nos jovens até aos 30 anos haveria que inquirir o que é que os contextos familiares e a história individual nos revelam de explicativo para formar um quadro de constantes: o consumo excessivo de álcool por jovens cada vez mais novos, a droga e a hepatite C são as causas para esta subida, alerta a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado que vai promover um encontro em Lisboa na próxima sexta-feira para debater as questões - Público.
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